AÇAFRÃO DA ÍNDIA

26/12/2019 01:12

Curcuma longa  L.

Zingiberaceae 


Sinonímias:

Curcuma domestica Valeton, Amomum curcuma Jacq., Stissera curcuma Raeusch.

Nomes populares: cúrcuma, açafrão-da-índia, açafrão-da-terra, açafroa, turmeric, gengibre-dourada, mangarataia.

Origem ou Habitat: Índia.

 

Características botânicas: Segundo a descrição de LORENZI & MATOS(2008): planta herbácea, perene, caducifólia, aromática, possui folhas grandes, longamente pecioladas, invaginantes e oblongo-lanceoladas. Flores amareladas, pequenas, dispostas em espigas compridas. As raízes terminam em um rizoma elíptico, de onde partem vários rizomas menores, todos marcados em anéis de brácteas secas. Cada rizoma mede até 10 cm de comprimento e quando cortados mostram uma superfície de cor alaranjada, exalando cheiro forte e agradável e com sabor aromático e picante.

É cultivada em todo o mundo tropical.

Partes usadas: rizomas.
Uso popular: É utilizada como condimento na culinária de quase todo o mundo. A Comissão “E” de Fitoterapia (1997) e o Instituto Federal Alemão de Medicamentos confirmam as seguintes indicações para a Curcuma longa: tônico estomacal que estimula as secreções digestivas gástricas e facilita a digestão, combate a flatulência e atonia estomacal, além de ser um tônico biliar e protetora do fígado.

 

Composição química: Curcuminóides ou corantes (2-9%): curcumina ou diferuloilmetano (60%), curcumina I,II,III; dihidrocurcumina, ciclocurcumina. As curcuminas por oxidação convertem-se em vanilina.

Óleo essencial (1,5-5,5%): composto aproximadamente 60% pela lactona sesquiterpênica turmerona, além de zingibereno, alfa e gama-atlantona, bisaboleno, guayano, germacreno, 1,8-cineol, borneol, delta-sabineno, ácido caprílico, deshidroturmerona, 1-fenil-HO-N-pentano, limoneno, linalol, eugenol, curcumenol, ukonan A, B e C , curcumenona e felandreno.

Outros: polissacarídeos A,B,C e D, arabino-galactano, sais de potássio, resina , glicídeos (amido) ao redor de 40-50%.

 

Ações farmacológicas: De acordo com a grande quantidade de trabalhos realizados, especialmente com os curcuminóides, que são os corantes amarelos abundantes no rizoma, a cúrcuma possui atividade hepatoprotetora, colerética, digestiva, hipolipemiante, hipoglicemiante, antimicrobiana, anti-inflamatória, anti-oxidante, imunoestimulante, anti-agregante plaquetário, entre outras.

A substância zingibereno possui propriedades anti-ulcerosas, o 1-fenil-hidroxi-N-pentano estimula as secreções de secretina, gastrina e sucos pancreáticos além de contribuir para a manutenção do ph gástrico. O eugenol e o zingibereno são os responsáveis pelas propriedades carminativas. As substâncias que estão envolvidas com as propriedades hepatoprotetoras são as curcuminas, coadjuvantes são borneol, turmenona, eugenol e ácido cafeico. Alguns estudos apontam que a curcumina poderia ter ação colecistocinética e um efeito antiinflamatório. O rizoma da cúrcuma contém alguns compostos anticancerígenos: curcumina e curcuminóides, betacarotenos, curcumenol, curdiona, turmenona, terpineol e limoneno. Possuem efeito protetor frente ao câncer de pele, de duodeno, de mama e câncer de cólon.

 

Interações medicamentosas: A presença de substâncias com atividade anticoagulante pode interferir com aqueles pacientes que estão recebendo tratamento anticoagulante.

 

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Vários estudos demonstraram a ausência de toxicidade da cúrcuma, inclusive com doses muito elevadas (8 g). Relato de um usuário atribuiu ao açafrão da Índia a alteração no ritmo cardíaco que percebeu após o uso.

 

Contra-indicações: A cúrcuma possui efeito emenagogo e não se recomenda na gravidez. Não há informação suficiente para determinar a sua segurança durante a lactância. É contra-indicada para crianças menores de 4 anos, pessoas com oclusão das vias biliares e úlceras gástricas.

