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MULUNGU

05/12/2024 14:40

Erythrina mulungu Mart. ex Benth

Família Fabaceae 

Sinonímias:  Erythrina dominguezii Hassl. Erythrina verna Vell
Nomes populares: Mulungu, amansa-senhor, árvore-de-coral, bico de papagaio, canivete, capa-homem, corticeira, flor-de-coral, suinã, suiná-suinã, tiricero.

Origem ou habitat: América do Sul, Brasil, Minas  Gerais, São Paulo, Brasília, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul.                                                  

Características botânicas: Caule: cor ritidoma castanho claro; superfície suberoso; acúleo ausente. Folha: pecíolo armado; formato par estipela subglobosa; lâmina(s) concolor(es); formato folíolo obovado; margem repando. Inflorescência: pseudo-racemoso terminal(ais)/ereta(s). Flor: cálice campanulado/truncado/carnoso; estandarte não ressupinado/laranja/laranja avermelhado; ala aurícula ausente/unguiculada presença; quilha falcada/conata; androceu pseudo monadelfo; antera(s) dorsifixa(s). Fruto: legume forma fusiforme/glabro. Semente: forma reniforme; cor castanha listrada.

Possíveis espécies similares que possam ser utilizadas como adulterantes: A monografia, da espécie Erythrina mulungu, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (2013), descreve a comparação da descrição macroscópica das cascas de duas espécies da família Fabaceae, Stryphnodendron adstringens (Mart.) Coville (barbatimão) e Erytrhina verna. Os pesquisadores citados nessa monografia relatam que a casca de barbatimão é avermelhada e muito fibrosa, enquanto a casca de mulungu tem coloração marrom e é macia e leve. Internamente, a casca de barbatimão é estriada e tem cor marrom avermelhada, enquanto a casca de mulungu tem uma superfície lisa e cor branco-amarelada. Microscopicamente, em secção transversal, as células da casca de barbatimão apresentam uma forma tabular e um arranjo regular, com paredes celulares espessas e avermelhadas, enquanto que as células em mulungu são de diferentes formas; Além disso, as paredes celulares são finas e não apresentam qualquer coloração. Aglomerados de células de pedra são encontrados no parênquima cortical de mulungu e nas cascas de barbatimão. No entanto, no barbatimão, tais grupos podem ser muito densos e as células de pedra, também podem formar camadas contínuas, o que não é observado nas cascas de mulungu. 

Partes usadas: casca, folha e sementes

Uso popular: a monografia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (2013), descreve os principais usos populares de diversas partes de Erythrina mulungu, destacando o uso para insônia e desordens do sistema nervoso central. É também utilizado popularmente para acalmar a agitação, como anticonvulsivante, antidepressivo, sedativo, hipnótico, para dor em geral, enxaqueca, como anti-inflamatório, tranquilizante, para tratar bronquites, como hipotensivo, analgésico e antitérmico. Há relatos de que a tintura das folhas e o decocto das cascas são utilizados pela população para acalmar a agitação e outras desordens do sistema nervoso central, sendo utilizadas como sedativo e para tratar insônia e depressão. Há descrições também de que o decocto das cascas é utilizado como calmante e para insônia. Além disso, as civilizações pré-colombianas utilizavam o decocto das cascas para tratar o medo e dificuldades em tempos de guerra. A decocção das cascas e flores é usada para agitação, asma, processos inflamatórios, tosse e desordens do sistema nervoso, como insônia, ansiedade e depressão. As cascas de Erythrina mulungu são utilizadas por afro-brasileiros como tranquilizante para os nervos e hipnótico.

Efetividade no controle da ansiedade: Ferreira (2023) em um estudo de revisão integrativa com objetivo de selecionar plantas medicinais que possuem indicação para transtornos de ansiedade e realizar um levantamento bibliográfico sobre a efetividade dos tratamentos, relata que não foi possível localizar estudos comprovando a eficácia da Erythrina mulungu no controle da ansiedade. A autora cita estudo de Cunha et al. (2021 apud Ferreira, 2023) no qual foi avaliado fitoterápico de Erythrina mulungu no controle da ansiedade em procedimentos odontológicos. Porém, essa autora cita outra pesquisa de Araújo et al. (2021 apud Ferreira, 2023) que relata que Erythrina mulungu é eficaz e seguro no controle da ansiedade em pacientes adultos submetidos a intervenções odontológicas, uma vez que, o uso dessa planta proporcionou um procedimento cirúrgico mais tranquilo para a maioria dos pacientes, não causou depressão respiratória e anormalidades motoras.   

