PARIPAROBA

17/02/2020 22:34

Pothomorphe umbellata  (L.)Miq.

Piperaceae


SinonímiasPiper umbellatum L., Pothomorphe sidaefolia (Link & Otto) Miq., Peperomia umbellata Miq., Peperomia umbellata (L.) Kunth, Lepianthes umbellata (L.) Raf. ex Ramamoorthy.

Nomes populares: Pariparoba, caapeba, aguaxima, capeva, catajé.

Origem ou Habitat: Típica da Mata Atlântica, pode ser encontrada nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e sul da Bahia.

Partes usadas: Folhas, hastes e raízes.

Uso popular: O potencial medicinal desta espécie está na cura de feridas e inflamações em geral. Os usos etnofarmacológicos descritos para a espécie são diversos, dentre os quais estão tratamento de epilepsia (Coimbra, 1958), disfunção hepática, bronquite asmática, cicatrizante e anti-inflamatório, febrífugo, sedativa e analgésica, repelente de insetos, anti-malária e a atividade antioxidante comprovada cientificamente, atribuída ao fenilpropanóide 4-nerolidilcatecol (MATTANA & MING et all, 2015).

Segundo Irmã Eva Michalak (1997), é indicada para resfriados, baço, fígado, gastralgias, azia, úlceras, hemorroidas, asma, pressão alta e dor de dente.

Lorenzi & Matos (2008) assinalam que é considerada diurética, antiepilética, contra febre, usada contra doenças do fígado, inchaços e inflamações das pernas. A decocção das raízes é indicada para doenças do fígado e da vesícula.

Composição química: Segundo LORENZI & MATOS: Os compostos citados são: óleo essencial, esteróides, mucilagens, substâncias fenólicas e pigmentos.

Principais constituintes do óleo essencial de folhas de Pothomorphe umbellata: D-germacreno, a-selineno, trans-cariofileno, espatulenol, δ-cadineno, δ-elemeno, g-cadineno, óxido de cariofileno, b-elemeno, epi-a-cadinol, a-copaeno, a-cubebeno, b-bourboneno, b-gurjuneno, g-muuroleno, trans-nerolidol, cubenol, trans-anetol e a-muuroleno (MATTANA & MING et all, 2015). Em um artigo de 2003: O estudo fitoquímico das folhas de Potomorphe umbellata resultou no isolamento de onze substâncias, entre as quais duas amidas (arboreumina e arboreumina glicosilada), cinco flavonas (vitexina-glucopiranosídeo, apigenina-D-glucopiranosídeo, orientina-D-glucopiranosídeo, 5-hidroxi-7,3′,4′-trimetoxi-flavona e velutina), duas lignanas (sesamina e diidrocubebina), um fenilpropanóide (ácido p-cumárico), além do 4-nerolidilcatecol

Ações farmacológicas: Estudos farmacológicos (em animais) permitiu a descrição de ações biológicas diversas como antitumoral (Sacoman et al., 2008) antiinflamatória, analgésica (Perazzo et al., 2005) e fotoprotetora (Röpke et al., 2005; da Silva et al., 2009).

O metabólito secundário melhor caracterizado de Pothomorphe umbellata é o fenilpropanóide 4-nerolidilcatecol (4-NC) (Kijjoa et al., 1980), que possui comprovada atividade antioxidante (Soares et al., 2007), antiinflamatória (Perazzo et al., 2005; Soares et al., 2007), antibacteriana (Kashima et al., 1998), antimicrobiana (Soares et al., 2007), fotoprotetora (Röpke et al., 2005) e indutora de apoptose (Brohem et al., 2009)(apud VALLE & MING, 2013).

o extrato etanólico de Pothomorphe umbellata mostrou atividade fungicida contra cepas resistentes de Trichophytum rubrum.

Posologia e modo de uso: Como diurética e estimulantes das funções estomacais, hepáticas, pancreáticas e do baço: decocção de 1 colher (chá) de raízes picadas para 1 xícara de água, na dose de 1 xícara pela manhã em jejum e outra antes do almoço.

Para febres e afecções das vias respiratórias (tosse e bronquite) é indicado o xarope das folhas e hastes.

Suas folhas são empregadas externamente, na forma de cataplasma, para queimaduras leves, furúnculos, dor de cabeça e reumatismo.

Observações: No caso de Pothomorphe umbellata, os óleos essenciais se concentram nos idioblastos localizados nas células parenquimáticas (Marinho, 2008 apud MATTANA & MING et all, 2015).

As atividades farmacológicas despertaram o interesse da indústria cosmética e de manipulação por P. umbellata, principalmente devido ao sucesso como agente tópico fotoprotetor.

Referências:

BERGAMO, Debora Cristina Baldoqui “Avaliação química dos componentes não voláteis e voláteis e estudo biossintético do 4-nerolidilcatecol em Potomorphe umbellata (Piperaceae).” Tese de doutorado. Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Araraquara. Instituto de Química, abr. 2003. Acesso 17 Agosto 2015.

LORENZI, H; MATOS, F.J.A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2. ed. Nova Odessa , SP: Instituto Plantarum, 2008.

MATTANA, R.S.; MAIA E ALMEIDA, C.I.; OLIVEIRA, P.F.C.; LIMA, L.P.; HABER, L.L.; MING, L.C.; MARQUES, M.O.M. “Efeitos de diferentes tempos de extração no teor e composição química do óleo essencial de folhas de pariparoba [Pothomorphe umbellata (L.) Miq.]. Rev. Bras. Pl. Med., Campinas, SP. v.17, n.1, p.150-156, 2015. Acesso 14 Agosto 2015.

SANTANA, HT. et all. “Essential oils of leaves of Piper species display larvicidal activity against the dengue vector, Aedes aegypti (Diptera: Culicidae)”. Rev. Bras. Pl. Med., Campinas, SP. v.17, n.1, p.105-111, 2015. Acesso 14 Agosto 2015.

VALLE, J.S.; Fonseca, B.K.D.; Nakamura, S.S.; Linde, G.A.; Mattana, R.S.; Ming, L.C.; Colauto, N.B.: “Diversidade genética de populações naturais de pariparoba [Pothomorphe umbellata (L.) Miq.] por RAPD”. Rev. bras. plantas med. vol.15 no.1 Botucatu, SP,2013. Acesso 17 Agosto 2015.

SPONCHIADO Jr. E.C. et all.; “Potomorphe umbellata(L.)Miq. – uma revisão de literatura sobre a espécie, bem como seus aspectos químicos e farmacológicos mais importantes.” -Revista Fitos Vol.3 Nº01 março 2007,Centro de Apoio Multidisciplinar – CAM, Biotecnologia, Universidade Federal do Amazonas, UFAM, Manaus, AM, Brasil.

http://www.tropicos.org/Name/25002115?tab=synonyms. Acesso 14 Agosto 2015.

2012 Sep;22(3):265-9. doi: 10.1016/j.mycmed.2012.05.005. Epub 2012 Aug 10. Pothomorphe umbellata: antifungal activity against strains of Trichophyton rubrum. Rodrigues ER1, Nogueira NG, Zocolo GJ, Leite FS, Januario AH, Fusco-Almeida AM, Fachin AL, de Marchi MR, dos Santos AG, Pietro RC.entrada em 03/07/16.

Tags: AnalgésicoAnti-inflamatórioAnti-oxidanteBronquiteCicatrizanteFebrífugaFeridasRepelenteResfriadoSedativo

ORA-PRO-NOBIS

17/02/2020 22:19

Pereskia aculeata  Mill.

Cactaceae 


SinonímiasCactus pereskia L., Pereskia rubescens Houghto, Pereskia aculeata fo. rubescens (Houghton) Krainz.

Nomes populares: Ora-pro-nobis, proteína-vegetal, carne-vegetal, groselha-de-Barbados, groselha-da-América, trepadeira-limão.

Origem ou Habitat: Originária do Caribe, é nativa em toda a América Latina. No Brasil é encontrada deste a Bahia até o Rio Grande do Sul.

