ANIS ESTRELADO

27/12/2019 17:14

Illicium verum  Hook.

Schisandraceae 


SinonímiasIllicium san-ki Perr.

Nomes populares: Anis-da-china, anis-estrelado, badiana.

Origem ou Habitat: É oriundo do sul da China e norte do Vietnam, cultivado nos trópicos (China, Indonésia, Japão, Filipinas) etc.

Características botânicas: Caracterizada por apresentar uma casca branca; grande folhagem composta por folhas pontiagudas, coriáceas e glabras; flores solitárias amarelas ou amarelo-rosadas, com 15-20 pétalas, perfumadas, similares a magnólias; e um fruto cor castanho-avermelhado, lenhoso, pedunculado, composto por 8 folículos que em sua abertura deixam ver uma semente aplanada brilhante em seu interior.

Partes usadas: Fruto composto (constituído por folículos) seco.

Uso popular: Segundo a Comissão E, os preparados da droga estão indicados no tratamento de transtornos dispépticos e catarros das vias respiratórias, de forma análoga ao anis verde (Pimpinella anisum).

Outros usos: falta de apetite, gastrites, enterites, flatulência, espasmos gastrointestinais, tosse, bronquite, repelente de insetos, e topicamente em micoses. Com menos freqüência como diurética, coadjuvante em diarréias e para aumentar o leite materno.

Tanto o anis estrelado como sua essência se empregam como corretores de sabor e odor na indústria farmacêutica, alimentícia e de bebidas.

Composição química: fruto contém 5-8% de óleo essencial, constituído em sua maior parte por trans-anetol (80-90%), metilchavicol, anisaldeído, limoneno, linalol, 4-terpineol, α-pineno,4-alilanisol; além de óleo fixo e taninos.

Ações farmacológicas: Tem ações semelhantes a erva-doce Pimpinella anisum) e ao funcho (Foeniculum vulgare).

Interações medicamentosas: Em doses elevadas, o óleo essencial pode ser tóxico, com efeitos narcóticos, delírio, anestesia e convulsões.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Efeitos negativos potenciais com o uso da planta.

Contra-indicações: Sensibilidade conhecida ao anis, ao anetol ou a outros compostos do óleo essencial.

Não se recomenda o óleo essencial de anis por via interna durante a gestação, lactância, crianças menores de seis anos ou a pacientes com gastrite, úlceras gastroduodenais, síndrome do intestino irritável, colite ulcerosa, enfermidade de Crohn, hepatopatias, epilepsia, Parkinson ou outras enfermidades neurológicas.

Posologia e modo de uso: Infusão ou decocção de 0,5-1g de frutos por xícara de água por dia, depois das refeições. Em geral se utilizam duas estrelas por litro d’água.

Observações: Existe um grave perigo de intoxicação com a falsificação do anis estrelado (Illicium verum) pelo fruto de outra espécie Illicium religiosum Sieb. et Zucc. (Illicium anisatum L.), denominado de badiana-do-japão ou anis-estrelado-japonês, o qual não contém anetol, mas contém compostos tóxicos como a anisatina e isoanisatina.

 

Referências: 
ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004. p. 159-162.

BLUMENTHAL, M (ed.). The Complete German Comission E Monographs: Therapeutic Guide to Herbal Medicines. Austin, Texas: American Botanical Council, 1998. p. 215-216.

CUNHA, A. P.; SILVA, A. P.; ROQUE, O. R. Plantas e Produtos Vegetais em Fitoterapia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2003. 126p.

LIMA, R. K. et al. Composição dos Óleos Essenciais de Anis-estrelado (Illicium verum L.) e de Capim-limão (Cymbopogon citratus (DC.) Stapf): Avaliação do Efeito Repelente sobre Brevicoryne brassicae (L.) (Hemiptera: Aphididae). BioAssay, 3,8, 2008. Disponível em: http://www.bioassay.org.br/articles/3.8/. Acesso em: 07 julho 2010.

PADMASHREE, A. Star-anise (Illicium verum) and black caraway (Carum nigrum) as natural antioxidants. Food Chemistry, v. 104, n. 1, p. 59-66, Set. 2007. Disponível em: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0308814606008594 – Acesso em: 2 de junho de 2011.

TECHEN, N. Detection of Illicium anisatum as adulterant of Illicium verum. Planta Medica, 4. ed. 75, p. 392-395, Mar. 2009.

