PERPÉTUA-DO-BRASIL

18/02/2020 22:10

Alternanthera brasiliana   (L.) Kuntze.

Amaranthaceae


SinonímiasGomphrena brasiliana L., Telanthera brasiliana Moq., Achyranthes brasiliana Stand.

Nomes populares: sempre-viva, caaponga, carrapichinho, carrapichinho-do-mato, perpétua-do-brasil, perpétua-do-mato, quebra-panela, cabeça-branca, acônito-do-mato, ervanço, nateira, terramicina, infalível, doril, penicilina.

Origem ou Habitat: América tropical.

Características botânicas: Erva perene, ereta, até 1,5 m de altura, muito ramificada, pubescente, caule verde até roxo. Folhas com 4-15 cm de comprimento, 3-6 cm de largura, pecioladas, opostas, acuminadas no ápice, glabras ou pubescentes, margens inteiras, verdes até violáceas. Inflorescências do tipo espigas, globosas, cerca de 1 cm de diâmetro, brancas ou amareladas. Flores com cerca de 5 mm de comprimento, 5 tépalas, estames alternados por estaminódios, ovário súpero, estilete curto. Fruto utrículo, sementes castanho-escuras.

Partes usadas: Folhas e flores.

Uso popular: Além de cultivada como ornamental pelo colorido arroxeado de suas folhas e ramos, é amplamente utilizada na medicina popular em quase todo o Brasil.

A infusão de suas folhas é considerada diurética, digestiva, depurativa, sendo empregada para moléstias do fígado e bexiga.

As populações nativas e indígenas das Guianas usam suas folhas como adstringente e antidiarreica, enquanto que a planta inteira é macerada e usada contra prisão de ventre.

A população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarreia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a decocção das folhas é usada internamente em caso de derrame cerebral. O banho preparado com as folhas é utilizado para “deslocamento de osso”.

As partes aéreas são empregadas em estados infecciosos do trato respiratório e as flores contra tosse.

Segundo as comunidades da Ilha de Santa Catarina, é indicado o uso interno do infuso das folhas em estados gripais. Externamente, é usado para gargarejos em caso de inchaço e inflamação da boca e da garganta, para lavar feridas e micoses e para corrimento vaginal.

Composição química: Estudos fitoquímicos preliminares feitos com A. brasiliana indicaram a presença de terpenos, esteróides e compostos fenólicos. No extrato hexânico foi confirmada a presença de fitosterol e β-sitosterol; estes compostos, juntamente com outros grupamentos existentes nas frações mais polares, podem justificar a ação analgésica, com potência equivalente ao ácido acetilsalicílico e ao paracetamol, evidenciada com o extrato hidroalcoólico desta espécie.

Brochado et al. (2003), isolaram seis flavonóides da A. brasiliana: canferol 3-O-robinobiosideo-7-O-alfa-ramnopiranosideo, quercetina 3-O-robinobiosideo-7-O-alfa-L-ramnopiranosideo, quercetina 3-O-robinobiosideo, canferol 3-O-robinobiosideo, canferol 3-O-rutinosideo-7-O-alfa-L-ramnopiranosideo e canferol 3- O-rutinosideo.

Ações farmacológicas: A. brasiliana evidenciou, in vitro, uma pronunciada atividade contra o vírus do herpes simples, podendo esse efeito ser devido a diferentes mecanismos dependentes da ação da timidina quinase viral ou da DNA polimerase . O extrato alcoólico de A. brasiliana produziu uma relação de analgesia dose-dependente, sendo sua resposta, muitas vezes mais potente que a dos fármacos utilizados como padrão (ácido acetilsalicílico, dipirona e indometacina), não apresentando interferência no efeito quanto à via de administração (oral ou intraperitonial). O mecanismo de ação, porém, não foi definido pelos autores (SOUZA et al., 1998). Estudos realizados, in vitro, com a A. brasiliana puderam comprovar que, principalmente os flavonóides canferol 3-O-rutinosídeo e canferol 3-O-robinobiosídeo , inibiram de modo eficiente a proliferação de linfócitos humanos sendo duas vezes mais ativos que o extrato bruto . Caetano et al. (2002) analisaram o extrato bruto de A. brasiliana quanto a sua atividade antimicrobiana frente a cepas de Staphylococcus aureus e S. aureus de isolados hospitalares (metilicina resistentes e não resistentes) e o extrato mostrou uma atividade bastante semelhante ao cloridrato de tetraciclina utilizado como padrão. Em outro estudo farmacológico in vitro com extrato dessa planta, obtido com solventes orgânicos, apresentou uma significativa citotoxicidade em tumores e considerável atividade anti-tumoral.