Adapta-se em diferentes tipos de solo, porém desenvolve-se melhor em locais onde haja luz plena. É uma planta rústica, resistente a seca, própria de clima tropical e subtropical.

A propagação é feita por estacas ou sementes. Recomenda-se podas leves a cada 3 meses para se ter sempre folhas novas e tenras.

Características botânicas: É uma herbácea de hábito trepador e escandente, caules compridos revestidos de agressivos espinhos, podendo alcançar até 10 m de comprimento. Folhas lanceoladas, suculentas, medindo de 3 a 10 cm de comprimento por 1,5 a 5 cm de largura, pecíolo curto, nervura central proeminente, de cor verde e providas de espinhos nas axilas. As flores são pequenas, 2,5 a 5 cm de diâmetro, coloração branca ou amarela clara ou creme, podendo ter outras variantes. Exalam um perfume forte característico e as anteras e grãos polínicos são dourados. Os frutos são redondos, ovais ou piriformes, de coloração amarelada ou avermelhada, medindo de 1-2 cm de diâmetro. Produzem sementes marrons ou pretas com 4 mm de diâmetro aproximadamente.

Partes usadas: Folhas, flores e frutos.

Uso popular: A Pereskia aculeata tem grande importância ornamental, alimentícia e medicinal, além de ser considerada fonte de néctar e pólen para as abelhas (melissotrófica).

É usada como nutriente, remineralizante, vitamínica, anti-inflamatória, fortalecimento dos ossos e cartilagens, desnutrição, convalescença e para atletas com necessidades minerais e proteicas. Para a pele age como emoliente, alivia queimaduras e auxilia na cicatrização de feridas.É indicada para casos de estresse.

Os frutos são utilizados como expectorante e antitussígeno.

Composição química: Composição nutricional: Folhas de ora-pro-nobis (OPN) mostrou níveis extraordinários de fibra dietética total (39,1% em base seca), minerais (cálcio, magnésio, manganês e zinco) e vitaminas (vitamina A, vitamina C e ácido fólico). Entre os aminoácidos, triptofano foi a mais abundante (20,5% do total de ácidos aminados). Foram encontrados a-carotenos e b-carotenos em níveis elevados.

As folhas de OPN pode ser considerada uma boa fonte de minerais, vitaminas e aminoácidos, e podem servir como um potencial ingrediente funcional.

Ações farmacológicas: Antioxidante, anti-inflamatório, nutracêutico, cicatrizante.

A alta quantidade de fibras insolúveis pode auxiliar na prevenção de diversas doenças como: câncer de cólon, hemorroidas, varizes, tumores intestinais e diabetes.

Interações medicamentosas: Não encontrado na literatura pesquisada.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Não encontrado na literatura pesquisada.

Contra-indicações: Não encontrado na literatura pesquisada.

Posologia e modo de uso: Na culinária as folhas podem ser consumidas cruas ou refogadas, adicionadas a farinha para serem feitas massa para pães, tortas, suflês, omeletes, misturadas ao feijão. As flores são utilizadas em preparações de saladas.

Observações: O nome botânico Pereskia aculeata é uma homenagem ao cientista francês Nicolas-Claude Fabri de Peiresc e o termo aculeata vem do latim e significa acúleo, espinho, agulha. O nome popular “ora-pro-nobis”, segundo relatos da época do ciclo do ouro, na Vila de São José (MG), os padres europeus residentes utilizavam a Pereskia aculeata para fazer cercas vivas em volta da igreja e, na hora do sermão, que era longo e em latim, as pessoas saiam para comer as folhas da cerca e saciar a fome, por isso o nome em latim que quer dizer “orai por nós” ou “rogai por nós”.

Em Minas Gerais, na cidade de Sabará, a planta inspira um festival anual, geralmente em maio, que atrai centenas de turistas, é o “Festival da Ora-pro-nobis”, onde é possível encontrar diversas iguarias feitas com suas flores, folhas e frutos.

Esta planta foi muito usada para formar cercas vivas e este uso foi o que mais contribuiu para a sua difusão no Brasil, já que antes de se desenvolver a indústria de arames farpados as cercas mais econômicas e eficientes eram de arbustos espinhentos.

Existem outras espécies de Pereskia e no Horto Didático temos duas espécies: Pereskia aculeata Mill. e Pereskia grandifolia Haw.

Referências: 

AGOSTINI-COSTA, T. S.; Pessoa, G. K. A.; Silva, D. B.; Gomes, I. S.; Silva, J. P. “Carotenoid composition of berries and leaves from a Cactaceae – Pereskia sp.” In Journal of Functional Foods (2014), 11, 178-184.Acesso 19 Março 2015

PINTO, Nicolas de Castro Campos; dos Santos, Raquel Cristina; Machado, Danielle Cunha; Florencio, Jonatas Rodrigues de Souza; Fagundes, Elaine Maria; Antinarelli, Luciana M. R.; Coimbra, Elaine Soares; Ribeiro, Antonia; Scio, Elita “Cytotoxic and antioxidant activity of Pereskia aculeata Miller” Pharmacologyonline (2012), 3, 63-69. Acesso 19 Março 2015

RABCZUK, Rubens “Plant product and its use as a concentrate, food, food supplement, functional food and(or) nutraceutical, cosmetic, antioxidant, antidermatogenic, anti-​anemic, and anti-​infective.” From Braz. Pedido PI (2008), BR 2006000516 A 20080108. Acesso 19 Março 2015

TAKEITI, Cristina Y.; Antonio, Graziella C.; Motta, Eliana M. P.; Collares-Queiroz, Fernanda P.; Park, Kil J. “Nutritive evaluation of a non-​conventional leafy vegetable (Pereskia aculeata Miller)” International Journal of Food Sciences and Nutrition (2009), 60(Suppl. 1), 148-160. Acesso 19 Março 2015

TRABALHOS de pesquisa bibliográfica apresentados por estudantes dos cursos de Medicina (2004) e Nutrição da UFSC (2012).

http://www.tropicos.org/Name/5100447 Acesso 16 Março 2015.

Tags: Anti-inflamatórioAntitérmicoCicatrizanteEmolientesEstresseExpectoranteNutritivaQueimaduraVitamínica

MORINGA

17/02/2020 21:59

Moringa oleifera  Lam.

Moringaceae


SinonímiasGuilandina moringa L., Hyperantera moringa (L.)Vahl., Moringa moringa (L.) Millsp., Moringa pterydosperma Gaertn., Moringa zeylanica Burmann.

Nomes populares: Moringa, cedro, quiabo-de-quina, drumstick tree, horse radish tree, ben oil tree, benzoil tree, kelor tree, shagara al rauwaq, tree for purifying, sohanjna (Paquistão).

Origem ou Habitat: Nativa do oeste e áreas abaixo do Himalaia, Índia, Paquistão, Ásia Menor, África e Arábia. Distribuída atualmente nas Filipinas, Camboja, América Central, América do Norte e do Sul e Ilhas do Caribe (ANWAR et all., 2007). No Brasil é cultivada principalmente nas regiões Norte e Nordeste.(LORENZI & MATOS, 2002).

Esta árvore é encontrada selvagem e cultivada em todas as planícies e, longe de casa, desenvolve-se melhor em clima tropical e é abundante perto dos leitos arenosos dos rios e córregos.(Morton, 1991). E mais, ela pode crescer bem nos trópicos úmidos ou nas terras quentes e secas, podem sobreviver em solos pobres e é pouco afetada pela seca. (Morton, 1991).

É uma árvore muito tolerante quanto a quantidade de chuva, com requisitos mínimos de precipitação anual estimada em 250 mm e máxima em mais de 3000 mm e pH de 5,0 – 9,0. (Palada & Changl, 2003.

