ERVA-DOCE

10/01/2020 15:41

Pimpinella anisum   L.

Apiaceae  


Sinonímias: Anisum graveolens (L.) Crantz , Carum anisum (L.) Baill., Selinum anisum (L.) EHL Krause, Sison anisum (L.) Spreng., Tragium anisum (L.) Link.

Nomes populares:  Anis, anis-verde, erva-doce, pimpinela-branca.

Origem ou Habitat: É natural da Ásia e cultivada no Brasil, especialmente no Sul.

Características botânicas:  Erva aromática anual, ereta, de até 50 cm de altura. Folhas compostas de várias formas, fendidas. Flores brancas, dispostas em umbelas. Os frutos são aquênios, de sabor adocicado e cheiro forte.

Partes usadas: Frutos e sementes.

Uso popular:  Muito utilizada contra resfriado, tosse, bronquite, febre, cólicas, inflamações orofaríngeas, má digestão, flatulência, dispepsia, eructação, dor decorrente de transtornos digestivos funcionais, perda do apetite, para combater cólicas e dores de cabeça e como repelente de insetos, além de ser aromática e condimentar. Também pode ser utilizada em parasitoses intestinais leves, e menos frequentemente para promover a lactação, a menstruação, facilitar o parto, incrementar a libido e atenuar os sintomas do climatério. Uso pediátrico por via inalatória para hipersecreção brônquica. Externamente na pediculose, escabiose e em micoses cutâneas como pitiríase, candidíase e pé de atleta.

Composição química:  Óleo essencial (anetol 90-95%), álcoois, cetonas, hidrocarbonetos terpênicos, proteínas, carboidratos, glicosídeos, ácidos málico, cafeico e clorogênico, cumarinas, flavonóides, esteróides , acetilcolina (e seu precursor, colina),6 eugenol, pseudoisoeugenol, metilchavicol, anisaldeídos, scopoletin, umbelliferon, polienos e poliacetilenos.5 À exposição do óleo à luz solar ocorre a formação de dianetol (que possui ação estrogênica) e isoanetol (com ação tóxica).

Ações farmacológicas: Digestiva, carminativa, espasmolítica, expectorante, galactogoga, antifúngica, antiséptica, antiviral,6 antioxidante,5 estrogênica,³ mucolítica4 e sedativa, além de favorecer a absorção de ferro.¹ Tem uma moderada ação anti-helmíntica.7 Os componentes químicos eugenol e estragol têm ação anestésica, hipotérmica, relaxante muscular e anticonvulsivante.

Interações medicamentosas: Altas doses podem interferir com drogas anticoagulantes ou com inibidores da MAO (monoaminooxidase).¹ Os efeitos estrogênicos podem interferir com hormonioterapia de reposição e pílulas anticoncepcionais (apenas evidenciado em altas doses).

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Altas doses ( de oleo essencial?))podem causar quadro alucinógeno ou neurotóxico (confusão mental, sonolência), podendo em casos extremos levar a paralisia muscular, transtornos respiratórios, convulsões e coma.¹ Reação alérgica ocasional da pele, trato respiratório ou trato gastrointestinal.

Contra-indicações:  O óleo essencial é contra-indicado para uso interno durante a gravidez e o aleitamento, em crianças menores de 6 anos e na presença de problemas crônicos gastrointestinais ou doenças neurológicas,4 em casos de alergia ao anis ou ao anetol² e na presença de tumores hormônio-dependentes.¹ Não se recomenda o uso tópico em pessoas hispersensíveis ou com história de alergias cutâneas.

Posologia e modo de uso: Uso interno – Infusão de uma colher de café dos frutos (vulgarmente conhecidos como sementes) em uma xícara de água fervente. Pode-se beber até 2 xícaras/dia. Nos casos de problemas digestivos ou cólicas, tomar o chá meia hora antes das refeições.6 Uso externo – óleo essencial dilúido a 10% em óleo de amêndoas.

Referências:
ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004. p. 162-166.

BLUMENTHAL, M. (ed.). The Complete German Comission E Monographs: Therapeutic Guide to Herbal Medicines. Austin, Texas: American Botanical Council, 1998. p. 82-83.

BRUNETON, J. Farmacognosia: Fitoquímica, Plantas Medicinales. Trad. Á. V. del Fresno; E. C. Accame; M. R. Lizabe. 2. ed. Zaragoza, Espanha: Acribia, 2001. p. 507-510.

CUNHA, A. P.; SILVA, A. P.; ROQUE, O. R. Plantas e Produtos Vegetais em Fitoterapia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2003. p. 124-125.

GULCIN, I.; OKTAY, M.; KIRECCI, E.; KUFREVIOGLU, O.I. Screening of antioxidant and antimicrobial activities of anise (Pimpinella anisum L.) seed extracts. Food Chemistry, [S. I.], v. 83, n. 3, p. 371-382, 2003.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002. p. 484.

ÖZCAN, M. M.; CHALCHAT, J. C. Chemical composition and antifungal effect of anise (Pimpinella anisum L.) fruit oil at ripening stage. Annals of Microbiology, v. 56, n. 4, p. 353-358, Dez. 2006.

Tags: AromáticaBronquiteCólicaCondimentoDispepsiaEructaçãoEscabioseFebreMá digestãoParasitosePediculoseRepelenteResfriadoTosse

CHAPÉU-DE-COURO

07/01/2020 22:58

Echinodorus grandiflorus (Cham. & Schltdl.) Micheli.

