PICÃO-PRETO
Bidens pilosa L.
Sinonímias: Bidens affinis Klotzsch & Otto; Bidens alausensis Kunth; Bidens chilensis DC.; Bidens hirsuta Nutt.; Bidens hispida Kunth; Bidens montaubani Phil.; Bidens odorata Cav.; Bidens reflexa Link; Coreopsis leucantha L.; Bidens pilosus L.;
Nomes populares: Amor-seco, carrapicho-picão, pico-pico, picão-amarelo, picão-das-horas, picão-do-campo, carrapicho-de-agulha.
Origem ou Habitat: Brasil (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa, Pantanal).
Características botânicas: Erva anual, de 30 a 150 cm de altura, ereta, subespontânea, ramificada desde a base, caules tetragonais, glabra ou sub-pilosa, folhas compostas e opostas (as superiores alternas), pecioladas, margem serreadas; inflorescências tubulares e radiadas, amarelas; frutos escuros quando maduros, com aristas que se prendem à roupa ou pêlo dos animais. A raiz tem aroma que lembra a cenoura (Alonso, 2004).
Partes usadas: Toda a planta.
Uso popular: Usada como antiinflamatória, em dores de dente e de cabeça, dismenorréia, infecções urinária e vaginais (Di Stasi, 2002), vulnerária (em feridas). Folhas e raízes para a pressão arterial elevada. em verminoses. Folhas e frutos para tratamento de diabetes. indicado em icterícia e hemorróidas.
Informações científicas: (AN*): Estudos em animais com compostos extraídos de B. Pilosa demonstraram atividade antihipertensiva para frações da extração com etileno acetato (Bilanda et al., 2017); efeito hiperglicemiante para o extrato aquoso e atividade antimalárica para compostos extraídos da raiz da espécie (Hsu et al., 2009; Oliveira et al., 2004).
🧪(IV*): Estudo in vitro demonstrou potencial atividade antimicrobiana de frações extraídas das folhas com metanol frente às bactérias E. coli, S. aureus e P. aeruginosa (Singhi et al., 2017). Foi também relatada atividade antiviral para vírus simples da herpes (Nakama, 2012).
*AN: estudos pré-clínicos realizados em animais; IV: pesquisas básicas realizadas com células cultivadas in vitro.
Observação do uso clínico em Florianópolis: Bidens pilosa é uma planta que tem boa resposta como vulnerária (depurativa e cicatrizante), com o uso da infusão preparada com as suas folhas para lavar feridas e machucados; para a realização de bochechos em afecções da boca e na forma de banho de assento em casos de infecções vaginais.
Cuidados no uso desta espécie: Devido à falta de estudos sobre interações medicamentosas o uso concomitante desta espécie vegetal com outros medicamentos deve ser cauteloso. Deve-se evitar o uso interno em gestantes, lactantes e crianças menores de 04 anos. Pessoas com hipersensibilidade às plantas da família Asteraceae não devem fazer uso desta espécie.
Posologia e modo de uso
Uso interno: Infusão preparada com 1 colher de sobremesa das folhas secas ou até 6 folhas frescas rasuradas para 1 xícara (200 ml) de água fervente, após abafar por 15 minutos, ingerir até 3 vezes ao dia por no máximo duas semanas.
Uso externo: Infusão com uma colher de sopa para uma xícara de água.
Composição química: Derivados de poliacetilenos e tiofanos, além de flavonóides, esteróis, ácidos graxos, taninos, acetilenos, o óleo essencial contém alfa-pineno, beta-pineno, limoneno, alfa-felandreno, timol, alfa cpoeno, beta-guaieno, beta-cariofileno, alfa-humuleno, cadineno, alfa farneseno e beta-bisaboleno ; também ácido linoléico e linolênico, os triterpenos friedelina e friedelan-3-beta-ol (Di Stasi, 2002), 1-fenil-heptatriina, sílica. O teor de óleo essencial varia de 7,8% a 11,8% conforme a latitude e 7,9% a 12,14% de acordo com a época da colheita.
Observações: Existe outra espécie parecida, a B. alba que tem lígulas maiores.
Referências:
1. ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario,Argentina: Corpus Libros, 2004. p. 146.
2. CARVALHO , J.C.T. Fitoterápicos anti- inflamatórios
3. LOPES, A. M. V. Plantas usadas na medicina popular do Rio Grande do Sul: Santa Maria: UFSM, 1997. 49 p.
4. LORENZI, H. & Matos, F.J.A. – Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas cultivadas – Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002
5. http://www.tropicos.org/Name/2700301 – acesso em 18 de maio de 2012.
6. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2012/FB103749 – acesso em 18 de maio de 2012.
7. DI STASI L. C.-plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 2ª ed.São Paulo:editora UNESP 2002.
8. BILANDA D.C. et al., Bidens pilosa Ethylene acetate extract can protect against L-NAME-induced hypertension on rats. BMC Complementary and Alternative Medicine 2017 17:479. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5633871/>.
9. HSU Y.J., et al., Anti-hyperglycemic effects and mechanism of Bidens pilosa water extract. Journal of Ethnopharmacology. 2009 Mar 18; 122(2):379-83. Disponível em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0378874108006697?via%3Dihub>.
10. OLIVEIRA F.Q., et al., New evidences of antimalarial activity of Bidens pilosa roots extract correlated with polyacetylene and flavonoids. Journal of ethynopharmacology.Vol93.2004pag39-42. Disponível em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0378874104001187?via%3Dihub>.
11. SINGHI G. et al., Pharmacological potential of Bidens pilosa L. and determination of bioactive compounds using UHPLC-QqQLIT-MS/MS and GC/MS. BMC Complementary and Alternative Medicine. 2017 (17):492. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5689161/>.
12. NAKAMA S. Efficacy of Bidens pilosa Extract against Herpes Simplex Virus Infection In Vitro and In Vivo. Evidence-Based Complementary e Alternative Medicine. 2012; 2012:413453. Haghi G. Journal of Ethnopharmacology. 2008 Sep 26; 119(2):325-7.Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3303703/>.