Características botânicas: Árvore que mede de 5 a 10 metros de altura, com folhas compostas bipinadas, com folíolos obovais, pequenos e glabros. Flores esbranquiçadas, reunidas em racemos pendentes. Os frutos são do tipo cápsula alada e deiscente com aspecto de uma vagem, medindo até 35 cm de comprimento e marcado pelas sementes em seu interior. As sementes são trialadas e oleaginosas.(LORENZI & MATOS, 2002).

Partes usadas: Raízes, cascas das raízes, folhas, frutos, flores, sementes e vagens imaturas.

Uso popular: No Brasil, por tratar-se de introdução e cultivo recentes, há poucos registros de uso desta planta, porém, devido ao elevado valor alimentício, está sendo usada na merenda escolar de alguns municípios da região Nordeste do país, as folhas cozidas com feijão ou na forma de salada com vinagreira (Hibiscus sabdariffa).

Na Índia, as sementes tostadas e as flores são usadas como alimento, as sementes cruas e amassadas são aplicadas externamente em ferimentos infectados e na forma de banhos e compressas para o tratamento da gota, dores reumáticas e na cicatrização de feridas. As raízes são abortivas e cicatrizante de feridas. O sumo extraído das folhas ou das raízes é usado internamente para melhorar o apetite e auxiliar a digestão. As sementes são usadas como agente purificador de água com tecnologia desenvolvida na África e Guatemala, já aplicada no Brasil sob orientação do ESPLAR, cuja sede em Fortaleza estimula seu cultivo e oferece uma cartilha com instruções para aplicação desta técnica. (LORENZI & MATOS, 2002).

Várias partes desta planta (raiz, casca, goma, folhas, vagens imaturas, flores, sementes e o óleo das sementes) é usada na medicina indígena do Sul da Ásia, para tratar diversas doenças inflamatórias e infecciosas, além de desordens cardiovascular, gastrointestinal, hematológica e hepato-renal.

A infusão das folhas é usada como diurético.

Nas Filipinas esta árvore é conhecida como ” melhor amiga da mãe” por que é utilizada para aumentar a produção de leite nas lactantes e algumas vezes prescrito para anemia. (ANWAR et all., 2007).

Composição química: A Moringa oleifera é rica em compostos que variam desde um simples açúcar, ramnose e um grupo bastante exclusivo de compostos chamados glucosinolatos e isotiocianatos.(ANWAR et all., 2007).

As folhas da Moringa oleifera são ricas fontes de B-caroteno, proteína, vitamina C, cálcio e potássio, atuando como uma boa fonte de antioxidantes, apresentando vários tipos compostos por ácido ascórbico, flavonóides, fenólicos e carotenóides.(ANWAR et all., 2007).

A casca do caule tem dois alcalóides chamados moringina e moringinina. O caule contém vanilina, B-sitosterol, B-sitostenone, 4-hydroximellin e ácido octacosanóico.

O exsudato total da goma purificada contém L-arabinose, -galactose, ácido glicurônico e L-ramnose, -manose e -xilose;

As flores contém 9 aminoácidos, sucrose, D-glucose, traços de alcalóides, cera, quercetina, kaempferol, alguns pigmentos flavonóides. As cinzas são ricas em potássio e cálcio.

Dos frutos (vagens) da moringa, foram isolados os glicosídeos tiocarbamato e isotiocianato, que tem propriedades anti-hipertensivas. E citoquininas. Do extrato etanólico das sementes, foram isolados 8 compostos bioativos, sendo que o O-ethyl-4-(A-L-rhamnosyloxy) benzyl carbamate pela primeira vez. (Guevara et al., 1999).

Ações farmacológicas: No artigo de revisão desta planta as seguintes propriedades são relatadas: estimulante cardíaco e circulatório, antitumoral, antifebril, antiepilético, anti-inflamatório, anti-úlcera, anti-espasmódico, diurético, anti-hipertensivo, baixa o colesterol, anti-oxidante, antidiabético, hepatoprotetor, antibacteriano e antifúngico.(ANWAR et all., 2007).

Interações medicamentosas: Não encontrado na literatura pesquisada.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Não encontrado na literatura pesquisada.

Contra-indicações: As folhas, flores e raízes são abortivas, sendo contra indicada para gestantes.

Posologia e modo de uso: As folhas (foliólulos) podem ser usadas como saladas, sopas, omeletes, pães, bolinhos, etc.

As flores podem ser consumidas cruas em saladas ou cozidas.

os frutos tenros e jovens podem ser raspados e cozidos como vagem de feijão.

As sementes tostadas são usadas como alimento enquanto as sementes cruas e amassadas, são aplicadas externamente em ferimentos infectados e, na forma de lavagens e compressas para o tratamento da gota, dores reumáticas e como cicatrizantes de feridas.

Referências: 

ANWAR, F.; LATIF S.; ASHRAF, M. & GILANI, A.H. Review article: “Moringa oleifera: a Food Plant with Multiple Medicinal Uses”. Phytotherapy Research 21, 17-25 (2007)Paquistão.

Guevara AP, et al. An antitumor promoter from Moringa oleifera Lam. Mutat Res. 440: 181-188, 1999

LORENZI, Harri; MATOS, Francisco José de Abreu. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. – 1a. ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002. Pp. 346.

Morton JF. 1991. The horseradish tree, Moringa pterigosperma (Moringaceae). A boon to arid lands. Econ Bot 45: 318–333

Palada MC, Changl LC. 2003. Suggested cultural practices for Moringa. International Cooperators’ Guide AVRDC. AVRDC pub # 03–545 www.avrdc.org.

KINUPP, V.F., LORENZI, H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. 1ª.ed. São Paulo, SP: Instituto Plantarum, 2014.

Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. Acesso em 10 abril 2014.

Tags: AbortivoCicatrizanteDiuréticoDores reumáticasNutritiva

MENTRASTO

14/02/2020 23:28

Ageratum conyzoides  L..

Asteraceae (Compositae)


SinonímiasAgeratum cordifolium Roxb., Ageratum conyzoides var. inaequipaleaceum Hieron., Ageratum hirtum Lam., Ageratum latifolium Cav., Ageratum microcarpum (Benth.) Hemsl., Alomia microcarpa (Benth.) B.L. Rob., Cacalia mentrasto Vell., Carelia conyzoides (L.) Kuntze.

Nomes populares: O Brasil é conhecida por mentraste, erva-de-são-joão, erva-de-são-josé, cacália-mentrasto, catinga-de-barão, catinga-de-bode, picão-branco, picão-roxo; marrubio-blanco, mastranto, retentina (Colômbia); mejorana (Guatemala); rompe zaraguellos (Venezuela); goat weed (EEUU); babadotan, aru batu (Índia).

Origem ou Habitat: América tropical. No Brasil predomina nas regiões Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa, Pantanal.

Características botânicas: Erva anual, ereta, pilosa e aromática, medindo até 1 metro de altura. Caule de cor arroxeado, piloso. Folhas opostas, ovais com bordas crenadas, longo-pecioladas, membranáceas, pubescentes, medindo de 3-9 cm de comprimento. Inflorescência em capítulos terminais com cerca de 30-50 flores pequenas de cor lilás a branca. Fruto do tipo aquênio, pequeníssimo, preto. É considerada planta cosmopolita tropical.

Partes usadas: Folhas.

Uso popular: Segundo os registros etnofarmacológicos, são atribuídas a esta planta propriedades hemostática e cicatrizante de ferimentos, contra inapetência, flatulência, cólicas intestinais e menstruais e no tratamento caseiro do reumatismo. Os indígenas do Paraná e Santa Catarina usam para dor de barriga, dor de ouvido, cólicas, machucaduras, inchaços, lombriga.

Composição química: A composição principal do Ageratum conyzoides é baseada em óleos essenciais com terpenos (salineno, pineno, eugenol, cineol, felandreno, limoneno, linalol, terpineol e cariofileno); compostos cumarínicos e benzofuranos; resinas; alcalóides pirrolizidínicos (licopsamina e equinatina); flavonas, flavonóides e cromonas (Laus, 1994). Possui também ácido cianídrico.

