URTIGA

24/02/2020 18:19

Urtica dioica  L.

Urticaceae


SinonímiasUrtica galeopsifolia Wierzb. ex Opiz.

Nomes populares: Urtiga, urtiga-mansa, urtiga-maior, urtiga-européia, bichu booti (Pakistan), ortie, stinging nettle (English, Canada), yi zhu qian ma (China)(LAVALLE, 2000),(SCHULZ, V.; HÄNSEL, R.; TYLER, 2002).

Origem ou Habitat: Nativa da Europa e subspontânea ou cultivada principalmente nas regiões sul e sudeste do Brasil.

Características botânicas: Subarbusto ereto, perene, de 40-120 cm de altura. Folhas inteiras, de 7-15 cm de comprimento. Flores pequenas de cor branca ou amarelada. O pecíolo das folhas e ramos possuem pêlos e cerdas com forte ação urticante, causadas pela presença de ácido fórmico e aminas(LAVALLE, 2000).

Partes usadas: Planta toda (folhas, raízes).

Uso popular: Estancar sangramentos (infusão de folhas e ramos), rinite alérgica crônica (folhas), diurético (raízes), alívio dos sintomas da hiperplasia prostática benigna (raízes), inflamações articulares, reumatismos, diabetes, fortificante capilar, cicatrizante e hemostático de feridas, hemorragias nasais, dores de cabeça, cansaço. É também usada para anemia, hemorragia uterina, erupções cutâneas, eczema infantil , eczema de fundo nervoso, doenças crônicas do cólon, diarréia, disenteria, queimaduras, hipermenorréia, asma, condições dermatológicas pruriginosas, picadas de inseto, febre do feno, aumentar a produção de leite, e externamente em inflamações orofaríngeas (gargarejos). O suco pode ser utilizado para tratar ardência provocada por urtiga. Em casos de lombociatalgias, neuralgias ou artralgias é utilizada fazendo-se a urticação: esfrega-se folhas frescas (principalmente coletadas pouco antes da floração, em seu momento mais urticante) sobre a superfície dolorosa e em seguida faz-se fricção com água fria sobre a superfície.

Composição química: Segundo Alonso (2004): Parte aérea: flavonóides (heterosídeos de quercetina, isoramnetina e kampferol nas flores), vitaminas B, C e K, esteróis (β-sitosterol), sais minerais (sílica, cálcio, potássio, manganês, ferro, enxofre), clorofila (folhas), mucilagem, betaína, colina, carotenóides, prótidos (em especial lisina), polissacarídeos, ésteres do ácido caféico (ácido clorogênico, ácido cafeilmálico), taninos.

Pêlos: histamina, acetilcolina, serotonina, ácido acético, ácido gálico, ácido fórmico, colina.

Raiz: taninos, fenilpropanóides (álcool homovalínico, epoxilignanos), fitoesteróis (principalmente β-sitosterol, campesterol, estigmasterol, etc.), heterosídeos esteroidais, escopoletina, lectinas, flavonoides, cumarinas e polissacarídeos (glucanos, glucogalacturonanos, arabinogalactano).

Semente (óleo): ácido linoleico, ácido oleico, ácido linolênico, ácido palmítico, ácidos saturados, glicerol.

Aporte nutricional para cada 100 g da planta inteira: proteínas, aminoácidos essenciais, lipídeos, b-caroteno, vitamina B1, B5 ou ácido pantotênico, B2 ou riboflavina, ácido ascórbico, vitamina K1, sais minerais, ferro, cálcio, sílica, fósforo, enxofre, sódio, potássio, cloro, magnésio, manganês, traços de cobre e zinco, clorofila alfa e beta (folha seca).

O fruto da urtiga contém principalmente proteínas, lipídeos (muito rico em ácido linoleico), mucilagem, tocoferol e carotenóides

Ações farmacológicas: anti-reumática e anti-inflamatória (estas ações, em parte, são devido a inibição da via da ciclooxigenase e por inibição da 5-lipooxigenase; estudos em ratos mostraram que os polissacarídeos da raiz tem ação anti-inflamatória sobre edema de pata por carragenina)(ALONSO, 2004), anti-séptica, bactericida, adstringente, diurética e hipotensiva (provoca uma diurese natriurética e em anéis isolados de aorta contraídos por KCl ou norepinefrina , o extrato de raiz de urtiga causa vasodilatação)(ALONSO, 2004), expectorante, estimulante circulatória, anti-anêmica, emenagoga, hemostática, hipoglicêmica, antiviral, antidiarréica, cicatrizante, colagoga,¹ antialergênica, galactogoga(CHEVALLIER, 1996) e antioxidante(OZKOL, et al, 2001).

Informações complementares:

Em uma das referências, consta a informação de que a utilização das raízes de Urtica dioica apenas alivia os sintomas da hiperplasia prostática, sem diminuir seu tamanho (causando aumento do volume urinário, aumento do fluxo urinário máximo e redução do volume de urina residual)(BLUMENTHAL, 1998), enquanto em outras referências encontram-se hipóteses de ação baseadas em estudos laboratoriais: inibição da proliferação celular no tecido hiperplásico (MILLS; BONE, 2002), inibição dos metabólitos da testosterona e estrogênio por inibição da 5-α-redutase(LORENZI; MATOS, 2002), modificação da concentração de andrógenos livres ao interagir com as proteínas séricas transportadoras de andrógenos, redução do metabolismo celular da membrana prostática e inibição de seu crescimento ao inibir sua atividade Na-K-ATPásica e inibição da enzima aromatase responsável pela conversão de testosterona em estradiol(ALONSO, 2004).

Uma publicação relata oito estudos observacionais e quatro estudos duplo-cegos com placebos com bons resultados (Fitoterapia racional).

Interações medicamentosas: O uso de extratos pode interferir com terapias antidiabéticas, antihipertensivas e anticoagulantes. Pode aumentar os efeitos anticoagulantes da warfarina (FDA), devido aos seus componentes cumarínicos, e de fármacos com ação depressora sobre o sistema nervoso central(MILLs; BONE, 2000).

Um estudo mostrou que a associação de 50 g de extrato de urtiga com 50 mg diários de diclofenaco produziu os mesmos resultados antiinflamatórios que 200 mg diários de diclofenaco (ALONSO, 2004).

Em um recente trabalho foram comprovados efeitos protetores de extratos de urtiga (Urtica dioica) frente aos efeitos adversos de agentes quimioterápicos utilizados na terapia do câncer. Um destes agentes é o Cisplatino, causador de nefrotoxicidade e hepatoxicidade, comprometendo a sobrevivência futura dos pacientes(OZKOL et al, 2011).

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Normalmente é bem tolerada. Ocasionalmente observou-se alergias cutâneas, edema, oligúria e irritação gástrica quando administrada sob a forma de infusão. A ingestão das folhas de forma comestível pode provocar irritação gástrica (ALONSO, 2004). Em um estudo observacional com 4087 pacientes com HPB 35 relataram efeitos colaterais (problemas gastrointestinais, alergias cutaneas e dois casos de hiperhidrose)(SCHULZ; HÄNSEL; TYLER, 2002).

Contra-indicações: A urtiga é considerada abortiva e capaz de afetar o ciclo menstrual (estudos realizados em animais constataram atividade uterina). O uso excessivo durante a amamentação não é recomendado(MILLS; BONE, 2000). É contra-indicado em pessoas com insuficiência ou outra doenças renal (devido à sílica presente em suas folhas). Usar com cautela em indivíduos com gota ou com história de cálculos renais de ácido úrico. Um autor desaconselha o uso em pessoas com edema de origem cardíaca ou renal (pois pode diminuir as funções de ambos os órgãos), e em pessoas com tromboflebite ou que apresentam altos níveis sanguíneos de protrombina (ALONSO, 2004).

Posologia e modo de uso: Infusão: uma colher (de chá)de folhas ou partes aéreas picadas para cada xícara(150 ml) de água fervente, tomar 3 xícaras por dia por 7 dias .

Raízes: dose média diária de 4 a 6 g;

Extrato seco (5:1) 0,5-1 g/dia.

