LÁGRIMA-DE-NOSSA-SENHORA

13/02/2020 21:15

Coix lacryma-jobi  L.

Poaceae (antiga Gramineae) 


Sinonímias:

Coix lacryma L., Coix agrestis Lour. , Coix arundinacea Lam., Coix exaltata Jacq., Coix pendula Salisb., Lithagrostis lacryma-jobi (L.) Gaertn. , Sphaerium lacryma (L.) Kuntze.

Nomes populares: Capim-de-contas, contas-de-rosário, conta-de-lágrimas, lágrima-de-nossa-senhora, lágrima-de-jó, capim-rosário, capim-missanga, capiá, biurá, biuri.

Origem ou Habitat: Originária da Ásia tropical e naturalizada em quase todo o Brasil.

Características botânicas: Segundo LORENZI (2008), é uma herbácea cespitosa, anual, ereta, de colmos cheios e glabros, com enraizamento nos nós inferiores, medindo de 1,0-1,8 m de altura. Folhas cartáceas, glabras, com margens serrado-espinescentes, de 10-20 cm de comprimento. Inflorescências terminais, em racemos curtos e inclinados. Fruto globoso, liso-vernicoso, duro, perolado, de cor esbranquiçada com matizes cinzentas ou pretas. Propaga-se apenas por sementes.

Partes usadas: Sementes, folhas e colmos.

Uso popular: Usada há muito tempo pelos chineses como diurética e para combater a rigidez das articulações em doenças reumáticas.

Sua utilização nos dias de hoje está baseado na tradição popular, seus frutos (grãos) são usados como anti-inflamatório, analgésico, anti-espasmódico, antitérmico, antimicrobiano, contra pedras nos rins e em doses mais elevadas, contra a diabetes. Segundo Irmã Eva Michalak (1997), a tintura das sementes é diurética, anti-reumática, emoliente e útil nas afecções catarrais.

Externamente é indicada a tintura em fricções e o decocto em banhos contra o reumatismo.

As sementes são empregadas por indígenas para a confecção de adornos e utilizados pela população rural e artistas para trabalhos artesanais, como contas de rosário, colares, pulseiras e utensílios.

No interior dos grãos existe uma reserva amilácea rica em proteínas, vitaminas e sais minerais, que pode ser transformada numa farinha de alto valor nutritivo.

Folhas e colmos, (uso externo:) anti-reumático, excitante; (uso interno:) antiasmático, diurético.

Composição química: Ácidos graxos, ácido mirístico, alpha e beta sitosterol, arginina, beta-caroteno, coixans A e B, coixenólido, coixol, histidina, leucina, lisina, proteínas, sais minerais (cálcio, fósforo, ferro), tirosina, riboflavina, niacina.

Ações farmacológicas: Em experimentos com animais constatou-se atividade antitérmica, diurética e relaxante muscular, sendo que o relaxamento da musculatura é atribuído ao coixol, um dos componentes químicos encontrados nos grãos.

Contra-indicações: Não deve ser usada por gestantes e nutrizes. Não fazer uso prolongado.

Posologia e modo de uso:  Decocção de 10 a 30 g de sementes tostadas em uma xícara de água.

– folhas e colmos em decocção: banhos no tratamento do reumatismo e excitante. Internamente: diurético, antiasmático, artrite, cistite, edemas.

Referências: 

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.

MICHALAK, E.,Irmã. “Apontamentos fitoterápicos da Irmã Eva Michalak.” Florianópolis: Epagri, 1997.

PHUNG, T. H.; Nguyen, H. A.; Nguyen, Q. C.; Nguyen, T. D.; Nguyen, T. H. “Chemical composition and effects on carbohydrate metabolism of chloroform fraction of Coix lachryma-​jobi (L) stem extract”. From Mahidol University Journal of Pharmaceutical Sciences (2012), 39(1), 19-24. (Art. Scifinder) Acesso 26 Junho 2015.

http://www.plantamed.com.br/plantaservas/especies/Coix_lacryma-jobi.htm – Acesso 03 Julho 2015.

http://www.tropicos.org/Name/25515612?tab=synonyms – Acesso 26 Junho 2015.

Tags: AnalgésicoAnti-espasmódicoAnti-inflamatórioAntimicrobianoAntitérmicoDiuréticoReumatismo

GENGIBRE

09/02/2020 21:57

Zingiber officinale   Roscoe.

Zingiberaceae 


SinonímiasAmomum zingiber L., Zingiber aromaticum Noronha, Zingiber majus Rumph., Curcuma longifolia Wall.

Nomes populares: Gengibre, jengibre(Espanha), mangarataia.