 

Posologia e modo de uso: A dose terapêutica está em torno de 300 mg de curcumina, 3 x ao dia. Os rizomas da cúrcuma possuem entre 4 e 5% de curcumina e a dose terapêutica corresponde a 6 gr de raiz fresca ao dia .

Uso na alimentação: a cúrcuma é empregada como corante culinário e constitui um dos principais condimentos na mistura que compõe o curry, integrado juntamente com pimenta, coentro, canela, gengibre, cravo da índia, cardamomo, cominho e noz moscada.

É muito utilizado na arte culinária goiana e mineira.

 

Observações: O rizoma de Curcuma longa encontra-se aprovado pelas Farmacopéias da Alemanha, Brasil, Chile, China, Korea, Espanha, EEUU, França, Holanda, Índia, Indonésia, Japão, ex-URSS e Vietnam.

Faz parte do 1º fascículo das monografias selecionadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS, 2000).

Faz parte da lista de drogas vegetais aprovadas para uso humano pela Comissão “E” de Monografias da Alemanha (Blumenthal, M., 2000).

Na indústria têxtil oriental é empregada para tingir seda, lã e algodão, inclusive a vestimenta dos monges budistas.

Referências: 

ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004.

BLUMENTHAL, M. et al. German Federal Institute for Drugs and Medical Devices. Commission “E” – The complete German Commission E monographs: therapeutic guide to herbal medicine. Austin, Texas: Ed. American Botanical Council, 2000.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.

http://www.botanical-online.com/curcuma_longa_propiedades_medicinales.htm – acesso em: 12 de setembro de 2012.

http://www.tropicos.org/Name/34500029?tab=synonyms – acesso em: 12 de setembro de 2012

Tags: Anti-agregante plaquetárioAnti-inflamatórioAnti-oxidanteAntimicrobianoHepatoprotetoraHipoglicemianteHipolipemianteImunoestimulante

ABUTA

27/10/2019 22:03

Cissampelos pareira  L.

Menispermaceae


Sinonímias: Cissampelos acuminata DC., Cissampelos argentea Kunth, Cissampelos auriculata Miers, Cissampelos australis A. St.-Hil., Cissampelos caapeba L., entre outras.

Nomes populares:  Abutua, barbasco, bútua, abuta, cipó-de-cobra, ciparoba, capeba, catojé, parreira-capeba, etc.

Origem ou Habitat: Nativa do Brasil.

Características botânicas: Segundo LORENZI, é uma planta dióica, trepadeira, de base lenhosa, com ramos de vários metros de comprimento que chegam ao topo de grandes árvores. Folhas simples, arredondadas, peltadas (lembram as folhas da pariparoba (Pothomorphe umbellata)), glabras na face superior e revestidas por uma pubescência sedosa na face inferior. Flores pequenas, amareladas. Os frutos são drupas globosas, vermelhas, de superfície híspida.

Partes usadas: Folhas, cascas e raízes.

Uso popular: O chá das folhas, casca e raízes moídas são usadas pelos indígenas da América do Sul há muitos anos, para a cura de muitas doenças relacionadas às mulheres, por exemplo, para problemas menstruais, dores pré e pós natal, estancar hemorragias uterinas. Outros usos são como analgésico oral e para febres, diurética, expectorante, prevenir riscos de aborto, para aliviar menorragia (menstruação abundante).

Composição química: Alcalóides, saponinas, esteróis, triterpenos, óleos etéreos (Ethyl oleate, Methyl palmitate, Methyl stearate, Methyloleate, Methyl linoleate, Methyl myristate, Tetracosane, Methyl arachate, 1-​Docosene, 14-​Methyl hexadecanoic acid, Methyl pentadecanoate), politerpenos e polifenóis, além da substância tetrandina.

-Flavonóides: Cissampeloflavonas, canferol 3-mono-glicosideos e quercetina 3-mono ou di-glicosídeos.

-Alcalóides: Norimeluteina, norruffscina, tetrandrina, berberina, hiatina, curina, pareirubrinas A e B, grandirrubina, isoimerubrina, dentre outros.