YAN, J.; XIAO, X.; HUANG, K. Component analysis of volatile oil from Illicium verum Hook. f. Journal of Central South University of

Technology, 2002. vol 9, n. 3.

http://www.mdidea.com/products/new/new04303.html – Acesso em: 02 de junho de 2011.

http://wikimedia.org/wikipedia/commons/6/62/Illicium_verum_2006-10-17.jpg – Acesso em: 02 de maio de 2011.

http://www.fitoterapia.net/vademecum/plantas/116.html – Acesso em: 18 de janeiro de 2008.

http://www.tropicos.org/Name/50079582?tab=synonyms – acesso em 11 de julho de 2012

Tags: BronquiteCatarroCorretor de saborDiuréticoEnteriteFlatulênciaGastriteRepelenteTosse

AMORA-BRANCA

27/12/2019 16:48

Morus alba  L.

Moraceae 


Sinonímias:Morus atropurpurea Roxb., Morus alba var. tatarica (L.) Ser., Morus australis Poir., Morus indica L., Morus intermedia Perr., Morus multicaulis Perr., Morus tatarica L.

Nomes populares: Amora, amora-branca, white mulberry, sang, sang ye (folium mori), sang bai pi (cortex mori), tut / tutri / tut kishmishmi (Pakistan), etc.

Origem ou Habitat: China. Naturalizada e amplamente cultivada em áreas de clima temperado quente, tropical, subtropical e mediterrânico, desde o nível do mar até aos 2000m de altitude.

Características botânicas: Árvore média a pequena, com 10 a 20 m de altura, crescimento médio a rápido, longevidade média. Tronco castanho alaranjado quando novo, cinzento e cada vez mais gretado com a idade. A casca é doce, quando mastigada.

Folha: Caduca (exceto em clima tropical), alterna, verdemédio, com 5 a 30 cm. FLOR: Em amentilhos com 1 a 3,5 cm, esverdeados com sexos separados na mesma árvore.

Fruto: Conjunto de frutos carnudos de 1 a 2,5 cm, branco a vermelho, comestível.

Época da floração: Primavera. Época da frutificação: Verão. Propagação: Por semente, garfo ou estaca. Dispersão: Por aves, através da ingestão do fruto e excreção das sementes.

Partes usadas: Folhas, ramos, casca das raízes, frutos.

Uso popular: Morus alba (mulberry) é cultivada no leste dos Países asiáticos, como a China, Japão e Coréia. A sua folha é principalmente utilizada na alimentação de bichos da seda (Bombyx mori L.), também é usada na medicina tradicional chinesa há séculos, contêm substâncias que são benéficas na prevenção e para aliviar “Xiao Ke” (diabetes).

Folha (constipações, gripes, inflamações dos olhos, elefantíase);

Fruto (incontinência urinária, hipertensão, embranquecimento prematuro do cabelo, diabetes);

Casca da raiz (asma, bronquite, diabetes, tosse);

Raminhos(hipertensão, reumatismo, dores de dentes).

Para prevenir e aliviar os sintomas da menopausa ou climatério.

Composição química: Estilbenos, cis-mulberroside A, antocianidinas (resveratrol) e Flavonóides (quercetina, rutina, moracetina e artocarpina, mulberrin (I), mulberrochromene (II), cyclomulberrin (III), e cyclomulberrochromene (IV)) , pectinas, açúcares.

Num artigo científico chinês de 2012, em extratos de culturas de células de Morus alba, Oito compostos foram isolados: isobavachalcone (1), genisteína (2), norartocarpetin (3), albanin A (4), guangsangon E (5), mulberrofuran F (6), chalcomoracin (7), kuwanon J (8). Os compostos 3-6 foram isolados a partir das culturas celulares de M. alba, pela primeira vez.

Ações farmacológicas: Analgésica, anti-inflamatória, anti-artrítica, hipo-lipidêmica, diurética. Há algumas evidências de sua ação estrogênica e antidiabética.

Interações medicamentosas: Não encontrado.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: As amoras verdes e a seiva podem apresentar toxidade, embora de baixo grau, se comidas.

Contra-indicações: Não encontrado.

Observações: Nos países tropicais as Amoreiras podem ter folhas o ano inteiro. As folhas novas ou das árvores novas são lobuladas, podendo chegar aos 30 cm, enquanto as das árvores velhas não ultrapassam, geralmente, os 15 cm e são serradas. Os conjuntos de flores masculinas são cerca de 1 cm maiores que o conjunto de flores femininas. O conjunto dos frutos das Amoreiras brancas chama-se Sorose e inclui as brácteas, os pedicelos, as peças florais e o eixo, que se tornam também carnudos. As flores disparam o pólen para o ar, através da libertação da energia elástica acumulada nos estames. O movimento resultante excede em mais de metade a velocidade do som, o que o torna o movimento mais rápido conhecido no mundo das plantas.