Ações farmacológicas: Anti-inflamatória, analgésica, antimicrobiana e atividade inseticida.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: A planta inteira mostrou-se tóxica para coelhos devido a presença de cumarinas e ácido cianídrico.

Contra-indicações: Considerando as ações hepatotóxicas dos alcalóides pirrolizidínicos deve-se evitar o uso interno desta planta.

Posologia e modo de uso: Externamente, pode-se usar o extrato alcoólico a 20% ou extrato aquoso ou pomada de uso local, em compressas e fricções, nos casos de dores articulares.

Observações: Esta erva Ageratum conyzoides, está citada no anexo I da RDC 10, de 09 de março de 2010, onde está “indicado o uso de suas partes aéreas sem flores, na forma de infusão, para tratamento de dores articulares e reumatismo, sendo contra-indicado o uso por pessoas com problemas hepáticos e não devendo ser utilizada por mais de 03 semanas consecutivas” (ANVISA, 2010).

Os alcalóides pirrolizidínicos (AP) e as plantas que os contém são objeto de investigações científicas porque muitas destas plantas são usadas medicinalmente. Os AP são encontrados mais comumente em plantas das famílias Asteraceae, Boraginaceae e Fabaceae.

Segundo a dissertação de mestrado de Cristiane Fracari Bosi (acervo Biblioteca da UFSC), “os efeitos tóxicos e cancerígenos dos Alcalóides Pirrolizidínicos (AP) estão relacionados com a sua estrutura química. Os alcalóides 1,2-insaturados são capazes de serem metabolizados a intermediários hepatotóxicos, enquanto os alcalóides saturados não são hepatotóxicos. Os AP ocorrem naturalmente como mono-ésteres e di-ésteres ou di-ésteres macrocíclicos. Sua forma N-óxidos são mais hidrossolúveis e apresentam propriedades físicas e vias metabólicas diferentes. Os AP 1,2-insaturados são produzidos nas raízes e transportados para as folhas e flores como N-óxidos, onde se acumulam tanto na forma N-óxidos como de base terciária, podendo variar com a parte da planta e com a fase de crescimento. Nos mamíferos, os AP 1,2-insaturados ingeridos são oxidados no fígado por oxidases de função mista (citocromo P450s) a derivados pirrólicos. O anel pirrolizidínico torna o carbono C-7 e/ou C-9 altamente eletrofílico e capaz de reagir com nucleófilos de tecidos, concomitante com a clivagem dos substituintes ésteres, ocorrendo a ligação com proteínas, que pode alterar a função celular e causar dano ou morte celular, e/ou ácidos nucleicos”. Concluindo sua dissertação, a autora recomenda cautela no uso desta espécie Ageratum conyzoides, devido à presença dos AP que pode oferecer risco à saúde e que sejam feitos mais testes de toxicidade com a infusão.

Referências:

ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004.

BOSI, C.F. PRESENÇA DE ALCALÓIDES PIRROLIZIDÍNICOS EM Ageratum conyzoides L., ASTERACEAE (dissertação)/ Cristiane Fracari Bosi; orientadora, Maique Weber Biavatti – Florianópolis/SC, 2012.

LAUS CB 1994. Manual de fitoterapia: plante saúde. Curitiba: Prefeitura Municipal de Curitiba, apud Rev. bras. farmacogn. vol.19 no.3 João Pessoa July/Sept. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-695X2009000500002 – Atividade antitumoral do Ageratum conyzoides L. (Asteraceae) Luciano da Silva Momesso; Rute Mendonça Xavier de Moura; Dulce Helena Jardim Constantino.

LORENZI, H.; MATOS, F.J. A. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2ªed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.

MARQUESINI, N.R. – Plantas usadas como medicinais pelos índios do Paraná e Santa Catarina. Resumos do XIV SIMPÓSIO DE PLANTAS MEDICINAIS DO BRASIL, Florianópolis/SC, 1996, pg 64.

MATOS, F.J.A. Plantas medicinais: guia de seleção e emprego de plantas usadas em fitoterapia no Nordeste brasileiro. Fortaleza: EUFC, 1989.

Nakajima, J. 2013. Ageratum in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. (http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB15934)- acesso em 12 de setembro de 2013

http://www.tropicos.org/Name/2700026 – acesso em 12 de setembro de 2013.

Tags: CicatrizanteCólicaFlatulênciaInapetênciaReumatismo

MALVA-DE-DENTE

14/02/2020 22:44

Malva parviflora  L.

Malvaceae


Nomes populares: Malva-de-dente, malva, small-flowered mallow (Ingles, Canada), little mallow (Ingles, Estados Unidos).

Origem ou Habitat: Europa, Ásia e África.

Características botânicas: Herbácea anual, medindo entre 0,5 – 1,0 m de altura, glabra ou pubescente. Folhas com 2,5 – 6 cm de comprimento, 3 – 7,5 cm de largura, alternas, 5 – 7 lobadas, margens crenadas longamente pecioladas. Inflorescência fasciculada na axila das folhas, 3 – 6 flores. Flores rosadas pediceladas, cerca de 0,6 cm de comprimento, hermafroditas, 5 pétalas estreitas na base e bilobadas no ápice, estames numerosos soldados pelos filetes, ovário súpero 10 estigmas.

Partes usadas: Folhas.

Uso popular: Muito empregada em inflamações das gengivas ( periodontias), em inflamações do aparelho genital feminino, dos rins e intestino, tem bom efeito sobre hemorróidas e cistites, tem ação laxante, a mucilagem possui atividade anti-inflamatória e protetora das mucosas digestiva, respiratória e cutânea, tem bom efeito em gripes, faringites , enfisema e asma, possui ação expectorante, auxilia o tratamento de gastrites e úlceras gástricas, é ótimo para furúnculos, como cicatrizante de feridas e picadas de insetos. Externamente, em inflamações e corrimentos vaginais.

Tanto os árabes como os romanos usavam as folhas de malva na alimentação.

Composição química: Mucilagem.

Ações farmacológicas: in vitro demonstrou atividade anti-inflamatória ,antimicrobiana e cicatrizante ; também mostrou atividade hipoglicêmica em ratos de laboratório.

Interações medicamentosas: Não há relatos.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Não há relatos de efeitos adversos em humanos há relato de possível intoxicação de ovelhas por comer malva de dentes.

Contra-indicações:  Não há relatos, melhor evitar o uso interno em grávidas.

Posologia e modo de uso: Infusão – uma colher das de sobremesa de folhas frescas para uma xícara de água. Até 4 xícaras ao dia. Para gastrites, tomar 40 minutos antes das refeições.

Decocção – Ferver 30 a 40 gramas por litro, por 15 minutos e aplicar na forma de compressas, lavados, banhos oculares, gargarejos, colutórios, banhos vaginais.

Cataplasma quente de farinha de linhaça com folhas de malva sobre furúnculos.

Em picada de insetos, usar o suco da planta fresca.

Observações: As espécies de Malva podem ser parasitadas pelo fungo Puccinia malvacearun, tornando-se manchadas, cheias de pústulas pardas e, portanto, inadequadas ao uso (BISSET, 1994).

uma usuário referiu o fato de sentir “dor nos ossos” quando usa mais de três dias seguidos.

Referências: 

VEIGA LOPES, A.M. Vinte e quatro plantas usadas na medicina popular do Rio Grande do Sul, apostila, 2002.

Avaliação da actividade hipoglicemiante das folhas de Malva parviflora em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina. Perez Gutierrez RM . Fonte Laboratorio de Investigación de Productos Naturales, Escuela Superior de Ingeniería Química e Industrias Extractivas IPN, Av. Instituto Politecnico S / N, Col Zacatenco, CP 07758, México DF. rmpg@prodigy.net.mx

http://www.tropicos.org/Name/19600174.

Tags: Anti-inflamatórioCicatrizanteCistiteExpectoranteGastriteGripeHemorróidaLaxante

GUAÇATONGA

11/02/2020 21:28

Casearia sylvestris Sw.