Ações farmacológicas: Possui atividade analgésica, anti-inflamatória, febrífuga e broncodilatadora (LORENZI & MATOS, 2002). Recentes trabalhos concluíram que Cissampelos pareira é fonte natural de potente atividade antiviral contra todos os quatro sorotipos do vírus da dengue(SOOD et all., 2015). Outros estudos apontaram atividade citotóxica das moléculas ácido oleanólico e o ácido oleico com potencial atividade anti-câncer (BALA et all, 2015).

Observações: Outras espécies deste gênero são: Cissampelos sympodialis Eichler, mais comum no Nordeste; Cissampelos glaberrima A.St.-Hil., comum nas regiões Sul e Sudeste; e Cissampelos ovalifolia DC., comum no Cerrado. Todas as espécies possuem propriedades semelhantes.(LORENZI, 2002)

Espécies de Cissampelos tem uma rica história de uso tradicional, sendo usado para ambas as propriedades terapêuticas e tóxicas. É tradicionalmente utilizado para uma variada gama de condições e doenças, incluindo asma, tosse, febre, artrite, obesidade, disenteria, picada de cobra, icterícia e cardíaca, pressão arterial e problemas relacionados a pele. Por outro lado, era tradicionalmente incluídos nas preparações de aplicar curare como veneno de flecha durante a caça para causar a morte de animais por asfixia. (SEMWAL et all, 2014).

Referências: 

BALA, Manju; Pratap, Kunal; Verma, Praveen Kumar; Padwad, Yogendra; Singh, Bikram “Cytotoxic agents for KB and SiHa cells from n-​hexane fraction of Cissampelos pareira and its chemical composition”. From Natural Product Research (2015), 29(7), 686-691. (SCIFINDER) Acesso 03 MARÇO 2016.

LORENZI, H; MATOS, F.J.A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2. ed. Nova Odessa , SP: Instituto Plantarum, 2002.

REZA, H. M.; Shohel, M.; Aziz, Sadia B.; Pinaz, Farzana I.; Uddin, M. F.; Al-Amin, M.; Khan, I. N.; Jain, Preeti – “Phytochemical and pharmacological investigation of ethanol extract of Cissampelos pareira.” From Indian Journal of Pharmaceutical Sciences (2014), 76(5), 455-458. (SCIFINDER) Acesso 03 MARÇO 2016.

SAYANA, Suresh Babu. Evaluation of Diuretic Activity of Alcoholic Extract of Roots of Pharmacology Section Cissampelos Pareira in Albino Rats. Journal Of Clinical And Diagnostic Research, [s.l.], p.1-4, 2014.

SEMWAL, Deepak Kumar; Semwal, Ruchi Badoni; Vermaak, Ilze; Viljoen, Alvaro – “From arrow poison to herbal medicine – The ethnobotanical, phytochemical and pharmacological significance of Cissampelos (Menispermaceae)”. – From Journal of Ethnopharmacology (2014), 155(2), 1011-1028. (SCIFINDER) Acesso 03 MARÇO 2016.

SOOD R, Raut R, Tyagi P, Pareek PK, Barman TK, Singhal S, Shirumalla RK, Kanoje V, Subbarayan R, Rajerethinam R, Sharma N, Kanaujia A, Shukla G, Gupta YK, Katiyar CK, Bhatnagar PK, Upadhyay DJ, Swaminathan S, Khanna N. – “Cissampelos pareira Linn: Natural Source of Potent Antiviral Activity against All Four Dengue Virus Serotypes.” PLoS Negl Trop Dis. 2015 Dec 28;9(12):e0004255. doi: 10.1371/journal.pntd.0004255. eCollection 2015 -(PUBMED) Acesso 03 MARÇO 2016.

KUMAR, Choudhury Pradeep; SACHIN, Jadhav. Extraction and Isolation of Bioactive Compounds from Ficus racemosa Bark and Cissampelos Pareira Root by Chromatographic Techniques. International Journal Of Pharmaceutical Sciences Review And Research, [s.l.], v. 20, n. 2, p.101-106, jun. 2013.

PORTO, Niara Moura et al. Microscopic and UV/Vis spectrophotometric characterization of Cissampelos pareira of Brazil and Africa. Revista Brasileira de Farmacognosia, [s.l.], v. 26, n. 2, p.135-146, mar. 2016.

