ARNICA

27/12/2019 17:40

Arnica montana  L.

Asteraceae (Compositae) 


SinonímiasDoronicum montanum Lam.; Doronicum arnica Desf.; Doronicum arnica Garsault; Doronicum oppositifolium Lam.; Arnica helvetica Loudon; Arnica petiolata Schur.; Arnica plantaginisfolia Gilib.

Nomes históricos: Doronicum plantaginis, Doronicum oppositifolium, Doronicum austriacum quartum, Ptarmica montana, Panacea lapsorum, Nardus celtica altera, Chrysanthemum latifolium, Alisma/Caltha alpina.

Nomes populares: Arnica, arnica-verdadeira, arnica-das-montanhas, panacéia-das-quedas, tabaco-das-montanhas, quina-dos-pobres, arnika (Alemão), etc.

Origem ou Habitat: É oriunda da Europa Central e Meridional, Ásia Central e naturalizada na América do Norte.É encontrada em áreas montanhosas (principalmente nos Alpes). Atualmente é uma espécie protegida na Alemanha, Espanha, Itália e Suíça. Não é cultivada no Brasil

Características botânicas: Planta aromática perene de 20 a 60 cm, talo erguido, tomentoso, com poucos ramos e em cuja base localiza-se uma roseta de folhas lanceoladas, estendidas sobre o solo. As folhas superiores são menores, em forma de lança, do lado oposto e ligado diretamente ao caule. As flores são de cor amarela (às vezes alaranjadas), localizadas em localizadas em um capítulo terminal, aparecendo em meados do verão e início do outono (Europeu). O fruto é um aquênio de cor parda.

Partes usadas: Flores.

Uso popular: Uso externo: contusões, traumatismos, distensões, escaras, feridas infectadas, úlceras crônicas, artrites, edema local associado a fraturas, hematomas, hemorróidas, dores musculares, reumáticas e articulares, picadas de inseto inflamadas, flebite superficial, insuficiência venosa crônica, sintomas de veias varicosas, frieiras superficiais, xampus para dermatite seborréica (caspa) e para estimular a circulação sanguínea no couro cabeludo (MILLS; BONE, 2000), infecções cutâneas como acne e furunculoses, inflamações da orofaringe, queimaduras de sol, queimaduras superficiais e pouco extensas, eritema de nádegas (BRUNETON, 2001).

Uso interno somente na forma homeopática.

Composição química: Aminas (betaína, colina, trimetilamina), carboidratos (mucilagem, polissacarídeos, inclusive inulina), cumarinas (escopoletina, umbeliferona), flavonóides (betuletol, eupafolina, flavonol glucoronídeo, (BOTSARIS, 2002; ALONSO, 2004) huispidulina, isoramnetina, campferol, laciniatina, luteolina, patuletina, quercetina, espinacetina, tricina, 3,5,7-triidroxi-6,3’, 4’-trimetoxiflavona, terpenóides (sesquiterpênicos, inclusive derivados de helenalina e diideoelenalina – cerca de 0,5% – arnifolina e os arnicolídeos), óleos voláteis (até 1%, geralmente 0,3% – timol e seus derivados), princípio amargo (arnicina), ácido caféico, carotenóides, fitosteróis, resina, tanino (não especificado)(NEWALL; ANDERSON; PHILLIPSON, 2002).

Ações farmacológicas: Bactericida, antiinflamatória moderada (NEWALL; ANDERSON; PHILLIPSON, 2002), antiequimótica (MILLS; BONE, 2000), antiflogística, vulnerária, anti-séptica, estimulante, analgésica, adstringente, cicatrizante, sudorífica, antitumoral, antiespasmódica, tônica do coração e do sistema nervoso central,. A helenalina e diidroelenalina possuem propriedades analgésicas, antibióticas e antiinflamatórias; a helenalina revelou in vitro atividade imunoestimulante; os polissacarídeos de alto peso molecular demonstraram in vivo atividade imunoestimulante.

Interações medicamentosas: A administração de tisanas ou tinturas pode interagir com drogas digitálicas devido a seu efeito inotrópico positivo (ALONSO, 2004).

Efeitos adversos e/ou tóxicos: É tóxica quando usada internamente (NEWALL; ANDERSON; PHILLIPSON, 2002). Causa irritação das membranas mucosas e sua ingestão pode causar náuseas, vômitos, dor no estômago, cólicas abdominais, agitação, convulsões,³ tontura, diarréia, tremores, (MILLS; BONE, 2000) gastrenterite fatal, paralisia muscular (voluntária e cardíaca), palpitações, falta de ar e até morte (NEWALL; ANDERSON; PHILLIPSON, 2002). O princípio tóxico responsável por esses efeitos é a helenalina. 30 ml de uma tintura a 20% via oral produziram efeitos graves, mas não fatais.