Uso externo: a tintura-mãe a 10% pode ser usada na forma de fricções sobre superfícies dolorosas. A decocção (50-100g/l fervendo 30 minutos) ou a infusão (25g/l) podem ser empregadas para uso externo (fricções em couro cabeludo, compressas, colutório, etc).

Observações: A Urtica dioica é chamada urtiga-maior para diferenciá-la da Urtica urens conhecida como urtiga-menor. A espécie Urtica urens, conhecida como urtiga menor é de uso popular para hemorragias, catarro com sangue, reumatismo, gota, doenças de pele, é diurética, as folhas novas são utilizadas como alimento(FRANCO; FONTANA, 2004).

A espécie nativa (foto abaixo) Urera baccifera ( L.) Gaudich.ex Wedd. da família das Urticaceas, conhecida como urtigão, tem uso popular das folhas para pressão alta e colesterol, o caule para bronquites, reumatismo e manchas da pele, a raiz para pedra nos rins, corrimento vaginal, antiinflamatória e em diabetes .(FRANCO & FONTANA, 2004; GUPTA, 1995

Referências:

ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004. p. 831-836.

BLUMENTHAL, M. (ed.). The Complete German Comission Monographs: Therapeutic Guide to Herbal Medicines. Austin, Texas: American Botanical Council, 1998. p. 216-217.

BRUNETON, J. Farmacognosia: Fitoquímica, Plantas Medicinales. Tradução de Á. V. del Fresno; E. C. Accame; M. R. Lizabe. 2. ed. Zaragoza, Espanha: Acribia, 2001. p. 748-749.

CHEVALLIER, A. The Encyclopedia of Medicinal Plants. London: Dorling Kindersley, 1996. p. 145.

CUNHA, A. P.; SILVA, A. P.; ROQUE, O. R. Plantas e Produtos Vegetais em Fitoterapia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2003. p. 628-629.

FRANCO, I. J.; FONTANA, V. L. Ervas & Plantas: A medicina dos simples, 9. ed. Erexim-RS, Editora Livraria Vida Ltda., 2004.

GUPTA, M. P. (ed.). 270 Plantas Medicinales Iberoamericanas. Santafé de Bogotá, Colombia: Programa Iberoamericano de Ciencia y Tecnología para el Desarollo (CYTED), 1995.

LAVALLE, J. B. et al. Natural Therapeutics Pocket Guide. Hudson, OH: Lexi-comp; Cincinnati, OH: Natural Health Resources, 2000. p. 505-506.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002. p. 485.

MILLS, S.; BONE, K. Principles and Practice of Phytotherapy. Modern Herbal Medicine. [S. I.]: Churchill Livingstone, 2000. p. 490-498.

NEWALL, C. A.; ANDERSON, L. A.; PHILLIPSON, J. D. Plantas Medicinais: Guia Para Profissional de Saúde [Herbal Medicines]. Tradução de Mirtes F. de Oliveira Pinheiro. São Paulo: Premier, 2002. p. 272-273.

YUNES ,R. A. ; CALIXTO J. B. (orgs.) Plantas Medicinais sob a ótica da química medicinal moderna. Chapecó: Argos Ed. Universitária, 2001. p.217

SCHULZ, V.; HÄNSEL, R.; TYLER V. E. Fitoterapia Racional: Um guia de fitoterapia para as ciências da saúde. 4. ed. [S. I.]: Editora Manole, 2002

http://www.tropicos.org/Name/33400020?tab=synonyms – Acesso em: 02 de abril de 2012.

OZKOL, H. et al. Ameliorative influence of U. dioica against cisplatin toxicity. Drug Chem Toxicol, [S. I.], 22, Sep., 2011.

Tags: AnemiaAsmaCefaléiaCicatrizanteDiarreiasDisenteriaDiuréticoEczemaHemostáticoQueimaduraReumatismo

HORTELÃ

11/02/2020 21:46

Mentha piperita  L.

Lamiaceae (Labiatae)


Nomes populares: Hortelã-pimenta, hortelã roxa, menta.

Origem ou Habitat: A Mentha piperita é um híbrido cultivado pela primeira vez na Inglaterra do sec. XVII.

Características botânicas: Erva perene de 0,3 – 0,6m de altura, pubescente, caule quadrangular, avermelhado. Folhas com 1 – 5cm de comprimento, 0,5 – 3cm de largura, opostas, simples, curtamente pecioladas, elípticas e lanceoladas, acuminadas, margens serradas, pilosas. Possui inflorescência do tipo glomérulo, separados uns dos outros, formando espigas no ápice dos ramos. Flores brancas e violáceas.

Partes usadas: Folhas e inflorescência.

Uso popular: Segundo as comunidades da Ilha o infuso, preparado com as partes aéreas, é empregado internamente para anemia, cólica menstrual, diarréia, como calmante e para combater vermes, sendo que neste último caso, é preparado com leite.

Segundo a literatura a hortelã é empregada internamente no tratamento de sintomas de problemas digestivos, tais como meteorismo epigástrico, digestão lenta, eructação e flatulência. Emprega-se também em resfriados e para dores de cabeça e musculares. Externamente, em ferimentos e contusões na pele, bem como em bochechos nas dores de dente, garganta, em inflamações da boca, gengiva e dor de dente.

Composição química: As hortelãs possuem um teor variável de óleo essencial 0,5 – 4%), em função da idade do vegetal, época do ano, tipo de solo, luminosidade, umidade, etc., sendo que um teor mínimo de 1,2% é exigido para fins medicinais . Todas contém um óleo essencial rico em mentol.

  • Óleo essencial: Mentol, mentona, pulegona (a partir desse se obtem no processo de extração o mentofurano que é toxico), dentre outros.
  • Flavonóides: Narirutina, hesperidina, luteolina-7-O-rutinosideo, isorgoifolina, diosmina, 5,7-di-hidroxicromona-7 O-rutinosideo e eriocitrina.
  • Ácidos fenólicos: Ácido rosmarinico, ácido cinâmico, dentre outros.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Segundo BISSET (1994), o consumo de chá de hortelã não produz efeitos adversos, desde que não corra excesso.

Contudo, há relatos de irritação gástrica e agravamento dos sintomas devido ao uso de preparações de hortelã em problemas do trato gastrointestinal. Em relação ao óleo, são raros os relatos de efeitos adversos, os quais incluem erupções cutâneas, dor de cabeça, bradicardia, tremor muscular, ataxia, aumento da azia e dores musculares recorrentes.

Por outro lado, seus principais constituintes (mentol e mentona) podem causar vários efeitos adversos.

Há relatos de urticária, dermatite e quelite alérgica quando da exposição a uma variedade de produtos contendo mentol. O uso destes produtos também está associado a um caso de bradicardia e outro de fibrilação.

Contra-indicações: Não se recomenda o uso tópico nasal de formulações contendo mentol em crianças, devido ao risco de espasmos da glote após sua aplicação e até mesmo colapso instantâneo seguido de aplicação local de mentol .

O óleo é contra-indicado em obstrução biliar e colecistite.

Posologia e modo de uso: A infusão pode ser preparada adicionando-se uma colher de sobremesa (1,5g) de folhas por xícara de água fervente (150ml), sendo recomendadas 2-4 xícaras ao dia .

Para cólon irritável é indicado o equivalente a 0,4 ml de óleo essencial em forma de comprimido com revestimento entérico.

Observações: Existem outras espécies de mentha utilazadas como remédio, a hortelã de “cabo” branco – Mentha rotundifolia e a hortelã de “cabo” roxo Mentha sp. são comuns na ilha de Santa Catarina.

A hortelã referida nos usos populares pode ser outra espécie que não a Mentha piperita.

Referências: 

BISSET, N.G. (Ed.) Herbal Drugs and Phytopharmaceuticals. 4.ed. Stuttgart Medpharm, Boca Raton: CRC Press, 1994.

FARIAS, M.R., et al. Plantas medicinais na ilha de Santa Catarina: Grupo de Estudos em Fitoterapia, Florianópolis: UFSC/P.M.F., 1996, 111p. (inédito)

HOPPE, H. A. Taschenbuch der Drogenkunde. Berlin: Walter de Gruyter, 1981.