CURIOSIDADES HISTÓRICAS:

O cultivo da Amoreira branca começou há 4 000 anos, na China, para o fabrico da seda;

Só no século VI é que a Amoreira Branca foi introduzida na Europa, quando o Imperador Romano e Bizantino Justiniano promoveu a cultura dos Bichos-da-Seda;

Segundo Plínio, os gomos das Amoreiras são os últimos a rebentar, quando todo o frio já passou, pelo que esta espécie, com este mecanismo de sobrevivência sensato que possui, foi dedicada, pelos Antigos, a Minerva, Deusa da Sabedoria;

Carlos Magno, Rei dos Francos, dado o seu gosto por esta árvore, plantou-a nos seus jardins em 812 D.C.;

Ovídeo (43 A.C.-17 D.C.), no seu livro Metamorfoses, conta a história de dois amantes, Piramus e Thisbe, cujo romance era proibido pelos pais, se suicidaram debaixo de uma Amoreira e pediram a Deus que os frutos fossem vermelhos para lembrar aos homens o sangue que derramaram

 

 

Referências: 
DESHPANDE, V. H.; Parthasarathy, P. C.; Venkataraman, K. “Four analogs of artocarpin and cycloartocarpin from Morus alba”. From Tetrahedron Letters (1968), (14), 1715-19. – Acesso 9 OUT 2015.

EUN-MI CHOI, Jae-Kwan Hwang – “Effects of Morus alba leaf extract on the production of nitric oxide, prostaglandin E2 and cytokines in RAW264.7 macrophages” – Department of Biotechnology and Bioproducts Research Center, Yonsei University, Seoul, 120-749, Korea, 2005. – Acesso 9 OUT 2015.

KIM, Jae-Soo; Kwak, Bo-Yeon; Yi, Kwontaek; Lee, Jaekyoung “Phytoestrogen composition for preventing and relieving climacteric or menopausal symptoms”. From PCT Int. Appl. (2010), WO 2010120133 A2 20101021, Korea. (Scifinder) Acesso 13 OUT 2015.

http://www.cm-leiria.pt/uploads/writer_file/document/788/20120817154954657958.pdf – Acesso 9 OUT 2015.

http://www.tropicos.org/Name/21300010?tab=synonyms – Acesso 9 OUT 2015.

XIAO MAA, N. I. et all. – “Morus alba leaf extract stimulates 5-AMP-activated protein kinase in isolated rat skeletal muscle” – Kyoto University Graduate School of Human and Environmental Studies, Yoshida-Nihonmatsu-Cho, Sakyo-ku, Kyoto 606-8501, Japan / Journal of Ethnopharmacology 122 (2009) 54–59. Acesso 9 OUT 2015.

Pharmacophore 2014, Vol. 5 (1), 160-182 USA CODEN: PHARM7 ISSN 2229-5402 – Review Article A REVIEW ON PHYTOCONSTITUENTS FOR NEPHROPROTECTIVE ACTIVITY – Raja Sundararajan*, Akhil Bharampuram and Ravindranadh Koduru GITAM Institute of Pharmacy, GITAM University, Visakhapatnam, Andhra Pradesh, Pincode-530 045, India. Acesso 9 OUT 2015.

Zhongguo Zhong Yao Za Zhi. 2012 Dec;37(24):3738-42. [Chemical constituents from cell cultures of Morus alba]. [Article in Chinese] Tao XY1, Zhang DW, Chen RD, Yin YZ, Zou JH, Xie D, Yang L, Wang CM, Dai JG. – Acesso 13 OUT 2015.

Tags: AntigripaisAsmaBronquiteConstipaçãoElefantíaseHipertensãoHipoglicemianteReumatismoTosse

ALFAVACA-CRAVO

27/12/2019 01:05

Ocimum gratissimum  L.

Lamiaceae (Labiatae) 


SinonímiasOcimum guineense Schumach. & Thonn., Ocimum viride Willd., Ocimum suave Willd.

Nomes populares: Alfavacão, alfavaca-cravo, alfavaca, manjericão-cheiroso, alfavaca-de-vaqueiro, remédio-de-vaqueiro, etc.

Origem ou Habitat: Originário do Oriente e subespontâneo em todo o Brasil.