Interações medicamentosas: monografia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (2013) relata a necessidade de monitorar o uso concomitante do decocto das cascas de Erythrina mulungu com psicotrópicos, anti histamínicos, betabloqueadores e hipoglicemiantes.

Composição química: Proença e colaboradores (2012) relataram a presença de alcaloides, flavonoides, taninos, triterpenos e esteroides após análise por cromatografia em camada delgada das cascas de  Erythrina mulungu.

Lima e colaboradores (2006) verificaram a presença de flavanonas, flavanoides, flavanois, flavanonas e xantonas no extrato etanólico das cascas de  Erythrina mulungu

De Bona e colaboradores (2012) relatam que o extrato hidroalcoólico das folhas apresenta açúcares redutores, fenóis e taninos, proteínas e aminoácidos, flavonoides, alcaloides, depsídeos e depsidonas, derivados de cumarina, esteroides e triterpenoides, saponina espumídica. Relatam também que o extrato hidroalcoólico das inflorescências apresentam açúcares redutores, fenóis e taninos, proteínas e aminoácidos, flavonoides, alcaloides, depsídeos e depsidonas, derivados de cumarina, esteroides e triterpenoides, alcaloides (ácido pícrico), glicosídeos cardiotônicos e glicosídeos antraquinônicos.

Referências

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Farmacopeia Brasileira. 5. ed. Brasília, DF: Anvisa, 2013. Disponível em https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/consultas-publicas/2017/arquivos/MonografiaErythrina.pdf Acessado 14 de outubro de 2024

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC n° 10, de 10 de março de 2010. Dispõe sobre a notificação de drogas vegetais junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília, DF: ANVISA, 2010.

DE BONA, A.P; BATITUCCI, M. C. P; ANDRADE, M.A; et al. Análise fitoquímica e mutagênica de folhas e inflorescências de Erythrina mulungu (Mart. ex Benth) através do teste de micronúcleo em roedores. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, v. 14, n. 2, p. 344-351, 2012. Disponível em https://doi.org/10.1590/S1516-05722012000200014  Acessado em 07 de novembro de 2024

FERREIRA, Cynthia Ketholyn Melo. Uso de plantas medicinais no tratamento de transtornos de ansiedade: uma revisão de literatura integrativa. Orientadora: Maique Weber Biavatti, TCC (Graduação) – Curso de Farmácia, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2023. 

LIMA, M. R. F; LUNA, JS; SANTOS, AF; ANDRADE, MCC; SANT’ANA, AEG; GENET, J.-P.; MARQUEZ, B.; NEUVILLE, L.; MOREAU, N. Atividade antibacteriana de algumas plantas medicinais brasileiras. Revista de Etnofarmacologia , v. 105, n. 1-2, pág. 137-147, 21 abr. 2006. Disponível em https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16356672/ Acessado em 07 de novembro de 2024

LORENZI, H; MATOS, F.J.A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2. ed. Nova Odessa , SP: Instituto Plantarum, 2002.

PROENÇA, GV; SILVA, MG; SABHA, M.; VILA, MMDC Toxicological effects of Erythrina mulungu Mart. on the reproductive performance of pregnant rats. Pharmacologyonline , v. 2, p. 23-28, jan. 2012

https://www.researchgate.net/publication/279861218_Toxicological_effects_of_Erythrina_mulungu_Mart_on_the_reproductive_performance_of_pregnant_rats Acessado em 07 de novembro de 2024

 

SITES CONSULTADOS PARA INFORMAÇÕES BOTÂNICAS

JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO. Flora e Funga do Brasil. http://floradobras.jbrj.gov .br/.

WORLD FLORA ONLINE. Lista de plantas WFO. https ://wfoplantlist.org

TRÓPICOS. Site Trópicos. https://www.tropicos.org /início

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Flora Digital. https ://florad.ufsc.br/ .

GLOBAL BIODIVERSITY INFORMATION FACILITY. Site Global Biodiversity Information Facility.https://www.gb​.gbif .org /pt/.

LEVANTE

06/06/2023 21:30

Mentha sp.

Lamiaceae 


(Difícil de classificar a espécie, pois o gênero se hibridiza).

Sinônimos: Mentha viridis L., Mentha viridis var. cana Lej. & Courtois.

Nomes populares: hortelã, hortelã-de-leite, hortelã-das-cozinhas, hortelã dos temperos, hortelã-vulgar, hortelã das hortas, hortelã-comum, alevante, elevante. 

Origem ou Habitat: Originária de regiões da Europa e África, era cultivada por suas propriedades aromáticas, condimentares e medicinais.