Origem ou Habitat: Ásia.

Características botânicas: Segundo a descrição de LORENZI & MATOS, é uma erva rizomatosa, perene, ereta, com cerca de 60-120 cm de altura. Folhas simples, lanceoladas, invaginantes, de 15-30 cm de comprimento. Flores estéreis, verdosas ou branco-amareladas com manchas púrpuras dispostas em espigas radicais de até 7 cm de largura. Rizoma ramificado, de cheiro e sabor picante, agradável.

Partes usadas: Rizomas.

Uso popular: Tradicionalmente o gengibre é utilizado para tratar afecções intestinais, especialmente os problemas digestivos, com indicação nos casos de dispepsias e como carminativo nas cólicas flatulentas. Possui ação antimicrobiana local, combatendo a rouquidão e a inflamação da garganta, além de gripes, resfriados e sinusite. O gengibre é um dos melhores remédios para combater as náuseas (enjoos de viagem, enjoos produzidos pelo tratamento com quimioterapia, enjoos de gravidez, enjoos pós-operatório, etc.). É usado em casos de úlceras e diarreia. Tem ainda ação anti-inflamatória, anti-reumática, antiviral, antitussígena, anti-trombose, cardiotônica, colagogo, antialérgica e protetora do estômago.

É amplamente usado na cozinha, em suas diferentes formas: gengibre fresco, gengibre caramelizado, gengibre em conserva em xarope de açúcar, gengibre curtido no vinagre, em pó e seco.

Composição química: Óleo essencial (0,5-3%): composto por monoterpenos: canfeno (8%), alfa-pineno (2,5%), cineol, citral, borneol, mirceno, limoneno, felandreno; composto por sesquiterpenos: A-anforfeno, B-cariofileno, B-elemeno, B-ilangeno, calemeneno, capaeno, ciclo-copacanfeno, ciclosafireno, cis-G-bisaboleno, selina-zonareno, germacraneno B, sesquifelandreno, trans-B-farneseno, zingibereno, bisaboleno; álcoois sesquiterpênicos: necrolidol, elemol, bisabolol, sesquisabineno, trans-B-sesquifelandrol, zingiberenol, B-eudesmol; Outros: hidrocarbonetos (undecano, hexadecano, dodecano, folueno, p-cimeno, etc.), álcoois alifáticos: (2-butanol, 2-heptanol, 2-nonanol), aldeídos alifáticos (butanal, 2-metil-butanal, 3-metil-butanal, pentanal), cetonas (acetona, 2-hexanona, 2-novanona, heptanona, criptona, carvatanacetona, metil-heptanona), aldeídos monoterpênicos (citronelal, mistenal, felandral, neral, geranial).

Compostos picantes presentes na fração resinosa (5-8%): gingerdióis e gingeróis: 6-8-10- gingerol (raiz fresca) e por dessecação: zingerona, zingibereno, 6-8-10- sogaol, fenilfalcanonas, gingerenonas A,C, isogingerenona B, gingerdiona e 1-dihidrogingerdiona. Outros: amido (60%), ácido fosfatídico, lecitina, proteínas, vitaminas e minerais.

-Óleo essencial:

  • Monoterpenos: Canfeno, cineol, citral, felandreno, dentre outros.
  • Sesquiterpenos: Sesquifelandreno, trans-B-farneseno, bisaboleno, zingibereno, dentre outros.
  • Gingeróis: 6-8-10- gingerol (raiz fresca), 6-8-10- Shogaol, zingerona, gingerdiona(dessecação), dentre outros.
  • Diarileptanóides: Gingerenonas A, B e C (dessecação)
  • Monoacil digalactosil gliceróis:Gingerglicolipideos A, B e C.
  • Aldeídos monoterpênicos: Citronelal, neral, geraniale, dentre outros.

Ações farmacológicas: Foram realizados estudos em animais, in vitro e em humanos. E destacam-se as atividades antieméticas, anti-inflamatórias, antimicrobianas, antioxidantes e hipoglicemiante.

Interações medicamentosas: Devido a atividade cardiotônica e anti-agregante plaquetária (in vitro) e hipoglicemiante (in vivo) do gengibre, é recomendado não administrar altas doses porque pode interferir com a medicação de base em pacientes com insuficiência cardíaca, coagulopatias e diabetes (Newall C. et al., 1996 apud Alonso, J., 2004).

Em ensaios feitos em animais, os extratos de gengibre aumentaram a absorção de sulfaguanidina ao redor de 150% comparado a grupos controle (Sakai K. et al., 1987 apud Alonso, J., 2004).