Características botânicas: Existem vários quimiotipos, descreveremos resumidamente o designado como eugenolífero: subarbusto aromático, lenhoso, perene, atinge até 2,5 m de altura. Possui caule pubescente quando novo, quadrangular e lenhoso na base. As folhas tem aroma forte e agradável que lembra o cravo-da-índia (Syzygium aromaticum (L.) Merr.& L. M. Perry), são opostas, pecioladas, ovado-oblongas, com os bordos dentados, membranáceas, acuminadas, pubescentes em ambas as faces, de 4-8 cm de comprimento. As inflorescências são terminais ou axilares. As flores pequenas, roxo-pálidas ou amarelo-esverdeadas, dispostas em racemos paniculados eretos e geralmente em grupos de três. Fruto tipo cápsula, pequeno, possuindo 4 sementes esféricas.

Partes usadas: folhas e inflorescências.

Uso popular: a região da Mata Atlântica, o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose. Os banhos também são considerados antigripais, especialmente em crianças e, para tratar casos de nervosismo e paralisia. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses, dores de cabeça e bronquites. A infusão das folhas é usada em afecções da boca. A decocção das raízes é usada contra diarréias, distúrbios do estômago, dores de cabeça e como sedativo para crianças. Considerada carminativa, sudorífica, diurética, estimulante, repelente, antisséptica e febrífuga. As folhas também são usadas como condimento em culinária, por seu sabor e odor semelhante ao do cravo-da-índia (Syzygium aromaticum (L.)Merr.& L. M. Perry.

Composição química: O óleo essencial das folhas contém: eugenol (77,3%), 1,8-cineol (12,1%)(Nordeste do país), β-cariofileno, o-cimeno, p-cimeno, carvacrol, canfeno, limoneno, a-pineno, b-pineno, geraniol, timol, gratissimeno, linalol, b-elemeno, b-cubebeno, citral, cânfora, a-tujeno, a-humuleno, etc.

O teor máximo de eugenol ocorre às 12:00h enquanto o 1,8-cineol, tem seu maior teor pela manhã e no final do dia (Lorenzi & Matos, 2008).

A planta contém também taninos, esteróides, triterpenóides e carboidratos.

Ações farmacológicas: Seu óleo essencial tem ação bactericida, anestésica e analgésica; muito desta ação é devido ao eugenol.

Possui princípio balsâmico de ação antisséptica pulmonar e expectorante relacionado ao 1,8-cineol.

O óleo essencial apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias enteropatogênicas.

A planta também age como larvicida e repelente de insetos de longa duração.

Contra-indicações: Deve ser evitado na gravidez, principalmente no primeiro trimestre, pela possível ação teratogênica; e em crianças pequenas.

Posologia e modo de uso: Infusão: preparada adicionando-se água fervente em 1 xícara de chá contendo uma colher de sobremesa das folhas picadas, 3 vezes por dia. Para afecções da mucosa oral, fazer bochecho com a infusão. Para o preparo dos banhos, faz-se a infusão mais concentrada, utilizando mais folhas e adiciona-se à água do banho.

Observações: Em amostras coletadas em Itajaí/SC, o teor de óleo essencial nas folhas variou entre 0,6% a 1,24%(base seca), apresentando como principais componentes o eugenol (39,41%), cariofileno (7,42%), geraniol e timol (SILVA JUNIOR, A.A., 2003).

2). Acessos genéticos de O. gratissimum podem ser divididos em seis grupos químicos:

1º(timol:a-copaeno), 2º(eugenol:espatulenol), 3º(timol:p-cimeno), 4º(eugenol:X-muuroleno), 5º(eugenol:timol) e 6º(espatulenol:geraniol)(SILVA JUNIOR, A.A., 2003).

3). Na Índia ocorre a raça química tipo cinamato de etila.

 

Referências: 

DI STASI, L.C.; HIRUMA-LIMA, C.A. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. 2.ed. 2.ed. Colaboração de Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. São Paulo: Editora UNESP, 2002. p.420-421.

DRESCHER, L. (coord.). Herbanário da Terra: Plantas e Receitas. Laranja da Terra,ES: ARPA (Associação Regional dos Pequenos Produtores Agroecológicos), 2001. p. 25.

FRANCO, G. Tabela de composição química dos alimentos. 9.ed. [S. I.]: Atheneu, 1992.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008. 253 p.

MATOS, F. J. A. O Formulário Fitoterápico do Professor Dias da Rocha. 2 ed. Fortaleza: UFC Edições, 1997. 58p.

SILVA JUNIOR, A.A. Essentia herba: Plantas bioativas. Florianópolis: Epagri, 2003. p. 102-110.

http://www.tropicos.org – Acesso em: 20 de maio de 2011

Tags: AntigripaisAntissépticaBronquiteCarminativaCondimentoDiarreiasDiuréticoDor de cabeçaMicoseRepelenteSudoríficaTosse

ALFAVACA ANISADA

27/12/2019 00:58

Ocimum selloi  Benth.