Echinodorus grandiflorus

Alismataceae


Sinonímias: Alisma floribundum Seub., Alisma grandiflorum Cham. & Schltdl., Echinodorus floribundus (Seub.) Seub., Echinodorus grandiflorus var. floribundus (Seub.) Micheli, Echinodorus argentinensis Rataj., Echinodorus grandiflorus (Cham. & Schltr.) Micheli subsp. grandiflorus.

Nomes populares:  Chapéu-de-couro, aguapé, chá-do-brejo, chá-mineiro, chá-de-campanha, erva-do-brejo, congonha-do-brejo, erva-do-pântano, cucharero, cucharón (ESP).

Origem ou Habitat: Nativa do Brasil (Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica).

Características botânicas:  Erva ou subarbusto de área alagada ou brejo, perene, acaule, rizomatoso, medindo de 1-2 m de altura; folhas simples, coriáceas, ovadas, grandes e eretas, com nervuras proeminentes, com pecíolos rígidos e longos de até 1,3 metros de comprimento; flores brancas, numerosas, dispostas em amplas panículas que se dispõem no ápice de longos pedúnculos que se originam diretamente do rizoma e sobressaem acima da folhagem.

Partes usadas: Folhas e raízes.

Uso popular:  O chá de suas folhas é um dos mais populares como diurético e depurativo do organismo. É usado como anti-reumático, em problemas do trato urinário. Externamente, no tratamento de problemas cutâneos, inclusive para tirar manchas da pele. Na forma de bochechos e gargarejos para afecções da garganta, estomatite e gengivite. Também pode ser usado em banhos de assento, duas ou três vezes ao dia, para tratamento de prostatite.

No Paraguai é utilizado como anti-hipertensivo.

No Vale do Ribeira (SP) é referido o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos, como sedativo, em dores de cabeça, de barriga, nas costas, além de gripes e resfriados e como anti-helmíntico (Ascaris lumbricoides). A decocção das folhas é usada como analgésica especialmente contra dores de cabeça.

As raízes maceradas são usadas externamente como cataplasma no tratamento de hérnias e como emplasto em casos de furúnculos, eczemas e dermatites.

Composição química:  Diterpenos (equinofilinas, equinodolideos, chapecoderinas); óleo essencial (fitol, E-cariofileno, a-humuleno e E-nerolidol); flavonóides; heterosídeos cardiotônicos; saponinas; taninos; alcalóides; sais minerais; derivados cumarínicos; iodo e resinas.

Ações farmacológicas: Alguns trabalhos de pesquisa com os extratos das folhas demonstraram efeitos anti-inflamatório, vasodilatador e anti-hipertensivos.

O extrato hidro-etanólico inibiu germes Gram negativos.

Os equinodorosídeos exercem efeito inotrópico positivo em corações de cobaias.

A planta possui atividade laxante não irritativa presumivelmente por sua ação colagoga e colerética.

Os alcalóides neutralizam enzimas presentes em venenos de algumas serpentes.

Os flavonóides seriam os responsáveis por seu efeito diurético e os taninos demonstraram efeitos protetores e antissépticos sobre mucosas inflamadas.

O conteúdo em iodo pode ser útil em zonas endêmicas de bócio.

Um estudo indicou que o extrato metanólico dos rizomas possui propriedades analgésicas sobre o sistema nervoso periférico e central, apresentando componentes com ação antinociceptiva e anti-inflamatória.(Dutra et al, 2006 apud Lídio Coradin et al. Brasília, MMA, 2011).

Interações medicamentosas: Evitar tomar o chá concomitante com outra medicação.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Estudos toxicológicos em animais com a espécie em questão não demonstraram evidências nocivas.

Por precaução, não deve ser usado cronicamente.

Foram observados efeitos tóxicos com o uso crônico na espécie Echinodorus macrophyllus (Kunth.) Micheli (Costa Lopes et al., 2000 apud Di Stasi, 2002).

Contra-indicações:  Nas doses adequadas é segura para uso em humanos. Por falta de maiores estudos evitar o uso em grávidas.

Posologia e modo de uso: Infusão: uma colher (sobremesa) do pó das folhas para cada xícara (chá) de água fervente. Tomar 1 xícara 2x ao dia.

Decocção: uma colher (sopa) folhas picadas para 1 xícara de água fria. Ferver por 3 minutos e abafar. Coar e tomar 1 xícara 2x ao dia.

Com o infuso mais concentrado pode ser feito uso externo, na forma de cataplasma e/ou emplasto. Com as raízes e rizomas faz-se um macerado para usar externamente.

Observações: Nas regiões Sudeste e Nordeste ocorre outra espécie Echinodorus macrophyllus (Kunth.) Micheli, com características e nomes populares muito semelhantes, inclusive utilizada para os mesmos usos medicinais do Echinodorus grandiflorus (Cham. & Schltdl.) Micheli.

Echinodorus grandiflorus (Cham. & Schltdl.) Micheli. é confundido com Sagitaria sp, suas flores são muito parecidas, porém as folhas são sagitadas enquanto no Echinodorus grandiflorus são ovadas.

O chapéu-de-couro (E. grandiflorus, juntamente com a erva-mate (Ilex paraguariensis) e o guaraná (Paullinia cupana), é utilizado pela indústria Mate Couro S/A desde 1948, como ingrediente de bebidas não alcoólicas..

 

Referências:
ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. 1. ed. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004.

DI STASI, L.C. et al., PLANTAS MEDICINAIS NA AMAZÔNIA E MATA ATLÂNTICA – ed. UNESP, SP,2002

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008

Espécies nativas da flora brasileira – plantas para o futuro,Região Sul,/ Lídio Coradin et al. Brasília, MMA, 2011.