MATOS, F.J.A. Farmácias Vivas: Sistemas de Utilização de Plantas Medicinais Projetado para Pequenas Comunidades. Fortaleza: EUFC, 1994.

REYNOLDS, J.E.F. (Ed.) Martindale The Extra Pharmacopoeia. 30.ed. London: The Pharmaceutical Press, 1993.

RITA, Paul & Datta, Animesh. An updated overview on peppermint (Mentha piperita L.). Int. Res. J. Pharm. Ago. 2011. cap2.pg. 1-10.

SIMÕES, C.M.O. Plantas da Medicina Popular do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: UFRGS, 1986.

SHRIVASTAVA, Alankar. A review on peppermint oil. Asian Journal of Pharmaceutical and Clinical Research.Volume 2, Issue 2, April- June, 2009 pg.27-33.

VERMA. Ram & Rahman et al. Essential Oil Composition of Menthol Mint (Mentha arvensis L.) and Peppermint (Mentha piperita L.) Cultivars at Different Stages of Plant Growth from Kumaon Region of Western Himalaya. Open Access Journal of Medicinal and Aromatic Plants. Jan. 2010; Vol. 1, pg: 13-18.
Rachitha P, Krupashree K, Jayashree G V, Gopalan N, Khanum F. Growth inhibition and morphological alteration of Fusarium sporotrichioides by Mentha piperita essential oil. Phcog Res. Fev. 2017; vol.9, pg:74-79.

Tags: AnemiaCalmanteCefaléiaCólicaDiarreiasFlatulênciaVermífuga

FRUTO-DRAGÃO

20/01/2020 23:00

Cereus undatus  Haw.

Cactaceae 


Sinonímias: Hylocereus undatus (Haw.) Britton & Rose.

Nomes populares:  Fruto do dragão, pitaya, pitaia, pitajaja (Cuba), flor de cáliz (Colômbia), dragon fruit, Honolulu-queen, night-blooming cereus, queen-of-the-night (English, United States).

Origem ou Habitat: América Central (Nativa de florestas úmidas). É disseminada na América Latina e cultivada nos quatro continentes, e pode ser encontrada desde Israel até a China.

Características botânicas:  A pitaya mantém hábito escandente ou trepador, pode ser encontrada subindo em árvores ou rochas, no seu habitat natural, utilizando raízes aéreas para se fixar. Planta epífita, rupícula ou terrestre ramificada, com ramos trialados, com pouco mais de 20 cm em média de comprimento e 5 a 7 cm de diâmetro, com asas de 2,3 cm de altura, de cor verde, ou grisácea, com o envelhecer, devido à cera que a recobre, com bordos agudos, crenados e córneos. Nos talos, há aréolas, de 2 a 3 cm de diâmetro, distantes de 3 a 5 cm entre si, com espinhos de 3 a 6 cada uma, com 1 a 4 mm, subaladas com base dilatada em um bulbo. As flores são laterais, noturnas, com 20 a 35 cm de comprimento, brancas, completas, perfumadas ao abrir a noite, quando são polinizadas por insetos. Contêm numerosos estames, tendo sido contados acima de 800 em uma só flor, arranjados em duas fileiras, ao redor do pistilo formado por 14 a 28 estiletes de cor creme. As sépalas são de cor verde-clara. O pólen é abundante e de cor amarela. Os frutos são globosos ou alongados, com 10 a 12 centímetros de comprimento, e, quando maduros, a casca pode apresentar cores roxas, amarelas ou rosadas. A polpa tem sabor suave e muito agradável. A sua cor é branca ou rosada. É cultivada por sementes ou estaquia.

Partes usadas: Polpa dos frutos e sementes.

Uso popular:  A polpa do fruto é consumida ao natural e no preparo de refresco, sorvetes, saladas, aperitivos, iogurte, mousses, geléias e doces. A pitaia-amarela contém a captina, um tônico cardíaco e suas sementes têm efeito laxativo. A pitaia-roxa é usada para combater a anemia. Por ser muito aquosa, era consumida pelos astecas para prevenir a desidratação. Indicada no controle de gastrite e infecções dos rins. Serve também para preparo de xampu e tem efeito contra dor de cabeça.

Composição química:  As sementes da pitaia contém uma alta quantidade de óleos (18,33-28,37%). Os três principais ácidos graxos encontrados são os ácidos linoleico, oleico e palmítico. O total de tocopherol foi de 36,70 mg/100g. Contém compostos fitosteróis como colesterol, campesterol, stigmasterol, and β-sitosterol. Foram identificados sete ácidos fenólicos: gálico, vanílico, siríngico, protocatechuic, p-hidroxibenzoico, p-cumárico a cafeico. Estudos revelam que a semente da pitaia tem uma alta quantidade de lipídios funcionais e pode ser usada como uma nova fonte de óleo essencial. A maior parte dos carboidratos encontrados nas pitaias de polpa branca e vermelha foi glicose, frutose, alguns oligossacarídeos (com uma concentração total de 86,2 e 89,6 g/kg, respectivamente.).

  • Betacianínas: Betanidina 5- O – β -soporosídeo, betanina, isobetanina, filocactina, isofilotocina, hilocerenina, isohilocerenina, indicaxantina, dentre outros.
  • Flavonóides: Dihidroquercetina, dihidroempempol, canferol, quercetina, isoramnetina, dentre outros.
  • Ácidos fenólicos:  Ácido p- hidroxibenzóico, ácido protocatecuico, ácido vanílico, Undatusideos A – C, dentre outros.
  • Esteroides:  Campesterol, estigmasterol, Sitosterol, dentre outros.
  • Triterpenos:  α-amirina, β ‐ amirina, Ácido 3β, 16α, 23-trihidroxi-urs-12-en-28-oico, taraxast-20-en-3a-ol e taraxast ‐ 12,20 (30) ‐dien ‐ 3α ‐ ol, dentre outros
  •  Ácidos graxos e compostos alifáticos:  Ácido mirístico, ácido palmítico, ácido margarico, dentre outros.

Posologia e modo de uso: A Pitaia pode ser consumida fresca. A polpa fresca ou congelada pode ser usada para fazer sorvete iogurte, geléia, compotas, suco e doces. Os botões fechados da flor podem ser cozidos e comidos.

Observações: As pitaias são conhecidas na cultura Asteca a um longo tempo, este nome significa fruto de escamas.

As pitaias pertencem à família Cactaceae e as espécies comerciais são três: a de casca vermelha e polpa branca Hylocereus undatus (Haw) Briton & Rose; a de casca amarela e polpa branco translúcida e sementes maiores Selenicereus megalanthus (Schum ex. Vaupel) Moran e a de casca vermelha e polpa vermelha Hylocereus lemairei (Hook.) Britton & Rose.

 

Referências:
MARQUES, V.B. PROPAGAÇÃO SEMINÍFERA E VEGETATIVA DE PITAIA (Hylocereus undatus (Haw.) Britton & Rose). 2008. Dissertação. Universidade Federal de Lavras, MG.

Donadio, Luiz Carlos. Pitaya. Revista Brasileira Fruticultura vol.31 no.3 Jaboticabal Sept. 2009

Informações preliminares sobre uma espécie de pitaya do Cerrado / Keize Pereira Junqueira… [et al.]. – Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, 2002. 18p.— (Documentos / Embrapa Cerrados, ISSN 1517-5111; 62)

Hong Kwong, Chin Ping, Roselina, Abdul Azis and Jamilah. Chemical composition and DSC thermal properties of two species of Hylocereus cacti seed oil: Hylocereus undatus and Hylocereus polyrhizus. Food Chemistry, Volume 119, Issue 4, 15 April 2010, Pages 1326-1331

Wichienchot, M.Jaturpornpipat and R.A. Rastall. Oligosaccharides of pitaya (dragon fruit) flesh and their prebiotic properties. Food Chemistry, Volume 120, Issue 3, 1 June 2010, Pages 850-857

http://www.tropicos.org/Name/5101084 – acesso 02 Abril 2014.

Tags: AnemiaCefaléiaGastriteLaxativasTônico

FÁFIA

20/01/2020 22:05

Pfaffia paniculata  (Mart.) Kuntze.

