ABUTA

27/10/2019 22:03

Cissampelos pareira  L.

Menispermaceae


Sinonímias: Cissampelos acuminata DC., Cissampelos argentea Kunth, Cissampelos auriculata Miers, Cissampelos australis A. St.-Hil., Cissampelos caapeba L., entre outras.

Nomes populares:  Abutua, barbasco, bútua, abuta, cipó-de-cobra, ciparoba, capeba, catojé, parreira-capeba, etc.

Origem ou Habitat: Nativa do Brasil.

Características botânicas: Segundo LORENZI, é uma planta dióica, trepadeira, de base lenhosa, com ramos de vários metros de comprimento que chegam ao topo de grandes árvores. Folhas simples, arredondadas, peltadas (lembram as folhas da pariparoba (Pothomorphe umbellata)), glabras na face superior e revestidas por uma pubescência sedosa na face inferior. Flores pequenas, amareladas. Os frutos são drupas globosas, vermelhas, de superfície híspida.

Partes usadas: Folhas, cascas e raízes.

Uso popular: O chá das folhas, casca e raízes moídas são usadas pelos indígenas da América do Sul há muitos anos, para a cura de muitas doenças relacionadas às mulheres, por exemplo, para problemas menstruais, dores pré e pós natal, estancar hemorragias uterinas. Outros usos são como analgésico oral e para febres, diurética, expectorante, prevenir riscos de aborto, para aliviar menorragia (menstruação abundante).

Composição química: Alcalóides, saponinas, esteróis, triterpenos, óleos etéreos (Ethyl oleate, Methyl palmitate, Methyl stearate, Methyloleate, Methyl linoleate, Methyl myristate, Tetracosane, Methyl arachate, 1-​Docosene, 14-​Methyl hexadecanoic acid, Methyl pentadecanoate), politerpenos e polifenóis, além da substância tetrandina.

-Flavonóides: Cissampeloflavonas, canferol 3-mono-glicosideos e quercetina 3-mono ou di-glicosídeos.

-Alcalóides: Norimeluteina, norruffscina, tetrandrina, berberina, hiatina, curina, pareirubrinas A e B, grandirrubina, isoimerubrina, dentre outros.

Ações farmacológicas: Possui atividade analgésica, anti-inflamatória, febrífuga e broncodilatadora (LORENZI & MATOS, 2002). Recentes trabalhos concluíram que Cissampelos pareira é fonte natural de potente atividade antiviral contra todos os quatro sorotipos do vírus da dengue(SOOD et all., 2015). Outros estudos apontaram atividade citotóxica das moléculas ácido oleanólico e o ácido oleico com potencial atividade anti-câncer (BALA et all, 2015).

Observações: Outras espécies deste gênero são: Cissampelos sympodialis Eichler, mais comum no Nordeste; Cissampelos glaberrima A.St.-Hil., comum nas regiões Sul e Sudeste; e Cissampelos ovalifolia DC., comum no Cerrado. Todas as espécies possuem propriedades semelhantes.(LORENZI, 2002)

Espécies de Cissampelos tem uma rica história de uso tradicional, sendo usado para ambas as propriedades terapêuticas e tóxicas. É tradicionalmente utilizado para uma variada gama de condições e doenças, incluindo asma, tosse, febre, artrite, obesidade, disenteria, picada de cobra, icterícia e cardíaca, pressão arterial e problemas relacionados a pele. Por outro lado, era tradicionalmente incluídos nas preparações de aplicar curare como veneno de flecha durante a caça para causar a morte de animais por asfixia. (SEMWAL et all, 2014).

Referências: 

BALA, Manju; Pratap, Kunal; Verma, Praveen Kumar; Padwad, Yogendra; Singh, Bikram “Cytotoxic agents for KB and SiHa cells from n-​hexane fraction of Cissampelos pareira and its chemical composition”. From Natural Product Research (2015), 29(7), 686-691. (SCIFINDER) Acesso 03 MARÇO 2016.

LORENZI, H; MATOS, F.J.A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2. ed. Nova Odessa , SP: Instituto Plantarum, 2002.

REZA, H. M.; Shohel, M.; Aziz, Sadia B.; Pinaz, Farzana I.; Uddin, M. F.; Al-Amin, M.; Khan, I. N.; Jain, Preeti – “Phytochemical and pharmacological investigation of ethanol extract of Cissampelos pareira.” From Indian Journal of Pharmaceutical Sciences (2014), 76(5), 455-458. (SCIFINDER) Acesso 03 MARÇO 2016.

SAYANA, Suresh Babu. Evaluation of Diuretic Activity of Alcoholic Extract of Roots of Pharmacology Section Cissampelos Pareira in Albino Rats. Journal Of Clinical And Diagnostic Research, [s.l.], p.1-4, 2014.