SIMÕES, C. M. O. Plantas da Medicina Popular do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: UFRGS, 1986.

PIMENTA, Daniel S.; FIGUEIREDO, Maria Raquel e KAPLAN, Maria Auxiliadora C.. Essential oil from two populations of Echinodorus grandiflorus (Cham. & Schltdl.) Micheli (Chapéu de couro). An. Acad. Bras. Ciênc. [online]. 2006, vol.78, n.4, pp. 623-628. ISSN 0001-3765. http://dx.doi.org/10.1590/S0001-37652006000400002.

Matias, L.Q., Sakuragui, C.M., Lopes, R.C. 2012. Alismataceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. (http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2012/FB015382) acesso em 23 de outubro de 2012.

http://apps.kew.org/wcsp/namedetail.do?name_id=305257 – acesso em 23 de outubro de 2012.

http://www.tropicos.org/Name/900075 – acesso em 23 de outubro de 2012.

Tags: AnalgésicoAnti-helmínticaanti-hipertisivoAnti-reumáticoDepurativoDermatiteDiuréticoEczemaEstomatiteFurúnculoGengiviteGripeResfriadoSedativo

CARQUEJA

07/01/2020 22:11

Baccharis spp.

Asteraceae (Compositae)  


Sinonímias: Várias espécies de Baccharis são conhecidas por “carqueja” e outras por “vassoura”: 

Baccharis articulata (Lam.) Persoon, Baccharis trimera (Less.) DC., Baccharis genistelloides var. trimera (Less.) Baker, Baccharis cylindrica (Less.) DC., Baccharis fastigiata Baker, Baccharis gaudichaudiana DC., Baccharis genistifolia DC., Baccharis genistelloides (Lam.) Pers. Baccharis glaziovii Baker, Baccharis junciformis DC., Baccharis junciformis var. triptera Baker, Baccharis lundii DC., Baccharis microcephala Baker, Baccharis notosergila Griseb., Baccharis opuntioides Mart., Baccharis pauciflosculosa DC., Baccharis pentaptera DC., Baccharis polyptera DC., Baccharis sagittalis (Less.) DC., Baccharis stenocephala Baker, Baccharis dracunculifolia DC. etc. 

Nomes populares:  Carqueja, carqueja-amarga, carqueja-amargosa, carqueja-doce, vassourinha, carquejinha (DEGASPARI, 2011; FACHINETTP; TEDESCO, 2009). [Quebra da Disposição de Texto][Quebra da Disposição de Texto]Origem ou Habitat:O gênero Baccharis está representado por mais de 500 espécies distribuídas principalmente no Brasil, Argentina, Colômbia, Chile, Paraguai, Bolívia e México. No Brasil, estão descritas 120 espécies de Baccharis, distribuídas em maior concentração na Região Sul do país. (DEGASPARI, 2011; AGOSTINI, F. et al, 2005. 

Características botânicas:  As espécies deste gênero são subarbustos ou arbustos ramificados, com 0,5 a 4 metros de altura, com caule e ramos cilíndricos, folhas alternas e muito variáveis na forma e no tamanho, e com capítulos que podem ser de uni a multiflores. São plantas dióicas com inflorescências masculinas e femininas em plantas separadas.4 As flores são pequenas, brancas ou amareladas, unissexuais, reunidas em inflorescências, apresentadas em capítulos pequenos, sésseis, de 6 a 7 mm de altura, dispostas nas terminações dos ramos, formando espigas interrompidas. O fruto é um aquênio com papilho, com 10 estrias longitudinais, de cor branca ou amarelado. As sementes tem um penacho plumoso que serve para dispersar-se pelo vento. Diversas espécies de Baccharis com ramos trialados são confundidas com Baccharis trimera, como Baccharis crispa, Baccharis cylindrica, Baccharis microcephala e Baccharis usteri. Exceto a última, que apresenta folhas normais nos extremos inferiores, as demais espécies só podem ser identificadas macroscopicamente quando estão floridas. A presença de ramos bialados na Baccharis articulata permite a distinção desta do resto das carquejas.6 

OBS.: Baccharis dracunculifolia DC., popularmente conhecida por alecrim-vassoura, vassourinha, alecrim-do-campo ou vassoura-carqueja, é um arbusto alto, pode atingir até 4 m de altura, muito ramificado. As folhas são simples, alternas, subssésseis, pequenas e possuem forma de lança. Flores bem pequenas, brancas ou amareladas. Os frutos são do tipo aquênio. Floresce entre fevereiro e abril.(MARONI, B., DI STASI, L. C., MACHADO, S. 2006). [Quebra da Disposição de Texto][Quebra da Disposição de Texto]Partes usadas:hastes aéreas. 

Uso popular:  No Brasil, a carqueja está entre as dez plantas medicinais mais comercializadas, e o Paraná destaca-se como seu maior produtor. A carqueja é indicada como tônico estomáquico, antidiarreico e antirreumático. Sua função principal é regular o funcionamento do fígado e intestinos. Auxilia nos regimes de emagrecimento, sendo usada no tratamento de má digestão, cálculos biliares, doenças do baço e dos rins. É também muito recomendada para combater o diabetes e como vermífugo. Na Região Sul é comum acrescentar um pouco de carqueja na erva mate e como complemento do chimarrão.  

Externamente, é usada no tratamento de feridas e ulcerações (FACHINETTP; TEDESCO, 2009).  

Na Argentina, acredita-se que a Baccharis articulata (carqueja-doce, carquejinha) tenha atividade no tratamento de impotência sexual masculina e de esterilidade feminina.  

