MOSTARDA-PRETA

17/02/2020 22:04

Brassica nigra  (L.) W.D.J. Koch.

Brassicaceae (antiga Cruciferae)


SinonímiasSinapis nigra L., Brassica sinapoides Roth, Mutarda nigra (L.) Bernh., Sisymbrium nigrum (L.) Prantl.

Nomes populares: Mostarda-preta, mostardeira, black Mustard (inglês), mostaza negra (espanhol), moutarde noire (francês), sènape nera (italiano), schwarze (alemão).

Origem ou Habitat: Europa e Ásia.

Características botânicas: Herbácea anual, ereta, medindo de 1 a 3 metros de altura; possui muitas ramificações. Folhas lobadas e estreitas com margens serreadas; flores amarelas, pequenas, agrupadas em cachos. Os frutos são tipo síliqua (Derivado de um ovário superior de dois carpelos, na maturidade o pericarpo seco se separa em três partes, uma parte central (um septo) que contem as sementes.

Partes usadas: Folhas e sementes.

Uso popular: O emprego popular mais conhecido é o cataplasma com suas folhas ou sementes, chamado de sinapismo, aplicados em casos de reumatismo, neuralgia, frieiras e afecções das vias respiratórias. Outro uso popular são os escalda-pés em casos de resfriados e cefaleias. A infusão do pó das sementes adicionadas com gotas de vinagre, é empregada para fazer gargarejos em casos de angina ou faringite.

No Peru, emprega-se a infusão do pó das sementes como antipirético. No Marrocos como estimulante, digestivo e emético. Pulverizando sobre a comida ou moída com pão, diz-se que é afrodisíaco. Empregam-se 20-30 sementes de mostarda-negra por dia, para estimular o apetite e melhorar a digestão. (ALONSO, J., 2004).

Composição química: Glicosinolatos (compostos contendo enxofre e nitrogênio): sinigrina (1%) por hidrólise com a enzima mirosinase ou tioglicosidase, gera uma substância volátil chamada de isotiocianato de alila, conhecida como óleo ou essência de mostarda. O isotiocianato de alila (AITC) foi identificada como o componente principal do óleo essencial de Brassica nigra.

Outros compostos: Mucilagens (20%), proteínas, lipídeos, óleo fixo (25-37%) composto principalmente por glicerídeos de ácidos graxos insaturados (ácido eicosenoíco, ácido erúcico, ác. lignocérico, ác. linolêico, ác. linolênico e ác. oleico.

Ácidos fenólicos: Ácido gálico (sementes) e ácido carnósico.

Flavonóides: Quercetina (sementes), Flavanone, Flavanona, Iso-flavanona, 7-hidroxiflavanona, 7-hidroxiflavona e 6-hidroxiflavona.

Glucosinolatos: Sinigrina (Sementes)

Ações farmacológicas: Rubefasciente, Antibacteriano, fungicida, antitumoral.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: O emplastro ou cataplasma de mostarda pode causar bolhas, ulceração e necrose se não for removido dentro de 15-30 minutos.

Há relatos de reações anafiláticas, caracterizadas por gastroenterites, rinites, bronco-espasmos, convulsões epileptiformes ou colapso cardiorrespiratório, pelo uso interno com molhos ou sementes.

Por via externa foram observados alguns casos de dermatites de contato.

Em um estudo efetuado com pessoas hipersensíveis à mostarda-negra, 66% apresentaram reações sistêmicas e 34% reações locais.

Vários quadros de polinose foram associados ao consumo conjunto de outros vegetais.(Alonso, J. 2004) A polinose, denominada genericamente febre de feno ( hay fever ), é uma doença alérgica estacional devido à sensibilização por pólens alergizantes. Estes encontram-se no ar durante a época de polinização de determinadas plantas, produzindo rino-conjuntivite e/ou asma brônquica. Apesar do nome, não existe febre e o feno não é o responsável pelos sintomas. Existe sim, uma sensação de febre, simulando um desagradável estado gripal. (http://www.sbai.org.br/)

O uso interno da mostarda em altas doses, provoca cólicas digestivas, vômitos, diarréia, seguidos de sonolência, dispneia, arritmias cardíacas e coma. Em caso de intoxicação emprega-se carvão ativado, aplicação de substâncias mucilaginosas e hidratação. (Alonso, J. 2004).

A sinigrina, ao ser metabolizada a isotiocianato de alila, comporta-se como agente carcinógeno no teste de Ames, alterando o papel protetor do gene P53 (Ortega Mata M., 1994 apud Alonso, J., 2004.

Contra-indicações: Não administrar em casos de úlcera gastroduodenal, transtornos circulatórios de membros (varizes, úlceras, hemoorróidas e tromboflebites), hipotiroidismo, gravidez ( o óleo essencial é abortivo) e lactação. Não aplicar por via externa a crianças menores de 6 anos.

Posologia e modo de uso: Sinapismo ou cataplasma: prepara-se a base com farinha de mostarda diluída em água quente (40°C a 50ºC), envolver em um pano ou gaze sobre a região a ser tratada. Manter no máximo 10 a 15 minutos, para não fazer bolhas.

Pedilúvio ou escaldapés: prepara-se com 20-30g de farinha de mostarda por litro de água, deixe os pés imersos até a região da panturrilha, em água quente, chegando numa temperatura de 38ºC à 40ºC. Ir acrescentando água quente durante o tratamento.

Observações: A Mostarda está entre as especiarias mais antigas registradas, datam de cerca de 3000 aC. Três variedades estão em uso popular Brassica alba, Brassica juncea e Brassica nigra. (THOMAS, J. et all, 2012).

Um condimento de mostarda é feita a partir de sementes de mostarda, vinagre, sal, água, e opcionalmente outros aditivos, sendo baixo o conteúdo de isotiocianato (<0,05% em peso). O produto é obtido por desactivação da mirosinase presente nas sementes de mostarda, antes que a pasta é feita. (GAL, Stefan, 2002)

O ácido erúcico junto ao ácido oléico, constitui um óleo que ajuda no combate a Adrenoleucodistrofia (ALD), fato relatado no filme Lorenzo’s Oil

Referências: 

ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004.

BALKRISHNA, Acharya; MISRA, Laxminarain. Chemo-botanical and Neurological Accounts of Some Ayurvedic Plants Useful in Mental Health. The Natural Products Journal, [s.l.], v. 8, n. 1, p.14-31, 9 fev. 2018.

DELAQUIS, P. J.; Mazza, G. “Antimicrobial properties of isothiocyanates in food preservation.” From Food Technology (Chicago) (1995). (Scifinder) – Acesso 30 Maio 2016.

DELAQUIS, Pascal J.; Sholberg, Peter L. “Antimicrobial activity of gaseous allyl isothiocyanate.” From Journal of Food Protection (1997)-(Scifinder) – Acesso 30 Maio 2016.

DHINDSA, Kuldip S.; Gupta, S. K.; Singh, Randhir; Yadava, T. P. “Chemical composition and fatty acid pattern of some Brassica species.” From Indian Journal of Nutrition and Dietetics (1975), 12(3), 85-8.-(Scifinder) – Acesso 30 Maio 2016.

GAL, Stefan “Isothiocyanate-​low mustard condiment obtained by myrosinase deactivation.” From Patentschrift (Switz.) (2002). (Scifinder)- Acesso 30 Maio 2016.

HUSSEIN, E.a. et al. Phytochemical Screening, Total Phenolics and Antioxidant and Antibacterial Activities of Callus from Brassica nigra L. Hypocotyl Explants. International Journal Of Pharmacology, [s.l.], v. 6, n. 4, p.464-471, 1 abr. 2010.