Amaranthaceae 


Sinonímias: Hebanthe paniculata Mart., Hebanthe virgata Mart., Gomphrena paniculata (Mart.)Moq., Iresine paniculata (Mart.) Spreng., Pfaffia erianthos (Poir.) Kuntze.

Nomes populares:  Fáfia, pfáfia, suma, ginseng-brasileiro, corango, paratudo.

Origem ou Habitat: O gênero Pfaffia apresenta em torno de 33 espécies distribuídas na América do Sul e Central e destas, 21 espécies estão no Brasil.

Pfaffia paniculata cresce nas clareiras da selva tropical amazônica, sendo espontânea nos estados do Mato Grosso, Goiás e nos cerrados de Minas Gerais. No Sul do Brasil a espécie mais comum é a Pfaffia glomerata (Spreng.)Pedersen.

Características botânicas:  Subarbusto perene, ramos escandentes, caracterizado por apresentar de 2 – 3 m de altura, com raízes tuberosas, e outras longas e grossas. Folhas simples, ovado-lanceoladas e acuminadas, opostas, membranáceas, glabras, de cor verde mais clara na face inferior, medindo de 4-7 cm de comprimento (segundo LORENZI & MATOS, 2002) e 5-12 cm (segundo ALONSO, 2004). Flores subglobosas, esbranquiçadas, muito pequenas, dispostas em panículas abertas.

Partes usadas: Folhas e principalmente as raízes.

Uso popular:  As populações indígenas da Amazônia usam as raízes há mais de 300 anos para a cura de uma ampla variedade de moléstias e como tônico geral, afrodisíaco e rejuvenescedor.

Nas Américas, a medicina herbária recomenda suas raízes como tônico regenerativo visando regular vários sistemas do organismo, como imunoestimulante e para tratar a síndrome da fadiga crônica, hipoglicemia, impotência, artrites, anemia, diabetes, alguns tipos de tumores, disfunção hormonal e de estresses de várias origens.

Na medicina herbária européia essa planta é usada para restaurar funções nervosas e glandulares, para balancear o sistema endócrino, para fortalecer o sistema imunológico, contra infertilidade, para problemas menstruais e de menopausa, para minimizar os efeitos colaterais de anticoncepcionais, contra o alto teor de colesterol e como tônico geral para situações de convalescença.

As folhas são usadas para acalmar a febre e como analgésico.

Composição química:  O perfil fitoquímico desta família – Amaranthaceae – compreende óleos essenciais, betalaínas, compostos fenólicos e terpenóides.

Dois novos nortriterpenoides, pfaffine A e B (1-2), foram isolados a partir das raízes de Pfaffia paniculata Kuntze, juntamente com dez compostos conhecidos. incluindo quatro ecdisteróides, ecdisona, 20-hidroxiecdisona, pterosterone, rapisterone, cinco triterpenóides, ácido pfáffico, ácido pfameric, ácido mesembryanthemoidigenic, E 6 calenduloside ‘-Me éster, ácido oleanólico 28-O-β-D-glucopiranósido, e um glicósido monoterpeno (+) – angelicoidenol-2-O-β-D-glucopiranósido. As estruturas dos novos compostos. foram elucidadas como norolean 16β 12,20-di-hidroxi-30-ácido 3β, (29) -dien-28-óico (1), e 3β-hidroxi-30-norolean-12,20 (29) -dieno-28- óico-28-o-β-D-glucósido.

Além de 19 aminoácidos diferentes, eletrólitos e traços de minerais como ferro, magnésio, cobalto, sílica, zinco e vitaminas A, B-1, B-2, E, K e ácido pantotênico (vitamina P).

Ações farmacológicas: A bioatividade da mistura de saponinas ou de saponinas individuais, in vitro e in vivo incluem: citotóxico, imunomodulador, hepatoprotetor, anti-diabético, hipolipidêmico, antiosteoposose, antivirais, antifúngicos e ações anti-helmínticas.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Doses excessivas, acima de 10 g pode causar hipertensão arterial, nervosismo, erupções na pele, diarréia e insônia.

As pessoas hipertensas deverão consultar um médico antes de tomar extratos de fáffia.

Contra-indicações:  Não administrar na gravidez e amamentação.

Suspender o uso de fáffia quando submeter-se a exame para determinação de ferro sérico, porque pode haver distorções dos resultados.

Observações: Nas Olimpíadas, os atletas russos utilizaram extratos de Pfaffia paniculata como um anabólico, para aumentar a massa muscular e a resistência física promovida pela substância beta-ecdisterona, sem os efeitos colaterais dos esteróides sintéticos. Foi chamada de “segredo russo”.

 

Referências:
ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004.

LORENZI, Harri – Manual de identificação e controle de plantas daninhas. 6ª ed. Nova Odessa, SP / Instituto Plantarum, 2002.

Mroczek, Agnieszka “Phytochemistry and bioactivity of triterpene saponins from Amaranthaceae family” – From Phytochemistry Reviews (2015), Ahead of Print.(Scinfinder art.3) Acesso 26 Maio 2015.

SILVA JUNIOR, A.A.; MICHALAK, E. O ÉDEN DE EVA. Florianópolis: Epagri, 2014

http://www.tropicos.org/Name/1100502.

Tags: AfrodisíacoAnalgésicoAnemiaArtriteDiabetesHipoglicemiaHipolipemianteImpotênciaInfertilidadeRejuvenescedorTônico

CIPÓ-INSULINA

08/01/2020 15:56

Cissus sicyoides  L.

Vitaceae  


 Sinonímias: Vitis sicyoides (L.) Morales, Cissus brevipes C.V. Morton & Standl., Cissus elliptica Schltdl& Cham., Cissus obtusata Benth., Cissus umbrosa Kunth, Cissus canescens Lam., Cissus compressicaulis Ruiz & Pav. 

Nomes populares:  Cipó-insulina, insulina-vegetal, insulina, anil-trepador, cipó-pucá, cipó-puci, puçá, uva-branca, uva-do-mato, tinta-dos-gentios, cortina-de-pobre, cortina-japonesa, achite, caavurana-de-cunhan, etc

Origem ou Habitat: Nativa da região norte do país. 

Características botânicas:  Herbácea trepadeira, perene, vigorosa, de até 6 metros de altura, com ramos e folhas carnosas, com gavinhas opostas às folhas, que são simples, membranáceas, glabras, oblongas, pecioladas, mais ou menos dentadas, de 4 a 7 cm de comprimento e 2,5 a 4,5 cm de largura. Flores pequenas, de cor creme ou amarelo-esverdeada, dispostas em inflorescências corimbiformes. Fruto drupa ovoide-globosa, de cor roxo-escura, com polpa carnosa, contendo uma única semente de cerca de 6 mm de comprimento. Multiplica-se por sementes e por enraizamento dos ramos. 

Partes usadas:Folhas, talos e frutos. 

Uso popular:  Considerada antidiabética, anti-inflamatória, antibacteriana, emenagoga, aumentando a resistência de vênulas e arteríolas (Drescher, 2001). O chá das folhas é utilizado principalmente para o tratamento de problemas cardíacos, incluindo taquicardia e pressão alta (Van den Berg, 1983), além de hidropsia, anemia, derrames, tremores e como ativador da circulação sanguínea (Lorenzi & Matos, 2002). O suco das folhas e ramos é utilizado em regiões da Amazônia contra epilepsia por sua ação anticonvulsivante e nos últimos anos tem sido muito empregada como hipoglicemiante. (Lorenzi & Matos, 2002). Em Cuba é utilizada para transtornos respiratórios, como catarro, tosse e asma. É usada externamente para afecções de pele, como furúnculos e abscessos e também para fraturas (uso comum no México) (Gupta, 1995). 