Características botânicas: Perene, 30-100 cm, com aroma forte e doce, menos frequentemente com aroma pungente ou de mofo. A folhas possuem com 5 a 9 cm de comprimento e 1,5 a 3 cm de largura, lanceoladas ou lanceoladas-ovadas, lisas ou rugosas (raramente 40-60 x 25-40 mm, ovadas ou ovadas-oblongas, fortemente rugosas), mais largas perto da base, serrilhadas com dentes regulares (raramente toda a folha é fortemente crispada), glabras a densamente pilosas, os tricomas na superfície inferior são simples e ramificados, a célula basal tem 30-47 µm de diâmetro. Inflorescência variável. As flores são produzidas em hastes finas, cada flor rosa ou branca e com 2,5-3 mm de diâmetro (REFLORA) (Taneja, 2012)

Uso popular: Pode ser consumida na forma de chá, também utilizado como temperos para dar sabor a pratos doces e salgados, além de ser batido com diferentes tipos de polpas de frutas, gengibre e verduras. Mentha spicata é utilizada em diferentes aplicações em diferentes culturas. Na medicina tradicional Iraniana, é utilizado desde antiguidade para o tratamento de diarreia, antídoto, indigestão, fraqueza intestinal, resfriado, gripe, sinusite, dor de cabeça e flatulência. No Brasil, a infusão é utilizada como sedativo, cicatrização de feridas, estômago e contra vermes (Mahendran, 2021). 

Partes usadas: Folhas. 

Composição química: Os principais constituintes do óleo essencial de M. spicata são carvona (40,8%) e limoneno (20,8%), seguidos por 1,8-cineol (17,0%),  β-pineno (2,2%), cis-hihidrocarvona (1,9%) e dihidrocarveol (1,7%). A porcentagem de carvona varia no óleo essencial da espécie que cresce em diferentes países, e essa variação no teor e até mesmo na composição podem ser atribuídas a fatores como o ecótipos, fenofases, a temperatura, umidade relativa, ao fotoperíodo, irradiância, genótipo e as condições agronômicas (época de colheita, plantio, densidade da cultura (Snoussi, 2015). 

Propriedades farmacológicas: Estudos realizados em extratos brutos, óleo essencial ou compostos puros isolados de M. spicata relataram variados efeitos biológicos, incluindo atividade antibacteriana, antifúngica, antioxidante, hepatoprotetora, antidiabética, citotóxica, anti inflamatória, larvicida, potencial antigenotóxico e antiandrogênica (Mahendran, 2021).

Posologia e modo de uso: Pode ser consumida na forma de chá, também utilizado como temperos para dar sabor a pratos doces e salgados, além de ser batido com diferentes tipos de polpas de frutas, gengibre e verduras. Como chá: ferver cerca de meio litro de água com 1 colher de sopa de folhas, deixar cerca de 3 minutos após levantar fervura, desligar, deixar descansar uns 5 minutos, coar e tomar quente ou frio. Ingerir uma xícara de chá umas 4-6 vezes ao dia. Suas folhas maceradas e passadas na pele também atuam como repelente.

Contra Indicações: Contra-indicações não identificadas. 

Efeitos adversos e ou tóxicos: Estudos em animais comprovaram a segurança da planta. No entanto, tratamentos prolongados com altas doses podem levar a  problemas específicos. Logo, é necessário outros estudos sobre sua toxicidade crônica. Se tratando dos óleos essenciais, estudos mostraram que seu uso não apresenta nenhum risco à saúde ou efeitos colaterais com a administração adequada de dosagem terapêutica.

 

 

REFERÊNCIAS: 

1. Mentha spicata L., REFLORA.

2. SNOUSSI, Mejdi et al. Mentha spicata essential oil: chemical composition, antioxidant and antibacterial activities against planktonic and biofilm cultures of Vibrio spp. strains. Molecules, v. 20, n. 8, p. 14402-14424, 2015. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6332415/. Acesso em: 05 junho 2023. 

3. EL MENYIY, Naoual et al. Medicinal Uses, Phytochemistry, Pharmacology, and Toxicology of Mentha spicata. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, v. 2022, 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35463088/. Acesso em: 05 junho 2023. 

4. MAHENDRAN, Ganesan; VERMA, Sanjeet Kumar; RAHMAN, Laiq-Ur. The traditional uses, phytochemistry and pharmacology of spearmint (Mentha spicata L.): A review. Journal of Ethnopharmacology, v. 278, p. 114266, 2021. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0378874121004931?via%3Dihub. Acesso em: 05 junho 2023. 

5. MAHBOUBI, Mohaddese. Mentha spicata L. essential oil, phytochemistry and its effectiveness in flatulence. Journal of Traditional and Complementary Medicine, v. 11, n. 2, p. 75-81, 2021. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2225411017301037#sec7. Acesso em: 05 junho 2023. 