Interações medicamentosas: não há relatos.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: não há relatos.

Contra-indicações: por falta de estudos é melhor não utilizar em grávidas e na amamentação.

Posologia e modo de uso: A infusão de suas folhas ou inflorescências, preparada com 1 colher de sopa desse material picado para um litro de água é usada externamente na forma de gargarejos em casos de dor de garganta, para lavar feridas , herpes ou fazer banho de assento para corrimento vaginal.

A folha utilizada é a de cor avermelhada.

Observações: Na literatura tradicional, esta espécie é citada como o nome popular de “Perpétua-do-Brasil” (PIO CORRÊA, 1926-1978). No entanto, nos últimos anos, este vegetal tem sido designado popularmente com o nome de diferentes antibióticos como penicilina, terramicina, neomicina . É uma planta pouco conhecida no que diz respeito aos efeitos adversos, toxicidade, constituição química e atividade farmacológica.

As espécies Alternanthera brasiliana (L.) Kuntze e Alternanthera dentata (Moench) Stuchlik são igualmente conhecidas por “penicilina”, sendo encontradas no Brasil, mais comumente nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Possuem propriedades e usos populares semelhantes.

Referências: 

ARAÚJO, D. S. et al. Efeitos Inibitórios de Altemanthera brasiliana Kuntze em Musculatura Lisa. In: SIMPÓSIO DE PLANTAS MEDICINAIS DO BRASIL, XIII, 1994, Fortaleza. Resumos. Fortaleza: [s.i],1994. n. 298.

DI STASI, L. C.; HIRUMA-LIMA, C. A. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Editora UNESP, 2002.

LAGROTA, M. H. C. et al. Inhibitory Activity of Extracts of Altemanthera brasiliana (Amaranthaceae) Against the Herpes Simplex Virus. Phytotherapy Res., [S.I], v. 8, p. 358-361, 1994.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2. ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008. p. 46-47.

NIHEI, J. S., D.A. Dias & P.S. Pereira. 2001. Avaliação da atividade anti-tumoral in vitro de extratos vegetais de planta da família Amaranthaceae. Trabalho de Conclusão de Curso, USP.

PEREIRA, D. F. Morfoanatomia e histoquímica comparativa entre Alternanthera brasiliana (L.) Kuntze e Alternanthera dentata (Moench) Stuchlik; Estudo fitoquímico e biológico de Alternanthera brasiliana. 2007. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2007.

PIO CORRÊA, M. Dicionário das Plantas Úteis do Brasil e das Exóticas Cultivadas. 6. ed. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1926-1978.

RIBEIRO, L. S. et al Isolamento da Fração Imunomoduladora do Extrato Etanólico de Altemanthera brasiliana (Amaranthaceae). In: SIMPÓSIO DE PLANTAS MEDICINAIS DO BRASIL, XIII, Fortaleza, 1994. Resumos. Fortaleza: [s.i], set. 1994. n. 293.

SCHLEMPER, S. R. M. et al Avaliação das propriedades antiinfecciosas de algumas plantas medicinais da flora catarinense. In: Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil, XlV, Florianópolis, 1996. Resumos. Florianópolis [s.i.], 17-20 set. 1996.

BARUA, C. C. et alWound healing activity of methanolic extract of leaves of Alternanthera brasiliana Kuntz using in vivo and in vitro model. Indian J Exp Biol., v. 47, n. 12, p.5-1001, Dec. 2009.