Composição química:  Estudos fitoquímicos evidenciaram a presença de esterois, quinonas e compostos fenólicos nas folhas e antocianinas no fruto. Outras investigações apontaram a presença de aminoácidos, alcaloides, saponinas, taninos, açúcares, esterois, lactonas sesquiterpênicas e luteolina (Gupta, 1995). Possui flavonóides como cianidina, cianidina-3-arabinosideo, cianidina-3-rhamnosil-arabinosideo, delfinidina, delfinidina-3-O-beta-D-glucosideo, delfinidina-3-O-beta-D-rutinosideo, delfinidina-3-rhamnosideo, canferol 3-α-ramínosideo e quercetina 3-α-ramínosideo (Gupta, 1995; Beltame, et al., 2001). Contém alfa e beta-carotenoides, sais de magnésio, manganês, silício, cálcio, fósforo, potássio e oxalato de cálcio (Drescher, 2001), beta-sitosterol sitosterol-beta-D-glucopiranosideo (Beltrame, et al., 2002). 

  • Flavonóides: Canferol 3-ramnosideo, quercetina 3-ramnosideo, canferol 3- α -ramnosideo, quercetina 3- α -ramnosideo, dentre outros. 
  • Esteróides: Sitosterol e 3β-O-β-D-glucopiranosilsitosterol 
  • Cumarinas: Sabandina, 5,6,7,8-tetra-hidroxicumarina-5β-xilopiranósido 
  • Outros: Ácido fítico 

Ações farmacológicas: Apesar de uma das indicações ao uso da planta ser a qualidade antidiabético atribuída popularmente, os estudos em modelos animais tem-se mostrado contraditórios nesse aspecto. Autores como Viana, et al., 2004, colocam a redução de até 25% na glicose de animais diabéticos com o uso do extrato aquoso da planta, enquanto outros, como Beltrame, et al., 2002 chegam a resultados que negam este uso popular. Os resultados também são contraditórios no que se refere a níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue com o uso do extrato aquoso. No entanto, um dos estudos aponta atividade antibacteriana para dois compostos da planta (beta-sitosterol e sitosterol-beta-D-glucopiranosideo) (Beltrame, et al., 2002). A ação anticonvulsivante foi demonstrada em estudos com modelos animais, com ação protetora frente a convulsões induzidas (Gupta, 1995).

Contra-indicações:  Não foram encontrados na literatura consultada, entretanto, como a planta demonstrou em alguns estudos atividade estimulante uterina em modelos animais (Gupta, 1995) e pela falta de informações que atestem a segurança do uso durante a gravidez, não é recomendável o seu uso nesta situação. 

Posologia e modo de uso: Faz-se a infusão das folhas, utilizando 1 folha fresca da planta para 1 xícara de água quente. Tomar de 1 a 2 vezes por dia. Para uso externo, como anti-inflamatório, recomenda-se amassar as folhas frescas com um pilão e aplicar sobre a área afetada (Drescher, 2001).
 

 

Referências:
ALMEIDA, Edvaldo Rodrigues de et al. Anxiolytic and Anticonvulsant Effects on Mice of Flavonoids, Linalool, and -Tocopherol Presents in the Extract of Leaves ofCissus sicyoidesL. (Vitaceae). Journal Of Biomedicine And Biotechnology, [s.l.], v. 2009, p.1-6, 2009. 

BELTRAME, Flávio L., Sartoretto, Juliano L., Bazotte, Roberto B., Cuman, Roberto N., Cortez Diógenes, A. G. Estudo fitoquímico e avaliação do potencial antidiabético do Cissus sicyoides l. (VITACEAE). Quim. Nova, Vol. 24, No. 6, 783-785, 2001. 

BELTRAME, Flávio L., Pessini, Greisiele L., Doro, Dani L., Dias Filho, Benedito P., Bazotte, Roberto B., Cortez, Diógenes A. G. Evaluation of the Antidiabetic and Antibacterial Activity of Cissus sicyoides. Brazilian Archives of Biology and Technology. Vol. 45 – No 1 – Curitiba. Março 2002 

DRESCHER, Lírio (coordenador). Herbanário da Terra – Plantas e Receitas. – 1. ed. 2001. Pp. 29 

GUPTA, M. P. (editor). 270 Plantas Medicinales Iberoamericanas. Programa Iberoamericano de Ciencia y Tecnología para el Desarollo, CYTED. Satafé de Bogotá, D.C., Colombia. 1995. Pp. 571-573 

LORENZI, Harri; MATOS, Francisco José de Abreu. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. – 1. ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002. Pp. 501 

SALAZAR, M.a.r et al. Chemical composition, antioxidant activity, neuroprotective and anti-inflammatory effects of cipó-pucá (Cissus sicyoides L.) extracts obtained from supercritical extraction. The Journal Of Supercritical Fluids, [s.l.], v. 138, p.36-45, ago. 2018. 

SALGADO, Jocelem Mastrodi; MANSI, Débora Niero; GAGLIARDI, AntonioCissus sicyoides: Analysis of Glycemic Control in Diabetic Rats Through Biomarkers. Journal Of Medicinal Food, [s.l.], v. 12, n. 4, p.722-727, ago. 2009. 

VAN DEN BERG, M.E. Plantas Medicinais na Amazônia – Contribuição ao seu conhecimento sistemático. CNPq/PTU, Belém, PA. 1982. Pp. 163-164 

VIANA, Glauce SB., Medeiros, Ana CC., Lacerda, Ana MR., Leal, L Kaline AM., Vale, Tiago G., Matos, F José A. – Hypoglycemic and anti-lipemic effects of the aqueous extract from Cissus sicyoides. BioMed Central Pharmacology 2004, 4:9 

http://www.tropicos.org/Name/34000222 Acesso 12 abril 2014.

Tags: AfecçõesAnemiaAnti-inflamatórioAntibacterianaAntidiabéticoAsmaCatarroDerrameEmenagogoHidropsiaTaquicardiaTosseTremores

CHICÓRIA

08/01/2020 15:29

Cichorium intybus   L.
Asteraceae (Compositae) 


Sinonímias: Cichorium byzantinum Clementi , Cichorium rigidum Salisb., Cichorium perenne Stokes, Cichorium glaucum Hoffmanns. & Link , etc. 

Nomes populares:  Almeirão-selvagem, radice selvagem (RG), achicoria (Spanish, El Salvador), blue daisy (English, United States), chicoria (Spanish, Guatemala), chicória-brava. 

Origem ou Habitat: Nativo da Europa e cultivado no Sul e Sudeste do Brasil. 

Características botânicas:  Subarbusto anual ou bianual, ereto, latescente, ramificado, de caule rígido e anguloso, medindo entre 30-110 cm de altura. Folhas simples, as folhas basais em roseta com margens dentadas e as folhas superiores muito pequenas com dentes menores, membranáceas, curto-pecioladas ou quase amplexicaules, medindo de 5-18 cm de comprimento. Inflorescências em capítulos axilares, de cor azul céu, com flores laterais de longas pétalas, que se abrem pela manhã e fecham-se à tarde. Multiplica-se por sementes. 

Partes usadas:Folhas e raízes. 

Uso popular:  Esta planta é consumida como hortaliça na forma de saladas e refogados em todo o mundo, havendo vários cultivares atualmente. Suas folhas e raízes são empregadas na medicina tradicional há cerca de 4 mil anos antes de Cristo, sendo considerada um remédio seguro e inofensivo, empregada para tratar males do fígado e vesícula, reumatismo, gota e hemorroidas. O infuso de suas folhas e raízes é considerado diurético, levemente laxante, estomacal e anti-inflamatório do fígado e intestinos. 

Estômago – a chicória age como um tônico estomacal estimulando a produção dos sucos gástricos, favorecendo a digestão, abre o apetite sendo adequado em casos de inapetência ou anorexia. 

Fígado e vesícula biliar – a chicória possui propriedades hepatoprotetoras, coleréticas e colagogas e estimula a produção de bílis. 

Os preparados com chicória constitui-se um bom remédio para icterícia. 

Pelo seu conteúdo em ferro é um bom auxiliar nos casos de anemia. 

Externamente é usada pelas suas propriedades adstringente e vulnerária para afecções de pele. 

Composição química:  Inulina, chicorina; intibina; proteínas (aminoácidos: treonina, arginina, triptofano, lisina, valina); ácidos: ascórbico, chicorésico, clorogênico, isoclorogênico, linoléico, alfa-linoléico, esteárico, mirístico, palmítico; fibras; minerais (potássio, ferro, fósforo, cálcio e magnésio); mucilagem; taninos. 