No Paraguai, é utilizada como anti-hipertensiva. Os óleos essenciais extraídos de folhas de Baccharis dracunculifolia (óleo-de-vassoura) e Baccharis trimera (óleo-de-carqueja) são produzidos e usados em perfumaria, possuindo alto valor para a indústria de fragrâncias (AGOSTINI, et al, 2005).  

A infusão das hastes da carqueja, usada antes das refeições, é indicada em caso de afecções estomacais, intestinais e hepáticas. O mesmo chá feito com a planta picada tem ação antifebril, anti reumática, colagoga, estomáquica, para cálculos biliares, diabetes, obesidade e obstrução do fígado. Já o decocto da haste, além de ser usado para os mesmo fins, é referido eficaz contra tosse, gripes, resfriados e também usado como diurético, tônico e contra afecções do couro cabeludo. A mistura feita ao amassar a planta fresca ou triturá-la seca com alho e água fervente é indicada como anti-helmíntico (MARONI; DI STASI; MACHADO, 2006). 

Composição química:  Para o gênero Baccharis, existem relatos da presença de flavonóides, diterpenos, taninos, óleo essencial e saponinas.1 Cerca de 120 espécies deste gênero foram estudadas quimicamente e de modo geral, os compostos que mais se destacam são os flavonóides (apigenina, cirsiliol, cirsimantina, eriodictol, eupatrina e genkawaniana) e os terpenóides, como monoterpenos, sesquiterpenos, diterpenos e triterpenos. DEGASPARI, et al, 2011; AGOSTINI, et al, 2005). Outros princípios ativos são lignanos, alfa e beta pinenos, canfeno, carquejol, acetato de carquejila, ledol, calameno, elemol, eudesmol, palustrol, nerotidol, hispidulina, campferol, quercerina e esqualeno (DEGASPARI, et al, 2011). 

Ações farmacológicas: O gênero Baccharis tem uma ampla gama de efeitos microbicidas e reconhecidas propriedades colérico-colagogas (PASSERO, et al, 2011). 

O conjunto de flavonóides, em especial a hispidulina, demonstra ação hepatoprotetora e colagoga. O alto conteúdo de ácidos cafeoilquínicos presentes nas diferentes espécies de carqueja justificam seu emprego como colerética e colagoga, além das sabidas atividades antioxidantes.  

Extratos aquosos e hidroalcoólicos de Baccharis notorsegila e Baccharis crispa em doses de 5mg/ml demonstraram atividade antibacteriana frente a Bacillus subtilisMicrococcus luteus e Staphylococcus aureus, especialmente por parte do flavonóide genkwanina. Um estudo evidenciou que as folhas de Baccharis dracunculifolia, a principal origem botânica da produção do Própolis Brasileiro, tem efeito inibitório dos fatores cariogênicos avaliados do Streptococcus mutans, similar ao do própolis mencionado, o qual é usado para prevenir cáries dentárias por esse patógeno. (ABAD; BERMEJO, 2008). 

As lactonas sesquiterpênicas de Baccharis trimera demonstraram atividade inibitória frente a cercárias do Schistosoma mansoni (agente causador da esquistossomose) e do crescimento do Trypanosoma cruzi (causador da Doença de Chagas). Ensaios evidenciaram também atividade molusquicida de Baccharis trimera sobre Biomphalaria glabrata (molusco hospedeiro intermediário do S. mansoni), as custas de lactonas diterpênicas e flavonas, em especial a eupatorina (ALONSO; DESMARCHELIER, 2005). 

Além disso, mais recentemente vários componentes de Baccharis retusa e Baccharis uncinella têm sido estudados e apresentam atividade contra patógenos causadores da Leishmaniose Tegumentar (PASSERO, et al, 2011). 

Estudos diferentes com extratos de Baccharis articulata e Baccharis genistelloides encontraram atividade antiviral frente ao VSV (vírus da estomatite vesicular) e ao HSV-1 (Herpes simplex vírus). Um estudo em 1996 demonstrou os ácidos cafeoilquínicos como tendo atividade inibitória específica sobre a enzima HIV-1 integrase, o que abre portas para estudos futuros relacionados ao HIV (ALONSO; DESMARCHELIER, 2005). 

Ensaios em animais são controversos em demonstrar a atividade analgésica e antiinflamatória de extratos de B. trimera. Um estudo que investigou o efeito antiartrítico do extrato aquoso de Baccharis genistelloides mostrou uma redução importante da gravidade da artrite colágeno-induzida em animais. Em estudos com ratos com diabetes induzida por streptozotocina, o extrato aquoso de Baccharis trimera induziu uma redução importante, embora parcial, da glicemia, após 7 dias de uso. O efeito, o qual não esteve associado a perda de peso, pode estar associado a presença de flavonóides e ácidos clorogênicos, já que suas atividades hipoglicemiantes já foram previamente demonstradas. Esse potencial justifica maiores investigações (OLIVEIRA, 2005; ABAD; BERMEJO, 2008). 

Os flavonóides de Baccharis genistelloides possuem atividade diurética, o qual pode gerar hipotensão arterial, tal como se observou em estudos com ratas. Estudos in vitro tem determinado também a atividade anti hipertensiva de Baccharis trimera. (ALONSO; DESMARCHELIER, 2005). Diversos estudos em modelos animais com úlcera gástrica induzida de diferentes maneiras demonstraram atividade antiulcerosa de diferentes extratos de carqueja, e efeito gastroprotetor e anti secretório de Baccharis genistelloides em associação com Lavatera asurgentiflora e Psoralea glandulosa. (ALONSO; DESMARCHELIER, 2005). 