Tags: AdstringenteAnti-diarreicoAnti-inflamatóriodepuratiDigestivoDiuréticoGripeTosse

PATA-DE-VACA

18/02/2020 21:48

Bauhinia forficata   Link.

Fabaceae


SinonímiasBauhinia candicans Benth., Bauhinia forficata var. candicans Benth.) Hassl. ex Latzina e Bauhinia forficata subsp. pruinosa (Vogel) Fortunato & Wunderlin.

Nomes populares: Pata-de-vaca, unha-de-boi, unha-de-vaca, pezuña de vaca, mororó, caauba.

Origem ou Habitat: Brasil.

Características botânicas: Árvore, apresenta ramos frágeis ou pendulares, glabros ou pubescentes, folhas ovais ou lanceoladas, um pouco agudas, ou acuminadas na base arredondadas, membranáceas com a forma típica de 9 nervos; glabras nas 2 faces ou com pequena pubescência na dorsal; pecíolos de 2 a 3 cm; acúleos quase gêmeos; pedicelos gêmeos em pedúnculo muito curto; flores de dimensões muito variáveis, tubo de cálice de 1 a 3 cm de comprimento, fino ao abrir a flor; lacínias de 3 a 5 cm, convergentes na espata; pétalas do comprimento do cálice ou menores, oblongas; filamentos glabros ou na base, barbados de pequenos pêlos; ovário glabro e fruto do tipo legume. (SILVA et al. 2003).

Partes usadas: Folhas, menos frequentemente flores e cascas.

Uso popular: Na medicina caseira a infusão das folhas são empregadas como auxiliar no tratamento da diabetes, contra a cistite, como diurético, anti-inflamatório, hipocolesteremiante e hipolipemiante. Também é usada como expectorante, adstringente, para lavar feridas, úlceras e chagas ou aftas bucais, na forma de gargarejos. Quando aplicada no couro cabeludo é recomendada como anticaspa.

No Paraguay se agrega ao mate tereré como refrescante e diurético.

Na Argentina, os indígenas Tobas usam a decocção das folhas para tratar catarros e como digestivo. Em uso externo é empregada como antihemorroidal, na forma de banho de assento.

Composição química: Contém taninos, saponinas, trigonelina, terpenóides, flavonóides (quercetina, rutina, ácido gálico, catequina, ácido clorogênico, kaempferol, isoquercitina, kaempferitrina, naringina, miricetina); antocianidinas, esteróis (b-sitosterol), glicosídeos esteroidais, proteínas, minerais (potássio, cálcio, ferro, magnésio, zinco e cobre).

Ações farmacológicas: Antioxidante, citotóxica, hipoglicemiante, diurética, antibacteriana e fungicida.

Interações medicamentosas: O uso concomitante do chá com medicação hipoglicêmica pode sofrer interações.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Nas doses usadas popularmente não foram reportados toxicidade. Porém, não usar por tempo prolongado, nem altas doses.

Contra-indicações: Não administrar em pacientes hipotiroideos durante tratamento prolongado. Por falta de estudos específicos, não administrar esta espécie na gravidez e lactação.

Posologia e modo de uso: Infusão: 1 colher (sopa) de folhas picadas para 150 ml de água. Tomar 2-3/xícaras por dia.

Quem receitar deve observar a pessoa, fazendo os devidos exames laboratoriais.

Referências: 

ALONSO, J. “Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos “. 1a.ed. Argentina, 2004.

LORENZI, H. & MATOS, J.F.A. “Plantas medicinais no Brasil: nativas e cultivadas. Instituto Plantarum, Nova Odessa, SP, 2002.

MICELI, N. et all. ” Role of the flavonoid-​rich fraction in the antioxidant and cytotoxic activities of Bauhinia forficata Link. (Fabaceae) leaves extract”. From Natural Product Research (2015), Ahead of Print. (Scifinder) Acesso 06 OUT 2015.

SIMÕES, C.M.O. et al. “Plantas da medicina popular no Rio Grande do Sul”.Porto Alegre: 4a.ed., Ed. da Universidade/UFRGS, 1995.

www.floradesantacatarina/biodiversidade – Acesso 6 Out 2015.

http://www.ufrgs.br/fitoecologia/florars/open_sp.php?img=8476 – Acesso 7 OUT 2015.

www.floradigital/UFRGS- Acesso 6 Out 2015.

www.tropicos.org – Acesso 6 de Out 2015.

