ESPINHEIRA-SANTA

19/01/2020 23:21

Maytenus ilicifolia   Mart. ex Reissek.

Celastraceae 


Sinonímias: Maytenus ilicifolia (Schrad.) Planch., Maytenus muelleri Schwacke.

Nomes populares:  Espinheira-santa, cancerosa, cancorosa, espinho-de-deus, salva-vidas, sombra-de-touro, coromilho-do-campo, erva-cancerosa, erva santa (Brasil); quebrachillo, sombra-de-toro, concorosa, congorosa (Argentina, Uruguai, Rio da Prata).

Origem ou Habitat: O gênero Maytenus é pantropical, concentrando na América do Sul o maior número de espécies.

No Brasil, a espécie Maytenus ilicifolia é encontrada predominantemente na Região Sul, no entanto, ela pode ocorrer em outros Estados. As outras espécies do gênero Maytenus, como M. aquifolium e M. robusta, têm distribuição mais ampla. (REIS e SILVA, 2004.

Características botânicas:  Maytenus ilicifolia Mart. é planta arbórea, arbustiva ou subarbustiva, podendo atingir 5 m de altura. Folhas simples, inteiras, alternas, coriáceas e brilhantes, com margem inteira ou mais comumente espinescente, estípulas inconspícuas. Inflorescências axilares, fasciculadas, cimosa. Flores pequenas, esverdeadas, diclamídeas, dialipétalas, hermafroditas; 5 estames livres, ovário bilocular com disco nectarífero; fruto cápsula bi-valvar de cor vermelha; semente coberta por arilo carnoso e branco.

Partes usadas: Folhas e raízes.

Uso popular:  Anticonceptivo, cicatrizante, vulnerário (curar feridas), anti-séptico, digestivo, antiespasmódico, contra hiperacidez e ulcerações do estômago, curar o vício da bebida e enfermidades do fígado, hidropisia devido ao abuso de álcool, diurético, antipirético, laxativo, anti-asmático, anti-tumoral e analgésico.

Composição química:  Alcalóides: maitansina, maitanprina, maitanbutina e cafeína; terpenos: maitenina, tingenona, isotenginona III, congorosina A e B, pristimerina, celastrol, ácido maitenóico, friedelina friedelan-3-ol, maitenoquinona, β e δ-amirina, fitoesteróis (campesterol, ergosterol, β-sitosterol; outros: pristimerina e isopristimerina III (macrolídeos presentes na raiz); flavonóides (derivados da quercetina e kaempferol), leucoantocianidinas, ilicifolinosídeos A, B e C; ácido clorogênico; taninos hidrolizáveis (ac. tânico); traços de minerais e oligoelementos (ferro, enxofre, sódio e cálcio) e óleo fixo nas sementes. (Alonso, 2004).

  • Triterpenóides de quinona-metídeo: Maltenina, 22β-hidroximatenina, celastrol, pristimerina, tingenona, isotenginona ii, cangorosinas A e B, ácido maitenóico.
  • Alcalóides Piridínicos Sesquiterpênicos: Ilicifoliunina A, ilicifoliunina B, aquifoliunina EI e maiteina.
  • Taninos condensados: Proantocianidinas: Epicatequina, galato de epicatequina, procianidina B2.
  • Triterpenos: Friedelina, friedelan-3-ona, friedelanol, cangorosin A e B, maitefolinas A, B e C, Uvaol-3-cafeato e eritrodiol.
  • Glicolipídeos: Monogalactosildiacilglicerol, digalactosildiacilglicerol, trigalactosildiacilglicerol, tetragalactosildiacilglicerol, sulfoquinovosildiacilglicerol.
  • Flavonóides: Mauritianina, trifolina , hiperina, epicatequina, catequina, canferol, quercetina, galactitol, mono- di- tri- e tetra-glicosídeos de quercetina, rutina, quercitrina e hiperosídeo, dentre outros.

Ações farmacológicas: Em ensaios pré-clínicos e clínicos, foram demonstradas atividades antiulcerogênica, cicatrizante, antimicrobiana e antitumoral. Também teve ação na recomposição da flora intestinal e inibição de bactérias patogênicas. Além da ação laxante, ainda foi observado que elimina toxinas através dos rins e pele e regula a produção de ácido clorídrico do estômago. Em ensaios pré-clínicos, foi demonstrada ação analgésica. Tem ação tranqüilizante e potencia a atividade hipnótica de barbitúricos.(SIMÕES, 1986; Carlini, 1988; Lorenzi, 2002; Alonso, 2004).

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Embora os estudos referentes à espécie Maytenus ilicifolia indiquem que a mesma possa ser usada com segurança nas doses preconizadas, o mesmo não se pode afirmar em relação à Zollernia ilicifolia, já que, apesar de possuir efeitos antiulcerogênico e analgésico, apresenta glicosídios cianogênicos. Quanto à Sorocea bonplandii, que também possui efeitos antiúlcera e analgésico, apresenta mais segurança em seu uso, já que não demonstrou ser tóxica.

Contra-indicações:  A espécie Maytenus ilicifolia Mart. é contra-indicada em gestação e lactação.

Reduz a taxa de implantação de embriões (Montanari e Bevilacqua, 2002 apud REIS e SILVA, 2004). Reduz o leite em quem amamenta (Araújo, Lucas, 1930.

Posologia e modo de uso: Infusão: 20-30g/l. Tomar 3 xícaras diárias. Uso externo: emprega-se a infusão em forma de compressas (Alonso, 2004); além de banhos, bochechos e gargarejos.

Observações: A espécie Maytenus ilicifolia é facilmente confundida com outras espécies que também apresentam folhas com margem espinescente. Os principais exemplos são: Zollernia ilicifolia (Brongn.)Vog. (Fabaceae) e Sorocea bonplandii (Baill.) Burger, Lauj. & Bper (Moraceae). Fotos abaixo para comparação.

 

Referências:
ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004. p.370-373

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