6. Taneja, S.C.; Chandra, S. Mint. In: Peter, K.V. (eds). Handbook of Herbs and Spices. Vol. 1. Cambridge: Woodhead Publishing, 2012.

 

Uso seguro e adequado de plantas medicinais para distúrbios de humor

18/10/2021 12:48

O Horto Didático de Plantas Medicinais do HU/CCS (UFSC), em parceria com a Pró-Reitoria de Extensão – PROEX e o Núcleo de Estudos da Terceira Idade – NETI, realizará cinco cursos de extensão on-line sobre o Uso Adequado de plantas Medicinais e Preservação do Meio Ambiente. Os cursos serão abertos à comunidade para pessoas com 50 anos ou mais.  

O protagonismo do idoso com suas experiências de vida e a troca de saberes entre os sujeitos envolvidos nas rodas de conversa serão incentivados a cada curso, entre outras atividades.
Demais informações sobre os cursos poderão ser encontradas no site do Horto (https://hortodidatico.ufsc.br) e nas demais mídias sociais em @hortodidatico.ufsc

O curso 5 está com inscrições abertas e tem como objetivo compartilhar conhecimento sobre o reconhecimento de algumas espécies plantas medicinais utilizadas para distúrbios de humor, tais como: Capim-limão, Citronela, Melissa, Salva, Valeriana, Maracujá, Camomila, Laranja, Mulungu, Alecrim, Lavanda e Losna a partir da identificação correta, forma de uso e cuidados para o uso seguro, além da apresentação de interações planta-medicamento e planta-planta. 

 

Informações sobre o Curso:

  • Público-alvo: Pessoas com 50 anos ou mais
  • Realização: De 26 de outubro a 30 de novembro
  • Aulas síncronas às terças feiras das 15h às 17h e atividades assíncrona
  • Pré-requisitos para inscrição: O acesso à internet é necessário pois trata-se de um curso on-line
    A equipe do programa acompanhará os inscritos no acesso ao Moodle Grupos, nas aulas virtuais e junto às ferramentas de pesquisa
  • Período de inscrições: De 18/10/21 até 25/10/21 (às 16h) Inscrições gratuitas!
  • Link para as inscrições: http://inscricoes.ufsc.br/activities/6809

    Pessoas que não tenham idUFSC deve primeiro realizar o cadastro seguindo as informações especificadas no link: https://tutorialcadastro

Esclarecimentos pelo e-mail: hortodidatico.ccs@contato.ufsc.br

O protagonismo do idoso na preservação ambiental!

08/06/2021 14:51

📢 Estão abertas as inscrições para o 2° Curso oferecido pelo Horto Didático de Plantas Medicinais do HU/CCS (UFSC) em parceria com a Pró-Reitoria de Extensão – PROEX e o Núcleo de Estudos da Terceira Idade – NETI, O protagonismo do idoso na preservação ambiental!

Este curso tem como objetivo compartilhar conhecimento sobre Compostagem, Permacultura e Agroecologia, além de tratar sobre as temáticas de planta exótica, nativa, ruderal e de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), citando exemplos de plantas medicinais e de partilhar sobre o cultivo de plantas, hortas urbanas e de agricultura urbana.

📌 Período de inscrição: 08/06/2021 – 18/06/2021 (até às 13:00).
📌 Período do curso: De 22 de junho a 27 de julho de 2021.
📌 Horário do curso: Aulas síncronas às terças feiras das 15:00 às 17:00 e atividades assíncronas durante as semanas.
📌 Local: Curso on-line na plataforma Grupos Moodle da UFSC

Esse é um evento aberto ao público. Compartilhe!

Esclarecimentos pelo e-mail: hortodidatico.ccs@contato.ufsc.br

Esperamos por você!

O curso faz parte do Programa “O Protagonismo do Idoso no Uso Adequado de Plantas Medicinais e Preservação do Meio Ambiente”

Acompanhe mais informações no site do Horto e demais mídias sociais em @hortodidatico.ufsc

https://www.instagram.com/hortodidatico.ufsc/

https://www.facebook.com/hortodidatico.ufsc

Dia Nacional do Cerrado

24/02/2021 10:43

Ocorrendo como um grande bloco contínuo no Brasil central, o Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, abrange os estados do Maranhão, Piauí, Bahia, Minas Gerais, Tocantins, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Pará, Rondônia e Distrito Federal, além de aparecer em partes em Roraima e no Amapá.
É considerado a região de savana tropical mais biodiversidade no mundo, porém, pela constante pressão para a abertura de novas áreas a serem incrementadas para a produção de carne e grãos para exportação, o Cerrado tem historicamente sofrido uma taxa de desmatamento superior à da floresta Amazônica. O Cerrado é considerado um dos hotspot de biodiversidade do mundo. Estima-se que em função da expansão da fronteira agrícola brasileira, o Cerrado tenha perdido 46% de sua vegetação nativa, e só cerca de 20% permaneça completamente intocado (Strassburg et al, 2017).