Interações medicamentosas: Os pacientes hipertensos podem necessitar ajustar as doses de medicamentos anti-hipertensivos em caso de uso concomitante de Baccharis trimera. Pacientes hipotensos também devem estar alertas devido a possibilidade de redução da pressão arterial (ALONSO; DESMARCHELIER, 2005).  

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Ensaios com sistemas teste vegetais in vivo e teste in vitro com linfócitos de sangue periférico humano demonstraram atividade antiproliferativa e mutagênica dos extratos de Baccharis trimera e Baccharis articulata , espécies nativas do sul do Brasil, indicando que a utilização pela população requer maior cuidado. No entanto, são necessários mais estudos para avaliar com maior precisão os riscos (FACHINETTP; TEDESCO, 2009). 

Apesar de a carqueja se encontrar incorporada à maioria das farmacopéias oficiais e não ter originado sinais de toxicidade durante seu uso histórico, se recomenda precaução e a não utilização por longos períodos até que sejam aprofundados os estudos sobre toxicidade. 

Os pacientes hipertensos podem necessitar ajustar as doses de medicamentos anti-hipertensivos em caso de uso concomitante de Baccharis trimera. Pacientes hipotensos também devem estar alertas devido a possibilidade de redução da pressão arterial (ALONSO; DESMARCHELIER, 2005). 

Contra-indicações:  Eventualidade de uma estimulação do músculo uterino pelo extrato de carqueja contra-indica seu uso na gravidez. O efeito abortivo foi observado na administração em animais por 10 a 15 dias consecutivos (ALONSO; DESMARCHELIER, 2005). 

Posologia e modo de uso: Infusão: em uma xícara (150ml), coloque 1 colher (sopa: 5g) de hastes picadas e adicione água fervente. Abafe por 10 minutos e coe. Tomar 2 a 3 xícaras por dia.  

Decocção – coloque 1 colher (sopa) de hastes picadas em 1 recipiente com água fria. Deixe ferver por 5 minutos. Desligue o fogo e deixe abafado por 10 minutos coe e tome até 3 xícaras por dia.  

Uso externo – Usa-se a decocção ou infusão aplicando externamente.

 

 

Referências:

ABAD, M. J.; BERMEJO, P. Baccharis (Compositae): a review update. Arkivoc, [S. I], v. 7, p. 76-96, 2007. Disponível em: http://www.arkat-usa.org/get-file/19602/ – Acesso em: 01 de novembro de 2011. 

AGOSTINI, F. et al. Estudo do óleo essencial de algumas espécies do gênero Baccharis (Asteraceae) do sul do Brasil. Revista Brasileira de farmacognosia, João Pessoa, v. 15, n. 3, p. 215-219, Jul/Set 2005. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-695X2005000300010&lng=en. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-695X2005000300010. Acesso em: 01 de novembro de 2011.  

ALONSO, J.; DESMARCHELIER, C. Plantas Medicinales Autóctonas de la Argentina: Bases Científicas para su Aplicación en Atención Primária de la Salud. Buenos Aires: L.O.L.A., 2005. p. 127-35 

BUDEL, J. M.; DUARTE, M. R.; SANTOS, C. A. M. Parâmetros para análise de carqueja: comparação entre quatro espécies de Baccharis spp. (Asteraceae). Revista Brasileira de farmacognosia, Maringá, v. 14, n. 1, 2004 . Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-695X2004000100006&lng=en&nrm=iso – Accesso em: 01 de Novembro de 2011. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-695X2004000100006. 

CORREA, M. P. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura/IBDF, v.2, 1984. 

DEGASPARI, C. H. et al. Obtenção de extrato de carqueja (Baccharis articulata (Lam.) Pers.) por diferentes processos de concentração. Disponível em: http://www.utp.br/tuiuticienciaecultura/FACET/FACET%2029/PDF/Art%208.pdf. Acesso em: 01 de novembro de 2011. 

DUKE, J. A., BOGENCHTZ-GODWIN, M. J., OTTESEN. A. R. Duke’s handbook of medicinal plants of Latin America. [S. I.]: CRC Press, 2008.  

FACHINETTP, J. M.; TEDESCO, S. B. Atividade antiproliferativa e mutagênica dos extratos aquosos de Baccharis trimera (Less.) A. P. de Candolle e Baccharis articulata (Lam.) Pers. (Asteraceae) sobre o sistema teste de Allium cepa. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, Botucatu, v. 11, n. 4, p. 360-367, 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-05722009000400002&lng=en. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-05722009000400002 – Acesso em: 01 de novembro de 2011. 

LORENZI, H, MATOS, F. J. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2002. p. 122-123. 

MARONI, B.; DI STASI, L. C.; MACHADO, S. Plantas medicinais do cerrado de Botucatu. São Paulo: FAPESP, BIOTA, UNESP, 2006. p. 46-48. 

OLIVEIRA, A. C. P. Effect of the extract and fraction of Baccharis trimera and Syzygium cumini on glycaemia of diabetic and non-diabetic mice. Journal Etnhopharmacol, [S. I], v. 102, p. 465-469, 2005. 

PANIZZA, S. Plantas que curam: cheiro de mato. 5. ed. São Paulo: IBRASA, 1997. p. 66-67 

PASSERO, L. F. et al. Lago, 2010. Anti-leishmanial effects of purified compounds from aerial parts of Baccharis uncinella DC. (Asteraceae). Parasitology Research, [S. I], v. 108, n. 3, p. 36-529, Mar 2011. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20886232 – Acesso em: 01 de novembro de 2011. 

http://www.tropicos.org – Acesso em: 11 de novembro de 2011.