Tags: AdstringenteAnti-inflamatórioCistiteDigestivoDiuréticoExpectoranteHipocolesterolemianteHipolipemiante

IPÊ-ROXO

12/02/2020 21:45

Tabebuia avellanedae   Lorentz ex Griseb.

Bignoniaceae


SinonímiasTabebuia impetiginosa (Mart. ex DC.) Standl., Handroanthus impetiginosus (Mart. ex DC.) Mattos, Handroanthus avellanedae (Lorentz ex Griseb.) Mattos, Tabebuia ipe var. integra (Sprague) Sandwith.

Nomes populares: Ipê, ipê roxo, Ipê cavatan, Ipê Comum, Ipê de São Paulo, Ipeuva, Aipe, Cavatan, Guiraiba, Lapacho, Pau d’Arco Roxo, Pau d’Arco Vermelho, Peuva, Peuva Roxa, Piúva , Queraiba ou Upeuva no Brasil; Lapacho ou Lapacho negro na Argentina; Lapacho no Paraguai; Tayihú no Guarani; e Taheebo na antiga Inca (Hashimoto 1962;. da Silva et al, 1977; Accorsi 1988). Em uma antiga língua dos incas, quíchua, que ainda é mantida pelos habitantes das serras, a espécie Tabebuia é chamada tahuari (Williams 1936).

Origem ou Habitat: É nativa da América do Sul, do Brasil até o norte da Argentina (Williams 1936; Hashimoto 1962; da Silva et al 1977).

Características botânicas: Árvore de porte mediano com 20 a 35 m de altura, de tronco grosso. Folhas compostas digitadas de 5 folíolos. Flores vistosas rosadas ou roxas cobrindo quase toda a planta que fica completamente sem folhas durante a floração. As plantas dão vagens longa suspensas contendo numerosas sementes de setembro para outubro. As sementes são aladas. A madeira é valiosa para a construção geral e marcenaria.

Partes usadas: Cascas.

Uso popular: Diurético, adstringente, anti-infeccioso, antifúngico. É usado no tratamento caseiro de impetigo, câncer de pele, lupus, doença de Parkinson, psoríase e alergias.

Composição química: As naftoquinonas lapachol, B-lapachona e xiloidona são consideradas importantíssimas. O Ipê-roxo também contém quercetinas, lapachenol, carnosol, indol, coenzyma Q, alcalóides como tecomina, ácidos hidroxibenzóicos, e saponinas. Naftoquinonas (lapachol, lapachona e derivados), lapachenol, quercetina e o ácido hidroxibenzóico.

Ações farmacológicas: O lapachol e outras substâncias isoladas,apresentaram, em ensaios biológicos, atividade antineoplásica, antimicrobiana, anti-inflamatória e anticoagulante.

O Ipê-roxo também demonstra atividades anti-parasitária e anti-virais, e tem se mostrado efetivo como fungicida no tratamento de infestações por Candida albicans e micoses.

Posologia e modo de uso: Decocção: 3 colheres (sopa) de entrecasca quebrada em pequenos pedaços para 1 copo d´água.

Observações: A recente redescoberta de drogas vegetais de Tabebuia como eficazes para o câncer, fez de T. avellanedae um recurso medicinal importante (Hartwell 1968; Gottlieb e Mors 1980; MM Rao e Kingston 1982; Accorsi 1988; Ueda e Tokuda 1990; Zani et al 1991;. Saizarbitoria et al., 1992).

A primeira substância pesquisadas extensivamente foi descoberta em 1956, no Brasil: o lapachol, bactericida. No ano seguinte, a mesma equipe isolou o a- e b-lapachona, e a xyloidona. Esses constituintes são comprovadamente fungicidas e bactericidas.

Referências: 

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A.; Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002.