Salicaceae (antiga Flacourtiaceae)


SinonímiasAnavinga samyda Gaertn., Casearia parviflora Willd., Casearia puntacta Spreng., Samyda parviflora L., Samyda sylvestris (Sw.) Poir., Guidonia sylvestris (Sw.) Maza.

Nomes populares: Erva-de-lagarto, chá-de-bugre, cafezeiro-do-mato, língua-de-tiú, apiá-acanoçu, bugre-branco, guaçatunga, petumba, vassitonga, verre-forno.

Origem ou Habitat: Nativa de quase todo o Brasil, principalmente no Planalto Central. Existem no Brasil outras espécies de Casearia, com mesmos nomes populares e usos semelhantes.

Características botânicas: Árvore de 4-6 m de altura, folhas simples, alternas e pecioladas, persistentes, lanceoladas, com as bordas serrilhadas, com 6-12cm de comprimento. Vistas contra a luz, as folhas mostram minúsculos pontos translúcidos, que correspondem às glândulas de óleo essencial. As flores são pequenas e esverdeadas e exalam forte aroma. Fruto é uma cápsula que contém sementes envoltas por uma massa avermelhada.

Partes usadas: Folhas, ramos e cascas.

Uso popular: As folhas são usadas para o tratamento de queimaduras, ferimentos, herpes e pequenas injúrias cutâneas. Suas folhas e cascas são consideradas tônicas, depurativas, anti-reumáticas e anti-inflamatórias. É usada também contra mordidas de cobra, como analgésico e hemostático em mucosas e lesões cutâneas.

É recomendada contra gastrite, úlceras internas e mau hálito na forma de chá por infusão. Em uso externo contra herpes labial e genital, gengivites, estomatite, aftas e feridas da boca e limpeza bucal.

Composição química: Em suas folhas e casca são encontrados flavonas, óleos essenciais, saponinas, taninos, resinas e antocianosídeos que conferem a esta planta a sua fama como febrífuga, depurativa, anti-diarreica, cardiotônica, diurética e cicatrizante entre outros (BASILE et al.,1990; CARVALHO et al., 1999; ITOKAWA et al., 1990; BORGES et al., 2000; UNESC, 2005).  Pesquisadores conduzindo estudos sobre venenos relatam que as folhas e ramos dessa árvore contém um composto químico denominado lapachol, um composto anticancerígeno e antifúngico muito conhecido em outra espécie Tabebuia impetiginosa (TPD, 2006). Outros princípios ativos tem sido detectados na Casearia sylvestris, denominados diterpenos clerodanos ou carofilenos.

Ações farmacológicas: Atividade anti-úlcera gástrica, cicatrizante e contra veneno de serpentes.

Interações medicamentosas: Vitamina K.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Deve-se evitar o emprego prolongado devido a sua ação antagônica com a vitamina K, para evitar acidentes hemorrágicos.

uma usuária relata ter taquicardia com o uso do abafado de guaçatonga.

Contra-indicações: Gravidez, menstruação.

Posologia e modo de uso: Uso interno – uma colher de sobremesa em uma xícara de água quente, tomar 2 xícaras ao dia por 2 semanas, o uso externo é feito com uma colher de sopa de folhas por xícara.

Referências: 

ALONSO, J. Tratado de fitofármacos y Nutracéuticos. Argentina: Hábeas Libros, 2004.

BASILE, A. C.; et al. Pharmacological assey of Casearia sylvestris. I. Preventive anti-ulsur activity and toxicity of the leaf crude extract. Journal of Ethnopharmacology, v. 30, n. 2, p. 185-197, 1990.

BORGES, M.H., JAMAL, C.M., dos SANTOS, D.C.M., RASLAN, D.S. and de LIMA, M.E. Partial Purification of Casearia sylvestris Sw. Extract and its anti-PLA2 action. Comp. Biochem. Physiol. B. Biochem. Mol. Biol., v.127, n. 1, p. 21-30, Sep., 2000.

CARVALHO, T. C. T. Fitoterápicos anti-inflamatório: aspectos químicos, farmacológicos e aplicações terapêuticas. Ribeirão Preto: Tecmedd, 2004.

ITOKAWA,H. et al New antitumor principles, casearines A-F, for Casearia sylvestris Sw. (Flacourtiaceae). Chemical and Pharmaceutical Bulletin, v. 38, n. 12, p. 3-384, 1990.

LOPES, A. M. V. Plantas Usadas na Medicina Popular do Rio Grande do Sul. Santa Maria: Infograph, 1995.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2. ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.

PIO CORRÊA, M. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. , Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura/IBDF, Imprensa Nacional, 1984. 6 v.

SILVA, A. A. Essentia Herba: plantas bioativas. Florianópolis: Epagri, 2006. 2 v.

UNIVERSIDADE do EXTREMO SUL CATARINENSE. Jornada Catarinense de plantas medicinais: Guaçatonga. Disponível em:http://www.unesc.rctsc.br/plantas_medicinais/guaca.htm. 4 p. Acesso em: 21 nov. 2005.

Tags: AftasAnalgésicoAnti-inflamatórioAnti-reumáticoCicatrizanteDepurativoEstomatiteGastriteGengiviteQueimaduraTônico

GARRA-DO-DIABO

09/02/2020 21:48

Harpagophytum procumbens  DC.

Pedaliaceae  


SinonímiasHarpagophytum procumbens subsp. procumbens DC. ex Meisn, Harpagophytum burchellii Decne., Harpagophytum procumbens var. sublobatum (Engl.) Stapf., Harpagophytum procumbens subsp. transvaalense Ihlenf. & H. Hartmann.

Nomes populares: Garra-do-diabo, harpagofito (Português), garra del diablo, raiz de Windhoeck (Espanhol), artiglio del diavolo (Italiano), devil’s claw, woodspider, grapple plant (Inglês).

Origem ou Habitat: Sul da África (Namíbia).

Características botânicas:Planta rasteira, perene, apresentando uma raiz primária que mede de 20 a 50 cm de comprimento, de onde partem raízes ramificadas tuberosas secundárias, que podem armazenar até 70% de água de seu peso e são estes tubérculos que se utilizam por suas propriedades medicinais. Talos múltiplos; folhas alternas, lobuladas, profundamente recortadas, carnosas, medindo 7 cm de comprimento, margens brancas e aveludadas. As flores são em forma de dedal ou trombeta, crescem isoladamente sobre curtos pecíolos na axila das folhas, de cor rosa-claro ou roxo-púrpura. Os frutos são duros, capsulares, deiscentes, medindo até 10 cm, armados de espinhos em forma de ganchos, de 2,5 cm de comprimento, que atuam como verdadeiros arpões aderindo-se à pele dos animais, facilitando a dispersão das sementes.

Partes usadas: Raízes secundárias ou tubérculos.

Uso popular: A raiz é empregada popularmente como antirreumática, antigotosa, aperiente, antiespasmódica, analgésica, para acalmar dores do parto, colerética e hipoglicemiante. Externamente é usada como cicatrizante de feridas.

Composição química: Glicosídeos iridóides (harpagina, harpágido, trans-cinnamoyl harpagide, trans-coumaroyl harpagide, procumbide, etc.); glicosídeos fenólicos (verbascosídeo, acteosídeo, isoacteosídeo e biosídeo); traços de óleo essencial, b-sitosterol, triterpenos pentacíclicos; flavonóides (kaempferol e luteolina); aminoácidos; açúcares; harpagoquinona; gomoresina; aucubinina B; beatrinas A e B.

Ações farmacológicas: Anti-inflamatória, analgésica, sedativa, anti-espasmódica, digestiva e diurética.

Interações medicamentosas: Em altas doses pode interferir com drogas anti-arrítmicas e anti-hipertensivas.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Em geral, são bem tolerados nas doses indicadas, mas tem relatos de cefaleia, zumbido, anorexia, gastralgia e perda da gustação. No início do tratamento pode haver um ligeiro efeito laxante e transtorno estomacal.

Não é recomendado a administração endovenosa por ser potencialmente tóxica por esta via.