RAMIREZ, Irama et al. Cissampeloflavone, a chalcone-flavone dimer from Cissampelos pareira. Phytochemistry, [s.l.], v. 64, n. 2, p.645-647, set. 2003.

MANU, Arora et al. ANINSIDEREVIEWOFCISSAMPELOSPAREIRALINN: A POTENTIAL MEDICINAL PLANTOF INDIA. International Research Journal Of Pharmacy, New Delhi, v. 12, n. 3, p.38-41, 2012.

MORITA, Hiroshi et al. Structures and Solid State Tautomeric Forms of Two Novel Antileukemic Tropoloisoquinoline Alkaloids, Pareirubrines A and B, from Cissampelos pareira. Chemical & Pharmaceutical Bulletin, [s.l.], v. 41, n. 8, p.1418-1422, 1993.

http://www.dicionarioinformal.com.br/cip%C3%B3-de-cobra/- Acesso 02 MARÇO 2016

http://www.tropicos.org/Name/20600001 – Acesso 02 MARÇO 2016

Tags: AnalgésicoAnti-inflamatórioBroncodilatadoraFebrífugaMenorreia

ABACAXI

27/10/2019 21:47

Ananas comosus  (L.)Merr.

Bromeliaceae


Sinonímias: Bromelia comosa L., Bromelia ananas L., etc.

Nomes populares: Abacaxi, ananás, pineapple (English), piña(Espanhol), etc.

Origem ou Habitat: Nativo do Brasil. Foi utilizado pela tribo indígena Tupi-guarany na bacia dos rios Paraná-Paraguai.

Características botânicas: Herbácea perene, quase acaule, com folhas em forma de espadas canaliculadas e margens grosseiramente espinhentas e serreadas, dispostas em roseta na base da planta, medindo de 60 a 90 cm de altura. Flores numerosas, de cor lilás, com brácteas vermelhas, dispostas num racemo denso na extremidade de uma longa haste floral. Sementes ausentes ou muito raras.

O fruto do abacaxi é caracterizado por um aglomerado de uma ou duas centenas de pequenos frutos (gomos) em torno de um mesmo eixo central, em que cada “olho” ou “escama” da casca do abacaxi é um fruto verdadeiro que cresceu a partir de uma flor, e estes se fundem em um grande corpo, chamado infrutescência, no topo do qual se forma a coroa (SILVA & TASSARA, 2001 apud Maraisa Crestani et al.,2010).

Partes usadas: Frutos (infrutescência) e folhas.

Uso popular: O abacaxi é uma fruta (infrutescência) muito apreciada, sendo consumido in natura, enlatado, congelado, em calda, cristalizado, em forma de passa e picles e utilizado na confecção de doces, sorvetes, cremes, balas e bolos. É também consumido na forma de suco, refresco, xarope, licor, vinho, vinagre e aguardente e serve de matéria-prima para a extração de álcool e ração animal, pela utilização dos resíduos da industrialização.é usado como xarope para tosse.

A literatura cita as propriedades abortiva, diurética e vermífuga do fruto do abacaxi quando ainda verde (XIE et al., 2006 apud Maraisa Crestani et al.,2010).

Composição química: O fruto é abundante em açúcar, se amadurecido na planta, e muito rico em sais minerais e vitaminas A, B1, B2 e C, em que cada 100g de polpa fresca de abacaxi contém aproximadamente 50 quilocalorias, 89% de água, 0,3% de proteína, 0,5% de lipídios, 5,8% de glicídios, 3,2% de celulose e 0,3% de sais, apresentando quantidade considerável de potássio, ferro, cálcio, manganês e magnésio (GOMES, 1976; SOARES et al., 2004 apud Maraisa Crestani et al.,2010). 

Ações farmacológicas: A substância obtida do resíduo da industrialização do abacaxi: a bromelina (EC 3.4.22.4), enzima proteolítica muito usada na composição de medicamentos por possuir propriedades medicinais que auxiliam na digestão. É diurética e depurativa, além de possuir ação anti-inflamatória, sendo utilizada no tratamento de hematomas, contusões e também como solvente de mucosidades no sistema respiratório (MANETTI, 2009 apud Maraisa Crestani et al.,2010).

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Os frutos verdes são abortivos. 

Contra-indicações: Não consumir o abacaxi verde.

