BOLDO SETE-DORES

04/01/2020 23:17

Plectranthus barbatus Andrews.
Lamiaceae (Labiatae) 


SinonímiasColeus barbatus (Andr.) Benth.

Nomes populares: Boldo, boldo-de-jardim, boldo-africano, boldo-silvestre, boldo-nacional, falso-boldo, boldo-do-reino, malva-santa, malva-amarga, sete-sangrias, sete-dores, folha-de-oxalá, tapete-de-oxalá. 
Origem ou Habitat: Originária da Índia (LORENZI; MATOS, 2008).

Características botânicasÉ um arbusto perene, pubescente, com aproximadamente 1,5m de altura. Folhas com 4 – 8 cm de comprimento, 2,5 – 6 cm de largura, simples, opostas, ovado-oblongas, com margem dentada, pubescentes em ambas as faces, pecioladas. Inflorescência ereta, do tipo racemo. Flores azul-violáceas , com até 2 cm de comprimento, hermafroditas, fortemente zigomorfas, 5 pétalas e 5 sépalas, corola bilabiada, lábio inferior maior, em forma navicular. Fruto formado por quatro núculas. 
Partes usadas: Folhas.

Uso popularO chá preparado por infusão ou maceração a frio é empregado na má digestão e azia e mal-estar gástrico em geral, bem como em desordens hepáticas. Usa-se mascar as folhas engolindo o sumo lentamente para tratamentos de azia.

Também emprega-se a planta externamente no combate de piolhos.

Composição químicaAs folhas fornecem até 0,1% de óleo essencial rico em guaieno e fenchona, responsáveis pelo seu aroma, alguns constituintes fixos de natureza terpênica, como a barbatusina e ciclobarbatusina, e outros compostos correlatos e princípios amargos (MATOS, 2000).

  • Óleo essencial:β-O-cimeno, β-cariofileno, mirceno, dentre outros.
  • Diterpenos: Forscolina, Coleonol, Barbatusina, Forskoditerpeno A, Forskoditerpenosideo A – C, Barbaterpeno, Barbatusterol, dentre outros. -Monoterpenos: Cuminil-O-β-D-glicopiranosil-(1-2)-β-D-galactopiranosídeo, coleosideo B
  • Triterpenos:α-amirina, ácido coleônico, ácido miriântico, dentre outros.
  • Ácido búlulico, Ácido arjúnico e arjungenina
  • Tetraterpenos: Dialdeído de crocetina
  • Sesquiterpenos: α-credol e 4β, 7β , 11-enantioeudesmantriol
  • Flavonóides:Genkwanina, 7-O-metilapigenina, 7-O-glucuronídeo de apigenina e 7-O-glucuronídeo de luteolina.
  • Fenólicos: Ácido cafeico, Guaiacol glicerina éter e olexantona.
  • Glicolipídios: Monogalactosil diacilglicerol, digalactosil diacilglicerol, trigalactosil diacilglicerol, dentre outros.

Interações medicamentosas: Não usar junto com metronidazol ou dissulfiram (ANVISA). 

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Segundo Simões et al. (1986), apesar de terem sido constatadas várias atividades biológicas para Coleus barbatus, sua ação terapêutica ainda não foi totalmente estabelecida.

Preparações muito concentradas ou uso prolongado podem causar irritação gástrica. Há também registro de um caso de sensibilidade a esta espécie. 

Contra-indicaçõesNão deve ser utilizado em gestantes, lactantes, crianças, pessoas com hipertensão (pressão alta), hepatites e obstrução das vias biliares. Pessoas que fazem uso de medicamentos para o sistema nervoso central devem evitar o uso (ANVISA).

Posologia e modo de uso: O infuso é preparado com uma colher de chá das folhas secas ou com uma colher de sopa das folhas frescas picadas para uma xícara de chá de água fervente.

A maceração a frio é o método mais comum, é obtida a partir de uma ou meia folha fresca amassadas para uma xícara de chá de água fria. Deixa-se em repouso por 10 horas, coando-se a seguir.

No combate de piolhos: o decocto das folhas é misturado numa caneca com sabão de coco ou glicerina sob aquecimento, deixando-se esfriar e endurecer.

