ARNICA DA PRAIA I

27/12/2019 17:50

Porophyllum ruderale (Jacq.) Cass.

Asteraceae 


SinonímiasCacalia porophyllum L., Cacalia ruderalis (Jacq.) Sw., Kleinia porophyllum (L.) Willd., Kleinia ruderalis Jacq., Porophyllum ellipticum Cass. , Porophyllum ellipticum var. ruderale (Jacq.) Urb., Porophyllum macrolepidium Malme, Porophyllum obscurum (Spreng.) DC, etc.

Nomes populares: Arnica, arnica-do-campo, couvinha, couve-cravinho, cravo-de-urubu, cravinho, couve-de-galinha, erva-couvinha(DRESCHER, 2001), herva-fresca(HOEHNE, 1978), couve-de-veado, arruda-de-galinha(GALINA, 1998), arnica-do-mato, picão-branco, arnica-da-praia, Pápaloquelite (México), etc.

Origem ou Habitat: Nativa do Brasil (LORENZI & MATOS, 2002).

Características botânicas: Planta herbácea, ereta, de caule ramificado na parte superior. Chega a medir 60 a 120 cm de altura. Suas folhas são verde-escuras, apresentando tom mais claro na face inferior. Flores brancas e fruto do tipo aquênio. Toda a planta exala cheiro característico, intenso(MATOS, 1997).

Partes usadas: Folhas, raízes.

Uso popular: Externamente para ferimentos, escoriações, traumatismos, hemorragias, contusões, edema, inflamações do aparelho genital (RAMOS, et al., 1998). Útil no tratamento da leishmaniose e das micoses de unha (DRESCHER, 2001). Internamente para febre catarral, febre intermitente (MATOS, 1997), hipertensão arterial (GALINA, 1998). Também é utilizada no tratamento de picada de cobra, doenças reumáticas e erisipela (SILVA, et al., 1996).

No México é usada como laxante, mal do fígado (que se caracteriza por mal hálito) e neste caso aconselha-se a comer a raiz e as folhas cruas como verdura, ou tomar seu cozimento. O cozimento das folhas, na forma de banho, é recomendado para ataques de epilepsia. Aplicam-se as folhas localmente para dor de dentes.

Composição química: A análise fitoquímica da planta Porophyllum ruderale demonstrou a presença dos seguintes constituintes: óleos essenciais(principalmente limoneno, α-pineno, mirceno e trans-ocimeno)(DEVINCENZI, et al., 1996), carotenóides, ácidos graxos, alcalóides, agliconas flavônicas, cumarinas, taninos catéquicos, aminas quatenárias, flavonóides, antocianinas, polissacarídeos, saponinas, mucilagens, compostos acetilênicos derivados do tiofeno, triterpenóides e derivados do timol, além de nitrato de potássio(DEVINCENZI, et al., 1996).

Composição do óleo essencial das partes aéreas de Porophyllum ruderale coletadas na Venezuela: foram identificados 23 compostos, os principais constituintes foram uma mistura de limoneno e B-felandreno (50,3%), sabineno (20,2%), undeceno (4,7%), 4-terpineol (3,8%), alfa-pineno (2,9%); Outros: germacreno-D (com atividade antibacteriana), undeceno, trideceno, cis-p-2-menthen-1-ol, linalol, mirceno, p-cimeno, alfa-terpineno, gama-terpineno, beta-cariofileno, p-mentha-1(7),8-dieno, etc.

  • Óleo essencial: α-copaeno, fitol, mirceno, dentre outros.
  • Derivados de Tiofeno: 5-metil-2,2 ′: 5 ′, 2 ″ -tertiofeno e 5′-metil- [5–4(4-acetoxi-1-butinil)] – 2,2 ′ bi-tiofeno.

Ações farmacológicas: Inibe as contorções abdominais induzidas pela prostaciclina e pelo ácido acético em camundongos e aumenta o tempo de latência nos testes de analgesia central Tail-flick e Placa-quente em ratos.

Noutros testes apresentou ação anti-inflamatória, vulnerária(HOEHNE, 1978), cicatrizante, antimicótica(GALINA, 1998), fungicida, sudorífica, anti-febril(MATOS, 1997). Segundo alguns autores, estudos em animais de laboratório apresentaram resultados conflitantes quanto à sua ação anti-inflamatória(RAMOS, et al., 1998),(SILVA, et al., 1996).

Efeitos adversos e/ou tóxicos: O extracto aquoso obtido a partir de plantas inteiras não mostraram efeitos tóxicos quando administrados oralmente na dose de 52.5g/kg.

Um estudo de toxicidade realizado com extrato hidroalcoólico 70% desidratado da parte aérea da planta revelou baixa toxicidade oral desse extrato(SILVA, et al., 1996).

Contra-indicações: Por falta de estudos não é recomendado para gestantes.

Posologia e modo de uso: Aplicação tópica sobre a área afetada com auxílio de um pedaço de algodão ou compressas embebidos na tintura ou maceração em álcool de suas folhas e rizomas.

Observações: Os derivados do tiofeno possuem futuro promissor para produção de medicamentos que combatam a Leishmaniose, e mostrou baixo nível de toxicidade em eritrócitos humanos.

 

 

Referências: 
CONDE-HERNÁNDEZ, Lilia A.; ESPINOSA-VICTORIA, José R.; GUERRERO-COPPEDE, Juliana S. et al. Cell cultures of Maytenus ilicifolia Mart. are richer sources of quinone-methide triterpenoids than plant roots in natura. Plant Cell, Tissue And Organ Culture (pctoc), [s.l.], v. 118, n. 1, p.33-43, 23 mar. 2014.

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DRESCHER, L. (coord.). Herbanário da Terra: Plantas e Receitas. Laranja da Terra,ES: ARPA (Associação Regional dos Pequenos Produtores Agroecológicos), 2001. 58p.

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LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002. p.170-171.

MARONI, B. C.; STASI, L. C.; MACHADO, S. R. Plantas Medicinais do Cerrado de Botucatu. São Paulo: UNESP, 2006. 56p.

MATOS, F. J. A. O Formulário Fitoterápico do Professor Dias da Rocha. 2 ed. Fortaleza: UFC, 1997. Pp. 117.

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POROPHYLLUM ruderale (Jacq.) Cass. Disponível em: https://www.tropicos.org/name/2701154. Acesso em: 01 ago. 2020.

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