Efeitos adversos e/ou tóxicos: O gengibre é inócuo nas doses recomendadas. Não tomar doses diárias de extratos do pó superiores a 2g. Doses superiores a 6g diárias podem produzir úlceras ou gastrites.

Contra-indicações: Não usar na gravidez e lactação. Não usar gengibre fresco em casos de aftas. Não tomar gengibre se tem cálculos biliares. Não tomar gengibre se toma medicação anticoagulante, antidiabética e anti-hipertensão arterial.

Observações: O rizoma de gengibre encontra-se registrado pelo FDA norte-americana e o Council of Europe como suplemento dietético e droga anti-nauseosa.

O gengibre cru, em forma de extrato fluido ou como óleo-resina é considerado oficinal pela United States Pharmacopeia (USP) e pelo National Formulary, tendo indicações como carminativo, aromático e estimulante.

A Comissão “E” de Monografias da Alemanha inclui o uso do gengibre em casos de dispepsias e na profilaxia de enjoos e náuseas de viagem.

A ESCOP da Europa indica o uso preventivo do gengibre em casos de náuseas, vômitos e como medicação antiemética pós-cirúrgica.

Os Ministérios da Saúde de Bolívia, Brasil, Colômbia e Cuba reconhecem o rizoma de gengibre para uso medicinal humano.

O rizoma do gengibre encontra-se incorporado nas seguintes Farmacopeias: Argentina, Áustria, Austrália, Bélgica, Brasil, China, Korea, Egito, Filipinas, França, Gran Bretanha, Holanda, Índia, Japão, Suíça e Vietnam.

Referências: 
ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004.

ALSHERBINY, Muhammad A. et al. Ameliorative and protective effects of ginger and its main constituents against natural, chemical and radiation-induced toxicities: A comprehensive review. Food And Chemical Toxicology, [s.l.], v. 123, p.72-97, jan. 2019.

GHOSH, A.k. et al. ZINGIBER OFFICINALE: A NATURAL GOLD. International Journal Of Pharma & Bio Sciences, East Sikkim, v. 2, n. 1, p.283-294, jan. 2011.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.

MAHBOUBI, Mohaddese. Zingiber officinale Rosc. essential oil, a review on its composition and bioactivity. Clinical Phytoscience, [s.l.], v. 5, n. 1, p.1-12, 15 jan. 2019.

http://www.botanical-online.com/medicinalsgengibre.htm – acesso em 16 de setembro de 2012.

http://www.sabetudo.net/ch-de-gengibre.html – foto2- acesso em 16 de setembro de 2012.

http://sinuhesilvavieira.blogspot.com.br/2012/05/gengibre-para-que-serve.html – foto3 – acesso em 16 de setembro de 2012.

http://www.tropicos.org/Name/34500018?tab=synonyms – foto1- – acesso em 16 de setembro de 2012.

Tags: AfecçõesAnti-inflamatórioAnti-reumáticoAntialérgicaAntimicrobianoCardiotônicaCarminativaColagogoCólicaDiarreiasDispepsiaGripeNáuseaResfriadoÚlceras

BOLDO-PEQUENO

04/01/2020 23:27

Plectranthus ornatus   Codd.
Lamiaceae (Labiatae)  


SinonímiasColeus comosus Hochst. ex Guerke.

Nomes populares:  Boldinho, boldo-rasteiro, boldo-pequeno, tapete-de-oxalá, boldo-gambá, boldo ornamental, etc

Uso popularDispepsias e azia.

Composição químicaAlbuquerque et al. (2003), encontraram um novo diterpeno em folhas de Plectranthus ornatus, além da barbatusina, já descrita anteriormente em Plectranthus barbatus. Estes autores relatam a substituição do uso de boldo miúdo, no lugar do falso boldo, mesmo sem confirmação da atividade hiposecretora gástrica, em Plectranthus ornatus. Rijo et al. (2002) reportam o isolamento de 3 diterpenóides, semelhantes à forskolina, em folhas de Plectranthus ornatus, sendo que dois dos constituintes apresentam atividade antibacteriana.

  • Óleo essencial: O-cimeno, terpinen-4-ol, α-Cadinol, dentre outros.
  • Diterpenos: Ornitina A – E, ácido rinocerotinóico, plectrornatina A – C, dentre outros.

Ações farmacológicas: Atividade antibacteriana (Rijo et al. (2002).

Interações medicamentosas: Não há relatos

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Algumas pessoas relataram sentir náuseas, vômitos e dores de cabeça com o uso desta erva. Há um caso registrado no CIT-SC,em que uma paciente apresentou icterícia e aumento de transaminases, que voltou ao normal com a suspensão do uso desta espécie. 