MAZUMDER, Anisha; DWIVEDI, Anupma; DUPLESSIS, Jeanetta. Sinigrin and Its Therapeutic Benefits. Molecules, [s.l.], v. 21, n. 4, p.416-427, 29 mar. 2016.

MEJÍA, Any Carolina Garcés; PINO, Nancy J.; PEÑUELA, Gustavo A.. Effect of Secondary Metabolites Present in Brassica nigra Root Exudates on Anthracene and Phenanthrene Degradation by Rhizosphere Microorganism. Environmental Engineering Science, [s.l.], v. 35, n. 3, p.203-209, mar. 2018.

THOMAS, J.; Kuruvilla, K. M.; Hrideek, T. K. ” Mustard” From Woodhead Publishing Series in Food Science, Technology and Nutrition (2012).(Scifinder)- Acesso 30 Maio 2016.

WYK, Ben-Erik van & WINK Michael “MEDICINAL PLANTS OF THE WORLD”, Timber Press, Portland, Oregon/U.S.A. 2004.

http://www.sbai.org.br/secao.asp?s=81&id=300 – Acesso 30 Maio 2016.

http://www.plantamed.com.br/ Acesso 30 Maio 2016.

http://farmacobotanica.xpg.uol.com.br/aula3%205.html – Acesso 30 Maio 2016.

https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81cido_er%C3%BAcico.- Acesso 30 Maio 2016.

http://www.tropicos.org/Name/4100069?tab=synonyms – Acesso 30 Maio 2016.

Tags: AfrodisíacoantipiréticoCataplasmaCefaléiaDigestivoEméticaNeuralgiaResfriadoReumatismo

LARANJEIRA E LIMOEIRO

13/02/2020 21:21

Citrus aurantium & Citrus limon  L.

Rutaceae


Sinonímias:

Citrus aurantium L. subsp. aurantium (= subsp. amara (L.) Engl.) – laranja amarga

Citrus sinensis (L.) Osbeck. – laranja doce.

Origem ou Habitat: Oriente.

Características botânicas: O gênero Citrus é composto de diversas espécies, variedades e híbridos. São muitos apreciados pelos frutos comestíveis (laranja, limão, lima, etc) e como fonte de óleos essenciais, pectinas e flavonóides. Na Ilha, espécies de laranja e limão são empregadas com fins medicinais.

A espécie Citrus aurantium é uma árvore pequena (até 5m), com folhas elípticas, verdes, pecíolo alado articulado na inserção do limbo. As flores, de odor suave, são brancas ou amareladas. A espécie Citrus sinensis cresce até 10m de altura.

A espécie Citrus limon é uma árvore que se diferencia da laranjeira por apresentar folhas com pecíolo rara ou estreitamente alado. As flores são brancas na parte interna das pétalas e vermelho-violáceo na parte exterior.

Partes usadas: Flores, folhas, cascas, suco.

Uso popular: Segundo as comunidades da Ilha

As folhas da laranjeira e do limoeiro, bem como o suco do limão, são empregados na forma de decocto ou xarope com mel para gripes, tosses e resfriados. A folha e flor da laranjeira e do limão são empregados em dores de cabeça e ansiedade.

Segundo a literatura

As cascas da laranja são empregadas como estimulante do apetite (SCHILCHER, 1992) e no tratamento sintomático dos problemas funcionais da fragilidade capilar cutânea. As flores e folhas da laranjeira amarga e doce são empregadas como sedativo suave, em problemas do sono. A casca do limão é usada como estomáquico. O suco é empregado, internamente, contra flatulências, afecções hepáticas e biliares, dores de cabeça, febres e resfriados. Externamente como anti-inflamatório para feridas e como calmante de dores de gengivas e dos dentes.

O suco fraco, sem açucar e morno pela manhã, em jejum, favorece a evacuação.

Composição química: Os dados químicos comuns às espécies de Citrus serão apresentados conjuntamente.

A folha da laranjeira possui flavonóides, compostos amargos e 0,3% de óleo essencial contendo 70-75% de linalol, 10-15% de geraniol, semelhante ao óleo das flores . A flor da laranjeira possui 0,2-0,5% de óleos essenciais, constituídos basicamente por monoterpenos, além de citroflavonóides e substâncias amargas . O pericarpo tanto da laranja doce quanto da amarga contém 1 – 2,5% de óleo essencial, constituído de aproximadamente 98% de limoneno. Também contém citroflavonóides, pectinas e furanocumarinas. O pericarpo do limão possui composição semelhante, diferindo apenas quantitativamente . Os citroflavonóides encontram-se no pericarpo e polpa das frutas.

Das folhas e cascas dos frutos de algumas espécies de Citrus foi isolada sinefrina.

A polpa dos frutos cítricos é rica em vitamina C.

Ações farmacológicas: Os dados farmacológicos comuns às espécies de Citrus serão apresentados conjuntamente.

São indicados no tratamento das manifestações de insuficiência venosa crônica, funcional e orgânica, dos membros inferiores. Alguns desses flavonóides apresentam forte ação hipotensora em ratos, após a administração intravenosa.

A sinefrina é um alcalóide simpatomimético.

A pectina age como um laxante suave, por promover o aumento do bolo fecal e, conseqüentemente, estimular o peristaltismo do cólon.

Experimentos com o suco dos frutos de Citrus sinensis e, principalmente, de Citrus limon, demonstraram que os mesmos aumentam significativamente os níveis plasmáticos de lipoproteína de alta densidade (HDL) e reduzem os níveis de colesterol, de lipoproteína de baixa densidade (LDL) e de triglicerídeos em ratos.

O óleo das flores apresentou atividade antimicrobiana(HOPPE, 1981).

estudo em ratos mostrou ação sobre ansiedade , com provável ação sobre receptores tipo benzodiazepínicos , e sobre depressão.

A vitamina C possui propriedades antiescorbúticas.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: As furanocumarinas presentes nas cascas de laranja e, principalmente, do limão, podem provocar reações de fotossensibilização cutânea, especialmente em pessoas de pele clara.

Reações alérgicas ao suco ou ao óleo essencial já foram relatadas. Neste último, os terpenos presentes seriam os responsáveis pela sensibilização.

Contra-indicações: Pessoas com sensibilidade ao limão e a laranja.

Observações: Para o tratamento da constipação habitual, recomendamos tomar em jejum, meio copo de água morna com 1 limão espremido, e introduzir as modificações necessárias na dieta e nos hábitos.

Referências: 

BISSET, N.G. (Ed.) Herbal Drugs and Phytopharmaceuticals. 4.ed. Stuttgart Medpharm, Boca Raton: CRC Press, 1994.

BRUNETON, J. Pharmacognosie Phytochimie Plante Médicinales. 2.ed. Londres: Technique et Documentation Lavoiser, 1993.

FARIAS, M.R. et al. Plantas medicinais na ilha de Santa Catarina: Grupo de Estudos em Fitoterapia, Florianópolis: UFSC/P.M.F., 1996, 111p. (inédito)

GIRRE, L. La Santé Par Les Plantes. Rennes: Edilarge S.A., 1992.

HARDMAN, J.G.; UMBIRD, L.E. (Eds.) Goodman & Gilman’s The Pharmacological Basis of Therapeutics. 9.ed. New York: McGraw-Hill, 1995.

HOPPE, H. A. Taschenbuch der Drogenkunde. Berlin: Walter de Gruyter, 1981.

REYNOLDS, J.E.F. (Ed.) Martindale The Extra Pharmacopoeia. 30.ed. London: The Pharmaceutical Press, 1993.

ROTH, L; DAUNDERER, M.; KORMANN, K. Giftpflanzen Pflanzengifte. 3.ed. Lech: Ecomed, 1987.

SCHILCHER, H. Phytoterapie in der Kinderheilkunde: Handbuch für Arzte und Apotheker. Sttutgart: Wissenschaftliche, 1992.