Lamiaceae (Labiatae) 


SinonímiasOcimum carnosum (Spreng.) Link & Otto ex Benth.(é considerado o nome legítimo pelo catálogo de plantas e fungos do Brasil de 2010) , Ocimum selloi var. genuinum (Benth.) Briq., Ocimum selloi var. carnosum Briq.

Nomes populares: Alfavaca-anisada, alfavaca-cheiro-de-anis, alfavaca-anis, anis, erva-doce, elixir-paregórico, alfavaquinha, erva-das-mulheres, atroveran, alfavaca preta.

Origem ou Habitat: Regiões Sul e Sudeste do Brasil.

Características botânicas: É herbácea, até um metro de altura, raramente chegam a 2m. Caule ereto, com pubescência retrorsa até o ápice. Folhas de 1,5 – 9 cm de comprimento por 1 – 4,5cm de largura., sub-romboidais até ovadas, agudas ou acuminadas, quase inteiras até serradas, com pêlos curtos sobre as margens e as nervuras, pecíolos de comprimentos variados. Inflorescências em pequenos rácimos bracteados de até 20cm de comprimento. Brácteas de 2 – 3,5 mm de comprimento, glabras ou pubescentes, com bordos pilosos. Cálice campanulado de 2,5 – 3,5 mm de comprimento na flor e até 1 cm no fruto. Lobo superior suborbicular, de 1,5 – 2,5 mm de diâmetro, cujos dentes inferiores ultrapassam, igualam ou não o lobo superior. Corola rosada, azul ou morada, de 3,5 – 6 mm de comprimento, com pêlos mais visíveis na metade superior do tubo. Filamentos superiores de 2,5 – 4 mm de comprimento e os inferiores de 2 – 3,5 mm. Anteras com tecas divergentes. Disco com o bordo 3- 4 lobado. Estilete de 4 – 6 mm de comprimento. Clusas de 1,5 – 2 mm de comprimento elipsóide- trígonas ou levemente tetrágonas, castanho-escuras, com estrias suaves, reticuladas e mucilaginosas.

Partes usadas: Folhas e inflorescências.

Uso popular: Em cólicas, “dor de barriga”, temos a experiência de associá-la a marcela  (Achyrocline satureoides) com bons resultados, tosse, bronquite, febre, resfriado e como carminativo e digestivo.

Associamos com mil-folhas (Achillea milefolium), erva-cidreira (Melissa officinalisI) ou Lippia citrodora para tratar tensão pré-menstrual (TPM), também com bons resultados.

Composição química: Óleo essencial contendo principalmente trans-anetol, metil-chavicol (estragol) e metil-eugenol; taninos, saponinas e pigmentos. Pesquisas demonstraram que o rendimento do óleo essencial é maior nas inflorescências (0,6%) do que nas folhas (0,25%).

-Óleo essencial:Metilchavicol, trans – β – ocimeno, trans – anetol, dentre outros.

Ações farmacológicas: Antidiarréico, antiespasmódico, analgésico e antiinflamatório.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Nas doses indicadas não há relatos de toxicidade.

Contra-indicações: Devido à falta de maiores estudos , não é indicado para gestantes e lactantes.

Posologia e modo de uso: Infusão: uma colher de sopa de folhas e/ou inflorescências frescas picadas para uma xícara de água. Tomar 3 a 4 xícaras ao dia , por até 2 semanas.

Infusão para TPM: 5 folhas de alfavaca anisada (Ocimum selloi) + 5 folhas de erva cidreira (Melissa officinalis ou Lippia citrodora) + 1/2 folha de mil folhas (Achillea milefolium). Tomar 2 a 3 xícaras ao dia durante quinze dias.

Observações: Existem vários quimiotipos desta espécie, alguns sem o cheiro semelhante ao do funcho ou erva doce.

 

 

Referências: 
ALONSO, J. Tratado de fitofármacos y nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus libros, 2004. 1360p.

AMARAL, C. L. F. ; CASALI, V.W.D. Identificação e Caracterização de populações de alfavaca (Ocimum selloi Benth.) por meio de marcadores isoenzimáticos. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, [S. I.], v.2, n.2, p. 9-15, 2000.

BURKART. Flora Ilustrada de Entre Rios (Argentina). Buenos Aires, 1974. Colección INTA. Ministério de Agricultura y Ganadería de la Nación. Parte V- Dicotiledóneas metaclamídeas. p. 315-316.