Foi a partir de 1940 que o Cerrado passou a ser estudado sob o ponto de vista agrícola (Embrapa Cerrados, 2002), intensificando-se desde então os movimento de ocupação para o sistema produtivo agrícola nacional. Na década de 70, com a efetivação da capital Brasília-DF pelos esforços de interiorizar o desenvolvimento no país e alavancar o Centro-Oeste, o governo passou a adotar políticas de modernização também na agricultura, o que possibilitou a nova configuração de ocupação do Cerrado com o fortalecimento da pesquisa agropecuária, materializado na criação da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária em 1973, alimentando a estratégia de geração e adoção de conhecimentos e tecnologias e pela implementação de programas de incentivo, em que destacaram-se dois para o desenvolvimento da nova fronteira agrícola brasileira: Programa de Desenvolvimento dos Cerrados – POLOCENTRO e Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados – PROCEDER (esse último financiado em grande medida pelo Japão), que possibilitaram desde a compra de terras, até a assistência técnica aos agricultores de médios e grandes empreendimentos agropecuários (Agência Senado, 2020).

Assim, principalmente produtores gaúchos e do oeste paranaense com experiência no plantio de grãos, migraram para o Centro-Oeste atraídos pelo baixo preço das terras, facilidade de remoção da vegetação nativa, investimentos em infraestrutura e pesquisa e dispondo de juros subsidiados e de longos prazos: incentivos do governo para o desenvolvimento de uma economia agropecuária tecnicizada pela progressiva substituição da agricultura itinerante por grandes extensões de monoculturas. Inicialmente pela incorporação de extensas áreas para o cultivo de soja, seguida de outras culturas como milho, algodão e cana-de-açúcar. Além destes, o crescimento da área cultivada com pastagem, notadamente do gênero Brachiaria spp, acelerou a partir dos anos 70, estimulada por políticas públicas e de crédito nacionais e internacionais voltadas para exploração de grãos e de carnes.

Dessa forma, tal ênfase na agricultura em larga escala, além de resultar na progressiva inviabilização da pequena agricultura familiar, aumentou potencialmente os danos ambientais da Região, pois a mecanização agrícola, além de atuar na substituição da vegetação nativa, foi acompanhada pela alta degradação ambiental decorrente da utilização indiscriminada de agrotóxicos e fertilizantes, contaminando solo, ar e cursos d’água, que somados ao desmatamento, aceleram a erosão do solo e promovem o assoreamento dos rios, deixando à margem também as populações nativas: indígenas, babaçueiras, quilombolas, ribeirinhos e comunidades quilombolas tradicionais que sobrevivem de seus recursos naturais do Bioma, preservando o conhecimento tradicional e a sua biodiversidade.

O resultado de tais políticas referente a alteração no Bioma é vertiginoso, de cerca de 6% da soja do país no início da década de 1970, a Região do Cerrado produziu na safra 2013/2014 mais da metade (52%) da soja cultivada no Brasil, sendo esse cultivo responsável por 90% (15,6 milhões de hectares) da agricultura no Bioma (Filho, 2016).
Contudo, apesar da alta demanda da terra para a produção de soja e outros cultivares no Cerrado, é a produção animal a principal atividades econômica exercida no território. Tal produção teve igualmente grande aumento nas últimas décadas, saltando de 7% em 1970 para 19,5% em 2009, detendo cerca de um terço do rebanho bovino nacional (Ipeadata, 2013). O Cerrado é responsável por 55% de carne produzida no Brasil (EMBRAPA, 2008), e neste bioma encontram-se ainda, o maior número de frigoríficos com inspeção federal e o maior número de indústrias frigoríficas aptas à exportação de carnes (Macedo 1997).
Para além, contribuindo para a degradação ambiental do Cerrado, somam-se ainda a caça predatória, o extrativismo pela exploração de produtos madeireiros, ornamentais, alimentares e medicinais, e produção de carvão vegetal para a indústria siderúrgica, esta última que em 2005, dos 9,5 milhões de toneladas de carvão produzidos no Brasil, 50% veio da queima da vegetação nativa, em maior parte do Cerrado (Peixoto et al, 2016).
Assim, em gritante contraste ao aumento da importância econômica do Bioma, principalmente aos olhos do agronegócio pelo modelo agro-exportador dependente brasileiro, o Cerrado é um dos biomas mais ameaçados do Brasil. Urge à sociedade a luta por políticas públicas que atuem pela preservação e conservação do Cerrado, pelo fomento em atividades econômicas sustentáveis e não destrutivas ao Bioma que abriga cerca de 5% de toda a biodiversidade mundial.