TANG, W.; EISENBRAND, G. Chinese Drugs of Plant Origin. Berlin: Springer, 1992.

TROVATO, Α. Effects of fruit juices of Citrus sinensis L. and Citrus limon L. on experimental hypercholesterolemia in the rat. Phytomedicine, v.2, n.3, p.221-7, 1996.

ZIN, J.; WEISS, C. La Salud Por Medio de las Plantas Medicinales. 6. ed. Santiago: Editoral Salesiana, 1980.

Pharmazie, v. 66, n. 8, p.7-623, Aug., 2011.

Sedative, anxiolytic and antidepressant activities of Citrus limon (Burn) essential oil in mice. L M Lopes C, Gonçalves e Sá C, de Almeida AA, da Costa JP, Marques TH, Feitosa CM, Saldanha GB, de Freitas RM. Source Programa de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas, Laboratório de Pesquisa em Neuroquímica Experimental da Universidade Federal do Piauí, Brazil.

 

Tags: AnsiedadeAnti-inflamatórioCefaléiaFebreFlatulênciaGripeResfriadoSedativoTosse

JABOTICAÁ ou MASTRUÇO-DO-BREJO

12/02/2020 21:55

Drymaria cordata  (L.) Willd. ex Schult.

Caryophyllaceae


SinonímiasDrymaria adenophora Urb., Drymaria cordata var. diandra (Sw.) Griseb., Drymaria cordata var. pacifica Mizush., Drymaria diandra Blume, Drymaria procumbens Rose, Holosteum cordatum L., Holosteum diandrum Sw., Stellaria adenophora (Urb.) León.

Nomes populares: Cordão-de-sapo, jaboticaá, jaraquicaá, mastruço-do-brejo, agrião-selvagem, erva-tostão, he lian dou cao (China), heart-leaf drymary (English, United States).

Origem ou Habitat: Nativa da América Tropical e encontrada em abundância na Índia nas regiões de Siquim, sub-Himalaia e Meghalaya.

Características botânicas: Planta anual, herbácea, tenra, glabra ou levemente pubescente, com ramos prostrados ou ascendentes que enraízam nos nós, com até 30 cm de altura. Propaga-se por sementes, mas pode ser multiplicada por estacas. Planta daninha muito comum durante o inverno, está presente em quase todo o país infestando beiras de canais, córregos, jardins, pastagens, hortas e terrenos baldios.

Partes usadas: Planta toda.

Uso popular: Para alívio da tosse, da sinusite e resfriado. Também utilizada para picada de cobra e topicamente em queimaduras e outras doenças dermatológicas, como em infecções de pele.

Suas folhas podem ser consumidas cruas, em saladas, ou cozidas e preparadas de várias formas.

Composição química: Os estudos fitoquímicos preliminares foram com as folhas. No extrato hidroetanólico foram encontrados taninos, diterpenos, triterpenos, esteróides enquanto que no extrato aquoso foram encontrados alcalóides, flavonóides, saponinas.

Ações farmacológicas: Analgésica, anti-nociceptiva, antitussígena, antibacteriana.

Interações medicamentosas: Não encontrado na literatura consultada.

Contra-indicações: Por falta de estudos melhor evitar uso em grávida.

Posologia e modo de uso: Para uso externo, a planta é esmagada e seu suco utilizado topicamente. Tribos locais de Garohills e Khasia no estado de Meghalaya envolvem a planta em folhas grandes (espécie ignorada), amarram e colocam sobre o fogo; a planta é então aquecida e o vapor é inalado.

Referências: 

KINUPP, V.F., LORENZI, H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. 1ª.ed. São Paulo, SP: Instituto Plantarum, 2014.

LORENZI, Harri. Plantas Daninhas do Brasil: Terrestres, Aquáticas, Parasitas e Tóxicas. 4 ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008, p. 672.

MUKHERJEE, Pulok K. et al. Antibacterial evaluation of Drymaria cordata Willd (Fam. Caryophyllaceae) extract. Phytotherapy Research 11(3): 249-250, 1996. MUKHERJEE, Pulok K. et al. Studies on antitussive activity of Drymaria cordata Willd. (Caryophyllaceae). Journal of Ethnopharmacology 56: 77-80, 1997.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21572643 – acesso em 27 de março de 2013.

http://www.tropicos.org/Name/6301172 – acesso em 25 de março de 2013.

Tags: queimaResfriadoSinusiteTosse

IVATINGI / AÇOITA-CAVALO

12/02/2020 21:51

Luehea divaricata  Mart.

Malvaceae (Tiliaceae)


SinonímiasExistem duas variedades: Luehea divaricata var. divaricata ; Luehea divaricata var. megacarpa Meijer.

Nomes populares: Pau-de-canga, pau-de-estribo, açoita-cavalo, ibatin-gui, ivatinga, ivatingi (guarany), ka’a oveti. Existem várias espécies chamadas de açoita-cavalo, que, por terem galhos muito flexíveis recebem este nome popular, são as seguintes: Luehea divaricata Mart.; Luehea grandiflora Mart.; Luehea ochrophylla Mart.; Luehea paniculata Mart.; Luehea rufescens St.Hil

Origem ou Habitat: O gênero Luehea é exclusivamente americano e compreende umas 25 espécies nativas de América Tropical e, no Brasil, forma parte da flora da Mata Atlântica, abrangendo desde Goiás até o Rio Grande do Sul.

Características botânicas: Árvore ou arbusto caducifolio, de 5 a 15 metros de altura, com copa arredondada, ramagem flexível e tronco grosso de até 1 metro de diâmetro. Folhas alternas, curto-pecioladas, simples, geralmente dentadas na metade superior. Flores grandes, brancas ou rosadas, solitárias, dispostas em racimos ou em panículas axilares ou terminais, com longas brácteas. Fruto em cápsula lenhosa ovoidal, contendo numerosas sementes aladas. Floresce no verão e frutifica no outono (Alonso Paz et al., 1992; Cabrera, 1965; López et al., 1987).

Partes usadas: Folhas, flores, córtex e raízes.

Uso popular: A infusão das flores é citada como sedante, das folhas como anti-inflamatório e a decocção da córtex como tônica, anti-diarréica e digestiva (Alonso Paz et al., 1992; Toursarkissian, 1980). No Brasil as folhas são usadas como diurético e os talos como anti-inflamatório. A córtex e as partes aéreas são empregadas externamente na forma de banhos vaginais e como hemostático em feridas de pele. A córtex, por via interna, em casos de reumatismo e disenteria (Buttura, 2003; Tanaka et al., 2003). Mors et al., também mencionam o uso da córtex e das folhas em tratamento da laringite e bronquite.

Na Argentina (Missiones), as folhas são empregadas para o tratamento de resfriados e catarros, e a córtex como adstringente, em afecções da garganta (faringite e anginas) e febre. (Amat e Yajía, 1998). Segundo Pio Correa, 1984, possui as seguintes propriedades: a casca e as folhas são adstringentes. As folhas são reputadas como anti-disentéricas e anti-leucorreicas, úteis na blenorragia, hemorragia, tumores artríticos e diarreias crônicas; a raiz é reputada como depurativa. Suas flores atraem as abelhas na fabricação de mel

Composição química: Destaca-se o alto conteúdo de manganês nas folhas. Nos talos foliáceos foi detectado a presença de mucilagens enquanto que da córtex foram isolados polifenóis (Hegnauer, 1973). Foram identificados ainda taninos, saponinas e flavonóides (Alice e Silva, 1985). Do extrato metanólico das folhas foram isolados um derivado do ácido tormêntico (ácido 3-b-p-hidroxibenzoil-tormêntico) e uma mescla contendo ácido maslínico (Tanaka et al., 2003). O estudo químico do extrato bruto metanólico das folhas resultou, em um primeiro momento, no isolamento do ácido 3β-p-hidroxibenzoil tormêntico, triterpeno com esqueleto básico dos ursenos, e de uma mistura cuja substância majoritária foi o ácido maslínico, triterpeno derivado dos oleanenos. Posteriormente, foram isolados do mesmo extrato a vitexina, uma flavona C-glicosilada e o esteróide glicopiranosilsitosterol.