Contra-indicaçõesDevido à falta de mais pesquisas relacionadas, não é recomendado seu uso na gestação e lactação, nem em pessoas sensíveis à planta.

Posologia e modo de uso: Mascar e sugar o sumo de 1/2 folha para aliviar azia ou fazer a infusão com 1 folha fresca para 1 xícara de água.

Referências: 
ALVES, Fransérgio Américo Ribeiro et al. Chemical composition, antioxidant and antifungal activities of essential oils and extracts from Plectranthus spp. against dermatophytes fungi. Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal, [s.l.], v. 19, n. 1, p.105-115, mar. 2018.

ÁVILA, Fábio et al. Miscellaneous Diterpenes from the Aerial Parts of Plectranthus ornatus Codd. Journal Of The Brazilian Chemical Society, [s.l.], p.1014-1028, 2016.

ALBUQUERQUE, R. L. Novo diterpeno isolado das folhas de Plectranthus ornatus. In: 26ª REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUÍMICA, 2003, Poços de Caldas, MG.

CUNHA, A. P.; SILVA, A. P.; ROQUE, O. R. Plantas e Produtos Vegetais em Fitoterapia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2003. p. 246-247.

MAURO, C. et al. Estudo anatômico comparado de órgãos vegetativos de boldo miúdo, Plectranthus ornatus Codd. e malvariço, Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng. – Lamiaceae. Revista Brasileira de Farmacognosia, [S. I.] v. 18, n. 4, p. 608-613, Out./Dez. 2008.

MOTA, Luísa et al. Volatile-Oils Composition, and Bioactivity of the Essential Oils ofPlectranthus barbatus, P. neochilus, andP. ornatusGrown in Portugal. Chemistry & Biodiversity, [s.l.], v. 11, n. 5, p.719-732, maio 2014.

RIJO, P. Neoclerodane and labdane diterpenoids from Plectranthus ornatus. Journal of Natural Products, n. 65, p. 1387- 1390, 2002

http://www.tropicos.org/Name/17602796 acesso em 20 de julho de 2011.

CIT – SC relato de caso – 2011.

Tags: Antimicrobiano

ALECRIM

27/12/2019 00:39

Rosmarinus officinalis  L.

Lamiaceae (Labiatae) 


Nomes populares: Rosmarino, rosmarinho, alecrim-de-jardim, alecrim-de-cheiro, alecrim-da-horta, alecrim-rosmarinho, rozmarin, rosmarino, erva-da-graça, etc.

Origem ou Habitat: o alecrim vegeta espontaneamente em terrenos pedregosos e arenosos no litoral dos países mediterrâneos, entre o norte da África e sul da Europa. A espécie está aclimatada ao Brasil, sendo cultivada em hortas e jardins(SILVA JUNIOR, 2003).

Características botânicas: Subarbusto lenhoso, ereto, pouco ramificado, perene medindo cerca de 1,5 m de altura. Folhas com 1,3 – 4 cm de comprimento e 0,1 – 0,3 cm de largura, lanceolada, opostas cruzadas, sésseis simples, lineares, coriáceas, com margens recurvadas, face superior verde rugosa, face inferior esbranquiçada. Inflorescências axilares, do tipo racemo, flores azuladas, pequenas, cerca de 1 cm de comprimento.

Partes usadas: Ramos com folhas e flores.

Uso popular: O uso interno das folhas é indicado como carminativo, antiespasmódico, colerético, colagogo, antifebril, antimicrobiano, diurético, tônico, calmante, em distúrbios estomacais, cardíacos, em dores de cabeça e em bronquites. As folhas são usadas também como condimento.

Externamente, as folhas são usadas para a lavagem de feridas, afecções do couro cabeludo, em olho vermelho em pessoas com pterígio, em banhos para dores musculares.

Externamente usar a tintura das folhas com álcool de cereais ou cachaça para dores musculares e articulares.

As folhas secas, na forma de saches, são usadas para espantar insetos em guarda-roupas e como defumador, quando a planta é queimada diretamente.

Composição química: As folhas do alecrim apresentam até 2,5% de óleo essencial, cujos principais constituintes são 1,8-cineol (= eucaliptol, 15 a 30%), cânfora (15 a 25%), alfa pineno (até 25%) e outros monoterpenos. Outras substâncias presentes no alecrim são flavonóides, taninos de Labiatae (derivados do ácido rosmarínico), lactonas diterpênicas, diterpenos fenólicos carnosol e ácido carnósico, ácidos e alcoóis triterpênicos.