HARLEY, R. et al. . Lamiaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2012/FB036586 – Acesso em: 17 de maio de 2011.

LORENZI, H.; MATOS,F. J. A. ,Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas cultivadas. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002.

MARTINS, E. R. Estudos em Ocimum selloi Benth.: isoenzimas, morfologia e óleo essencial. In:MING, L.C. et al. (Eds.) Plantas Medicinais, Aromáticas e Condimentares: Avanços na pesquisa agronômica. Botucatu: UNESP, 1998. p.97-125.

MORAES, L. A. S. et al. Phytochemical characterization of essential oil from Ocimum selloi . Anais da Academia Brasileira de Ciências , (2002.) p.183-186.

VANDERLINDE, F. A. et al. Atividades Farmacológicas Gerais e Atividade antiespasmódica do extrato etanólico de Ocimum selloi Benth. (elixir paregórico). In: XIII SIMPÓSIO DE PLANTAS MEDICINAIS DO BRASIL, 1994. Fortaleza,CE. Anais.Fortaleza: UFC 1994.

VANDERLINDE, F. A. et al. Atividade antiinflamatória e analgésica do extrato etanólico de Ocimum selloi Benth. (elixir paregórico). In: XIII SIMPÓSIO DE PLANTAS MEDICINAIS DO BRASIL, 1994 Fortaleza,CE. Anais.. Fortaleza: UFC, 1994.

www.tropicos.org – Acesso em: 17 de maio de 2011.

Fitoterapia. 2008 Dec;79(7-8):569-73. Epub 2008 Jul 11. Analgesic and antidiarrheal properties of Ocimum selloi essential oil in mice. Franca CS, Menezes FS, Costa LC, Niculau ES, Alves PB, Pinto JE, Marçal RM. Source Physiology Department (DFS), Federal University of Sergipe, São Cristovão, Sergipe, CEP 49.100-000, Brazil.

FACANALI, Roselaine et al. Genetic and chemical diversity of native populations of Ocimum selloi Benth. Industrial Crops And Products, [s.l.], v. 76, p.249-257, dez. 2015.

Tags: BronquiteCarminativaCólicaDigestivaFebreResfriadoTosse

AGRIÃO

26/12/2019 10:59

Nasturtium officinale   W.T. Aiton.

Brassicaceae 


Sinonímias:Segundo o Tropicos.org (site de nomenclatura botânica)existem 57 sinonímias para esta espécie, citaremos algumas: Sisymbrium nasturtium-aquaticum L., Cardaminum nasturtium Moench, Cardamine nasturtium-aquaticum (L.) Borbás, Radicula nasturtium-aquaticum (L.) Britten & Rendle, etc.

Nomes populares: agrião, agrião-aquático, agrião-d’água, agrião-da-europa, agrião-das-fontes, agrião-de-lugares-úmidos, agrião-oficial, berro, berro-d’água, mastruço-dos-rios, nastúrcio, etc.

Origem ou Habitat: Europa.

Características botânicas: Herbácea perene, de porte pequeno, aquática, aromática, de 15 até 80 cm de altura. Têm ramos ocos, decumbentes e suculentos, livremente radicantes, com nós que, em contato com a terra, enraízam. Possui raízes adventícias, folhas verde escuras, alternas, compostas pinadas e ovais, com folíolos irregulares, de 5 a 13 cm de comprimento. Flores pequenas, brancas, de 4 a 5 mm de diâmetro, reunidas em panículas terminais. Multiplica-se por sementes e por estaquia, devendo ser plantada na beira de córregos com água corrente. Nativa da Europa e Ásia (Drescher, 2001; Lorenzi & Matos, 2002; Alonso, 2004).

Partes usadas: Folhas e talos.

Uso popular: É indicado em afecções do sistema respiratório, como asma, bronquite e tosse (Corrêa, et al., 1998; Cunha, 2003). Empregado popularmente como tônico e estimulante dos órgãos digestivos, diurética e vermífuga, antiescorbútica, útil no combate ao raquitismo, contra escrofulose, tendo propriedades laxantes, contraceptiva e afrodisíaca. As folhas, na forma de salada, são indicadas contra o bócio, anemia, tuberculose, diabetes e como antídoto aos efeitos tóxicos da nicotina (Lorenzi & Matos, 2002; Alonso, 2004). É preconizada a sua ação cicatrizante, sendo utilizada na forma de cataplasma em uso externo, além de outras afecções dermatológicas, como caspa, acne, eczemas e furúnculos. Útil para diminuir a queda do cabelo (Lorenzi & Matos, 2002; Corrêa, et al., 1998; Alonso, 2004; Cunha, 2003). Indicada também para constipação, anemia carencial, quadros de astenia e dores de origem reumática (Corrêa, et al., 1998). Na Índia, os centros comunitários de saúde preconizam o uso do pó das folhas trituradas para o combate do parasita hepático Clonorchis sinensis, enquanto que na Alemanha utiliza-se tanto o suco como a infusão da planta como antisséptico em infecções do trato urinário (Alonso, 2004).