Do extrato bruto metanólico das cascas do caule, foi isolado o flavonóide (-)-epicatequina, um flavan-3-ol. (Tanaka et al., 2005).

Ações farmacológicas: Os estudos farmacológicos para esta espécie são escassos. Possui atividade adstringente, anti-microbiana, (em especial a sua ação sobre dermatófitos) e inseticida.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: O extrato aquoso de partes aéreas de Luehea divaricata demonstrou atividade mutagênica no teste de Ames (Vargas et al., 1991).

De acordo com estudos realizados em animais de laboratório, sugerem que o uso continuado de extratos desta espécie pode produzir danos hepáticos, renais ou pulmonares (Bianchi et al.,1992).

Contra-indicações: Não são conhecidas até o momento e, por precaução, deve ser evitado seu uso em grávidas, crianças abaixo de 2 anos e não deve ter uso contínuo.

Posologia e modo de uso: Uma receita popular é feita fervendo as folhas até ficar rosado e depois acrescentar mel.

Observações: Fatos e curiosidades da planta.

Referências: 

ALONSO, J. R. Plantas Medicinales autóctonas de Argentina: bases científicas para su aplicación en atención primaria de la salud. Buenos Aires, 2005. p. 67-69

PIO CORRÊA, M. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. Rio de Janeiro: IBDF, Ministério da Agricultura, Imprensa Nacional, 1984. Vol.I pgs 26-28

Quim. Nova, Vol.28, No.5, 834-837, 2005.

Artigo *e-mail: ccsilva@uem.br CONSTITUINTES QUÍMICOS DE Luehea divaricata MART. (TILIACEAE) Júlio Cesar Akio Tanaka e Cleuza Conceição da Silva* Departamento de Química, Universidade Estadual de Maringá, Av. Colombo, 5790, 87020-900 Maringá – PR Benedito Prado Dias Filho e Celso Vataru Nakamura Departamento de Análises Clínicas, Universidade Estadual de Maringá, Av. Colombo, 5790, 87020-900 Maringá – PR João Ernesto de Carvalho e Mary Ann Foglio Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas, Universidade Estadual de Campinas, CP 6171, 13083-970 Campinas – SP

MULLER , J. de B. Avaliação de atividade antimicrobiana , antioxidante e antinociceptiva das folhas de Luehea divaricata Martius – dissertação de mestrado-Santa Maria RS,2006.

Tags: Anti-diarreicoAnti-inflamatórioDigestivoDiuréticoHemostáticoResfriadoSedativoTônico

GERVÃ0-ROXO

09/02/2020 22:09

Stachytarpheta cayennensis (Rich.) Vahl.

Verbenaceae


SinonímiasVerbena cayennensis Rich., Abena cayennensis (Rich.) Hitchc., Lippia cylindrica Scheele, Stachytarpheta australis Moldenke, Zappania cayennensis (Rich.) Mirb.

Nomes populares: Gervão-roxo, gervão-azul, gervão-do-campo, gervão-legítimo, erva-gervão, chá-do-brasil, aguarapondá, ewé ìgbolé.

Origem ou Habitat: É nativa do Brasil.

Características botânicas: Subarbusto anual ou perene, ereto, muito ramificado, medindo de 70 a 100 cm de altura. Folhas opostas, membranáceas, elípticas ou ovais, medindo de 4-8 cm de comprimento e 2-4,5 de largura, superfície superior rugosa e ambas as superfícies glabra ou ocasionalmente alguns pelos na superfície inferior e ao longo das nervuras e margens, essas acentuadamente e grosseiramente serrilhadas, os dentes visivelmente divergentes, ápice agudo, base cuneiforme. Inflorescências terminais espigadas, com poucas flores de cor azul, encontradas de 4 a 6 de cada vez, espigões delgados e flexíveis, medindo de 14-40 cm de comprimento. Brácteas lanceoladas, corola azul com o centro mais pálido e medindo de 7-8 mm de comprimento.

Partes usadas: Folhas e partes aéreas.

Uso popular: É usado na forma de infusão como tônico estomacal e estimulante das funções gastrointestinais, contra febres, dispepsias, como diurético e emoliente, contra problemas hepáticos e para combater vermes intestinais. É também usada para gripes e resfriados.

Externamente na forma de cataplasma, é usado no tratamento de lesões cutâneas causadas por Leishmania spp., contusões e afecções da pele (eczema e erisipela).

A irmã Eva Michalak (1912-2007) recomenda o infuso para o fígado, estômago, cálculos renais, prisão de ventre, febre e hepatite.

Composição química: Um estudo fitoquímico de 2011, revelou a presença de taninos, flavonóides, saponinas e glicosídios cardioativos. Outro autor assinala a presença de esteróides, quinonas, compostos fenólicos, ácido caféico, ácido clorogênico, um iridóide (ipolamida) com atividade anti-secretora de ácido gástrico. E ainda segundo o Herbanário da Terra os seguintes compostos: estarquitafina, citral, geranial, verbenalina, dextrina, ácido salicílico, óleo essencial, taninos, pigmentos flavonóides, alcalóides (substâncias amargas) e saponinas.

Ações farmacológicas: Possui atividades anti-inflamatória, antimicrobiana principalmente contra Staphylococcus aureus e inibidor das secreções gástricas.

Interações medicamentosas: Sem informações.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Sem informações.

Contra-indicações: Por falta de estudos clínicos, é desaconselhável para gestantes.

Posologia e modo de uso: Infusão: 1 colher (sobremesa) de folhas picadas para 1 xícara de água fervente. Tomar 1 xícara 2x ao dia, antes das refeições.

Uso externo: emplasto, pomada, creme ou o infuso para lavar feridas..

Observações: Esta planta já constava como medicinal na Farmacopeia Brasileira de 1929. A espécie Bouchea agrestis, cujo nome popular é erva-da-pressão, gervão ou falso-gervão, muitas vezes é confundida com a Stachytarpheta cayennensis (gervão-roxo).

Referências: 
DRESCHER, L. (coord.) Herbanário da Terra – Plantas e receitas. 1ª ed. Laranja da Terra/ES, 2001.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 1ª.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.

MICHALAK, E. Apontamentos fitoterápicos da Irmã Eva Michalak. Florianópolis/SC. Epagri, 1997.

Salimena, F.R.G. Stachytarpheta in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: . Acesso em: 27 Jan. 2014

http://www.hear.org/Pier/species/Stachytarpheta_cayennensis.htm. Acesso em 29 de Jan. 2014 http://www.utp.br/Revista-Eletronica-Biociencias-Biotecnologia-e-Saude/n_2_maio-ago_2011/pdf’s_2/triagem_fitoquimica.pdf. Acesso: 29 de Jan. 2014

http://www.tropicos.org/Name/33700808. Acesso em: 27 de Jan. 2014

http://pt.wikipedia.org/wiki/Gervão. Acesso em 29 de Jan. 2014.

Tags: DispepsiaDiuréticoEmolientesFebreGripeHepatoprotetoraResfriadoTônicoVerminoses

GENGIBRE

09/02/2020 21:57

Zingiber officinale   Roscoe.

Zingiberaceae 


SinonímiasAmomum zingiber L., Zingiber aromaticum Noronha, Zingiber majus Rumph., Curcuma longifolia Wall.

Nomes populares: Gengibre, jengibre(Espanha), mangarataia.