Bibliografia:

Embrapa Cerrados. 2002. II Plano Diretor Embrapa Cerrados 2000-2003. Planaltina: Embrapa Cerrados.

A expansão da soja no Cerrado Caminhos para a ocupação territorial, uso do solo e produção sustentável, Filho, A. C. e Costa, K. 2016 – EUCLIDES FILHO, K. A pecuária de corte no cerrado brasileiro. Brasília: EMBRAPA Cerrados, 2008.

SANO, E. E.; ROSA, R.; BRITO, J. L. S.; FERREIRA, L. G. Mapeamento semidetalhado do uso da terra do Bioma Cerrado. Pesquisa agropecuaria brasileira. Brasília, v.43, n.1, jan. 2008, p.153-156.

RIBEIRO, J. F.; SANO, S. M.; MACEDO; SILAVA, J. A. Os principais tipos fitofisionômicos da região dos Cerrados. Embrapa-CPAC, Planaltina, DF. 1983

RIBEIRO, J. F.; BRIDGEWATER, S.; RATTER, J. A. & SOUSA-SILVA, J. C. Ocupação do bioma Cerrado e conservação da sua diversidade vegetal. In: SCARIOT, A.; SOUSA-SILVA, J. C. & FELFILI, J. M. (org.). Cerrado: ecologia, biodiversidade e conservação. MMA. Brasília, DF. 2005

PEIXOTO, Ariane Luna; BRITO, J. R. P. L. E. M. A. D. Conhecendo a Biodiversidade: Cerrado – Um bioma rico e ameaçado . 1. ed. Brasília: Editora Vozes, 2016.

MACEDO, M.C.M. Pastagem no ecossistema Cerrados: pesquisas para o desenvolvimento sustentável. In: SIMPÓSIO SOBRE PASTAGENS NOS ECOSSISTEMAS BRASILEIROS, I, 1995, Brasília. Anais… Brasília: Sociedade Brasileira de Zootecnia, 1997.

Brasília foi marco para expansão da fronteira agrícola Fonte: Agência Senado

ESTRASBURGO, B. et al (2017). Momento da verdade para o hotspot do Cerrado. Natureza Ecologia e Evolução

Plantas nativas da Mata Atlântica – e implicações quanto à origem das plantas

23/02/2021 16:12

A manutenção da biodiversidade é um dos objetivos mais importantes para a conservação do meio ambiente e preservação das espécies, incluindo o Homo sapiens. Nesse sentido, compreender que a diversidade biológica não é um evento exclusivamente biológico, mas também uma construção cultural e social, é essencial para regressarmos à compreensão de conexão intrínseca entre todos os seres da natureza.
A existência e o contato das sociedade com a exuberância das espécies naturais é fonte de inspiração, conhecimento, domesticação e subsistência das comunidades humanas.
Observar a composição e a distribuição de espécies, especialmente de plantas nos ecossistemas e o resultado da introdução de espécies exóticas, considerando que podem causar modificações de ciclos e características naturais dos ecossistemas criando novos habitats, é muito importante.
No post, demonstramos imagens de espécies de plantas nativas da Mata Atlântica, versamos sobre a valorização da flora local, conceituamos expressões quanto à origem das plantas e seu uso paisagístico.
Confira, curta, comente e compartilhe este conhecimento. Contamos com você para semear a valorização das espécies!

Bibliografia:
BRASIL, Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Biodiversidade e Florestas – Comissão Nacional de Biodiversidade (CONABIO) – Estratégia Nacional Sobre Espécies Exóticas Invasoras, 2009.

BRIGHENTI, A. M.; OLIVEIRA, M. F. Biologia de Plantas Daninhas. Biologia e Manejo de Plantas Daninhas. 2011

EMBRAPA. Glossário de Recursos Genéticos Vegetais. 1ª edição. Brasília: SPI – Serviço de Produção de Informação, 1996.

Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina; Disponível em: <http://www.ufrgs.br/fitoecologia/florars/index.php?pag=apresenta.php> Acessado em: 13/01/2021

Flora de Santa Catarina; Disponível em <https://floradesantacatarina.wordpress.com> Acessado em: 13/01/2022.

MATOS, Christiano da Conceição de et al. Influência das interações planta daninha-microbiota do solo sobre a capacidade competitiva vegetal e a mineralização rizosférica da matéria orgânica. 2017

PALEARI, L. M. Plantas Ruderais: O mato que alimenta, protege e embeleza o ambiente. Rede Sans, Guia Alimentar, 2015.