Contra-indicações: Não é recomendada durante a gravidez.

Posologia e modo de uso: Capsula de extrato seco da garra do diabo (padronizado como 100mg de harpagosídeo ou 150 mg de iridóides totais expresso em harpagosideos), tomar uma cápsula vez ao dia por 2 semanas.

Observações: Harpagophytum, do grego, significa “planta-arpão.

 

 

Referências: 
ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004.

http://www.bihrmann.com/caudiciforms/subs/har-pro-sub.asp – Acesso 11 Março 2014.

http://www.avogel.es/enciclopedia-de-plantas/harpagophytum_procumbens.php – Acesso 11 Março 2014.

http://www.publish.csiro.au/paper/CH9792085.htm – Acesso 18 Março 2014.

http://www.sofmmoo.com/grand-public/musee/plantes/plantes.htm – Acesso 11 Março 2014.

http://www.tropicos.org/Name/24300038?tab=subordinatetaxa – Acesso 11 de Março 2014.

Tags: AnalgésicoAnti-reumáticoAntiespasmódicoAntigotosaAperienteCicatrizanteColeréticaHipoglicemiante

ESPINHEIRA-SANTA

19/01/2020 23:21

Maytenus ilicifolia   Mart. ex Reissek.

Celastraceae 


Sinonímias: Maytenus ilicifolia (Schrad.) Planch., Maytenus muelleri Schwacke.

Nomes populares:  Espinheira-santa, cancerosa, cancorosa, espinho-de-deus, salva-vidas, sombra-de-touro, coromilho-do-campo, erva-cancerosa, erva santa (Brasil); quebrachillo, sombra-de-toro, concorosa, congorosa (Argentina, Uruguai, Rio da Prata).

Origem ou Habitat: O gênero Maytenus é pantropical, concentrando na América do Sul o maior número de espécies.

No Brasil, a espécie Maytenus ilicifolia é encontrada predominantemente na Região Sul, no entanto, ela pode ocorrer em outros Estados. As outras espécies do gênero Maytenus, como M. aquifolium e M. robusta, têm distribuição mais ampla. (REIS e SILVA, 2004.

Características botânicas:  Maytenus ilicifolia Mart. é planta arbórea, arbustiva ou subarbustiva, podendo atingir 5 m de altura. Folhas simples, inteiras, alternas, coriáceas e brilhantes, com margem inteira ou mais comumente espinescente, estípulas inconspícuas. Inflorescências axilares, fasciculadas, cimosa. Flores pequenas, esverdeadas, diclamídeas, dialipétalas, hermafroditas; 5 estames livres, ovário bilocular com disco nectarífero; fruto cápsula bi-valvar de cor vermelha; semente coberta por arilo carnoso e branco.

Partes usadas: Folhas e raízes.

Uso popular:  Anticonceptivo, cicatrizante, vulnerário (curar feridas), anti-séptico, digestivo, antiespasmódico, contra hiperacidez e ulcerações do estômago, curar o vício da bebida e enfermidades do fígado, hidropisia devido ao abuso de álcool, diurético, antipirético, laxativo, anti-asmático, anti-tumoral e analgésico.

Composição química:  Alcalóides: maitansina, maitanprina, maitanbutina e cafeína; terpenos: maitenina, tingenona, isotenginona III, congorosina A e B, pristimerina, celastrol, ácido maitenóico, friedelina friedelan-3-ol, maitenoquinona, β e δ-amirina, fitoesteróis (campesterol, ergosterol, β-sitosterol; outros: pristimerina e isopristimerina III (macrolídeos presentes na raiz); flavonóides (derivados da quercetina e kaempferol), leucoantocianidinas, ilicifolinosídeos A, B e C; ácido clorogênico; taninos hidrolizáveis (ac. tânico); traços de minerais e oligoelementos (ferro, enxofre, sódio e cálcio) e óleo fixo nas sementes. (Alonso, 2004).

  • Triterpenóides de quinona-metídeo: Maltenina, 22β-hidroximatenina, celastrol, pristimerina, tingenona, isotenginona ii, cangorosinas A e B, ácido maitenóico.
  • Alcalóides Piridínicos Sesquiterpênicos: Ilicifoliunina A, ilicifoliunina B, aquifoliunina EI e maiteina.
  • Taninos condensados: Proantocianidinas: Epicatequina, galato de epicatequina, procianidina B2.
  • Triterpenos: Friedelina, friedelan-3-ona, friedelanol, cangorosin A e B, maitefolinas A, B e C, Uvaol-3-cafeato e eritrodiol.
  • Glicolipídeos: Monogalactosildiacilglicerol, digalactosildiacilglicerol, trigalactosildiacilglicerol, tetragalactosildiacilglicerol, sulfoquinovosildiacilglicerol.
  • Flavonóides: Mauritianina, trifolina , hiperina, epicatequina, catequina, canferol, quercetina, galactitol, mono- di- tri- e tetra-glicosídeos de quercetina, rutina, quercitrina e hiperosídeo, dentre outros.

Ações farmacológicas: Em ensaios pré-clínicos e clínicos, foram demonstradas atividades antiulcerogênica, cicatrizante, antimicrobiana e antitumoral. Também teve ação na recomposição da flora intestinal e inibição de bactérias patogênicas. Além da ação laxante, ainda foi observado que elimina toxinas através dos rins e pele e regula a produção de ácido clorídrico do estômago. Em ensaios pré-clínicos, foi demonstrada ação analgésica. Tem ação tranqüilizante e potencia a atividade hipnótica de barbitúricos.(SIMÕES, 1986; Carlini, 1988; Lorenzi, 2002; Alonso, 2004).

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Embora os estudos referentes à espécie Maytenus ilicifolia indiquem que a mesma possa ser usada com segurança nas doses preconizadas, o mesmo não se pode afirmar em relação à Zollernia ilicifolia, já que, apesar de possuir efeitos antiulcerogênico e analgésico, apresenta glicosídios cianogênicos. Quanto à Sorocea bonplandii, que também possui efeitos antiúlcera e analgésico, apresenta mais segurança em seu uso, já que não demonstrou ser tóxica.

Contra-indicações:  A espécie Maytenus ilicifolia Mart. é contra-indicada em gestação e lactação.

Reduz a taxa de implantação de embriões (Montanari e Bevilacqua, 2002 apud REIS e SILVA, 2004). Reduz o leite em quem amamenta (Araújo, Lucas, 1930.

Posologia e modo de uso: Infusão: 20-30g/l. Tomar 3 xícaras diárias. Uso externo: emprega-se a infusão em forma de compressas (Alonso, 2004); além de banhos, bochechos e gargarejos.

Observações: A espécie Maytenus ilicifolia é facilmente confundida com outras espécies que também apresentam folhas com margem espinescente. Os principais exemplos são: Zollernia ilicifolia (Brongn.)Vog. (Fabaceae) e Sorocea bonplandii (Baill.) Burger, Lauj. & Bper (Moraceae). Fotos abaixo para comparação.

 

Referências:
ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004. p.370-373

DUKE, J. A. Medicinal plants of Latin America. Boca Raton, EUA: CRC Press, 2008.

COSTA, M. A. et al. Plantas e saúde: guia introdutório a fitoterapia. Brasília: Secretaria de Saúde do Distrito Federal, 1992. p. 5-63.

CONDE-HERNÁNDEZ, Lilia A.; ESPINOSA-VICTORIA, José R.; GUERRERO-COPPEDE, Juliana S. et al. Cell cultures of Maytenus ilicifolia Mart. are richer sources of quinone-methide triterpenoids than plant roots in natura. Plant Cell, Tissue And Organ Culture (pctoc), [s.l.], v. 118, n. 1, p.33-43, 23 mar. 2014.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2 ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002.

LUTZENBERGER, L. C. Revisão da nomenclatura e observações sobre as Angiospermas citadas na obra de Manuel Cypriano D’Ávila: “Da flora medicinal do Rio Grande do Sul”. 1985. 223 f. Dissertação. (Bacharelado em Botânica). Curso de Ciências Biológicas/ Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 1985.