Origem ou Habitat: Ásia.

Características botânicas: Segundo a descrição de LORENZI & MATOS, é uma erva rizomatosa, perene, ereta, com cerca de 60-120 cm de altura. Folhas simples, lanceoladas, invaginantes, de 15-30 cm de comprimento. Flores estéreis, verdosas ou branco-amareladas com manchas púrpuras dispostas em espigas radicais de até 7 cm de largura. Rizoma ramificado, de cheiro e sabor picante, agradável.

Partes usadas: Rizomas.

Uso popular: Tradicionalmente o gengibre é utilizado para tratar afecções intestinais, especialmente os problemas digestivos, com indicação nos casos de dispepsias e como carminativo nas cólicas flatulentas. Possui ação antimicrobiana local, combatendo a rouquidão e a inflamação da garganta, além de gripes, resfriados e sinusite. O gengibre é um dos melhores remédios para combater as náuseas (enjoos de viagem, enjoos produzidos pelo tratamento com quimioterapia, enjoos de gravidez, enjoos pós-operatório, etc.). É usado em casos de úlceras e diarreia. Tem ainda ação anti-inflamatória, anti-reumática, antiviral, antitussígena, anti-trombose, cardiotônica, colagogo, antialérgica e protetora do estômago.

É amplamente usado na cozinha, em suas diferentes formas: gengibre fresco, gengibre caramelizado, gengibre em conserva em xarope de açúcar, gengibre curtido no vinagre, em pó e seco.

Composição química: Óleo essencial (0,5-3%): composto por monoterpenos: canfeno (8%), alfa-pineno (2,5%), cineol, citral, borneol, mirceno, limoneno, felandreno; composto por sesquiterpenos: A-anforfeno, B-cariofileno, B-elemeno, B-ilangeno, calemeneno, capaeno, ciclo-copacanfeno, ciclosafireno, cis-G-bisaboleno, selina-zonareno, germacraneno B, sesquifelandreno, trans-B-farneseno, zingibereno, bisaboleno; álcoois sesquiterpênicos: necrolidol, elemol, bisabolol, sesquisabineno, trans-B-sesquifelandrol, zingiberenol, B-eudesmol; Outros: hidrocarbonetos (undecano, hexadecano, dodecano, folueno, p-cimeno, etc.), álcoois alifáticos: (2-butanol, 2-heptanol, 2-nonanol), aldeídos alifáticos (butanal, 2-metil-butanal, 3-metil-butanal, pentanal), cetonas (acetona, 2-hexanona, 2-novanona, heptanona, criptona, carvatanacetona, metil-heptanona), aldeídos monoterpênicos (citronelal, mistenal, felandral, neral, geranial).

Compostos picantes presentes na fração resinosa (5-8%): gingerdióis e gingeróis: 6-8-10- gingerol (raiz fresca) e por dessecação: zingerona, zingibereno, 6-8-10- sogaol, fenilfalcanonas, gingerenonas A,C, isogingerenona B, gingerdiona e 1-dihidrogingerdiona. Outros: amido (60%), ácido fosfatídico, lecitina, proteínas, vitaminas e minerais.

-Óleo essencial:

  • Monoterpenos: Canfeno, cineol, citral, felandreno, dentre outros.
  • Sesquiterpenos: Sesquifelandreno, trans-B-farneseno, bisaboleno, zingibereno, dentre outros.
  • Gingeróis: 6-8-10- gingerol (raiz fresca), 6-8-10- Shogaol, zingerona, gingerdiona(dessecação), dentre outros.
  • Diarileptanóides: Gingerenonas A, B e C (dessecação)
  • Monoacil digalactosil gliceróis:Gingerglicolipideos A, B e C.
  • Aldeídos monoterpênicos: Citronelal, neral, geraniale, dentre outros.

Ações farmacológicas: Foram realizados estudos em animais, in vitro e em humanos. E destacam-se as atividades antieméticas, anti-inflamatórias, antimicrobianas, antioxidantes e hipoglicemiante.

Interações medicamentosas: Devido a atividade cardiotônica e anti-agregante plaquetária (in vitro) e hipoglicemiante (in vivo) do gengibre, é recomendado não administrar altas doses porque pode interferir com a medicação de base em pacientes com insuficiência cardíaca, coagulopatias e diabetes (Newall C. et al., 1996 apud Alonso, J., 2004).

Em ensaios feitos em animais, os extratos de gengibre aumentaram a absorção de sulfaguanidina ao redor de 150% comparado a grupos controle (Sakai K. et al., 1987 apud Alonso, J., 2004).

Efeitos adversos e/ou tóxicos: O gengibre é inócuo nas doses recomendadas. Não tomar doses diárias de extratos do pó superiores a 2g. Doses superiores a 6g diárias podem produzir úlceras ou gastrites.

Contra-indicações: Não usar na gravidez e lactação. Não usar gengibre fresco em casos de aftas. Não tomar gengibre se tem cálculos biliares. Não tomar gengibre se toma medicação anticoagulante, antidiabética e anti-hipertensão arterial.

Observações: O rizoma de gengibre encontra-se registrado pelo FDA norte-americana e o Council of Europe como suplemento dietético e droga anti-nauseosa.

O gengibre cru, em forma de extrato fluido ou como óleo-resina é considerado oficinal pela United States Pharmacopeia (USP) e pelo National Formulary, tendo indicações como carminativo, aromático e estimulante.

A Comissão “E” de Monografias da Alemanha inclui o uso do gengibre em casos de dispepsias e na profilaxia de enjoos e náuseas de viagem.

A ESCOP da Europa indica o uso preventivo do gengibre em casos de náuseas, vômitos e como medicação antiemética pós-cirúrgica.

Os Ministérios da Saúde de Bolívia, Brasil, Colômbia e Cuba reconhecem o rizoma de gengibre para uso medicinal humano.

O rizoma do gengibre encontra-se incorporado nas seguintes Farmacopeias: Argentina, Áustria, Austrália, Bélgica, Brasil, China, Korea, Egito, Filipinas, França, Gran Bretanha, Holanda, Índia, Japão, Suíça e Vietnam.

Referências: 
ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004.

ALSHERBINY, Muhammad A. et al. Ameliorative and protective effects of ginger and its main constituents against natural, chemical and radiation-induced toxicities: A comprehensive review. Food And Chemical Toxicology, [s.l.], v. 123, p.72-97, jan. 2019.

GHOSH, A.k. et al. ZINGIBER OFFICINALE: A NATURAL GOLD. International Journal Of Pharma & Bio Sciences, East Sikkim, v. 2, n. 1, p.283-294, jan. 2011.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.

MAHBOUBI, Mohaddese. Zingiber officinale Rosc. essential oil, a review on its composition and bioactivity. Clinical Phytoscience, [s.l.], v. 5, n. 1, p.1-12, 15 jan. 2019.

http://www.botanical-online.com/medicinalsgengibre.htm – acesso em 16 de setembro de 2012.

http://www.sabetudo.net/ch-de-gengibre.html – foto2- acesso em 16 de setembro de 2012.

http://sinuhesilvavieira.blogspot.com.br/2012/05/gengibre-para-que-serve.html – foto3 – acesso em 16 de setembro de 2012.

http://www.tropicos.org/Name/34500018?tab=synonyms – foto1- – acesso em 16 de setembro de 2012.

Tags: AfecçõesAnti-inflamatórioAnti-reumáticoAntialérgicaAntimicrobianoCardiotônicaCarminativaColagogoCólicaDiarreiasDispepsiaGripeNáuseaResfriadoÚlceras

FOLHA-DA-FORTUNA

20/01/2020 22:30

Bryophyllum pinnatum  (Lam.) Oken.