PROENÇA, M. D. S., et al. “Espécies Nativas E Exóticas No Ensino De Ciências: A Construção De Práticas Educativas Para O Ensino Fundamental”. Revista Contexto & Educação; vol. 32, n. 103, dezembro de 2017, p. 213. DOI.org (Crossref) , doi: 10.21527 / 2179-1309.2017.103.213-247.

SANTOS, Edson Aparecido dos et al. Occurrence of symbiotic fungi and rhizospheric phosphate solubilization in weeds. Acta Scientiarum. Agronomy, v. 35, n. 1, p. 49-55, 2013.

TROPICOS.ORG. Jardim Botânico de Missouri. 13 de janeiro de 2021 <http://www.tropicos.org/Image/100194255> Fotógrafo: Germaine A. Parada CC-BY-NC-SA

ZILLER, S. R. Plantas exóticas invasoras: a ameaça da contaminação biológica. Revista Ciência Hoje; v. 30, n. 178, p. 77-79, 2001.

Barbatimão (Stryphnodendron adstringens (Mart.) Coville) II

23/02/2021 16:09

Bibliografia:
DIAS, J.E.; LAUREANO, L.C. (Coord.) Farmacopeia Popular do Cerrado. 1 ed. Goiás: Articulação Pacari, 2009.

PANIZZA, S.; ROCHA, A.B.; GECCHI, R.; SOUZA E SILVA, R.A.P. Stryphnodendron barbadetiman (Vell.) Martius: teor de taninos na casca e sua propriedade cicatrizante. SciELO. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, v. 10, p.101-106, São Paulo. 1988.

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Plantas Medicinais – Conceitos

23/02/2021 16:04

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Barbatimão (Stryphnodendron adstringens (Mart.) Coville) I

23/02/2021 15:58

Bibliografia:
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BRASIL. MONOGRAFIA DA ESPÉCIE Stryphnodendron adstringens (MART.) COVILLE (BARBATIMÃO). Ministério da Saúde e Anvisa. Brasília. 2014.
LORENZI, H.; MATOS, F. J. de A. Plantas Medicinais no Brasil: Nativas e Exóticas. 2. ed. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2008.
OCCHIONI, E. M. L. Considerações taxonômicas no gênero Stryphnodendron Mart. (Leguminosae-Mimosoideae) e distribuição geográfica das espécies. Acta Botânica Brasilica, Porto Alegre, v. 4, n. 2, p. 153-158, 1990.
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PELLENZ, Neida Luiza; BARBISAN, Fernanda; AZZOLIN, Veronica Farina; MARQUES, Liana Pinheiro Santos; MASTELLA, Moisés Henrique; TEIXEIRA, Cibele Ferreira; RIBEIRO, Euler Esteves; CRUZ, Ivana Beatrice Mânica da. Healing activity of Stryphnodendron adstringens (Mart.), a Brazilian tannin-rich species: a review of the literature and a case series. Wound Medicine, [S.L.], v. 26, n. 1, p. 163-171, set. 2019. Elsevier BV
PINDORAMA FILMES. Um pé de quê? Barbatimão. Youtube, 16 de Maio de 2016. Disponível em https://youtu.be/shCg-m0l138. Acesso em: 07 de Outubro de 2020.

AÇAFROA

24/02/2020 19:04

Curcuma zedoaria  (Christm.) Roscoe.

Zingiberaceae


SinonímiasAmomum zedoaria Christm., Curcuma pallida Lour.

Nomes populares: Açafroa, açafrão-da-índia, açafroeira, açafrão-da-terra, zedoária, gengibre-de-dourar, gengibre-dourado, gengibre amarelo, mangarataia.

Origem ou Habitat: Índia.

Características botânicas: Segundo a descrição de SILVA JUNIOR, 2003: planta herbácea, perene, medindo de 1,3 a 1,5m de altura. Folhas inteiras, oblongo-lanceoladas, com 50 a 80cm de comprimento, com nervuras secundárias púrpuras ao longo da nervura mediana e secundária. A inflorescência é cilíndrica, crescendo a partir do rizoma antes das folhas. As flores são amareladas e as brácteas esverdeadas com as pontas cor-de-rosa. O florescimento ocorre de outubro a novembro. O rizoma principal é cônico, tuberoso, medindo cerca de 5cm de comprimento, emitindo outros rizomas secundários que, por sua vez, originam estruturas de reserva de formato piriforme, que posteriormente dão origem a outras plantas.