MENTZ, L. A., LUTZEMBERGER, L. C., SCHENKEL, E. P. Da flora medicinal do Rio Grande do Sul: notas sobre a obra de DÁvila (1910). Caderno de Farmácia, v. 13, n. 1, p. 25-48, 1997.

PAZ, E. A.; BASSAGODA, M.; FERREIRA, F. Yuyos: uso racional de las plantas medicinales. Montevideo, Uruguay: Fin de Siglo, 1992.

REIS, M. S.; SILVA, S. R. Conservação e uso sustentável de plantas medicinais e aromáticas: Maytenus spp., espinheira-santa. Brasília: IBAMA, 2004. 204 p.

SANTOS-OLIVEIRA, Ralph; COULAUD-CUNHA, Simone; COLAÇO, Waldeciro. Revisão da Maytenus ilicifolia Mart. ex Reissek, Celastraceae. Contribuição ao estudo das propriedades farmacológicas. Revista Brasileira de Farmacognosia, [s.l.], v. 19, n. 2, p.650-659, jun. 2009.

SANTOS, Vânia A. F. F. M. et al. Antiprotozoal Sesquiterpene Pyridine Alkaloids from Maytenus ilicifolia. Journal Of Natural Products, [s.l.], v. 75, n. 5, p.991-995, 4 maio 2012.

SIMÕES, C. M. O. et al. Plantas da medicina popular no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: UFRGS, 1986. p. 174. RODRIGUES, M. V. Qualidade de vida no trabalho. 1989. 180 f.. Dissertação (Mestrado em Administração) – Faculdade de Ciências Econômicas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 1989.

SOUZA, Lauro M. de et al. HPLC/ESI-MS and NMR analysis of flavonoids and tannins in bioactive extract from leaves of Maytenus ilicifolia. Journal Of Pharmaceutical And Biomedical Analysis, [s.l.], v. 47, n. 1, p.59-67, maio 2008.

MARIOT, M.P. ; BARBIERI, R.L.Metabólitos secundários e propriedades medicinais da espinheira-santa (Maytenus ilicifolia Mart. ex Reiss. e M. aquifolium Mart.)Rev. Bras. Pl. Med., Botucatu, v.9, n.3, p.89-99, 2007.

LEITE, João Paulo V. et al. Constituents from Maytenus ilicifolia leaves and bioguided fractionation for gastroprotective activity. Journal Of The Brazilian Chemical Society, [s.l.], v. 21, n. 2, p.248-254, 2010.

MOSSI, Altemir José et al. Variabilidade química de compostos orgânicos voláteis e semivoláteis de populações nativas de Maytenus ilicifolia. Química Nova, [s.l.], v. 33, n. 5, p.1067-1070, 2010.

Tags: AnalgésicoAntiasmáticaAnticonceptivoAntiespasmódicoantipiréticoAntissépticaCicatrizanteDigestivoDiuréticoHidropsiaLaxativas

ERVA-BALEEIRA

10/01/2020 15:30

Varronia curassavica  Jack.

Cordiaceae


Sinonímias: Cordia verbenacea DC., Varronia verbenacea (DC.) Borhidi, Cordia curassavica auctt. bras. ex Fresen, Cordia salicina DC.

Nomes populares:  Erva-balieira, erva-baleeira, erva-preta, maria-preta, maria-milagrosa, catinga-de-barão, caramona, mijo-de-grilo, milho-de-grilo, salicina, cheiro-de-tempêro.

Origem ou Habitat: Regiões litorâneas do Sudeste e Leste brasileiro.

Características botânicas:  Arbusto ereto, muito ramificado, aromático, com a extremidade dos ramos um pouco pendente e hastes revestidas por casca fibrosa, medindo de 1,5 a 2,5m de altura. Folhas simples, alternas, serrilhadas, coriáceas, verrugosas e aromáticas, de 5-9 cm de comprimento. Inflorescências racemosas terminais com pequenas flores brancas, de 10-15 cm de comprimento. Os frutos são cariopses esféricas e vermelhas.

Partes usadas: Folhas.

Uso popular:  É amplamente utilizada na medicina caseira nas regiões litorâneas do Sudeste e Leste brasileiro, onde é considerada antiinflamatória, cicatrizante, diurética, antiartrítica, analgésica, tônica e antiulcerogênica.

É usada para as seguintes afecções: reumatismo, artrite reumatóide, gota, dores musculares e da coluna, prostatites, nevralgias e contusões e também para feridas externas e úlceras. É comum seu uso entre os pescadores da região litorânea. Usuários que ingerem o chá abafado ( infusão ) relatam melhora de sintomas dispépticos e aumento da diurese, além da melhora dos sintomas dolorosos para o qual foi indicada.

Composição química:  Os princípios ativos básicos são o óleo essencial e os flavonóides. Principais componentes do óleo essencial: α-tuyeno (12%), α-pineno (5%), trans-cariofileno, tuya-2,4(10)-dieno (0,4%), sabineno (2,5%), β-cariofileno (6,8%), α-humuleno (1,3%), allomadendreno (1,8%), germacreno D (6,6%), biciclogermacreno (5,3%), α-muuroleno (0,7%), α-cadineno (traços), δ-cadineno (16,8%), elemol (3,3%), germacreno D-4-ol (5,0%), neo-5-cedranol (14,8%); Principais flavonóides: sitosterol (Lins et al.); 5-hidroxi-3,6,7,3´,4´-pentametoxiflavona (artemetina) (Sertieé et al., 1990) (Lins et al.); 5,6´-diidroxi-3,3´,4´,6,7-pentametoxiflavona (Lins et al.); 7,4´- diidroxi-5´-carboximetóxi isoflavona e 7,4´- diidroxi-5´- metil isoflavona (Ameira, et al. 2006).

Ações farmacológicas: Antiinflamatória, diurética, antiartrítica, analgésica, tônica e antiulcerogênica.

Interações medicamentosas: Interações descritas com a utilização da planta e outros farmacos.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Estudos in vivo não mostraram toxicidade e não há relatos de efeitos adversos.

Contra-indicações:  Por falta de maiores estudos é desaconselhado para gestantes.

Posologia e modo de uso: Uso interno: Infusão: 5 folhas picadas para 1 xícara de água fervente. Abafar por 15 minutos, coar e tomar 1 xícara 3x ao dia.

Uso externo: Cataplasma, creme ou pomada.

Observações: Os frutos são apreciados pelos pássaros.

Existe uma espécie assemelhada, chamada de Trinca-Trinca (Cordia monosperma), usada popularmente como antiinflamatória para combater hemorróidas, na forma de banho de assento.

 

Referências:
AMEIRA, O.A. et al. Estabelecimento de cultura de células em suspensão e identificação de flavonóides em Cordia verbenacea DC. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, Botucatu, v. 11, n. 1, p. 7-11, 2009.

FERRAZ, E. O. Cordia verbenacea: um caso de sucesso na fitoterapia brasileira. Lavras, MG: UFLA, 2010.

LINS,A.P.; ALVARENGA, M. A. Flavonóides de Cordia verbenacea. Supl. Ciência e Cultura, São Paulo, v. 32, p. 457, 1980.

LORENZI, H; MATOS, F.J.A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Nova Odessa , SP: Instituto Plantarum, 2002.

LORENZI, H; MATOS, F.J.A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2. ed. Nova Odessa , SP: Instituto Plantarum, 2008.

QUISPE-CONDORI, S. et al. Global yield of the Supercritical CO2 extraction from Cordia verbenacea DC – Anticancer and antimycobacterial activities. Pharmacognosy Magazine, v. 3, p. 39-46, 2007.

SERTIEÉ, J. A. A. Pharmacological assay of Cordia verbenacea. Part 1. Anti-inflammatory activity and toxicity of the crude extract of leaves. Planta Médica, v. 54, p. 7-11, 1988.