Observações: É muito utilizado na medicina ayurvédica a espécie denominada C. forskohlii, na Índia(9). Na literatura consultada somente Cunha et al. (2003) considera Coleus forskohlii como uma espécie distinta de Plectranthus barbatus (sin. Coleus barbatus).

 

 

Referências:

ALASBAHI, R. H.; MELZIG, M. F.; Plectranthus barbatus: a review of phytochemistry, ethnobotanical uses and pharmacology – Part 1. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, v. 76, n. 7, p. 61-653, mai. 2010.

ALBUQUERQUE,R. L. et al Diterpenos tipo abietano isolados de Plectranthus barbatus Andrews. Química Nova, v. 30, n. 8, p. 1882-1886, nov. 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/qn/v30n8/a16v30n8.pdf – Acesso em: 10 de setembro de 2010.

AMINA, Musarat et al. Barbaterpene and Barbatusterol, New Constituents from Plectranthus barbatus Growing in Saudi Arabia. Letters In Drug Design & Discovery, [s.l.], v. 15, n. 8, p.851-856, 21 jun. 2018.

ANVISA. RDC N° 10/2010. Diário Oficial da União (Imprensa Nacional), 2010. Ano CXLVII, N° 46, Seção 1. p. 52-59.

BRUNETON, J. Farmacognosia: Fitoquímica, Plantas Medicinales. Tradução de Á. V. del Fresno; E. C. Accame; M. R. Lizabe. 2. ed. Zaragoza, Espanha: Acribia, 2001. p. 645

CARRICONDE, C. et al. Plantas medicinais & plantas alimentícias. Olinda: Centro Nordestino de Medicina Popular, 1996.

COSTA, M. A. et al Plantas e Saúde: Guia introdutório à fitoterapia. Brasília: Governo do Distrito Federal, 1992.

COSTA, M.C.C.D.; Uso popular e ações farmacológicas de Plectranthus barbatus Andrews. (Lamiaceae): revisão dos trabalhos publicados de 1970 a 2003. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, Botucatu, v. 8, n. 2, p. 81-88, 2006.

CUNHA, A. P.; SILVA, A. P.; ROQUE, O. R. Plantas e Produtos Vegetais em Fitoterapia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2003. p. 246-247.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2. ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008. p. 328-329.

MATOS, F. J. A. Plantas medicinais: Guia de seleções e emprego de plantas usadas em fitoterapia no Nordeste brasileiro. Fortaleza: EUFC, 1989.

MARDEROSIAN, A.; LIBERTY, L. E. Natural product medicine: a scientific guide to foods, drugs, cosmetics. Philadelphia: George F. Stickley, 1988.

SANTOS, Nara et al. Assessing the Chemical Composition and Antimicrobial Activity of Essential Oils from Brazilian Plants—Eremanthus erythropappus (Asteraceae), Plectrantuns barbatus, and P. amboinicus (Lamiaceae). Molecules, [s.l.], v. 20, n. 5, p.8440-8452, 11 maio 2015.

SIMÕES, C.M.O. Plantas da Medicina Popular do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: UFRGS, 1986

WANG, Y. Q. et al Studies on the chemical constituents of Coleus forskohlii. Zhong Yao Cai, China, v. 32, n. 9, p. 5-1381, 2009.

WALDIA, Shobha et al. The Genus Plectranthus in India and Its Chemistry. Chemistry & Biodiversity, [s.l.], v. 8, n. 2, p.244-252, fev. 2011.

ZHANG, W.; KONG, L.; Chemical constituents in the introduced Coleus forskohlii. Zhongguo Zhong Yao Za Zhi, v. 34, n. 16, p. 2-2060, ago. 2009.

http://www.tropicos.org/Name/17602720?tab=synonyms – acesso em 2010.

PESQUISAR: Matos FJA, Alencar JW, Craveiro AA, Machado MIL 1988. Características distintivas de duas espécies de Coleus usadas em medicina popular. X Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil, São Paulo, Brasil.

Amina et al., 2018; Waldia et al., 2011; alasbahi; Melzig, 2010; Santos et al., 2015.

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