  • Lactonas sesquiterpênicas de guaianolida:  Lactucina, 11,13-di-hidrolactucina, 8-desoxilactucina, 11,13-di-hidro-8-desoxilactucina, lactucopicrina, 11,13-di-hidrolactucopicrina, cichoriolide A, B e C, cichoriosides A, B e C, crepidiaside B, chicoralexina, 8-deoxilactucina, 11B,13dihidrolactucina, lactucopicrina, jacquilenin, 11,13-dihidrolactucopicrina, 3,4-Dihidro-15-dehidrolactucopicrina e artesina.  
  • Lactonas sesquiterpenicas: Magnolialide, cichopumilide, picrisideo B, sonchusideo A, sonchusideo C, Ixerisoside D.  
  • Flavonóides: Quercetina malonil glucosídeo, apigenina glucuronida, glucuronido de canferol, isoramnetina-3-glicuronideo, canferol-7-O- (6 “-O-malonil) –glicosídeo, espicosideo, esculetina-7-glicosideo, ácido cis-caftarico e ácido trans-caftarico.  
  • Antocianinas: Cianidina 3-O-glucosideo, cianidina 3-O- (6-malonil) –glicosídeo, cianidina-3-O-galactosideo, dentre outros. -Cumarinas: Cichorina A –C e umbeliferona  
  • Óleo essencial: 1,8-Cineole, canfora, geranil acetona, dentre outros. -Triterpenos: α –amirina, taraxerone e Baurenil acetato 
  • Iridoides: Loliolide 
  • Esteroides: β -sitosterol, campesterol, estigmasterol, dentre outros. 
  • Ácidos fenólicos: Ácido 3,5-dicafeoilquinico, ácido 4,5-dicafeoilquinico, ácido 3-cafeoilquinico, ácido 4-cafeoilquinico, ácido 5-cafeoilquinico. ácido cafártaro, ácido chicorico, ácido clorogênico, ácido cafeico, ácido Chicórico, ácido p-acâmico, ácido cafeoilmalico, ácido ferúlico, ácido protocatecuico, ácido p-hidroxibenzoico, ácido p-cumarico, dentre outros. 

Ações farmacológicas: Destacam-se as propriedades diurética, anti-inflamatória, hepatoprotetora, antioxidante, adstringente e vulnerária. 

Efeitos adversos e/ou tóxicos: A ingestão da flor com o pólen pode causar reações alérgicas. Em contato com a pele o látex pode produzir dermatites. 

Contra-indicações:  Devido à presença de oxalatos é contra-indicada para pessoas que tenham tendência a produzir pedras nos rins, indivíduos artríticos e os gotosos. A chicória é um diurético potente e pessoas com pressão baixa devem evitar os preparados a base desta planta. Tampouco devem usá-los em casos de úlceras gastroduodenais. 

Observações: Existe a espécie semelhante Cichorium endivia L., popularmente conhecida como endívia, que possui folhas brancas, crocantes, levemente amargas e cultivada como verdura.
 

 

Referências:
LORENZI, H; MATOS, F.J.A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2. ed. Nova Odessa , SP: Instituto Plantarum, 2008. 

PEÑA-ESPINOZA, Miguel et al. Antiparasitic activity of chicory (Cichorium intybus) and its natural bioactive compounds in livestock: a review. Parasites & Vectors, [s.l.], v. 11, n. 1, p.475-489, 22 ago. 2018. 

NWAFOR, Ifeoma Chinyelu; SHALE, Karabo; ACHILONU, Matthew Chilaka. Chemical Composition and Nutritive Benefits of Chicory (Cichorium intybus) as an Ideal Complementary and/or Alternative Livestock Feed Supplement. The Scientific World Journal, [s.l.], v. 2017, p.1-11, 2017. 

MATHUR, Neha; MATHUR, Manish. Phyto-Pharmacology of Cichorium intybus as Hepatoprotective Agent. International Journal Of Pharmaceutical Sciences Review And Research, [s.l.], v. 39, n. 22, p.116-124, ago. 2016. 

STREET, Renée A.; SIDANA, Jasmeen; PRINSLOO, Gerhard. Cichorium intybus: Traditional Uses, Phytochemistry, Pharmacology, and Toxicology. Evidence-based Complementary And Alternative Medicine, [s.l.], v. 2013, p.1-13, 2013. 

http://www.tropicos.org – Acesso em: 13 de março de 2012. 

http://www.botanical-online.com/medicinalsachicoria.htm – acesso em 19 de março de 2013. 

http://olhares.uol.com.br/chicoria-brava-foto1969662.html – Acesso em: 13 de março de 2012. 

http://www.ceunossasenhoradaconceicao.com.br/artigos/plantas-medicinais?plan=Almeir%C3%A3o%20selvagem desenho – Acesso em: 13 de março de 2012.

Tags: AnemiaAnti-inflamatórioColagogoColeréticaComestívelDiuréticoHemorróidaHepatoprotetoraLaxanteReumatismo

CAVALINHA

07/01/2020 22:32

Equisetum giganteum  L.
Equisetaceae 


Sinonímias: Equisetum pyramidale Goldm.; Equisetum martii Milde; Equisetum ramosissimum Kunth; Equisetum xylochaetum Mett. 

Nomes populares:  Cavalinha, cavalinha-gigante, cauda-de-cavalo, rabo-de-cavalo, erva-canudo, rabo-de-raposa, lixa-vegetal, cana-de-jacaré, etc. 

Na América do Norte é conhecida como horsetail (rabo-de-cavalo), pine top (cabeça de pinha), meadow pine (pinha dos prados), scouring rush (junco de diarréia), bottle brush (escova de garrafa), snaks pipe (cachimbo de cobra), jointed rush (junco de nós) e cornfield horsetail (rabo de cavalo da roça). 

Na Europa, a Equisetum palustre é conhecida como cavalinha do pântano e jubarte. 

Origem ou Habitat: Equisetum giganteum é nativa de áreas pantanosas do Brasil. 

Características botânicas:  Equisetum giganteum é um subarbusto ereto, perene, rizomatoso, com hastes de cor verde, oca e monopodial, com numerosos ramos que partem dos nós dos verticilos, de textura áspera ao tato pela presença de silício em sua epiderme, podendo chegar a mais de seis metros de altura. Folhas muito pequenas, reduzidas a escamas, inseridas lateralmente nas hastes formando uma bainha curta. Possuem espigas esporíferas roliças nas extremidades dos ramos férteis. Multiplica-se por rizomas e por esporos. 

Partes usadas:Hastes estéreis. 

Uso popular:  Como diurético, antidiarreico, para tratamento de infecção dos rins e bexiga, para a consolidação de fraturas ósseas, para eliminar o ácido úrico, contra anemia, etc. 

Composição química:  Alcalóides piridínicos, nicotina e palustrina, flavonóides glicosilados da apigenina, quercetina e do campferol, derivados dos ácidos clorogênico, caféico e tartárico. 

Também foi constatada a presença da tiaminase, uma enzima que acelera a destruição da tiamina (Vitamina B1). Compostos tóxicos: são citadas como sendo o glicosídio flavônico articulatina e sua aglicona articulatidina ou gossipitrina e sua aglicona gossipetina. 

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Os efeitos tóxicos estão relacionados com a ação da tiaminase , ou seja, destruição da tiamina ou Vitamina B1, 

A ingestão por tempo prolongado pode levar ao beribéri. 

Contra-indicações: É contra-indicada durante a gravidez e em mulheres que estão amamentando e para crianças. 

Observações: Não usar quantidades maiores que 1 colher de café de hastes picadas; 

Não usar por mais de duas semanas 

Com o nome “cavalinha” e os outros nomes populares citados, são reportadas na literatura as seguintes espécies: Equisetum arvense L. (Canadá); Equisetum palustre L. (Inglaterra); Equisetum hyemale L. (EUA) e Equisetum giganteum L. (Brasil). 

Das espécies exóticas, somente a Equisetum hyemale tem registro de ocorrência no Brasil, principalmente nas regiões Sudeste e Sul. 

 


 

Referências:
HOEHNE, F. C. Plantas e substâncias vegetais tóxicas e medicinais, 1939. 