Tags: AfecçõesAnti-helmínticaAnti-reumáticoAntidiarreicoColagogoDiuréticoFeridasGripeHipertensãoPerfumariaResfriadoTônicoTosseÚlceras

CANCOROSA-DE-TRÊS-PONTAS

05/01/2020 17:00

Jodina rhombifolia (Hook. & Arn.) Reissek.
Santalaceae  


Sinonímias: Celastrus rhombifolius Hook. & Arn., Iodina rhombifolia Hook. & Arn., Jodina bonariensis (DC.) Kuntze, Jodina cuneifolia (L.) Miers. 

Nomes populares:  Cancorosa-de-três-pontas, espinheira-de-três-pontas, erva-cancorosa, cancorosa, sombra-de-touro. 
Origem ou Habitat: Espécie nativa do Sul do Brasil, principalmente na mata de pinhais de SC e na Depressão Central do Rio Grande do Sul, sendo contudo rara. É mais frequente no Uruguai, Argentina e Paraguai. (LORENZI & MATOS, 2002). 

Características botânicas:  Pequena árvore de até 4 m de altura, perenifolia. Folhas alternas, simples, coriáceas, rombiformes, com os lados e o ápice terminados em espinho, curtamente pecioladas, verde-escuras, glabras, medindo até 7 cm de comprimento e 2,5 cm de largura. Flores hermafroditas, monoclamídeas, pentâmeras, às vezes tetrâmeras, actinomorfas, pequenas, branco-amareladas, dispostas em inflorescências do tipo glomérulo nas axilas das folhas. Fruto carnoso, globoso, amarelo-rosado quando maduro, doce, separando-se em cinco partes iguais. (SIMÕES et al., 1986). 

Partes usadas:Folhas e cascas. 

Uso popular:  As folhas são utilizadas para tratamento de problemas estomacais e resfriados. Externamente são usadas como cicatrizante para tratar úlceras, carcinomas e pólipos nasais. 

As folhas de Jodina rhombifolia (Hook & Arn) Reissek (Santalaceae) são utilizadas na medicina popular da Argentina para o tratamento do alcoolismo. 

Composição química:  Nas folhas foram encontradas gomas, mucilagem, ácidos orgânicos, compostos fenólicos, esteróides e triterpenóides, taninos pirocatéquicos e alcalóides (1983). Algum tempo depois foram detectados os Glicosilflavonóides: orientin, swertisin, vicenin-2 e vitexina. Nas sementes foram encontrados ácidos graxos acetilênicos. 

Ações farmacológicas: Em experimentos com ratos foram observadas atividades anti-úlcera gástrica, antiespasmódica e procinética (modular a motilidade do trato gastrointestinal).  

O extrato aquoso mostrou atividade antibacteriana contra Pseudomonas syringae. 

O extrato aquoso liofilizado de Jodina rhombifolia reduz acentuadamente o consumo voluntário de etanol em ratos Wistar machos. A redução de consumo foi de magnitude notável e estável durante o tratamento de 10 dias (TEVES et al., 2015). 

Observações: O composto vicenin-2 já foi patenteado como medicação antiespasmódica e procinético. 

Esta espécie está ameaçada de extinção pelo desmatamento e comercialização. É confundida com a espinheira-santa (Maytenus ilicifolia).

 


 

Referências:
BUCHWALD-WERNER, Sybille; Fujii, Hajime – ” Vicenin 2 and analogs thereof for use as an antispasmodic and​/or prokinetic agent for preventing or improving digestive disorders“.(Patente) From PCT Int. Appl. (2013), WO 2013079623 A1 20130606. (Scifinder) Acesso 04 JAN 2016. 

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002. 

MONTANHA, Jarbas A.; Schenkel, Eloir P.; Cardoso-Taketa, Alexandre T.; Dresch, Ana P.; Langeloh, Augusto; Dallegrave, Eliane – “Chemical and anti-​ulcer evaluation of Jodina rhombifolia (Hook. & Arn.) Reissek extracts” From Revista Brasileira de Farmacognosia (2009), 19(1A), 29-32. (SCIFINDER) Acesso 04 JAN 2016. 

SIMÕES, C. M. O. Plantas da Medicina Popular do Rio Grande do Sul. 4.ed./Cláudia Maria Oliveira Simões et al. – Porto Alegre: UFRGS, 1986.  

SOBERON, Jose R.; Sgariglia, Melina A.; Dip Maderuelo, Maria R.; Andina, Maria L.; Sampietro, Diego A.; Vattuone, Marta A. ” Antibacterial activities of Ligaria cuneifolia and Jodina rhombifolia leaf extracts against phytopathogenic and clinical bacteria”. From Journal of Bioscience and Bioengineering (2014), 118(5), 599-605. (ScifinderAcesso 04 JAN 2016. 

TEVES Mauricio Roberto; Wendel Graciela Haydee; Pelzer Lilian Eugenia ” Reduction in voluntary ethanol intake following repeated oral administration of Jodina rhombifolia lyophilized aqueous extract in male Wistar rats” From Journal of ethnopharmacology (2015), 161, 170-4. |(Scifinder) Acesso 04 JAN 2016. 

http://www.ufrgs.br/fitoecologia/florars/ Acesso 04 JAN 2016. 

http://www.infoescola.com/farmacologia/procineticos/ Acesso 04 JAN 2016. 

http://www.tropicos.org/Name/28500360?tab=synonyms/ Acesso 7 DEZ 2015. 