Crassulaceae 


Sinonímias: Bryophyllum calycinum Salisb, Cotyledon pinnata Lam., Bryophyllum pinnatum (Lam.)Kurz., Kalanchoe pinnata (Lam.)Pers., Crassula pinnata L.

Nomes populares:  Folha-gorda, erva-da-costa, sempre-viva, planta-do-amor, coirama, courama, courama-vermelha, folha-da-fortuna, fortuna, folha-grossa, folha-de-pirarucu, diabinho, folha-da-vida, fortuna-milagre-de-são-joaquim, folha-do-ar, saião(BR), leaf of life (Jamaica, Madagascar), cathedral bells, air-plant, curtain-plant, floppers, good-luck-leaf, life-plant, mexican love-plant, miracle-leaf (INGLÊS, EEUU).

Origem ou Habitat: África Tropical (Ilha de Madagascar), e amplamente distribuída em América Tropical, Índia, China e Austrália.

Características botânicas:  Herbácea perene, pouco ramificada que mede de 1 a 1,5 metros de altura e a haste é oca e tubular. As folhas são opostas, pinado-compostas, suculentas, margem crenada, medindo de 10-30 cm de comprimento. Os folíolos são oblongos, ovalados ou elípticos; panículas de 10-40 cm; cálice inchado de 3,0 a 3,5 cm e corola rósea ou arroxeada de até 7 cm. O fruto tem 4 folículos.

Partes usadas: Folhas.

Uso popular:  Na medicina caseira é usado no tratamento local de furúnculos e por via oral, na preparação de xaropes para a tosse.

Usos etno-medicinais: na região do Caribe, onde é conhecida por folha-da-vida, é usada para tratar edemas, abcessos, picadas de insetos e contusões, problemas pulmonares, dor de cabeça, resfriado, tosse, hipertensão, falta de ar, asma e problemas menstruais.

Em um trabalho de pesquisa bibliográfica da 3a. fase do curso de medicina da UFSC, foram apresentadas as seguintes indicações de uso popular: Infecção pulmonar, erisipela, queimaduras, feridas, úlceras de pele, verrugas, azia, gastrite, úlceras, dores de cabeça, disenteria e diarreia, cólicas e distúrbios menstruais;

Equilibrar o diabetes; eliminar ou reduzir cálculos renais; inflamações em geral; febre; hematomas internos e ossos quebrados; epilepsia; dores de dente e de ouvido; infecções oculares e conjuntivite; flatulência e gases; distúrbios linfáticos;

Artrite; linfomas; uretrites; insuficiência renal ou pedra nos rins; prisão de ventre; pé de atleta; tosses intermitentes; tuberculose, gripes e resfriados;

Nervosismo, ansiedade e depressão; nefrites; náuseas e muitas outras indicações.

Composição química:  Compostos fenólicos, flavonóides, ácidos orgânicos, mucilagem, cálcio e cloro, bufadienólidos (briofilinas A,B e C), N-triacontano, patuletina, ácidos graxos.

  • Bufadienolideos: Briofilina A (briotoxina C), briofilina B, briofilina C, briofilol, bersaldegenina-1,3,5-ortoacetato, dentre outros.
  • Flavonóides: Glicosídeos de quercetina e canferol, quercitrina, afzelina, acacetina, rutina, luteolina, dentre outros.
  • Ácidos fenólicos: Ácido gálico, ácido cafeico e ácido ferúlico.
  • Triterpenos: α –amirina, briofolona, briofinol, dentre outros.
  • Lignanas: Briofilusideo
  • Ácidos simples: Ácido málico, ácido oxálico, ácido cítrico, dentre outros.
  • Ácidos graxos: Ácido palmítico, ácido esteárico, ácido araquídico e ácido bekênico.
  • Esteroides: β-sitosterol, briofilol, estigmast-24-enol, dentre outros.

Ações farmacológicas: Foram observadas as atividades anti-inflamatória, cicatrizante, antialérgica, antiúlcera e imunossupressiva.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Em vários testes com animais não foi demonstrado toxicidade. A dose letal aplicada aos animais foi muito alta e por via intra-peritonial.

Contra-indicações:  Grávidas e lactantes deverão abster-se de seu uso até melhores esclarecimentos de sua inocuidade.

Posologia e modo de uso: Para tratar edemas, abcessos, picada de insetos e contusões: por aquecimento da folha e aplicar na área afetada.

O sumo extraído da folha pode ser misturado com mel e consumido como remédio para problemas pulmonares e para dor de cabeça.

O suco é usado para tratar resfriado, tosse, hipertensão.

O chá por infusão é usado para falta de ar, asma e problemas menstruais.

Dose: 30-40 g/l (não ultrapassar a 5%).

Observações: Recomenda-se não empregar extratos desta planta por mais de 15 dias consecutivos.

 

Referências:
ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004.

Braz, D.C.; Oliveira, L.R.S.; Viana, A.F.S.C.- Atividade antiulcerogênica do extrato aquoso da Bryophyllum pinnatum (Lam.) Kurz – Rev. bras. plantas med. vol.15 no.1 Botucatu, SP, 2013.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 1.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002.

Kamboj A, Saluja AK Bryophyllum pinnatum (Lam.) Kurz :. perfil fitoquímico e farmacológico: uma revisão. Phcog Rev [periódico online] 2009 [citado em 07 março 2014]; 3:364-74. Disponível em: http://www.phcogrev.com/text.asp?2009/3/6/364/59536

KHOOSHBU, Pasha; ANSARI, Imtiyaz. A pharmacognostical and pharmacological review on bryophyllum pinnatum (panphuti). Asian Journal Of Pharmaceutical And Clinical Research, [s.l.], v. 12, n. 1, p.34-39, 7 jan. 2019.

THORAT, Sheela S et al. A REVIEW ON BRYOPHYLLUM PINNATUM. International Research Journal Of Pharmacy, [s.l.], v. 8, n. 12, p.1-3, 22 jan. 2018.

FURER, Karin et al. Bryophyllum pinnatum and Related Species Used in Anthroposophic Medicine: Constituents, Pharmacological Activities, and Clinical Efficacy. Planta Medica, [s.l.], v. 82, n. 11/12, p.930-941, 24 maio 2016.

http://www.tropicos.org/Name/8902864?tab=synonyms – acesso 06 março 2014.

Tags: AbcessoAnti-inflamatórioAsmaAziaCefaléiaCólicaDiarreiasDisenteriaEdemaErisipelaFeridasGastriteHipertensãoQueimaduraResfriadoTosse

FEIJÃO-ANDÚ

20/01/2020 22:11

Cajanus cajan (L.) Huth.

Fabaceae 


Sinonímias: Cajanus cajan (L.) Mill.

Nomes populares:  Andu, feijão-guandu, guandeiro, feijão-de-cuandu, cuandu, feijão-de-árvore, ervilha-de-angola, ervilha-de-sete-anos, ervilha-do-congo.

Origem ou Habitat: Índia muito cultivada no Brasil desde a colonização.

Características botânicas:  Arbusto ereto , ramificado , pubescente ,até 130cm de altura , folhas compostas trifolioladas , folíolos pubescente em ambas as faces , 4-7 cm de comprimento.Flores amarelas , as vezes amarelas-avermelhadas , em racemos axilares . frutos sã vagens indeiscentes , cilíndricas , com 3-7 sementes.

Partes usadas: Folhas, flores, raízes e sementes.

Uso popular:  Segundo as comunidades da Ilha emprega-se o decocto das folhas externamente, para lavagens de feridas e afecções cutâneas. Com as folhas também prepara-se um xarope com mel, que é usado internamente, para gripes e resfriados e como depurativo do sangue.

Folhas e ramos são utilizados na forma de decocto, para lavagem da pele, em casos de catapora, sarampo e coceira e internamente contra alergias.