Medicinal and Aromatic Plants VII Volume 28 of the series Biotechnology in Agriculture and Forestry pp 445-456; acesso em http://link.springer.com/chapter/10.1007%2F978-3-662-30369-6_27#page-1, em 29 Junho 2016

https://portalverde.wordpress.com/tag/lapachenol/- Acesso em 29 Junho 2016

http://www.tropicos.org/Name/3700873 – Acesso em 29 Junho 2016.

Tags: AdstringenteAnti-infecciosoAntifúngicoDiuréticoPsoríase

EMBAÚBA-VERMELHA

09/01/2020 20:44

Cecropia glaziovii  Snethlage.

Urticaceae (antiga Cecropiaceae)  


Sinonímias: Cecropia macranthera Warb. ex Snethl. 

Nomes populares:  Imbaúba, imbaíba, umbaúba, ambaí, embaúba-vermelha, ambaitinga, baibeira, árvore-do-bicho-preguiça, pau-de-lixa, torém, etc. 

Origem ou Habitat: América do Sul. No Brasil ocorre da Bahia ao Rio Grande do Sul, onde ocorre na Floresta Atlântica. 

Características botânicas:  Árvore perene, com tronco e ramos cilíndricos e grandes folhas que se concentram nas partes terminais. Mede entre 10 a 15 m de altura, dioica, ou seja, existe a planta macho e a planta fêmea. As folhas são simples, lobadas(8-9 lobos) e peltadas , longo-pecioladas, medindo 30 cm de diâmetro. Indumento nas folhas e na estípula terminal avermelhado ou castanho-avermelhado. A face ventral é escabrosa e áspera, e a dorsal é alvo-tomentosa. As nervuras da face dorsal são avermelhadas. As flores são desprovidas de pétalas, miúdas, de cor roxa e estão reunidas em inflorescências do tipo amentilho. A infrutescência é carnosa, comestível e muito doce quando madura. O fruto individual é do tipo aquênio contendo muitas sementes com menos de 1 mm de diâmetro. A frutificação ocorre de dezembro a junho, na Ilha de Santa Catarina. 

Outras espécies relacionadas: 

Cecropia pachystachya Trécul (embaúba-branca); 

Cecropia catharinensis Cuatrecasas; 

Cecropia peltata L.; 

Cecropia hololeuca Miq. (embaúba-prateada); 

Cecropia obtusifolia Bertol.

Partes usadas:Folhas, raiz, frutos, cascas, brotos e látex. 

Uso popular:  Usada como adstringente, diurética, hipotensora, antidiabética, expectorante, hepática, emenagoga, antiespasmódica, analgésica, antileucorreica, anti-asmática, antigripal e reguladora do ritmo cardíaco. O látex é cáustico e utilizado topicamente como vulnerário. 

Além dos usos para fins medicinais, a madeira da embaúba é empregada para confecção de flutuadores, jangadas, brinquedos, salto de calçados, lápis, palitos de fósforo, aeromodelismo, forros, pólvora e pasta celulósica. A casca contém fibras resistentes utilizadas para a confecção de cordas rústicas. 

Composição química:  A espécie C. graziovii apresenta na sua composição química glicosídeos, proantocianidinas, flavonóides (isovitexina), alcalóides, taninos, polifenóis, saponinas, triterpenos. 

Quatro flavonóides majoritários presentes nos extratos aquosos de C. glaziovii e C. pachystachya foram identificados e quantificados como: ácido clorogênico (1,8 mg/g; 3,4 mg/g),isoorientina (0,4 mg/g; 2,1 mg/g), orientina (0,1 mg/g; 2,2 mg/g), isovitexina (0,9 mg/g; 0,9 mg/g) respectivamente. Flavonóides C-glicosilados e proantocianidinas são reportados para as espécies C. pachystachyaC. hololeuca e C. graziovii. 

Terpenóides e esteróides são relatados em várias espécies de Cecropia. 