-Óleo essencial: 1,8-cineol, α-pineno, cânfora, dentre outros.

-Diterpenos: Rosmanol, carnosol, ácido carnosico, ácido carnosico, carnosol, oficinoterpenosideo A1 e A 2, dentre outros.

-Triterpenos: Ácido ursólico, ácido oleanólico, oficinoterpenosideo B,C e D.

-Ácidos fenólicos: Ácido cafeico, ácido clorogênico, ácido rosmarínico, dentre outros.

-Flavonoides: Apigenina, diosmina, luteolina e genkwanina.

Ações farmacológicas: Preparações com a planta apresentaram, em animais, ações espasmolítica sobre as vias biliares e intestino delgado, efeito inotrópico positivo e aumento da circulação coronariana, forte ação antioxidante e ação anti-inflamatória por inibição das enzimas LOX e COX-2 (cicloxigenase) e, em humanos, ação revulsiva e estimulante da circulação sanguínea, quando empregadas externamente. A absorção percutânea de constituintes do óleo essencial de alecrim está sendo estudada, indicando provavelmente, a relevância da terapia de banhos de imersão. Em ratos mostrou atividade antiedematogênica e analgésica(XVI SBPM FM 214, 2000).

Efeitos adversos e/ou tóxicos: O uso interno de óleo essencial acarreta riscos de gastrenterite, nefrite e crises epileptiformes.

Contra-indicações: É contra-indicado o uso do óleo essencial e de infusão com folhas de alecrim durante a gravidez, colite, inflamação da mucosa intestinal, problemas de próstata e em pessoas com epilepsia. O banho é contra-indicado em situações onde há ferimentos extensos, doenças de pele agudas de causa desconhecida, doenças infecciosas e febris.

Posologia e modo de uso:  Uso interno: usam-se as sumidades floridas ou a ponteira dos ramos (2 g) na forma de infusão, em 150 ml de água, administrando-se duas vezes ao dia, entre as refeições.

Uso externo: sob a forma de óleo, pomada ou banho de imersão, é popularmente indicado no combate de caspa e prevenção da calvície; sob a forma de compressas, em feridas de difícil cicatrização e eczemas.

Para o banho de imersão, prepara-se um decocto com 50 g das folhas em 1 litro de água, abafar por 15-30 minutos, coar e adicionar ao banho.

Alcoolatura: fazer compressas em dores reumáticas, artralgias, contusões.

Observações: Os principais componentes antioxidantes dos extratos de Alecrim são os diterpenos fenólicos carnosol e ácido carnósico (The EFSA Journal (2008) 721, 1-29).

 

Referências: 

AGUILAR, F. Use of rosemary extracts as a food additive: Scientific Opinion of the Panel on Food Additives, Flavourings, Processing Aids and Materials in Contact with Food. The EFSA Journal. [S. I.], 12 jun 2008, n. 721, p. 1-29.

ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004.

BISSET, N.G. (Ed.) Herbal Drugs and Phytopharmaceuticals. 4.ed. Stuttgart Medpharm, Boca Raton: CRC Press, 1994.

ANDRADE, Joana M et al. Rosmarinus officinalis L.: an update review of its phytochemistry and biological activity. Future Science Oa, [s.l.], v. 4, n. 4, p.283-300, abr. 2018.

BORGES, Raphaelle Sousa et al. Rosmarinus officinalis essential oil: A review of its phytochemistry, anti-inflammatory activity, and mechanisms of action involved. Journal Of Ethnopharmacology, [s.l.], v. 229, p.29-45, jan. 2019.

BRUNETON, J. Pharmacognosie Phytochimie Plante Médicinales. 2.ed. Londres: Technique et Documentation Lavoiser, 1993.

IN XVI SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PLANTAS MEDICINAIS, FM 214. Recife, PE, 2000.

GIRRE, L. La Santé Par Les Plantes. Rennes: Edilarge S.A., 1992

SILVA, A. M. O. et al . Efeito do extrato aquoso de alecrim (Rosmarinus officinalis L.) sobre o estresse oxidativo em ratos diabéticos. Revista de Nutrição ,v. 24, p. 121-130, 2011.

SILVA JUNIOR, A.A. – Essentia herba: Plantas Bioativas. Florianópolis: Epagri, 2003.

SIMÕES, C.M.O. et al. Plantas da Medicina Popular do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: UFRGS, 1986.

TYLER, V. E. The Honest Herb.: A sensible guide to the use of herbs and related remedies. 3.ed. New York: Pharmaceutical Products, 1993.