Composição química: O agrião contém gliconasturcina, o precursor glicosinolato do feniletil isotiocianato (PEITC), benzil glicosinolato e benzil isotiocianato (BITC) (Fetrow, 2000). Nas partes aéreas encontra-se provitamina A, vitaminas B2, B6, C e D, nicotinamida, manganês, ferro, fósforo, iodo, cálcio, L-fenilalanina (a maior parte se transforma em ácido benzóico, devido ao processo fisiológico do vegetal), rutina (72 mg/100 g), nitritos (3-fenilpropionitrilo, 8-metiltiooctanon-nitrilo, etc) e flavonoides (3-O-soforosídeos de ramnetina, ramnazina), megastigmano (Alonso, 2004). Possui ainda triterpenos e tetra-nortriterpenos (limonoides e protolimonoides do grupo gedunino), taninos (Cunha, 2003) e carotenos (Drescher, 2001; Kopsell, et al., 2007).

Análise proximal de 100 g da planta ingerida: calorias (21), proteínas (1,6g), gorduras totais (0,3 g), hidratos de carbono (2,9 g), fibra (1 g), água (93,5 g), sódio (12 mg), potássio (276 mg), cálcio (180 mg), fósforo (64 mg), magnésio (34 mg), ferro (3,1 mg), provitamina A (450 microg), vitaminas B1 (0,09 mg), B2 (0,20 mg), B3 (0,7 mg), B6 (0,30 mg), vitamina C (51-60 mg), iodo (0,048 mg na planta seca) (Alonso, 2004).

Ações farmacológicas: Os compostos sulfurados do agrião possuem propriedades expectorantes e antissépticas sobre a árvore respiratória. O organismo converte a gliconasturcina em feniletil isotiocianato (PEITC), que também é liberado quando se mastiga a planta fresca. Em modelos com animais, o PEITC e os isotiocianatos sintéticos atuaram como inibidores do carcinogênico específico do tabaco, a nitrosamina-4-(metilnitrosamino)-1-(3-piridil)-1-butanona (NNK) (Fetrow, 2000; Alonso, 2004). Os glicotiocianatos normalmente estimulam as secreções gástricas e biliares, principalmente após mascar as folhas do agrião. O feniletilsevenol é empregado na forma de loção capilar para diminuir a queda dos cabelos, existindo, inclusive, produtos comerciais com o composto (Alonso, 2004). O ácido benzóico, na forma isolada, evidenciou propriedades antissépticas, expectorantes, analgésicas, antifebris e anti-inflamatórias. O extrato metanólico das folhas demostrou propriedades anti-inflamatórias in vivo, enquanto o sumo das folhas do agrião evidenciou atividade inibitória in vitro sobre o Mycobacterium tuberculosis, em concentrações mínimas de 1:20 microlitros (Alonso, 2004). Em um estudo com cobaias submetidas à dieta rica em gorduras, a administração do extrato hidroalcoólico demonstrou potente atividade cardio-protetora, diminuindo níveis de triglicerídeos, colesterol total, LDL-colesterol, e aumentado os níveis de HDL-colesterol (Bahramikia & Yazdanparast, 2008).

Interações medicamentosas: O agrião pode inibir o metabolismo oxidativo do paracetamol, por isso deve-se evitar o uso concomitante (Fetrow, 2000). Por meio da sua interação com o sistema citocromal CYP2E1, inibe o metabolismo da droga clorzoxazona e interfere levemente com o metabolismo do etanol (Alonso, 2004).

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Se consumida em doses elevadas ou por uso prolongado, pode produzir irritação das mucosas gástrica e urinária (Corrêa, et al., 1998; Drescher, 2001 Alonso, 2004). Cunha (2003) coloca que a ação irritativa sobre a mucosa gástrica se daria pelos taninos contidos na planta, enquanto os glicosinolatos poderiam originar bócio. A aplicação por via externa da planta em estado fresco pode levar a dermatite de contato em pessoas sensíveis, devido a presença de feniletil isotiocianatos (Alonso, 2004). Corrêa, et al (1998) e Drescher (2001) apontam risco de aborto em altas doses ou uso prolongado.