Observações: O abacaxi (Ananas comosus (L.) Merril),símbolo de regiões tropicais e subtropicais, tem grande aceitação em todo o mundo tanto na forma natural, quanto industrializado, agradando aos olhos, ao paladar e ao olfato. Por essas razões e por ter uma “coroa”, coube-lhe o título de “Rei dos Frutos Coloniais”, conferido pelos exploradores europeus.

O abacaxi (Ananas comosus (L.) Merril), encontra-se entre as 11 frutas mais produzidas no mundo, sendo cultivada e consumida pelos cinco continentes, e o Brasil destaca-se como maior produtor.

 

Referências: 

http://eol.org/pages/1126520/details – Acesso 7 Jul 2014.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002.

Maraisa Crestani; Rosa Lia BarbierI; Fernando José Hawerroth; Fernando Irajá Félix de Carvalho; Antonio Costa de Oliveira – Das Américas para o Mundo – origem, domesticação e dispersão do abacaxizeiro – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA FITOTECNIA- Cienc. Rural vol.40 no.6 Santa Maria June 2010 acesso http://dx.doi.org/10.1590/S0103-84782010000600040

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84782010000600040 – Acesso 23 Abril 2015.

Tags: Anti-inflamatórioDiuréticoVermífuga

ABACATE

27/10/2019 16:36

Persea americana   Mill.

Lauraceae


Sinonímias: Laurus persea L., Persea americana var. angustifolia Miranda, Persea americana var. drymifolia (Schltdl. & Cham.) S.F. Blake, Persea americana var. leiogyna (S.F. Blake) Kelsey & Dayton, Persea americana var. nubigena (L.O. Williams) L.E. Kopp, Persea americana var. toltec Popenoe.

Nomes populares: Abacateiro, abacate (Brasil), aguacate, palta, avocado (Spanish), avocato (Cuba), avocado, alligator-pear (English), “Hojas de Palta” (Peru), e li (pinyin, China), palta (English, United States), kalawakat (Mexico, San Miguel, Tzinacapan and Xaltipan), pero avvocato (Itália), avocatier, avocat (França), avokatbirnen (Alemanha).

Origem ou Habitat: América Tropical (Lorenzi e Matos). Segundo outros autores, Persea é Africana(Scora et al.).

Características botânicas: Árvore grande, de copa arredondada e densa, medindo de 12 a 20 m de altura; folhas ovais a elípticas, simples, com pecíolos finos, verdes escuras; inflorescências tipo panículas densamente grisáceo-puberulentas ou séricas, flores andróginas ou hermafroditas, pequenas, perfumadas, reunidas em racemos axilares e terminais, formadas na primavera e muito procuradas por abelhas.

Partes usadas: folhas, frutos e sementes.

Uso popular: A polpa dos frutos, além de nutritiva devido aos teores de proteína, sais minerais e vitaminas, é considerada na medicina tradicional como carminativa e útil contra o ácido úrico, enquanto os chás obtidos das folhas, da casca e das sementes raladas são considerados úteis como diurético, anti-reumático, carminativo, antianêmico, anti-diarreico e anti-infeccioso para os rins e bexiga, além de estimulante da vesícula biliar, estomáquico, emenagogo e balsâmico. A polpa em casos de caspa e prurido do couro cabeludo, associado com babosa (Aloe vera). A casca do fruto moída é recomendada contra as verminoses.

Composição química: Polpa dos frutos Flores: flavonóides (quercetin-3-O-ramnosídio, isoramntin-3-O-glicosídeo, cumaril-kaempferol, etc).
Sementes(caroço): sesquiterpenos (seychelleno, allo-aromandreno, b-selineno, valenceno, b-bisaboleno, y-cadineno, b-bisabolol e epi-a-bisabolol e tetradecanal)(Resumos Q-027); ácidos graxos(com abundante a-tocoferol), proantocianidina(biflavonil), hidrocarbonetos, derivados esteroídicos e glicídicos, taninos, polifenóis e uma saponina.
Folhas: óleo essencial difere a composição segundo a variedade: (estragol, metil-chavicol, a-pineno, b-pineno, metil-eugenol, cineol e limoneno); dopamina, serotonina, flavonóides (quercetina, catequina, epicatequina e cianidina); abacatina (princípio amargo); persiteol, taninos, persina e tiramina.
Córtex: principalmente taninos. Outros: ácidos málico e acético, carnitina, carotenóides, resinas, etc. (Alonso, 2004).