SEMWAL, Deepak Kumar; Semwal, Ruchi Badoni; Vermaak, Ilze; Viljoen, Alvaro – “From arrow poison to herbal medicine – The ethnobotanical, phytochemical and pharmacological significance of Cissampelos (Menispermaceae)”. – From Journal of Ethnopharmacology (2014), 155(2), 1011-1028. (SCIFINDER) Acesso 03 MARÇO 2016.

SOOD R, Raut R, Tyagi P, Pareek PK, Barman TK, Singhal S, Shirumalla RK, Kanoje V, Subbarayan R, Rajerethinam R, Sharma N, Kanaujia A, Shukla G, Gupta YK, Katiyar CK, Bhatnagar PK, Upadhyay DJ, Swaminathan S, Khanna N. – “Cissampelos pareira Linn: Natural Source of Potent Antiviral Activity against All Four Dengue Virus Serotypes.” PLoS Negl Trop Dis. 2015 Dec 28;9(12):e0004255. doi: 10.1371/journal.pntd.0004255. eCollection 2015 -(PUBMED) Acesso 03 MARÇO 2016.

KUMAR, Choudhury Pradeep; SACHIN, Jadhav. Extraction and Isolation of Bioactive Compounds from Ficus racemosa Bark and Cissampelos Pareira Root by Chromatographic Techniques. International Journal Of Pharmaceutical Sciences Review And Research, [s.l.], v. 20, n. 2, p.101-106, jun. 2013.

PORTO, Niara Moura et al. Microscopic and UV/Vis spectrophotometric characterization of Cissampelos pareira of Brazil and Africa. Revista Brasileira de Farmacognosia, [s.l.], v. 26, n. 2, p.135-146, mar. 2016.

RAMIREZ, Irama et al. Cissampeloflavone, a chalcone-flavone dimer from Cissampelos pareira. Phytochemistry, [s.l.], v. 64, n. 2, p.645-647, set. 2003.

MANU, Arora et al. ANINSIDEREVIEWOFCISSAMPELOSPAREIRALINN: A POTENTIAL MEDICINAL PLANTOF INDIA. International Research Journal Of Pharmacy, New Delhi, v. 12, n. 3, p.38-41, 2012.

MORITA, Hiroshi et al. Structures and Solid State Tautomeric Forms of Two Novel Antileukemic Tropoloisoquinoline Alkaloids, Pareirubrines A and B, from Cissampelos pareira. Chemical & Pharmaceutical Bulletin, [s.l.], v. 41, n. 8, p.1418-1422, 1993.

http://www.dicionarioinformal.com.br/cip%C3%B3-de-cobra/- Acesso 02 MARÇO 2016

http://www.tropicos.org/Name/20600001 – Acesso 02 MARÇO 2016

Tags: AnalgésicoAnti-inflamatórioBroncodilatadoraFebrífugaMenorreia

ABACATE

27/10/2019 16:36

Persea americana   Mill.

Lauraceae


Sinonímias: Laurus persea L., Persea americana var. angustifolia Miranda, Persea americana var. drymifolia (Schltdl. & Cham.) S.F. Blake, Persea americana var. leiogyna (S.F. Blake) Kelsey & Dayton, Persea americana var. nubigena (L.O. Williams) L.E. Kopp, Persea americana var. toltec Popenoe.

Nomes populares: Abacateiro, abacate (Brasil), aguacate, palta, avocado (Spanish), avocato (Cuba), avocado, alligator-pear (English), “Hojas de Palta” (Peru), e li (pinyin, China), palta (English, United States), kalawakat (Mexico, San Miguel, Tzinacapan and Xaltipan), pero avvocato (Itália), avocatier, avocat (França), avokatbirnen (Alemanha).

Origem ou Habitat: América Tropical (Lorenzi e Matos). Segundo outros autores, Persea é Africana(Scora et al.).

Características botânicas: Árvore grande, de copa arredondada e densa, medindo de 12 a 20 m de altura; folhas ovais a elípticas, simples, com pecíolos finos, verdes escuras; inflorescências tipo panículas densamente grisáceo-puberulentas ou séricas, flores andróginas ou hermafroditas, pequenas, perfumadas, reunidas em racemos axilares e terminais, formadas na primavera e muito procuradas por abelhas.

Partes usadas: folhas, frutos e sementes.

Uso popular: A polpa dos frutos, além de nutritiva devido aos teores de proteína, sais minerais e vitaminas, é considerada na medicina tradicional como carminativa e útil contra o ácido úrico, enquanto os chás obtidos das folhas, da casca e das sementes raladas são considerados úteis como diurético, anti-reumático, carminativo, antianêmico, anti-diarreico e anti-infeccioso para os rins e bexiga, além de estimulante da vesícula biliar, estomáquico, emenagogo e balsâmico. A polpa em casos de caspa e prurido do couro cabeludo, associado com babosa (Aloe vera). A casca do fruto moída é recomendada contra as verminoses.