Contra-indicações: Não deve ser consumida durante o período de floração, por conter altas concentrações de glicosinolatos, tornando-se perigosa para o consumo humano neste período (Alonso, 2004). O extrato do agrião ainda não foi testado em situações de gravidez e lactação, por isso, seu uso não é recomendado durante estes períodos. Quanto à planta crua, em saladas, recomenda-se às gestantes não ingerir em altas quantidades. Contraindicado o uso interno do extrato em casos de úlceras gástricas ou duodenais, irritações na mucosa das vias urinárias, e em crianças menores de 4 anos (Alonso, 2004).

Posologia e modo de uso: Utiliza-se a infusão, com 2 g das folhas secas por xícara de água fervente (ou 10 g das folhas frescas), várias vezes ao dia, ou a sua decocção, fervendo por 3 minutos de 3 a 5 g de folhas frescas por xícara. Tomar 2 vezes por dia (Alonso, 2004; Cunha, 2003).

Para as afecções pulmonares, tosse e bronquite, é recomendado o seu xarope preparado com 1 colher de sopa de folhas e ramos picados em 1 xícara de água em fervura, adicionando ao seu coado 1 xícara de chá de açúcar cristal e fervendo-se novamente até derreter; em seguida acrescentar 1 colher de sopa de mel e tomar 1 colher de sopa, de 2 a 3 vezes por dia (Lorenzi & Matos, 2002). Pode-se usar o suco da planta, preparado a partir de 60-150 g das folhas, tomando de 3 a 4 colheres de sopa por dia (Alonso, 2004).

Para uso externo, contra problemas de pele (manchas, sardas, acnes, eczemas) e para problemas da mucosa oral (aftas e gengivites), recomenda-se o seu extrato alcoólico preparado com 2 colheres de sopa de folhas e ramos amassados, 1 xícara de café de álcool de cereais e 1 xícara de café de glicerina (Lorenzi & Matos, 2002).

Observações: O agrião é um importante vegetal para consumo humano já que a ingesta de 100 g oferece quase a dose diária requerida em adultos de vitamina C e boa parte das necessidades diárias de vitaminas A, B1, B2 e B6, e dos minerais cálcio e ferro. Para aproveitar o máximo do seu potencial nutritivo, aconselha-se eliminar a parte dura do caule e evitar as folhas em mau estado (Alonso, 2004).

O agrião é utilizado na medicina popular há muitos séculos. Hipócrates, o pai da medicina, recomendava a planta como expectorante (Alonso, 2004).

Referências: 

ALONSO, Jorge. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos – 1. ed.; Argentina, Rosario. Corpus Libros, 2004. Pp. 218-220.

BAHRAMIKIA, S. e YAZDANPARAST, R. Effect of hydroalcoholic extracts of Nasturtium officinale leaves on lipid profile in high-fat diet rats. Journal of Ethnopharmacoly 2008 Jan 4;115(1):116-21. Epub 2007 Sep 25. Acessado em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17980985?dopt=AbstractPlus.

CORRÊA, Anderson D., SIQUEIRA-BATISTA, Rodrigo; QUINTAS, Luís E. M. Plantas Medicinais: Do Cultivo à Terapêutica. – 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998. Pp. 65-66.

CUNHA, A. P., SILVA, A. P., ROQUE, O. R. Plantas e Produtos Vegetais em Fitoterapia. 2003. Pp. 78-79

DRESCHER, Lírio (coordenador). Herbanário da Terra – Plantas e Receitas. – 1. ed. 2001. Pp. 23.

FETROW, Charles W., AVILA, Juan R. Manual de Medicina Alternativa para o Profissional. Editora Guanabara Koogan S.A. Rio de Janeiro, RJ. 2000. Pp 44-46.

KOPSELL, DA., BARICKMAN, TC., SAMS, CE. e MCELROY, JS. Influence of Nitrogen and Sulfur on Biomass Production and Carotenoid and Glucosinolate Concentrations in Watercress (Nasturtium officinale R. Br.) Journal of Agricultural and Food Chemistry, 2007, 55 (26), pp 10628–10634. Acessado em: http://pubs.acs.org/doi/full/10.1021/jf072793f

LORENZI, Harri; MATOS, Francisco José de Abreu. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. – 1a. ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002. Pp. 191.

STUART, Malcolm. Enciclopedia de Hierbas y Herboristería. Ediciones Omega, S. A., Barcelona, 1981. Pp. 228.

Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. 05 Jul 2011.

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