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008. 

Plantas tóxicas: estudos de fitotoxicologia química de plantas brasileiras. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2011. vários autores. 

http://www.tropicos.org/Name/26605511 – acesso em 07 de outubro de 2013

Tags: AnemiaAntidiarreicoDiurético

CASCA-D’ANTA

07/01/2020 22:24

Drimys winteri J.R. Forst. & G. Forst. 

Winteraceae 


Sinonímias: Drimys brasiliensis Miers., Drimys chilensis DC., Drimys winteri foandina (ReicheHaumanDrimys winteri fogranadensis (L. f.) Eichler, Drimys winteri var. morenonis Kuntze, Drimys winteri var. punctata (Lam.) DC., entre outros. 

Nomes populares:  Casca-d’anta, cataia, canela-amarga, capororoca-picante, casca-de-anta, pau-pra-tudo. 

Origem ou Habitat: É nativa do Chile. No Brasil ocorre nos domínios fitogeográficos: Caatinga, Central Brazilian Savanna, Atlantic Rainforest. Alguns autores assinalam que é nativa do Brasil. 

Características botânicas:  Arvoreta de até 5 m de altura. Folhas alternas, oblanceoladas a oblongas, obtusas, coriáceas, medindo aproximadamente 6 a 7 cm de comprimento por 6 cm de largura, com a face inferior branco-prateada. Inflorescências em corimbos axilares. Flores hermafroditas, de 2 a 3 cm de diâmetros, com 2 ou 3 sépalas e 10 pétalas brancas, com muitos estames. Fruto carnoso, com 4 a 12 partes, separadas na maturação. 

Partes usadas:Folhas e cascas. 

Uso popular:  Problemas gástricos e estomacais (dispepsia, disenteria, náuseas, dores intestinais e cólicas), febres, anemia, expectorante na bronquite crônica, considerado um tônico na convalescença. 

Composição química:  Taninos, sesquiterpenóides. Cascas: sesquiterpenos, terpenóides e lignanas. Folhas: terpenóides e flavonóides (com ação antitumoral), Folhas jovens: substâncias cardioativas (SIMÕES, 1995). 

Ações farmacológicas: Anteriores experimentos pré-clínicos realizados revelou que o extrato hidroalcoólico da planta mostrou propriedades anti-alérgicas, anti-inflamatória e antinociceptiva.(CECHINEL FILHO, V. et all., 1998). 

 

 

Referências:
CECHINEL FILHO, V. et all. “Isolation and identification of active compounds from Drimys winteri barks”. Journal of Ethnopharmacology, Volume 62, Issue 3, October 1998, Pages 223–227. Acesso Julho 2016. 

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002. 

Mello-Silva, R. 2015. Winteraceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponivel em: .Acesso Julho 2016. 

SIMÕES, C. M. O. Plantas da Medicina Popular do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: UFRGS, 1986. 

http://www.tropicos.org/Name/50081423 – Acesso 25 Julho 2016 

Tags: AnemiaCólicaDisenteriaDispepsiaExpectoranteFebreNáuseaTônico

BERTALHA-CORAÇÃO

31/12/2019 00:09

Boussingaultia cordifolia   Ten.

Basellaceae 


SinonímiasAnredera cordifolia (Ten.) Steenis, Anredera baselloides (Kunth) Baill., entre outros.

Nomes populares: Bertalha-coração, bertalha, basela, cipó-balão, folha-santa, trepadeira-mimosa, quiabento (Bahia).

Origem ou Habitat: Nativa do Brasil (regiões Sul, Sudeste e Nordeste, especialmente da Bahia).

Partes usadas: Folhas e turbéculos.

Uso popular: Suas partes são usadas para alimentação humana, principalmente cozidas. É considerada um alimento nutracêutico na alimentação de crianças e para tratamento de anemias. As folhas podem ser secas e moídas para se fazer farinha na confecção de pães.

Ocasionalmente é cultivada como ornamental, sendo considerada invasora em algumas regiões.

Composição química: As folhas são ricas em ferro, cálcio e zinco.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Esta espécie não possui toxicidade nem efeitos mutagênicos.

Contra-indicações: Não há contraindicação.

Observações: Existe outra espécie Basella rubra L., cujos nomes populares são: bertalha, espinafre-indiano, malabar, malabar-espinafre, vine-spinach, country-spinach(English, United States), Belega (Kikaguru, Tanzania), cujas folhas são usadas na alimentação, refogadas ou cozidas em sopas e a decocção das raízes como emoliente.

 

 

Referências: 
KINUPP, V.F., LORENZI, H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. 1ª.ed. São Paulo, SP: Instituto Plantarum, 2014.

http://www.plantamed.com.br/plantaservas/especies/Basella_rubra.htm – Acesso 23 Maio 2016.

http://www.tropicos.org/Name/3200025 – Acesso 23 Maio 2016.

http://www.tropicos.org/Name/3200044?tab=acceptednames – Acesso 18 Maio 2016.

Tags: AnemiaNutritiva

AGRIÃO

26/12/2019 10:59

Nasturtium officinale   W.T. Aiton.

Brassicaceae 


Sinonímias:Segundo o Tropicos.org (site de nomenclatura botânica)existem 57 sinonímias para esta espécie, citaremos algumas: Sisymbrium nasturtium-aquaticum L., Cardaminum nasturtium Moench, Cardamine nasturtium-aquaticum (L.) Borbás, Radicula nasturtium-aquaticum (L.) Britten & Rendle, etc.

Nomes populares: agrião, agrião-aquático, agrião-d’água, agrião-da-europa, agrião-das-fontes, agrião-de-lugares-úmidos, agrião-oficial, berro, berro-d’água, mastruço-dos-rios, nastúrcio, etc.

Origem ou Habitat: Europa.

Características botânicas: Herbácea perene, de porte pequeno, aquática, aromática, de 15 até 80 cm de altura. Têm ramos ocos, decumbentes e suculentos, livremente radicantes, com nós que, em contato com a terra, enraízam. Possui raízes adventícias, folhas verde escuras, alternas, compostas pinadas e ovais, com folíolos irregulares, de 5 a 13 cm de comprimento. Flores pequenas, brancas, de 4 a 5 mm de diâmetro, reunidas em panículas terminais. Multiplica-se por sementes e por estaquia, devendo ser plantada na beira de córregos com água corrente. Nativa da Europa e Ásia (Drescher, 2001; Lorenzi & Matos, 2002; Alonso, 2004).

Partes usadas: Folhas e talos.

Uso popular: É indicado em afecções do sistema respiratório, como asma, bronquite e tosse (Corrêa, et al., 1998; Cunha, 2003). Empregado popularmente como tônico e estimulante dos órgãos digestivos, diurética e vermífuga, antiescorbútica, útil no combate ao raquitismo, contra escrofulose, tendo propriedades laxantes, contraceptiva e afrodisíaca. As folhas, na forma de salada, são indicadas contra o bócio, anemia, tuberculose, diabetes e como antídoto aos efeitos tóxicos da nicotina (Lorenzi & Matos, 2002; Alonso, 2004). É preconizada a sua ação cicatrizante, sendo utilizada na forma de cataplasma em uso externo, além de outras afecções dermatológicas, como caspa, acne, eczemas e furúnculos. Útil para diminuir a queda do cabelo (Lorenzi & Matos, 2002; Corrêa, et al., 1998; Alonso, 2004; Cunha, 2003). Indicada também para constipação, anemia carencial, quadros de astenia e dores de origem reumática (Corrêa, et al., 1998). Na Índia, os centros comunitários de saúde preconizam o uso do pó das folhas trituradas para o combate do parasita hepático Clonorchis sinensis, enquanto que na Alemanha utiliza-se tanto o suco como a infusão da planta como antisséptico em infecções do trato urinário (Alonso, 2004).