Quanto ao clima e solo, cresce espontaneamente em altitudes das regiões tropicais, onde o clima é temperado e úmido. Prefere solos areno-argilosos, bem drenados e soltos. O plantio deve ser em outubro e a colheita dos rizomas após 8 meses do cultivo, em julho ou agosto.

Partes usadas: Rizomas.

Uso popular: Segundo irmã Eva Michalak, 1997, a zedoária é usada para afecções hepáticas, urinárias e resfriados.

Lorenzi & Matos, 2008, relatam seu uso como estomáquico.

No Herbanário da Terra, 2001, ressaltam suas propriedades estimulantes das funções hepáticas, digestivas e intestinais; é muito eficaz no tratamento de mau hálito de origem gástrica, além de ser considerada antifúngica, antisséptica, anti-inflamatória, carminativa e colagogo. Possui efeito contra carcinoma do útero, cérvix e de pele.

Na Índia, o rizoma da zedoária é usado popularmente em perfumaria e como um condimento. Tem usos semelhante ao do gengibre.

Composição química: Óleo essencial (1 a 1,5%) composto principalmente de a-pineno D-canfeno, 1,8-cineol, D-cânfora, D-borneol, álcool sesquiterpênico, zingibereno, dimetoxicurcumina, bisdimetoxicurcumina, curcolonol, guaidiol, elemano, cadinano, eudesmano, guaiano, curcumina, zedoarona, curzerenona, etil-p-metoxicinamato, espirolactonas (curcumanolídeo A e B); sesquiterpenos; pigmento azul; amido, resina, vitaminas B1, B2, B6; sais minerais.

Em Em revisão literária da composição química também foram encontrados:  óleo essencial: Epicurzerenona e curzereno como compostos majoritários (sesquiterpenos). Amido. Diarilheptanoides: Curcumina como majoritário (Hakansson, 2018).

Ações farmacológicas: Digestiva, eupéptica, rubefaciente, antifúngica, anti-inflamatória, analgésica, carminativa, colagogo e antitumoral.

Efeitos adversos e/ou tóxicos: Doses acima de 15g/dia já é considerado superdosagem, podendo causar irritação da mucosa estomacal e úlceras (Teske e Trentini, 1997, apud SILVA JUNIOR, 2003).

Experimentos em ratos, dando-lhe como única fonte de alimentação farinha integral do rizoma de zedoária ou torta feita de rizomas triturados e secos, na dose de 320g/Kg a 400g/Kg, de 4 a 6 dias, causou a morte de 100% dos mesmos.

Contra-indicações: O seu uso é contra-indicado para mulheres nos três primeiros meses de gestação e durante a amamentação.

Posologia e modo de uso: Infusão: colocar 1 colher de chá de rizomas finamente fatiados em uma xícara e adicionar água fervente. Tomar em jejum e antes das principais refeições, como estomáquico.

Para os casos de afecções pulmonares (expectorante, tosse, bronquite) colocar 3 colheres de chá de rizomas fatiados em uma xícara de água fervente, depois de morno adicionar mel e tomar 1 colher de sopa 3 x ao dia.

Observações:  Apresenta ações semelhantes a Curcuma longa devido a seus compostos químicos.

O rizoma, ao ser cortado, apresenta uma coloração azulada. Após ser seco e moído, dá origem a uma farinha aromática de cor creme.

Tanto o rizoma como o produto processado são fotossensíveis.

Possui odor agradável que lembra a cânfora e o alecrim, e sabor amargo, pungente, quente e canforáceo.

É cultivada como ornamental.

Referências: 

CHEVALLIER, A. The Encyclopedia of Medicinal Plants. London: Dorling Kindersley, 1996. p. 195.

DRESCHER, L. (coordenador). Herbanário da Terra: Plantas e Receitas. Laranja da Terra, ES: ARPA (Associação Regional dos Pequenos Produtores Agroecológicos), 2001. p. 114.

HAKANSSON, R. B. Revisão literária da composição química das plantas constantes no site do Horto Didático de Plantas Medicinais da UFSC (parte I). Orientadora: Maique Weber Biavatti, TCC (Graduação) – Curso de Farmácia, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2018.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.

MICHALAK, E., Irmã. Apontamentos fitoterápicos da irmã Eva Michalak. Florianópolis: Epagri, 1997.

SILVA JUNIOR, A.A.. Essentia herba – Plantas bioativas. Florianópolis: Epagri, 2003.pgs. 292-300.

http://bases.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online/ – acesso em 27 de setembro de 2012.

http://www.tropicos.org/Name/34500778?tab=synonyms – acesso em 21 de setembro de 2012.

Tags: Anti-inflamatórioAntifúngicoAntissépticaAromáticaCarminativaColagogoCondimentoDigestivoEstomáquico
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