Composição química: Polpa dos frutos Flores: flavonóides (quercetin-3-O-ramnosídio, isoramntin-3-O-glicosídeo, cumaril-kaempferol, etc).
Sementes(caroço): sesquiterpenos (seychelleno, allo-aromandreno, b-selineno, valenceno, b-bisaboleno, y-cadineno, b-bisabolol e epi-a-bisabolol e tetradecanal)(Resumos Q-027); ácidos graxos(com abundante a-tocoferol), proantocianidina(biflavonil), hidrocarbonetos, derivados esteroídicos e glicídicos, taninos, polifenóis e uma saponina.
Folhas: óleo essencial difere a composição segundo a variedade: (estragol, metil-chavicol, a-pineno, b-pineno, metil-eugenol, cineol e limoneno); dopamina, serotonina, flavonóides (quercetina, catequina, epicatequina e cianidina); abacatina (princípio amargo); persiteol, taninos, persina e tiramina.
Córtex: principalmente taninos. Outros: ácidos málico e acético, carnitina, carotenóides, resinas, etc. (Alonso, 2004).

Ações farmacológicas: Destacam-se suas propriedades anti-inflamatórias, analgésicas, antimicrobianas, diuréticas e cosméticas, além de atividades imunomoduladora e antitumoral, essas em animais de laboratório (Alonso, 2004).

Na França foi desenvolvida uma formulação com as frações insaponificáveis do abacate (Persea americana) e da soja ( Glycine max), para o tratamento da artrose. Foi baseada na riqueza em esteróis destas frações e de uma possível relação sobre o metabolismo do cálcio, similar a ação da vitamina D (Magloire H., 1988 apud Alonso, 2004).

Em outro estudo onde participaram 264 pacientes que sofriam de osteoartrite (coxartrosis o gonartrosis fémoro-tibial) constatou-se que a administração de uma cápsula de insaponificáveis de abacate-soja de 300mg diários, produziu melhorias significativas em 70% dos casos. Mesmo assim, 100% do grupo de pacientes medicados com diclofenaco diminuíram a dose, em média, de 114mg para 40mg diários (Maheu E., 1992 apud Alonso, 2004).
Em ratos o extrato hidroalcoolico reduziu a glicemia e melhorou o estado metabólico dos animais.
Em camundongos, a farinha de semente de abacate reduziu o colesterol total e o colesterol-LDL.

Interações medicamentosas: Os pacientes que recebem tratamento antidepressivo com inibidores da mono-amino-oxidase (I.M.A.O.) podem sofrer crises hipertensivas devido a tiramina. (Sapeika N., 1976 apud Alonso, 2004).
O consumo de 100 a 200g de abacate diários em pacientes que estão recebendo terapia anticoagulante com warfarina diminui o efeito desta droga. Os pesquisadores desconhecem o mecanismo desta interferência (Blickstein et al., 1991 apud Alonso, 2004), mas provavelmente deve-se a vitamina K presente na sua composição química.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Os frutos do abacate são, em geral, bem tolerados para o consumo humano. Existem relatos de alergia associado ao látex.
As cápsulas de insaponificáveis de abacate-soja são bem toleradas, no entanto, longe das refeições podem ocasionar regurgitações.
Existem evidências que o consumo de folhas de abacate podem ser tóxicas para animais, por exemplo cabras (Alonso, 2004).

Contra-indicações: Não é recomendado a decocção das folhas do abacateiro para mulheres grávidas, por ser abortivo (Alonso, 2004), melhor não usar em mulheres que amamentam.

Posologia e modo de uso: Infusão: colocar 1 colher (sobremesa) de folhas ou flores picadas para 1 litro de água. Tomar uma xícara 3 vezes ao dia por 2 a 3 semanas.(Martins, 2000)
Decocção com a semente: ralar o caroço e medir uma colher de sopa para meio litro de água. Ferver, repousar e filtrar. Tomar duas vezes ao dia, por 2 a 3 semanas.

Uso externo: compressas locais com a infusão ou óleo, friccionar várias vezes ao dia. Cataplasma: tostar e moer o caroço do abacate, misturar o pó no próprio chá e aplicar com gaze nos locais afetados (LIMA, 2000).

Fito-cosmético: o óleo é empregado na forma de cremes e loções.
Polpa do fruto: é usado sob a forma de alimento, misturado com gel de babosa para afecções de couro cabeludo.
a dose da fração insaponificável do abacate com a fração insaponificável da soja é : abacate I. 100mg e soja I. 200mg – tomar um comprimido ao dia

Observações: Usos etnomedicinais: Os indígenas Shuar do Equador trituram e maceram as sementes em aguardente para o tratamento de picadas de serpentes; os Tikunas da Colômbia empregam a decocção das folhas como hepatoprotetor; os Sionas-Secoya e os Quechua atribuem-lhe propriedades contraceptivas; no México é frequente o uso da casca seca e moída do fruto como antidisentérico e a infusão das folhas é aplicada para lavar feridas infectadas na pele; em Camerún (África), a decocção das folhas e córtex é usada para hipertensão arterial e a infusão das folhas é empregado como abortivo (Alonso, 2004).

 

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