Composição química: O agrião contém gliconasturcina, o precursor glicosinolato do feniletil isotiocianato (PEITC), benzil glicosinolato e benzil isotiocianato (BITC) (Fetrow, 2000). Nas partes aéreas encontra-se provitamina A, vitaminas B2, B6, C e D, nicotinamida, manganês, ferro, fósforo, iodo, cálcio, L-fenilalanina (a maior parte se transforma em ácido benzóico, devido ao processo fisiológico do vegetal), rutina (72 mg/100 g), nitritos (3-fenilpropionitrilo, 8-metiltiooctanon-nitrilo, etc) e flavonoides (3-O-soforosídeos de ramnetina, ramnazina), megastigmano (Alonso, 2004). Possui ainda triterpenos e tetra-nortriterpenos (limonoides e protolimonoides do grupo gedunino), taninos (Cunha, 2003) e carotenos (Drescher, 2001; Kopsell, et al., 2007).

Análise proximal de 100 g da planta ingerida: calorias (21), proteínas (1,6g), gorduras totais (0,3 g), hidratos de carbono (2,9 g), fibra (1 g), água (93,5 g), sódio (12 mg), potássio (276 mg), cálcio (180 mg), fósforo (64 mg), magnésio (34 mg), ferro (3,1 mg), provitamina A (450 microg), vitaminas B1 (0,09 mg), B2 (0,20 mg), B3 (0,7 mg), B6 (0,30 mg), vitamina C (51-60 mg), iodo (0,048 mg na planta seca) (Alonso, 2004).

Ações farmacológicas: Os compostos sulfurados do agrião possuem propriedades expectorantes e antissépticas sobre a árvore respiratória. O organismo converte a gliconasturcina em feniletil isotiocianato (PEITC), que também é liberado quando se mastiga a planta fresca. Em modelos com animais, o PEITC e os isotiocianatos sintéticos atuaram como inibidores do carcinogênico específico do tabaco, a nitrosamina-4-(metilnitrosamino)-1-(3-piridil)-1-butanona (NNK) (Fetrow, 2000; Alonso, 2004). Os glicotiocianatos normalmente estimulam as secreções gástricas e biliares, principalmente após mascar as folhas do agrião. O feniletilsevenol é empregado na forma de loção capilar para diminuir a queda dos cabelos, existindo, inclusive, produtos comerciais com o composto (Alonso, 2004). O ácido benzóico, na forma isolada, evidenciou propriedades antissépticas, expectorantes, analgésicas, antifebris e anti-inflamatórias. O extrato metanólico das folhas demostrou propriedades anti-inflamatórias in vivo, enquanto o sumo das folhas do agrião evidenciou atividade inibitória in vitro sobre o Mycobacterium tuberculosis, em concentrações mínimas de 1:20 microlitros (Alonso, 2004). Em um estudo com cobaias submetidas à dieta rica em gorduras, a administração do extrato hidroalcoólico demonstrou potente atividade cardio-protetora, diminuindo níveis de triglicerídeos, colesterol total, LDL-colesterol, e aumentado os níveis de HDL-colesterol (Bahramikia & Yazdanparast, 2008).

Interações medicamentosas: O agrião pode inibir o metabolismo oxidativo do paracetamol, por isso deve-se evitar o uso concomitante (Fetrow, 2000). Por meio da sua interação com o sistema citocromal CYP2E1, inibe o metabolismo da droga clorzoxazona e interfere levemente com o metabolismo do etanol (Alonso, 2004).

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Se consumida em doses elevadas ou por uso prolongado, pode produzir irritação das mucosas gástrica e urinária (Corrêa, et al., 1998; Drescher, 2001 Alonso, 2004). Cunha (2003) coloca que a ação irritativa sobre a mucosa gástrica se daria pelos taninos contidos na planta, enquanto os glicosinolatos poderiam originar bócio. A aplicação por via externa da planta em estado fresco pode levar a dermatite de contato em pessoas sensíveis, devido a presença de feniletil isotiocianatos (Alonso, 2004). Corrêa, et al (1998) e Drescher (2001) apontam risco de aborto em altas doses ou uso prolongado.

Contra-indicações: Não deve ser consumida durante o período de floração, por conter altas concentrações de glicosinolatos, tornando-se perigosa para o consumo humano neste período (Alonso, 2004). O extrato do agrião ainda não foi testado em situações de gravidez e lactação, por isso, seu uso não é recomendado durante estes períodos. Quanto à planta crua, em saladas, recomenda-se às gestantes não ingerir em altas quantidades. Contraindicado o uso interno do extrato em casos de úlceras gástricas ou duodenais, irritações na mucosa das vias urinárias, e em crianças menores de 4 anos (Alonso, 2004).

Posologia e modo de uso: Utiliza-se a infusão, com 2 g das folhas secas por xícara de água fervente (ou 10 g das folhas frescas), várias vezes ao dia, ou a sua decocção, fervendo por 3 minutos de 3 a 5 g de folhas frescas por xícara. Tomar 2 vezes por dia (Alonso, 2004; Cunha, 2003).

Para as afecções pulmonares, tosse e bronquite, é recomendado o seu xarope preparado com 1 colher de sopa de folhas e ramos picados em 1 xícara de água em fervura, adicionando ao seu coado 1 xícara de chá de açúcar cristal e fervendo-se novamente até derreter; em seguida acrescentar 1 colher de sopa de mel e tomar 1 colher de sopa, de 2 a 3 vezes por dia (Lorenzi & Matos, 2002). Pode-se usar o suco da planta, preparado a partir de 60-150 g das folhas, tomando de 3 a 4 colheres de sopa por dia (Alonso, 2004).

Para uso externo, contra problemas de pele (manchas, sardas, acnes, eczemas) e para problemas da mucosa oral (aftas e gengivites), recomenda-se o seu extrato alcoólico preparado com 2 colheres de sopa de folhas e ramos amassados, 1 xícara de café de álcool de cereais e 1 xícara de café de glicerina (Lorenzi & Matos, 2002).

Observações: O agrião é um importante vegetal para consumo humano já que a ingesta de 100 g oferece quase a dose diária requerida em adultos de vitamina C e boa parte das necessidades diárias de vitaminas A, B1, B2 e B6, e dos minerais cálcio e ferro. Para aproveitar o máximo do seu potencial nutritivo, aconselha-se eliminar a parte dura do caule e evitar as folhas em mau estado (Alonso, 2004).

O agrião é utilizado na medicina popular há muitos séculos. Hipócrates, o pai da medicina, recomendava a planta como expectorante (Alonso, 2004).

Referências: 

ALONSO, Jorge. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos – 1. ed.; Argentina, Rosario. Corpus Libros, 2004. Pp. 218-220.

BAHRAMIKIA, S. e YAZDANPARAST, R. Effect of hydroalcoholic extracts of Nasturtium officinale leaves on lipid profile in high-fat diet rats. Journal of Ethnopharmacoly 2008 Jan 4;115(1):116-21. Epub 2007 Sep 25. Acessado em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17980985?dopt=AbstractPlus.

CORRÊA, Anderson D., SIQUEIRA-BATISTA, Rodrigo; QUINTAS, Luís E. M. Plantas Medicinais: Do Cultivo à Terapêutica. – 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998. Pp. 65-66.

CUNHA, A. P., SILVA, A. P., ROQUE, O. R. Plantas e Produtos Vegetais em Fitoterapia. 2003. Pp. 78-79

DRESCHER, Lírio (coordenador). Herbanário da Terra – Plantas e Receitas. – 1. ed. 2001. Pp. 23.

FETROW, Charles W., AVILA, Juan R. Manual de Medicina Alternativa para o Profissional. Editora Guanabara Koogan S.A. Rio de Janeiro, RJ. 2000. Pp 44-46.

KOPSELL, DA., BARICKMAN, TC., SAMS, CE. e MCELROY, JS. Influence of Nitrogen and Sulfur on Biomass Production and Carotenoid and Glucosinolate Concentrations in Watercress (Nasturtium officinale R. Br.) Journal of Agricultural and Food Chemistry, 2007, 55 (26), pp 10628–10634. Acessado em: http://pubs.acs.org/doi/full/10.1021/jf072793f

LORENZI, Harri; MATOS, Francisco José de Abreu. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. – 1a. ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002. Pp. 191.

STUART, Malcolm. Enciclopedia de Hierbas y Herboristería. Ediciones Omega, S. A., Barcelona, 1981. Pp. 228.

Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. 05 Jul 2011.

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