Tags: AnalgésicoAnti-inflamatórioCicatrizanteDispepsiaDiuréticoReumatismoTônico

ERVA DE SANTA MARIA

10/01/2020 15:24

Chenopodium ambrosioides  L.

Amaranthaceae (antiga Chenopodiaceae) 


Sinonímias: Ambrina ambrosioides (L.) Spach , Ambrina anthelmintica (L.) Spach, Ambrina chilensis Spach, Blitum ambrosioides (L.) Beck , Chenopodium ambrosioides var. anthelminticum (L.) A. Gray, Chenopodium ambrosioides var. dentata Fenzl , Chenopodium santamaria Vell., Orthosporum ambrosioides (L.) Kostel., Roubieva anthelmintica Hook (L.).& Arn., Teloxys ambrosioides (L.) WA Weber, etc. 

Nomes populares:  Mastrunço, mestruz, mastruz, lombrigueira, quenopódio, ambrosia-do-méxico, erva-das-cobras, erva-do-formigueiro,caacica. 

Obs.: No Norte do Brasil, um dos nomes populares dessa erva é mastruço ou mastruz, aqui no Sul, o nome mastruço refere-se a outra planta, a Coronopus didymus L.

Origem ou Habitat: América Central e do Sul. 

Características botânicas:  Planta herbácea, perene, ereta, muito ramificada na base, com até 1 m de altura, apresenta pubescência glandular. Folhas simples, numerosas, alternadas de cor verde escura, as inferiores geralmente ovoides e lanceoladas, pecíolo curto, verde claro, nervuras em forma de pena; as superiores são menores, lanceoladas e de margens inteiras. Flores pequenas, verdes, dispostas em espigas axilares densas, possuem cálice com 5 sépalos. Frutos muito pequenos do tipo aquênio, esféricos, pretos, ricos em óleo e muito numerosos, geralmente confundido com as sementes, que são lenticulares, brancas ou pretas. Toda a planta tem cheiro forte, característico. 

Partes usadas:Folhas e frutos. 

Uso popular:  Muito utilizada como vermífugo , sendo também utilizada na expulsão de parasitas intestinais de outros animais. A infusão das folhas é usada, internamente, contra reumatismo, sinusite, catarro crônico, tosse, bronquite, febre, inflamação da gargante, dor ciática e parasitoses. A planta triturada é usada como anti-inflamatória e cicatrizante no tratamento de contusões e fraturas, por meio de compressas ou ataduras , como sabonete e shampoo para pediculose e sarna. Outro uso disseminado no Brasil é como inseticida doméstico, extremamente útil para afugentar pulgas, percevejos, baratas e demais insetos. Também utilizada como estomáquica e digestiva. 

Composição química:  composição do óleo essencial pode variar com as condições climáticas , maturação da planta e método de extração. 

A substância Ascaridol (folhas até 9,2% de óleo essencial de ascaridol e frutos até 20% de óleo com 80 a 90 % de ascaridol) e outros monoterpenos (carenos, limoneno, isolimoneno, timol, P-cimeno, carvacol, cavona, safrol, P-cimol, cineol, aritasona, mirceno, A-pineno, A-terpineno, felandreno, quenopodina, histamina, glicol), alcaloides, ácido butírico, salicitado de metilo, saponinas, sesquiterpenos, triterpenos, lipídeos, flavonoides (campferol-7-ramino-sidio, ambosidio, quercetina), aminoácidos, ácidos orgânicos (cítrico, málico, vanílico, tartárico, oxálico e succínico), alcanfor, pectina, taninos, terpenos, carveno, anethole (ester fenótico) e santonina. Contém ainda proteínas, gorduras, carboidratos, fibras, cálcio, fósforo, ferro, caroteno, tiamina, riboflavina, niacina e ácido ascórbico. 

Ações farmacológicas: O efeito antiparasitário do ascaridol já foi amplamente demonstrado em estudos e este princípio ativo é muito tóxico para áscaris e ancilóstomas. Um estudo clínico efetuado com 60 crianças parasitados entre 3 e 14 anos demonstrou a utilidade da planta (metade recebeu albendazol e a outra metade o suco das folhas) considerando a atividade ascaricida similar ao albendazol. Já referente ao parasita Hymenolepis nana, a planta resultou mais efetiva. 

Estudos farmacológicos realizados sobre a planta em relação a sua ação antiulcerosa, antimalárica, hipotensora, relaxante muscular, depressora cardíaca, corroboram estas ações, quanto a atividade antifúngica e antibacteriana frente a Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus há controvérsias. 

Estudo em ratos mostrou não ter toxicidade em doses adequadas e mostrou alterações em altas doses. 

Interações medicamentosas: Não há relatos.  

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Planta abortiva. O óleo essencial em altas doses possui grande toxicidade, sobretudo em pessoas debilitadas, sendo os sintomas mais comuns: náuseas, vômitos, depressão do SNC, lesões hepáticas e renais (síndrome nefrítico reversível), surdez, transtornos visuais, convulsões, coma e insuficiência cardiorrespiratória. 

Há relatos de indução de tumores (Di Stasi). 

Apesar disso, os ensaios clínicos com extratos elaborados com as partes aéreas não produziram efeitos tóxicos em humanos. 

Contra-indicações:  O seu uso é contra indicado para gestantes, lactantes e crianças de até 3 anos, pessoas debilitadas ou com doenças hepáticas, renais e auditivas. 

Posologia e modo de uso: Como anti-inflamatório local e cicatrizante, usar 3 colheres de sopa das folhas e sumidades floridas frescas picadas, amassar com um pilão, estender sobre um pano e aplicar no local afetado, 2 vezes por dia. 

Para tratar bicho geográfico e sarna , utilizar a mesma recomendação de preparo descrita acima e aplicar sobre o local afetado. 

para piolhos usar a infusão para enxaguar o cabelo ou incorporar a tintura em sabonete ou xampú. 

para gripes e resfriados usar uma colher de sobremesa em uma xícara de água , 2 xícaras ao dia por 10 dias. 

Obs.: Não usar internamente o óleo essencial. 

Observações: Planta utilizada na alimentação.
 

 

Referências:
ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004. p. 839-842 

DI STASI, L.C.; HIRUMA-LIMA, C.A. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. 2.ed. Colaboração de Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. São Paulo: Editora UNESP, 2002. p. p. 163-164. 

DRESCHER, L. (coord.). Herbanário da Terra: Plantas e Receitas. Laranja da Terra,ES: ARPA (Associação Regional dos Pequenos Produtores Agroecológicos), 2001. p. 64-65. 

GUPTA, M. P. (ed.). 270 Plantas Medicinales Iberoamericanas.Santafé de Bogotá, Colombia: Programa Iberoamericano de Ciencia y Tecnología para el Desarollo (CYTED), 1995. p. 230-236 

LORENZI, H; MATOS, F.J.A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2. ed. Nova Odessa , SP: Instituto Plantarum, 2008. p. 122-123. 

MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais: Guia de seleção e emprego de plantas usadas em fitoterapia no nordeste do Brasil. 2. ed. Fortaleza: IU, 2000. p. 253-255. 

PANIZZA, S. Plantas que curam: cheiro de mato. 5. ed. São Paulo: IBRASA, 1997. p. 96-98. 

REVILLA, J. Plantas da Amazônia: oportunidades econômicas e sustentáveis. Manaus: SEBRAE – INPA, 2000. p. 307-310. 

http://www.tropicos.org – Acesso em: 17 de junho de 2011. 

Ethnopharmacol. 2010 Feb 17;127(3):602-5. Epub 2009 Dec 22. Evaluation of the subchronic toxicity of oral treatment with Chenopodium ambrosioides in mice. Pereira WS, Ribeiro BP, Sousa AI, Serra IC, Mattar NS, Fortes TS, Reis AS, Silva LA, Barroqueiro ES, Guerra RN, Nascimento FR. Source Laboratório de Imunofisiologia, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Federal do Maranhão, São Luís, MA, Brazil.

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