  • Flavonóides: Isoorientina, orientina, vitexina, isovitexina e isoquercitrina. 
  • Ácidos fenólicos: Ácido clorogênico 
  • Proantocianidinas: Procianidinas B2 e C1 
  • Catequinas: (+) – catequina 

Ações farmacológicas: A espécie Cecropia glaziovii apresenta atividade gastroprotetora, anti-hipertensiva, depressora do SNC, sugerindo um perfil ansiolítico e antidepressivo; efeito broncodilatador e atividade cardiotônica, etc. 

Atividade hipoglicemiante é descrita para as espécies Cecropia obtusifoliaCecropia peltata e Cecropia pachystachya. 

Observações: O tronco da embaúba é oco e nele vivem formigas do gênero Azteca. Para muitos autores a interação Cecropia-Azteca é considerada mutualista, onde as formigas se beneficiam com abrigo e alimento (corpúsculos-de-Müller, produzidos na base do pecíolo) e as embaúbas se beneficiam contra herbivoria e plantas trepadeiras. Segundo o biólogo Pedro Carauta, estas formigas não são ferozes, a mordida é suave e pequena, sendo um excelente remédio para reumatismo. 

A embaúba-prateada (Cecropia hololeuca) não é habitada por formigas. 

Os frutos da embaúba são muito apreciados pela fauna silvestre: aves (tucano, gralha-azul, aracuã, tié), mamíferos (gambá, cuíca, morcego, macaco, graxaim, quati, bicho-preguiça) e contribuem para espalhar as sementes por toda a floresta onde vivem. 

O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops, filho da Terra, meio homem e meio serpente, do grego, que significa “chamar, ecoar”, referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero, usados na fabricação de instrumentos de sopro.
 

 

Referências:
BALBACH, A. As plantas curam. 1ª ed. São Paulo: Editora Edel s/d 

CAICEDO, Pilar Ester Luengas et al. Seasonal and Intraspecific Variation of Flavonoids and Proanthocyanidins in Cecropia glaziovi Sneth. Leaves from Native and Cultivated Specimens. Zeitschrift Fuer Naturforschung. C, Journal Of Biosciences, [s.l.], v. 62, p.701-709, mar. 2007. 

CORADIN, L. (et al.) Espécies nativas da flora brasileira – plantas para o futuro,Região Sul,/ Brasília, MMA, 2011. 

COSTA, M.G. Estudo fitoquímico comparativo entre Cecropia glaziovii Sneth. e Cecropia pachystachya Trécul. Dissertação de Mestrado – UFSC, Florianópolis, 2009. 

DI STASI, L.C.; HIRUMA-LIMA, C.A.. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. 2ª ed. rev. e ampl. – São Paulo: Editora UNESP, 2002. 

DRESCHER, L. (coord.) Herbanário da Terra – Plantas e receitas. 1ª ed. Laranja da Terra/ES, 2001. 

Ethnopharmacol 2010 Abr 21; 128 (3) :629-33. Hypoglycemic effects of Cecropia pachystachya in normal and alloxan-induced diabetic rats. 

Nat Prod Commun. 2011 Jun;6(6):913-20. Chemical and pharmacological aspects of the genus Cecropia. 

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 1ª.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002. 

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008. 

MICHALAK, E. Apontamentos fitoterápicos da Irmã Eva Michalak. Florianópolis/SC. Epagri, 1997. 

SANTOS, Talitha Caldas dos et al. Vasorelaxant effect of standardized extract of Cecropia glaziovii Snethl encapsulated in PLGA microparticles: In vitro activity, formulation development and release studies. Materials Science And Engineering: C, [s.l.], v. 92, p.228-235, nov. 2018. 

SILVA JUNIOR, A.A. Essentia herba – plantas bioativas. Florianópolis/SC: Epagri, 2006. 

SIMÕES, C.M.O. et al. Plantas da Medicina Popular do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: UFRGS, 1986. 

SOBRAL, M. & JARENKOW, J.A. (org.) Flora arbórea e arborescente do Rio Grande do Sul, Brasil – 2ª ed. São Carlos: RiMa editora, 2013. 

http://www.tropicos.org/Name/21300081. Acesso em 03 de Fev 2014 

http://www.umpedeque.com.br/site_umpedeque/arvore.php?id=598 – acesso em 25 fev 2014.