As folhas são utilizadas para o tratamento de dor de dente, reumatismo, tosse, afecções pulmonares, para cálculos renais e para diarréia. As pontas dos ramos para hemorragia

Nas regiões tropicais, é relatado o uso dos grãos na alimentação . Os grãos desta planta são bastante nutritivos. O chá da raiz é usado em problemas ditos do fígado.

Composição química:  As folhas contém esteróis , taninos e triterpenos. As raízes e os grãos contêm diversos flavonóides, como cajanina, cajanol, cajaflavanona, cajanona. As sementes (grãos) contém ácido p-hidroxibenzóico, fenilalanina, cajaminose e um aminoglicosídeo.

Os grãos contém 19 – 20% de proteínas, 1,1 – 1,2% de lipídios e 62 – 64% de glicídios.

  • Isocumarinas: Cajavilmina
  • Cumarinas: Cajanuslactona (Raízes)
  • Triterpenos: Lupenona, β-amirenona, α –amirenona, ácido betulínico (Raízes), β-amirina, α- amirina e Lupeol.
  • Estilbenos: Longistilina A e C, 3-hidroxi-5-metoxiestilbeno, cajanina (folhas e sementes), concajanina (folhas e sementes) e ácido cajaninstilbeno.
  • Esteroides: β-sitosterol e estigmasterol.
  • Flavonoides: Genisteína, genistina, cajaflavanona, cajaisoflavonona, cajanona, 2’-O-metil-cajanona, 5-hidroxi-7-metoxidihidroflavona, vitexina, quercetina, luteolina, apigenina, isoramnetina, trihidróxi-isoflavonas, isoquercitrina (superfície da vagem), quercetina-3-metil éter (superfície da vagem), cajanol, 2-hidroxigenisteína, isogenisteína-7-O-glicosídeo (casca da raíz), ferreirina, pinostrobina, orientina, dentre outros.
  •  Ácidos graxos: Ácido hexadecanóico
  • Ácidos fenólicos: Ácido p-hidroxibenzóico

Ações farmacológicas: In vitro mostrou atividade contra fungos. Atividade no tratamento de anemia falciforme (GRENAND et al., 1987). Os taninos são responsáveis pela ação antidiarréica da planta (POUSSET, 1989).

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Os grãos desta espécie contêm cianetos, taninos e fitohemaglutininas . Por este motivo, deve-se evitar o consumo dos grãos verdes.

Em animais de laboratório foi observada uma tendência ao aumento da ocorrência de anomalias viscerais e malformações externas em filhotes cujas mães receberam extratos desta planta durante a gestação.

Contra-indicações:  O efeito em mulheres grávidas não é conhecido, porém é preferível que as gestantes evitem usar esta planta.

Posologia e modo de uso: As folhas são preparadas por infusão ou decocção, a partir de 15g de material para 1 litro de água . Também é utilizada a decocção dos grãos .

Na alimentação os grãos são cozidos como o feijão vulgar.

Observações: Considerada pela população como planta para ” levante de sangue”.

 

Referências:
AKOJIE, F.O.B.; FUNG, LW.-M. Antisickling Activity of Hydroxybenzoic Acids in Cajanus cajan. Planta Med., n. 5, p. 20-317, 1992.

COSTA, Joség. M. da et al. Evaluation of the antifungal activity and modulation between Cajanus cajan (L.) Millsp. leaves and roots ethanolic extracts and conventional antifungals. Pharmacognosy Magazine, [s.l.], v. 8, n. 30, p.103-106, 2012.

CORDOVIL, K. et al. Revisão das Propriedades Medicinais de Cajanus cajanna Doença Falciforme. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, [s.l.], v. 17, n. 43, p.1199-1207, 2015.

GRENAND, P.; MORETTI, C; JACQUEMIN, H. Pharmacopéas tradicionales en Guyane. Paris: Orstom, 1987.

GREEN, Paul W. C. et al. Phenolic Compounds on the Pod-Surface of Pigeonpea, Cajanus cajan, Mediate Feeding Behavior of Helicoverpa armigera Larvae. Journal Of Chemical Ecology, [s.l.], v. 29, n. 4, p.811-821, 2003.

IWU, M.M.; IGBOKO AO.; ONWUBJKO, H.; NDU, U. E. Effect of Cajaminose from Cajanus cajan on Gelation and Oxygen Affinity of Sickle Cell Haemoglobin. J. Ethnopharmacol., n.23, p.99-104, 1966.

LEMONIC, A. I. P.; ALVARENGA, C. M. D. Abortive and Teratogenic Effect of Acanthospermum hispidum DC. and Cajanus cajan (L.) Millsp. in Pregnant Rats. J. Ethnopharmacol., n.43, p. 39-44, 1994.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.

PAL, Dilipkumar et al. Biological activities and medicinal properties of Cajanus cajan (L) Millsp. Journal Of Advanced Pharmaceutical Technology & Research, [s.l.], v. 2, n. 4, p.207-214, 2011.

POUSSET, J. L. Plantes Medicinales Africaines: Utilization Pratique. Paris: Agence de Cooperation Ellipses Culturelle et Technique, 1989.

RODRIGUES, Virginia F.; OLIVEIRA, Rodrigo R.; VEGA, Maria Raquel G.. A New Isocoumarin from Cajanus cajan (Fabaceae). Natural Product Communications, [s.l.], v. 9, n. 4, p.493-494, abr. 2014.

ROIG Y MESA, J. T. Plantas medicinales aromáticas o venenosas de Cuba. Habana: Cultural, 1945. p.326-327.

SHRIVASTAVA, S. K.; BAJPAI, R. K. A Study of Some Toxic Constituents of Five New Varities of Pigeon Pea (Cajanus cajan (L.) MiII sp.). Current Science, v.51, n.14, p. 4-703, 1982.

WENIGER, Β.; ROBINEAU, L. Seminário TRAMIL 3: Elements pour une Pharmacopée Caribe. Santo Domingo: Editora Compio, 1988.

J Adv Pharm Technol Res., [S.I.], v.2, n.4, p.14-207, Oct. 2011.

Biological activities and medicinal properties of Cajanus cajan (L) Millsp. Pal D, Mishra P, Sachan N, Ghosh AK. Source Division of Pharmaceutical Chemistry, School of Pharmaceutical Sciences, IFTM University, Lodhipur Rajput, Moradabad, Uttar Pradesh, India.

Pharmacogn Mag. 2012 Apr;8(30):103-6. Evaluation of the antifungal activity and modulation between Cajanus cajan (L.) Millsp. leaves and roots ethanolic extracts and conventional antifungals. Brito SA, Rodrigues FF, Campos AR, da Costa JG. Source Molecular Bioprospection Post-graduation Program, Laboratory of Natural Products Research, Department of Biological Chemistry, Regional University of Cariri, Crato, CE, Brazil.

Tags: AfecçõesCataporaCoceiraDiarreiasDor de denteGripeNutritivaResfriadoReumatismoSarampoTosse

ERVA-LUIZA

19/01/2020 23:00

Aloysia triphylla   Royle.

Verbenaceae 


Sinonímias: Lippia citrodora Kunth, Aloysia citriodora Cav.

Nomes populares:  erva-cidreira, cidró, cidrózinho, cidrão, “Cedrón” (Peru), limão-verbena, verbena, erva-da-pontada, cidró-pessegueiro, erva-luíza, etc.

Origem ou Habitat: Nativo da América do Sul, provavelmente do Chile. É cultivada no Sul do Brasil. Foi introduzida na Europa e norte da África..

Características botânicas:  Arbusto grande, muito ramificado, ereto, aromático, medindo de 2-3 m de altura. Folhas simples, glabras em ambas as faces, de margens serreadas na porção apical, verticiladas, em número de 3 ou 4 por nó, de 8-12cm de comprimento. Flores brancas ou rosadas, dispostas em inflorescências paniculadas terminais.