WAGNER, H.; WIESENAUER, M. Phytotherapie: Phytopharmaka und pflanzliche Homöopathika. Stuttgart: Gustav Fischer, 1995.

http://www.tropicos.org – Acesso em: 15 de abril de 2011.

http://www.efsa.europa.eu/en/publications/efsajournal.htm – Acesso em: 07 de março de 2012.

Tags: AntiespasmódicoAntifebrilAntimicrobianoCalmanteCarminativaColagogoColeréticaCondimentoDiurético

AÇAFRÃO DA ÍNDIA

26/12/2019 01:12

Curcuma longa  L.

Zingiberaceae 


Sinonímias:

Curcuma domestica Valeton, Amomum curcuma Jacq., Stissera curcuma Raeusch.

Nomes populares: cúrcuma, açafrão-da-índia, açafrão-da-terra, açafroa, turmeric, gengibre-dourada, mangarataia.

Origem ou Habitat: Índia.

 

Características botânicas: Segundo a descrição de LORENZI & MATOS(2008): planta herbácea, perene, caducifólia, aromática, possui folhas grandes, longamente pecioladas, invaginantes e oblongo-lanceoladas. Flores amareladas, pequenas, dispostas em espigas compridas. As raízes terminam em um rizoma elíptico, de onde partem vários rizomas menores, todos marcados em anéis de brácteas secas. Cada rizoma mede até 10 cm de comprimento e quando cortados mostram uma superfície de cor alaranjada, exalando cheiro forte e agradável e com sabor aromático e picante.

É cultivada em todo o mundo tropical.

Partes usadas: rizomas.
Uso popular: É utilizada como condimento na culinária de quase todo o mundo. A Comissão “E” de Fitoterapia (1997) e o Instituto Federal Alemão de Medicamentos confirmam as seguintes indicações para a Curcuma longa: tônico estomacal que estimula as secreções digestivas gástricas e facilita a digestão, combate a flatulência e atonia estomacal, além de ser um tônico biliar e protetora do fígado.

 

Composição química: Curcuminóides ou corantes (2-9%): curcumina ou diferuloilmetano (60%), curcumina I,II,III; dihidrocurcumina, ciclocurcumina. As curcuminas por oxidação convertem-se em vanilina.

Óleo essencial (1,5-5,5%): composto aproximadamente 60% pela lactona sesquiterpênica turmerona, além de zingibereno, alfa e gama-atlantona, bisaboleno, guayano, germacreno, 1,8-cineol, borneol, delta-sabineno, ácido caprílico, deshidroturmerona, 1-fenil-HO-N-pentano, limoneno, linalol, eugenol, curcumenol, ukonan A, B e C , curcumenona e felandreno.

Outros: polissacarídeos A,B,C e D, arabino-galactano, sais de potássio, resina , glicídeos (amido) ao redor de 40-50%.

 

Ações farmacológicas: De acordo com a grande quantidade de trabalhos realizados, especialmente com os curcuminóides, que são os corantes amarelos abundantes no rizoma, a cúrcuma possui atividade hepatoprotetora, colerética, digestiva, hipolipemiante, hipoglicemiante, antimicrobiana, anti-inflamatória, anti-oxidante, imunoestimulante, anti-agregante plaquetário, entre outras.

A substância zingibereno possui propriedades anti-ulcerosas, o 1-fenil-hidroxi-N-pentano estimula as secreções de secretina, gastrina e sucos pancreáticos além de contribuir para a manutenção do ph gástrico. O eugenol e o zingibereno são os responsáveis pelas propriedades carminativas. As substâncias que estão envolvidas com as propriedades hepatoprotetoras são as curcuminas, coadjuvantes são borneol, turmenona, eugenol e ácido cafeico. Alguns estudos apontam que a curcumina poderia ter ação colecistocinética e um efeito antiinflamatório. O rizoma da cúrcuma contém alguns compostos anticancerígenos: curcumina e curcuminóides, betacarotenos, curcumenol, curdiona, turmenona, terpineol e limoneno. Possuem efeito protetor frente ao câncer de pele, de duodeno, de mama e câncer de cólon.

 

Interações medicamentosas: A presença de substâncias com atividade anticoagulante pode interferir com aqueles pacientes que estão recebendo tratamento anticoagulante.

 

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Vários estudos demonstraram a ausência de toxicidade da cúrcuma, inclusive com doses muito elevadas (8 g). Relato de um usuário atribuiu ao açafrão da Índia a alteração no ritmo cardíaco que percebeu após o uso.

 

Contra-indicações: A cúrcuma possui efeito emenagogo e não se recomenda na gravidez. Não há informação suficiente para determinar a sua segurança durante a lactância. É contra-indicada para crianças menores de 4 anos, pessoas com oclusão das vias biliares e úlceras gástricas.