Tags: AdstringenteAnalgésicoAntiasmáticaAntidiabéticoAntiespasmódicoAntigripaisDiuréticoEmenagogoExpectoranteHipotensor

BUVA

04/01/2020 23:39

Erigeron bonariensis L.
Asteraceae (antiga Compositae)  


SinonímiasConyza bonariensis (L.) Cronquist, Conyza ambigua DC., Conyza leucodasys Miq., Erigeron crispus Pourr., Erigeron linifolius Willd., Erigeron spiculosus Hook. & Arn., entre outros.

Nomes popularesBuva, buva-do-campo, rabo-de-raposa, rabo-de-foguete, erva-carniceira, voadeira, catiçoba, rama negra (Colômbia), etc

Origem ou HabitatÉ nativa da América do Sul e ganhou o mundo, cresce em todos os continentes.

Características botânicasHerbácea anual, ereta, pouco ramificada, vigorosa, caule estriado e densamente folioso, medindo até 1 metro de altura. Folhas simples, densamente pubescentes, estreito-lanceoladas, membranáceas e glandulosas, medindo de 10-15 cm de comprimento. Inflorescências em capítulos pequenos de cor esbranquiçada reunidas em panículas terminais. Frutos secos pequenos.

A espécie Erigeron canadensis difere de Erigeron bonariensis por possuir panícula maior e pela margem foliar denticulada, quase sem ramificação e os ramos muito enfolhados. (LORENZI, 2006) 

Partes usadas: Folhas.

Uso popularA infusão das folhas é empregada para indigestão, como adstringente, antidiarreica, diurética, antirreumática, protetor hepático, doenças venéreas e infecções urinárias. Também é anti-helmíntica, inseticida e parasiticida.

Composição químicaÁcidos fenólicos (clorogênico, cafeico, neoclorogênico, 3,4-dicafeoilquínico, 3,5-dicafeoilquínico, 4,5-dicafeoilquínico); Flavonóides (apigenina, luteolina, escopoletina, quercitrina, pendulina, patuletrina, ); óleo essencial(limoneno) ; esteróides; cinarina; taninos; cumarinas; entre outros.

Ações farmacológicas: Mostrou em animais, atividades anticolinérgica, inotrópica positiva, anti-inflamatória e antibacteriana.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Pode ocorrer dermatite de contato em pessoas sensíveis.

Contra-indicaçõesÉ contra indicada na gravidez e amamentação.

Observações: Existem outras espécies: Erigeron canadensis L., Erigeron sumatrensis Retz. e outras.

Referências: 
ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004.

KINUPP, V.F., LORENZI, H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. 1ª.ed. São Paulo, SP: Instituto Plantarum, 2014.

LORENZI, Harri – Manual de identificação e controle de plantas daninhas. 6ª ed. Nova Odessa, SP / Instituto Plantarum, 2006.

https://sites.google.com/site/biodiversidadecatarinense/plantae/magnoliophyta/asteraceae/conyza-lorentzii – Acesso 30 Abril 2015.

ZAHOOR, Aqib; Khan, Afsar; Ahmad, Viqar U.; Ahmed, Amir; Khan, Saleha S.; Ali, Muhammad I.”Two New Octulosonic Acid Derivatives and a New Cyclohexanecarboxylic Acid Derivative from Erigeron bonariensis L.”- From Helvetica Chimica Acta (2012), 95(9), 1613-1622.- https://scifinder.cas.org/ – Acesso 30 Abril 2015.

ZAHOOR, Aqib; Hussain, Hidayat; Khan, Afsar; Ahmed, Ishtiaq; Ahmad, Viqar Uddin; Krohn, Karsten “Chemical constituents from Erigeron bonariensis L. and their chemotaxonomic importance.” From Records of Natural Products (2012), 6(4), 376-380. https://scifinder.cas.org/ – Acesso 30 Abril 2015.

http://www.tropicos.org/Name/2702433?tab=synonyms – Acesso 30 Abril 2015.

Tags: AdstringenteAnti-helmínticaAnti-reumáticoAntidiabéticoDiuréticoIndigestãoInseticida