Uso popular:  Erva aromática, rica em óleo essencial, que age como sedativo brando, febrífugo, antiespasmódico. Suas folhas são empregadas internamente contra resfriados, gripes, como digestiva, tônica, antiespasmódica, carminativa, eupéptica e calmante.

Composição química:  Óleo essencial (citral, limoneno, citronelol, geraniol, α e β-pineno, cineol, etil-eugenol, entre outros); flavonóides (luteolina-7-diglicuronídeo, apigenina, crisoeriol, hispidulina, etc.); compostos fenólicos (verbascosídeo); taninos hidrolisáveis; iridóides; etc. (Alonso, Lorenzi, Simões.

Ações farmacológicas: A maior parte destas ações estão ligadas ao óleo essencial: atividade antiespasmódica, eupéptica, carminativa, antimicrobiana, analgésica local e ligeiramente sedante. (Alonso)

A infusão das folhas demonstrou efeitos antioxidante in vitro (Valentao P. et al., 2002).

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Relativos ao óleo essencial, em altas doses comporta-se como um neurotóxico. O uso prolongado provoca irritação da mucosa gástrica. O emprego do óleo essencial em perfumaria provocou reações de hipersensibilidade na pele ante a exposição solar. Cabe assinalar que tanto o citral como o geraniol, são agentes tóxicos para a pele quando se aplicam em forma cutânea.

Contra-indicações:  O óleo essencial produz uterotonicidade, por isso é contra indicado durante a gravidez. A ação irritativa sobre as mucosas contra indica seu uso nos processos de gastrite, úlceras e lesões do sistema urinário. Não administrar tampouco durante a lactação. (Newall C. et al., 1996 apud Alonso).

Para o infuso de folhas não há relato de efeitos adversos.

Posologia e modo de uso: Infusão: para uma xícara colocar 1 colher de sopa de folhas e flores , verter água quente sobre as folhas , abafar 15 min., Coar e tomar. Toma-se 2-3 xícaras ao dia.

 

Referências:
ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.

SIMÕES, C. M. O. Plantas da Medicina Popular do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: UFRGS, 1986.

J Altern Complement Med. 2011 Nov;17(11):1051-63. doi: 10.1089/acm.2010.0410.- acesso em 24 de julho de 2013.

http://www.tropicos.org/Name/33700999 – acesso em 21 de setembro de 2012.

Tags: AntiespasmódicoAromáticaCalmanteCarminativaEupépticaFebrífugaGripeResfriadoSedativoTônico

ERVA-DOS-GATOS

19/01/2020 22:54

Nepeta cataria  L.

Lamiaceae (Labiatae) 


Sinonímias: Calamintha albiflora Vaniot, Nepeta bodinieri Vaniot, Cataria vulgaris (L.) Gaterau, Glechoma cataria (L.) Kuntze.

Nomes populares:  Erva-dos-gatos, erva-gato, erva-gateira, catária, nêveda, nêveda-dos-gatos, erva-cidreira-do-cabo-branco, cat-mint (English, United States), catnip (English, Canada).

Origem ou Habitat: Originária da Europa e Ásia e introduzida em zonas temperadas.

Características botânicas:  Planta herbácea, perene, de odor intenso, ramificada, pubescente, ereta, de 40 cm a 1 m de altura. Folhas de 3-7 cm de comprimento, serradas, de cor verde-cinza e esbranquiçada na parte inferior, ovadas ou oblongas, pecioladas. Flores brancas, com manchas púrpuras, de 6 mm de comprimento, em densos verticilos terminais e em verticilos axilares espiciformes. Propaga-se por estaquia ou dividindo a raiz.

Partes usadas: Partes aéreas.

Uso popular:  Indicada o uso das partes aéreas da planta em casos de ansiedade, insônia, cãibras, cólicas intestinais, problemas respiratórios (tosse e bronquites) e ginecológicos (Cunha, et al., 2003). O chá é particularmente eficaz em cólicas intestinais e diarreias infantis e útil no tratamento de resfriados, irritabilidade e para menstruação atrasada. Externamente, pode ser aplicada sobre cortes e contusões (Stuart, 1981).

Composição química:  Óleo essencial (0,3 a 1%) contendo alfa-nepetalactona e beta-nepetalactona (70 a 90%), cariofileno, cânfora, humuleno, carvacrol, timol, pulegona (Cunha, et al., 2003), nepetol, ácido nepetálico (Stuart, 1981). Possui flavonoides livres e combinados e iridoides não voláteis (actinidina), saponinas, taninos e ácidos fenólicos (Cunha, et al., 2003). Foram também identificados em seu óleo essencial: 1,8-cineol (21,00%), alfa-humuleno (14,44%), alfa-pineno (10,43%) e acetato de geranil (8,21%) (Gilani, et al., 2009). Daucosterol (beta-sitosterol 3-O-beta-D-glucosideo), junto com pequenas quantidades de beta-sitosterol, campesterol, alpha-amirina and beta-amirina também foram isolados (Klimek, et al., 2005).

Ações farmacológicas: Antiespasmódica, antidiarreica, carminativa, estomáquica, emenagoga suave (Stuart, 1981). Possui ação sedativa ligeira atribuída às nepetalactonas e à actinidina e também conta com propriedades antipiréticas, diaforéticas e diuréticas (Cunha, et al., 2003) e broncodilatadora (Gilani, et al., 2009). O óleo essencial possui propriedades repelentes de insetos (contra mosca doméstica e baratas), e em estudos comparativos mostrou-se tão boa quanto ou até melhor que DEET (repelente químico) e citronelal (Schultz, et al., 2004).

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Não são conhecidos efeitos tóxicos, porém seu uso não é recomendado na gestação (Cunha, et al., 2003). Considerada um alucinógeno suave se fumada (Stuart, 1981), com efeitos semelhantes, porém mais leves, que o da Cannabis sp. (Grognet, 1990).

Contra-indicações:  Seu uso não é recomendado na gestação.

Posologia e modo de uso: Infusão das folhas, de 2 a 3 vezes por dia (Cunha, et al., 2003).

Observações: A planta recebe estes nomes populares devido a atração que gera em gatos e outros felinos. Costuma-se esfregar brinquedos com esta planta para apresentá-los aos gatos..

 

Referências:
CUNHA, A. P., SILVA, A. P., ROQUE, O. R. Plantas e Produtos Vegetais em Fitoterapia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2003. p. 5-204.

GILANI, A. H., et al. Chemical composition and mechanisms underlying the spasmolytic and bronchodilatory properties of the essential oil of Nepeta cataria L. Journal of Ethnopharmacology, [S. I.], v. 121, n. 3, p. 11-405, 30 Jan. 2009.

GROGNET, J. Catnip: Its uses and effects, past and present. Canadian Veterinary Journal, v. 31, n. 6, p. 455–456, June 1990. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1480656/pdf/canvetj00079-0049.pdf – Acesso em: 2 julho de 2012.

KLIMEK, B.; MODNICKI, D. Terpenoids and sterols from Nepeta cataria L. var. citriodora (Lamiaceae). Acta Pol Pharm. [S. I], v. 62, n. 3, p.5-231, 2005.

SCHULTZ, G. et al.Nepeta cataria (Lamiales: Lamiaceae)—A Closer Look: Seasonal Occurrence of Nepetalactone Isomers and Comparative Repellency of Three Terpenoids to Insects. Environmental Entomology, [S. I], v. 33, n. 6, December 2004, p. 1562-1569.

STUART, M. Enciclopedia de Hierbas y Herboristería. Barcelona: Ediciones Omega, S. A., 1981. p. 228.

www.tropicos.org – Acesso em: 01 de junho de 2011.

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