 

Posologia e modo de uso: A dose terapêutica está em torno de 300 mg de curcumina, 3 x ao dia. Os rizomas da cúrcuma possuem entre 4 e 5% de curcumina e a dose terapêutica corresponde a 6 gr de raiz fresca ao dia .

Uso na alimentação: a cúrcuma é empregada como corante culinário e constitui um dos principais condimentos na mistura que compõe o curry, integrado juntamente com pimenta, coentro, canela, gengibre, cravo da índia, cardamomo, cominho e noz moscada.

É muito utilizado na arte culinária goiana e mineira.

 

Observações: O rizoma de Curcuma longa encontra-se aprovado pelas Farmacopéias da Alemanha, Brasil, Chile, China, Korea, Espanha, EEUU, França, Holanda, Índia, Indonésia, Japão, ex-URSS e Vietnam.

Faz parte do 1º fascículo das monografias selecionadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS, 2000).

Faz parte da lista de drogas vegetais aprovadas para uso humano pela Comissão “E” de Monografias da Alemanha (Blumenthal, M., 2000).

Na indústria têxtil oriental é empregada para tingir seda, lã e algodão, inclusive a vestimenta dos monges budistas.

Referências: 

ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004.

BLUMENTHAL, M. et al. German Federal Institute for Drugs and Medical Devices. Commission “E” – The complete German Commission E monographs: therapeutic guide to herbal medicine. Austin, Texas: Ed. American Botanical Council, 2000.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.

http://www.botanical-online.com/curcuma_longa_propiedades_medicinales.htm – acesso em: 12 de setembro de 2012.

http://www.tropicos.org/Name/34500029?tab=synonyms – acesso em: 12 de setembro de 2012

Tags: Anti-agregante plaquetárioAnti-inflamatórioAnti-oxidanteAntimicrobianoHepatoprotetoraHipoglicemianteHipolipemianteImunoestimulante

ABACATE

27/10/2019 16:36

Persea americana   Mill.

Lauraceae


Sinonímias: Laurus persea L., Persea americana var. angustifolia Miranda, Persea americana var. drymifolia (Schltdl. & Cham.) S.F. Blake, Persea americana var. leiogyna (S.F. Blake) Kelsey & Dayton, Persea americana var. nubigena (L.O. Williams) L.E. Kopp, Persea americana var. toltec Popenoe.

Nomes populares: Abacateiro, abacate (Brasil), aguacate, palta, avocado (Spanish), avocato (Cuba), avocado, alligator-pear (English), “Hojas de Palta” (Peru), e li (pinyin, China), palta (English, United States), kalawakat (Mexico, San Miguel, Tzinacapan and Xaltipan), pero avvocato (Itália), avocatier, avocat (França), avokatbirnen (Alemanha).

Origem ou Habitat: América Tropical (Lorenzi e Matos). Segundo outros autores, Persea é Africana(Scora et al.).

Características botânicas: Árvore grande, de copa arredondada e densa, medindo de 12 a 20 m de altura; folhas ovais a elípticas, simples, com pecíolos finos, verdes escuras; inflorescências tipo panículas densamente grisáceo-puberulentas ou séricas, flores andróginas ou hermafroditas, pequenas, perfumadas, reunidas em racemos axilares e terminais, formadas na primavera e muito procuradas por abelhas.

Partes usadas: folhas, frutos e sementes.

Uso popular: A polpa dos frutos, além de nutritiva devido aos teores de proteína, sais minerais e vitaminas, é considerada na medicina tradicional como carminativa e útil contra o ácido úrico, enquanto os chás obtidos das folhas, da casca e das sementes raladas são considerados úteis como diurético, anti-reumático, carminativo, antianêmico, anti-diarreico e anti-infeccioso para os rins e bexiga, além de estimulante da vesícula biliar, estomáquico, emenagogo e balsâmico. A polpa em casos de caspa e prurido do couro cabeludo, associado com babosa (Aloe vera). A casca do fruto moída é recomendada contra as verminoses.

Composição química: Polpa dos frutos Flores: flavonóides (quercetin-3-O-ramnosídio, isoramntin-3-O-glicosídeo, cumaril-kaempferol, etc).
Sementes(caroço): sesquiterpenos (seychelleno, allo-aromandreno, b-selineno, valenceno, b-bisaboleno, y-cadineno, b-bisabolol e epi-a-bisabolol e tetradecanal)(Resumos Q-027); ácidos graxos(com abundante a-tocoferol), proantocianidina(biflavonil), hidrocarbonetos, derivados esteroídicos e glicídicos, taninos, polifenóis e uma saponina.
Folhas: óleo essencial difere a composição segundo a variedade: (estragol, metil-chavicol, a-pineno, b-pineno, metil-eugenol, cineol e limoneno); dopamina, serotonina, flavonóides (quercetina, catequina, epicatequina e cianidina); abacatina (princípio amargo); persiteol, taninos, persina e tiramina.
Córtex: principalmente taninos. Outros: ácidos málico e acético, carnitina, carotenóides, resinas, etc. (Alonso, 2004).