Tags: AlcoolismoCarcinomaCicatrizanteResfriado

ARNICA LÍNGUA-DE-VACA

28/12/2019 00:07

Chaptalia nutans  (L.) Polak.

Asteraceae (Compositae) 


SinonímiasTussilago nutans L., Gerbera nutans (L.) Sch. Bip., Thyrsanthema ebracteata Kuntze, Thyrsanthema nutans (L.) Kuntze, Chaptalia texana Greene, Chaptalia nutans var. texana (Greene) Burkart, Chaptalia leonina Greene, etc.

Nomes populares: língua-de-vaca, costa-branca, fumo-do-mato, erva-de-sangue, língua-de-vaca-miúda, tapira, buglossa, chamama, serralha-de-rocha, arnica (DRESCHER, 2001).

Características botânicas: Erva acaule, com raízes ramificadas, de origem brasileira. As folhas sem pecíolo, de cor branca na parte inferior, inteiras ou dentadas, saem da mesma base da planta e são tomentosas para baixo. As inflorescências são capítulos de flores, cor róseo-pálida, e se apresentam em hastes terminais, emergindo do centro das folhas. O fruto-semente (aquênio) apresenta um papilho plumoso (DRESCHER, 2001).

Partes usadas: Folhas, flores e raízes (DUKE, 2009).

Uso popular: Dores musculares, torções, contusões, lombrigas intestinais, úlceras, vulnerária (GUPTA, 1995), asma, catarro, resfriados, tosse, convulsões, dermatite seborréica (caspa), dermatoses, diabetes, dispepsia, flatulência, problemas gástricos, brônquicos, hepáticos, intestinais e pulmonares, pressão alta, impotência, icterícia, escrófula, dores de estômago, sífilis, vermes, feridas, dor de cabeça, doenças venéreas, amenorréia (DUKE, 2009), facilitar a menstruação, herpes simples, gonorréia, inflamações, cólicas abdominais, disenterias, ferimentos expostos (sumo das folhas) (DRESCHER, 2001).

Composição química: Óleo essencial, cumarinas, resinas, mucilagens, taninos, pigmentos, flavonóides, princípio amargo, sais minerais (DRESCHER, 2001) ácido parasórbico e 3α-hidroxi-5-metilvalerolactona (partes aéreas), prunasina (folhas).

Ações farmacológicas: Vermífuga (DUKE, 2009). Furanocumarinas isoladas de raízes mostrou atividade antibacterianas em bactérias gram positivas (xv spmb 1998 p.130)

um estudo em ratos mostrou que a ação anti-inflamatória do extrato foi mais eficaz do que a do infuso (PubMed).

Interações medicamentosas: não há estudos com esta espécie.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: não há relatos.

Posologia e modo de uso: Uso externo: aquecer as folhas e aplicar em áreas doloridas e inflamadas; alcoolatura ou infusão para machucados e contusões. Uso interno: na literatura há indicação do uso de infusão ou decocção de folhas, flores e raízes (DUKE, 2009).

 

 

Referências: 
DRESCHER, L. (coord.). Herbanário da Terra: Plantas e Receitas. Laranja da Terra, ES: ARPA (Associação Regional dos Pequenos Produtores Agroecológicos), 2001. p. 84-85.

DUKE, J. A.; BOGENSCHUTZ-GODWIN, M. J.; OTTESEN, A. R. Duke’s Handbook of Medicinal Plants of Latin America. [S. I.]: CRC Press, 2009. p. 201-202.

FRANCO ,I.J. ; FONTANA V. L. Ervas & Plantas: a Medicina dos Simples. 9ª Ed., Erexim, RS: Editora Livraria Vida Ltda.,2004.

GUPTA, M. P. (ed.). 270 Plantas Medicinales Iberoamericanas. Santafé de Bogotá, D. C., Colômbia: CYTED-SECAB, 1995. p. 100-101.

MATOS, F. J. A. O Formulário Fitoterápico do Professor Dias da Rocha. 2 ed. Fortaleza: UFC, 1997. p. 155.

http://www.tropicos.org/Name/2709746 – Acesso em: 21 de março de 2012.

Rev Biol Trop. 1999 Dec;47(4):723-7. Anti-inflammatory activity of aqueous extracts of five Costa Rican medicinal plants in Sprague-Dawley rats. Badilla B1, Mora G, Poveda LJ.

Tags: AsmaCatarroContusõesConvulsãoDiabetesDor de cabeçaDor muscularFlatulênciaHipertensãoIcteríciaImpotênciaResfriadoTosseÚlceras

ALFAVACA ANISADA

27/12/2019 00:58

Ocimum selloi  Benth.

Lamiaceae (Labiatae) 


SinonímiasOcimum carnosum (Spreng.) Link & Otto ex Benth.(é considerado o nome legítimo pelo catálogo de plantas e fungos do Brasil de 2010) , Ocimum selloi var. genuinum (Benth.) Briq., Ocimum selloi var. carnosum Briq.

Nomes populares: Alfavaca-anisada, alfavaca-cheiro-de-anis, alfavaca-anis, anis, erva-doce, elixir-paregórico, alfavaquinha, erva-das-mulheres, atroveran, alfavaca preta.

Origem ou Habitat: Regiões Sul e Sudeste do Brasil.