A aplicação tópica provoca dermatite – a arnica é um forte sensibilizante (NEWALL; ANDERSON; PHILLIPSON, 2002). O uso prolongado pode causar eczema, e se utilizada em pele não-íntegra pode causar dermatite edematosa com formação de pústulas. Em altas doses pode causar formação de vesículas e até necrose (MILLS; BONE, 2000).

Contra-indicações: Não deve ser ingerida, exceto em diluições homeopáticas adequadas (ALONSO, 2004) Deve ser usada com cuidado em pessoas alérgicas (BOTSARIS, 2002), pois alguns indivíduos não toleram a aplicação tópica (dermatite de contato) (NEWALL; ANDERSON; PHILLIPSON, 2002), e evitar uso em alérgicos a arnica ou a outras plantas da família Compositae (incluindo camomila, calêndula e mil-folhas) (MILLS; BONE, 2000). Não deve ser aplicada em feridas abertas (apenas em pele íntegra) ou perto dos olhos e da boca, e deve ser retirada ao primeiro sinal de reação. O uso interno é contra-indicado na gravidez, na lactação, em portadores de úlcera gástrica, epilepsia (NEWALL; ANDERSON; PHILLIPSON, 2002) ou portadores de hepatopatia. Não recomendada para uso prolongado, mesmo externamente (MILLS; BONE, 2000).

Posologia e modo de uso: É usada principalmente em preparações homeopáticas e, em menor escala, em produtos fitoterápicos (NEWALL, C. A.; ANDERSON, L. A.; PHILLIPSON, J. D., 2002).

Uso externo: Para cataplasma com tintura, diluí-la 3 a 10 vezes.

Em gargarejos, diluir a tintura 10 vezes.

Pomada: deve conter 10-25% de tintura 1:5 ou aproximadamente 15% de “óleo de arnica”.

Para distensões, contusões e dores musculares, aplicar topicamente pomada ou creme e massagear, ao menos 3 vezes ao dia.

Observações: A palavra arnica vem do grego “arnakis”, que significa “pêlos de carneiro”, e refere-se às sépalas cobertas de pêlos macios que cercam a flor.

Exemplos de plantas conhecidas e chamadas de “arnica”:

  1. Arnica da praia I – Calea uniflora Less.
  2. Arnica da praia II – Porophyllum ruderale (Jacq.) Cass.
  3. Arnica-do-mato – Wedelia paludosa DC.
  4. Arnica-da-serra I – Senecio oleosus Velloz
  5. Arnica-da-serra II – Senecio conyzifolius Baker
  6. Arnica língua-de-vaca – Chaptalia nutans (L.)Pol.
  7. Arnica-erva-lanceta – Solidago microglossa DC.
  8. Arnica-do-cerrado – Lichnophora pinaster Mart

 

 

Referências: 

ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004. p. 178-182.

BLUMENTHAL, M. (ed.). The Complete German Comission E Monographs: Therapeutic Guide to Herbal Medicines. Austin, Texas: American Botanical Council, 1998. p. 83-84.

BOTSARIS, A. S. As fórmulas mágicas das plantas. 3 ed. Rio de Janeiro: Nova Era, 2002. p. 254-256.

BRUNETON, J. Farmacognosia: Fitoquímica, Plantas Medicinales. Tradução de Á. V. del Fresno; E. C. Accame; M. R. Lizabe. 2. ed. Zaragoza, Espanha: Acribia, 2001. p. 619-621.

CHEVALLIER, A. The Encyclopedia of Medicinal Plants. London: Dorling Kindersley, 1996. p. 170-312.

CUNHA, A. P.; SILVA, A. P.; ROQUE, O. R. Plantas e Produtos Vegetais em Fitoterapia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2003. p. 132-133.

MILLS, S.; BONE, K. Principles and Practice of Phytotherapy. Modern Herbal Medicine. [S. I.]: Churchill Livingstone, 2000. p. 269-272.

NEWALL, C. A.; ANDERSON, L. A.; PHILLIPSON, J. D. Plantas Medicinais: Guia Para Profissional de Saúde. São Paulo: Premier, 2002. p. 40-41.

http://www.tropicos.org/Name/2701747 – Acesso em: 09 de março de 2012.

http://www.maze.kinghost.net/erva.aspx?id=ID0E3EAG – fotos- Acesso em: 09 de março de 2012.

http://www.jardimdeflores.com.br/ERVAS/A21arnica.htm – fotos – Acesso em: 09 de março de 2012.

http://www.plantamed.com.br/plantaservas/especies/Arnica_montana.htm – fotos – Acesso em: 09 de março de 2012.

http://www.fao.org/ag/AGP/AGPC/doc/Gbase/DATA/PF000462.HTM – Acesso em: 03 de maio de 2012.

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