Ações farmacológicas: Destacam-se suas propriedades anti-inflamatórias, analgésicas, antimicrobianas, diuréticas e cosméticas, além de atividades imunomoduladora e antitumoral, essas em animais de laboratório (Alonso, 2004).

Na França foi desenvolvida uma formulação com as frações insaponificáveis do abacate (Persea americana) e da soja ( Glycine max), para o tratamento da artrose. Foi baseada na riqueza em esteróis destas frações e de uma possível relação sobre o metabolismo do cálcio, similar a ação da vitamina D (Magloire H., 1988 apud Alonso, 2004).

Em outro estudo onde participaram 264 pacientes que sofriam de osteoartrite (coxartrosis o gonartrosis fémoro-tibial) constatou-se que a administração de uma cápsula de insaponificáveis de abacate-soja de 300mg diários, produziu melhorias significativas em 70% dos casos. Mesmo assim, 100% do grupo de pacientes medicados com diclofenaco diminuíram a dose, em média, de 114mg para 40mg diários (Maheu E., 1992 apud Alonso, 2004).
Em ratos o extrato hidroalcoolico reduziu a glicemia e melhorou o estado metabólico dos animais.
Em camundongos, a farinha de semente de abacate reduziu o colesterol total e o colesterol-LDL.

Interações medicamentosas: Os pacientes que recebem tratamento antidepressivo com inibidores da mono-amino-oxidase (I.M.A.O.) podem sofrer crises hipertensivas devido a tiramina. (Sapeika N., 1976 apud Alonso, 2004).
O consumo de 100 a 200g de abacate diários em pacientes que estão recebendo terapia anticoagulante com warfarina diminui o efeito desta droga. Os pesquisadores desconhecem o mecanismo desta interferência (Blickstein et al., 1991 apud Alonso, 2004), mas provavelmente deve-se a vitamina K presente na sua composição química.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Os frutos do abacate são, em geral, bem tolerados para o consumo humano. Existem relatos de alergia associado ao látex.
As cápsulas de insaponificáveis de abacate-soja são bem toleradas, no entanto, longe das refeições podem ocasionar regurgitações.
Existem evidências que o consumo de folhas de abacate podem ser tóxicas para animais, por exemplo cabras (Alonso, 2004).

Contra-indicações: Não é recomendado a decocção das folhas do abacateiro para mulheres grávidas, por ser abortivo (Alonso, 2004), melhor não usar em mulheres que amamentam.

Posologia e modo de uso: Infusão: colocar 1 colher (sobremesa) de folhas ou flores picadas para 1 litro de água. Tomar uma xícara 3 vezes ao dia por 2 a 3 semanas.(Martins, 2000)
Decocção com a semente: ralar o caroço e medir uma colher de sopa para meio litro de água. Ferver, repousar e filtrar. Tomar duas vezes ao dia, por 2 a 3 semanas.

Uso externo: compressas locais com a infusão ou óleo, friccionar várias vezes ao dia. Cataplasma: tostar e moer o caroço do abacate, misturar o pó no próprio chá e aplicar com gaze nos locais afetados (LIMA, 2000).

Fito-cosmético: o óleo é empregado na forma de cremes e loções.
Polpa do fruto: é usado sob a forma de alimento, misturado com gel de babosa para afecções de couro cabeludo.
a dose da fração insaponificável do abacate com a fração insaponificável da soja é : abacate I. 100mg e soja I. 200mg – tomar um comprimido ao dia

Observações: Usos etnomedicinais: Os indígenas Shuar do Equador trituram e maceram as sementes em aguardente para o tratamento de picadas de serpentes; os Tikunas da Colômbia empregam a decocção das folhas como hepatoprotetor; os Sionas-Secoya e os Quechua atribuem-lhe propriedades contraceptivas; no México é frequente o uso da casca seca e moída do fruto como antidisentérico e a infusão das folhas é aplicada para lavar feridas infectadas na pele; em Camerún (África), a decocção das folhas e córtex é usada para hipertensão arterial e a infusão das folhas é empregado como abortivo (Alonso, 2004).

 

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