HORTELÃ

11/02/2020 21:46

Mentha piperita  L.

Lamiaceae (Labiatae)


Nomes populares: Hortelã-pimenta, hortelã roxa, menta.

Origem ou Habitat: A Mentha piperita é um híbrido cultivado pela primeira vez na Inglaterra do sec. XVII.

Características botânicas: Erva perene de 0,3 – 0,6m de altura, pubescente, caule quadrangular, avermelhado. Folhas com 1 – 5cm de comprimento, 0,5 – 3cm de largura, opostas, simples, curtamente pecioladas, elípticas e lanceoladas, acuminadas, margens serradas, pilosas. Possui inflorescência do tipo glomérulo, separados uns dos outros, formando espigas no ápice dos ramos. Flores brancas e violáceas.

Partes usadas: Folhas e inflorescência.

Uso popular: Segundo as comunidades da Ilha o infuso, preparado com as partes aéreas, é empregado internamente para anemia, cólica menstrual, diarréia, como calmante e para combater vermes, sendo que neste último caso, é preparado com leite.

Segundo a literatura a hortelã é empregada internamente no tratamento de sintomas de problemas digestivos, tais como meteorismo epigástrico, digestão lenta, eructação e flatulência. Emprega-se também em resfriados e para dores de cabeça e musculares. Externamente, em ferimentos e contusões na pele, bem como em bochechos nas dores de dente, garganta, em inflamações da boca, gengiva e dor de dente.

Composição química: As hortelãs possuem um teor variável de óleo essencial 0,5 – 4%), em função da idade do vegetal, época do ano, tipo de solo, luminosidade, umidade, etc., sendo que um teor mínimo de 1,2% é exigido para fins medicinais . Todas contém um óleo essencial rico em mentol.

  • Óleo essencial: Mentol, mentona, pulegona (a partir desse se obtem no processo de extração o mentofurano que é toxico), dentre outros.
  • Flavonóides: Narirutina, hesperidina, luteolina-7-O-rutinosideo, isorgoifolina, diosmina, 5,7-di-hidroxicromona-7 O-rutinosideo e eriocitrina.
  • Ácidos fenólicos: Ácido rosmarinico, ácido cinâmico, dentre outros.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Segundo BISSET (1994), o consumo de chá de hortelã não produz efeitos adversos, desde que não corra excesso.

Contudo, há relatos de irritação gástrica e agravamento dos sintomas devido ao uso de preparações de hortelã em problemas do trato gastrointestinal. Em relação ao óleo, são raros os relatos de efeitos adversos, os quais incluem erupções cutâneas, dor de cabeça, bradicardia, tremor muscular, ataxia, aumento da azia e dores musculares recorrentes.

Por outro lado, seus principais constituintes (mentol e mentona) podem causar vários efeitos adversos.

Há relatos de urticária, dermatite e quelite alérgica quando da exposição a uma variedade de produtos contendo mentol. O uso destes produtos também está associado a um caso de bradicardia e outro de fibrilação.

Contra-indicações: Não se recomenda o uso tópico nasal de formulações contendo mentol em crianças, devido ao risco de espasmos da glote após sua aplicação e até mesmo colapso instantâneo seguido de aplicação local de mentol .

O óleo é contra-indicado em obstrução biliar e colecistite.

Posologia e modo de uso: A infusão pode ser preparada adicionando-se uma colher de sobremesa (1,5g) de folhas por xícara de água fervente (150ml), sendo recomendadas 2-4 xícaras ao dia .

Para cólon irritável é indicado o equivalente a 0,4 ml de óleo essencial em forma de comprimido com revestimento entérico.

Observações: Existem outras espécies de mentha utilazadas como remédio, a hortelã de “cabo” branco – Mentha rotundifolia e a hortelã de “cabo” roxo Mentha sp. são comuns na ilha de Santa Catarina.

A hortelã referida nos usos populares pode ser outra espécie que não a Mentha piperita.

Referências: 

BISSET, N.G. (Ed.) Herbal Drugs and Phytopharmaceuticals. 4.ed. Stuttgart Medpharm, Boca Raton: CRC Press, 1994.

FARIAS, M.R., et al. Plantas medicinais na ilha de Santa Catarina: Grupo de Estudos em Fitoterapia, Florianópolis: UFSC/P.M.F., 1996, 111p. (inédito)

HOPPE, H. A. Taschenbuch der Drogenkunde. Berlin: Walter de Gruyter, 1981.

MATOS, F.J.A. Farmácias Vivas: Sistemas de Utilização de Plantas Medicinais Projetado para Pequenas Comunidades. Fortaleza: EUFC, 1994.

REYNOLDS, J.E.F. (Ed.) Martindale The Extra Pharmacopoeia. 30.ed. London: The Pharmaceutical Press, 1993.

RITA, Paul & Datta, Animesh. An updated overview on peppermint (Mentha piperita L.). Int. Res. J. Pharm. Ago. 2011. cap2.pg. 1-10.

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Rachitha P, Krupashree K, Jayashree G V, Gopalan N, Khanum F. Growth inhibition and morphological alteration of Fusarium sporotrichioides by Mentha piperita essential oil. Phcog Res. Fev. 2017; vol.9, pg:74-79.

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