Ações farmacológicas: Destacam-se suas propriedades anti-inflamatórias, analgésicas, antimicrobianas, diuréticas e cosméticas, além de atividades imunomoduladora e antitumoral, essas em animais de laboratório (Alonso, 2004).

Na França foi desenvolvida uma formulação com as frações insaponificáveis do abacate (Persea americana) e da soja ( Glycine max), para o tratamento da artrose. Foi baseada na riqueza em esteróis destas frações e de uma possível relação sobre o metabolismo do cálcio, similar a ação da vitamina D (Magloire H., 1988 apud Alonso, 2004).

Em outro estudo onde participaram 264 pacientes que sofriam de osteoartrite (coxartrosis o gonartrosis fémoro-tibial) constatou-se que a administração de uma cápsula de insaponificáveis de abacate-soja de 300mg diários, produziu melhorias significativas em 70% dos casos. Mesmo assim, 100% do grupo de pacientes medicados com diclofenaco diminuíram a dose, em média, de 114mg para 40mg diários (Maheu E., 1992 apud Alonso, 2004).
Em ratos o extrato hidroalcoolico reduziu a glicemia e melhorou o estado metabólico dos animais.
Em camundongos, a farinha de semente de abacate reduziu o colesterol total e o colesterol-LDL.

Interações medicamentosas: Os pacientes que recebem tratamento antidepressivo com inibidores da mono-amino-oxidase (I.M.A.O.) podem sofrer crises hipertensivas devido a tiramina. (Sapeika N., 1976 apud Alonso, 2004).
O consumo de 100 a 200g de abacate diários em pacientes que estão recebendo terapia anticoagulante com warfarina diminui o efeito desta droga. Os pesquisadores desconhecem o mecanismo desta interferência (Blickstein et al., 1991 apud Alonso, 2004), mas provavelmente deve-se a vitamina K presente na sua composição química.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Os frutos do abacate são, em geral, bem tolerados para o consumo humano. Existem relatos de alergia associado ao látex.
As cápsulas de insaponificáveis de abacate-soja são bem toleradas, no entanto, longe das refeições podem ocasionar regurgitações.
Existem evidências que o consumo de folhas de abacate podem ser tóxicas para animais, por exemplo cabras (Alonso, 2004).

Contra-indicações: Não é recomendado a decocção das folhas do abacateiro para mulheres grávidas, por ser abortivo (Alonso, 2004), melhor não usar em mulheres que amamentam.

Posologia e modo de uso: Infusão: colocar 1 colher (sobremesa) de folhas ou flores picadas para 1 litro de água. Tomar uma xícara 3 vezes ao dia por 2 a 3 semanas.(Martins, 2000)
Decocção com a semente: ralar o caroço e medir uma colher de sopa para meio litro de água. Ferver, repousar e filtrar. Tomar duas vezes ao dia, por 2 a 3 semanas.

Uso externo: compressas locais com a infusão ou óleo, friccionar várias vezes ao dia. Cataplasma: tostar e moer o caroço do abacate, misturar o pó no próprio chá e aplicar com gaze nos locais afetados (LIMA, 2000).

Fito-cosmético: o óleo é empregado na forma de cremes e loções.
Polpa do fruto: é usado sob a forma de alimento, misturado com gel de babosa para afecções de couro cabeludo.
a dose da fração insaponificável do abacate com a fração insaponificável da soja é : abacate I. 100mg e soja I. 200mg – tomar um comprimido ao dia

Observações: Usos etnomedicinais: Os indígenas Shuar do Equador trituram e maceram as sementes em aguardente para o tratamento de picadas de serpentes; os Tikunas da Colômbia empregam a decocção das folhas como hepatoprotetor; os Sionas-Secoya e os Quechua atribuem-lhe propriedades contraceptivas; no México é frequente o uso da casca seca e moída do fruto como antidisentérico e a infusão das folhas é aplicada para lavar feridas infectadas na pele; em Camerún (África), a decocção das folhas e córtex é usada para hipertensão arterial e a infusão das folhas é empregado como abortivo (Alonso, 2004).

 

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