Características botânicas: É herbácea, até um metro de altura, raramente chegam a 2m. Caule ereto, com pubescência retrorsa até o ápice. Folhas de 1,5 – 9 cm de comprimento por 1 – 4,5cm de largura., sub-romboidais até ovadas, agudas ou acuminadas, quase inteiras até serradas, com pêlos curtos sobre as margens e as nervuras, pecíolos de comprimentos variados. Inflorescências em pequenos rácimos bracteados de até 20cm de comprimento. Brácteas de 2 – 3,5 mm de comprimento, glabras ou pubescentes, com bordos pilosos. Cálice campanulado de 2,5 – 3,5 mm de comprimento na flor e até 1 cm no fruto. Lobo superior suborbicular, de 1,5 – 2,5 mm de diâmetro, cujos dentes inferiores ultrapassam, igualam ou não o lobo superior. Corola rosada, azul ou morada, de 3,5 – 6 mm de comprimento, com pêlos mais visíveis na metade superior do tubo. Filamentos superiores de 2,5 – 4 mm de comprimento e os inferiores de 2 – 3,5 mm. Anteras com tecas divergentes. Disco com o bordo 3- 4 lobado. Estilete de 4 – 6 mm de comprimento. Clusas de 1,5 – 2 mm de comprimento elipsóide- trígonas ou levemente tetrágonas, castanho-escuras, com estrias suaves, reticuladas e mucilaginosas.

Partes usadas: Folhas e inflorescências.

Uso popular: Em cólicas, “dor de barriga”, temos a experiência de associá-la a marcela  (Achyrocline satureoides) com bons resultados, tosse, bronquite, febre, resfriado e como carminativo e digestivo.

Associamos com mil-folhas (Achillea milefolium), erva-cidreira (Melissa officinalisI) ou Lippia citrodora para tratar tensão pré-menstrual (TPM), também com bons resultados.

Composição química: Óleo essencial contendo principalmente trans-anetol, metil-chavicol (estragol) e metil-eugenol; taninos, saponinas e pigmentos. Pesquisas demonstraram que o rendimento do óleo essencial é maior nas inflorescências (0,6%) do que nas folhas (0,25%).

-Óleo essencial:Metilchavicol, trans – β – ocimeno, trans – anetol, dentre outros.

Ações farmacológicas: Antidiarréico, antiespasmódico, analgésico e antiinflamatório.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Nas doses indicadas não há relatos de toxicidade.

Contra-indicações: Devido à falta de maiores estudos , não é indicado para gestantes e lactantes.

Posologia e modo de uso: Infusão: uma colher de sopa de folhas e/ou inflorescências frescas picadas para uma xícara de água. Tomar 3 a 4 xícaras ao dia , por até 2 semanas.

Infusão para TPM: 5 folhas de alfavaca anisada (Ocimum selloi) + 5 folhas de erva cidreira (Melissa officinalis ou Lippia citrodora) + 1/2 folha de mil folhas (Achillea milefolium). Tomar 2 a 3 xícaras ao dia durante quinze dias.

Observações: Existem vários quimiotipos desta espécie, alguns sem o cheiro semelhante ao do funcho ou erva doce.

 

 

Referências: 
ALONSO, J. Tratado de fitofármacos y nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus libros, 2004. 1360p.

AMARAL, C. L. F. ; CASALI, V.W.D. Identificação e Caracterização de populações de alfavaca (Ocimum selloi Benth.) por meio de marcadores isoenzimáticos. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, [S. I.], v.2, n.2, p. 9-15, 2000.

BURKART. Flora Ilustrada de Entre Rios (Argentina). Buenos Aires, 1974. Colección INTA. Ministério de Agricultura y Ganadería de la Nación. Parte V- Dicotiledóneas metaclamídeas. p. 315-316.

HARLEY, R. et al. . Lamiaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2012/FB036586 – Acesso em: 17 de maio de 2011.

LORENZI, H.; MATOS,F. J. A. ,Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas cultivadas. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002.

MARTINS, E. R. Estudos em Ocimum selloi Benth.: isoenzimas, morfologia e óleo essencial. In:MING, L.C. et al. (Eds.) Plantas Medicinais, Aromáticas e Condimentares: Avanços na pesquisa agronômica. Botucatu: UNESP, 1998. p.97-125.

MORAES, L. A. S. et al. Phytochemical characterization of essential oil from Ocimum selloi . Anais da Academia Brasileira de Ciências , (2002.) p.183-186.

VANDERLINDE, F. A. et al. Atividades Farmacológicas Gerais e Atividade antiespasmódica do extrato etanólico de Ocimum selloi Benth. (elixir paregórico). In: XIII SIMPÓSIO DE PLANTAS MEDICINAIS DO BRASIL, 1994. Fortaleza,CE. Anais.Fortaleza: UFC 1994.

VANDERLINDE, F. A. et al. Atividade antiinflamatória e analgésica do extrato etanólico de Ocimum selloi Benth. (elixir paregórico). In: XIII SIMPÓSIO DE PLANTAS MEDICINAIS DO BRASIL, 1994 Fortaleza,CE. Anais.. Fortaleza: UFC, 1994.

www.tropicos.org – Acesso em: 17 de maio de 2011.

Fitoterapia. 2008 Dec;79(7-8):569-73. Epub 2008 Jul 11. Analgesic and antidiarrheal properties of Ocimum selloi essential oil in mice. Franca CS, Menezes FS, Costa LC, Niculau ES, Alves PB, Pinto JE, Marçal RM. Source Physiology Department (DFS), Federal University of Sergipe, São Cristovão, Sergipe, CEP 49.100-000, Brazil.

FACANALI, Roselaine et al. Genetic and chemical diversity of native populations of Ocimum selloi Benth. Industrial Crops And Products, [s.l.], v. 76, p.249-257, dez. 2015.

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