Sobre o Horto

16/10/2019 01:36

As plantas medicinais fazem parte da história do ser humano e ainda hoje do cotidiano de grande parte da população, em torno de 80% da população as utilizam ou como opção única de tratamento ou em associação com medicamentos de síntese ,  estudos mostram a eficácia de algumas plantas medicinais – alho , erva balieira;   espécies que podem causar agravos a saúde – confrei , cipó milomens ; interações medicamentosas – erva de são joão e indinavir ; plantas que deve ser evitada em grávidas buchinha do norte , cipó cilomens ; o dia a dia nos faz ver a eficácia de uma planta – manjericão – em uma criança com estomatite . Estes fatos poderiam nos fazer pensar ser lógico o ensino de plantas  medicinais e seu uso seguro e adequado aos graduandos da área da saúde e afins ; Analisando o currículo do sistema de formação de recursos humanos para a área de saúde ( e das ligadas ao tema , Agronomia , Biologia / Botânica ) notamos ser  raro incluir este saber/conhecimento na grade curricular.

Estes fatos – população que utiliza um método terapêutico X profissional de saúde que desconhece X sistema formador quase ausente – nos remetem a necessidade de informar / formar aos profissionais de saúde e aos graduandos de nossas universidades no uso correto e adequado das plantas medicinais.

Como meio de atingir este objetivo temos várias ” frentes de ação “, uma  é incluir na grade curricular de todos os cursos que se relacionam com o assunto a disciplina Plantas Medicinais  e Comestíveis, outra  é proporcionar aos trabalhadores da área de saúde , Agronomia e Biologia / Botânica cursos de formação / informação em plantas medicinais.

A inclusão do estudo de Plantas Medicinais no curso de Medicina inicia em 1997  ;  com a mudança no internato de medicina de 2 para 3 semestres, permitiu que, na 10ª fase os alunos tivessem informações sobre 03 (três) racionalidades das chamadas  Práticas Integrativas e Complementares – 1ª) Acupuntura e  Medicina Tradicional Chinesa (MTC), 2ª) Homeopatia e 3ª) Plantas Medicinais – cada uma com 16 horas/semestre dentro da carga horária do Departamento de Saúde Pública; com a reforma curricular em 2003 os alunos perdem esta vivência e hoje na UFSC existem disciplinas optativas de Acupuntura, MTC, PNPIC e duas disciplinas optativas de plantas medicinais (SPB7010 e NFR 5167) que fazem a prática no Horto Didático de Plantas Medicinais do HU/CCS/UFSC.

Parte do aprendizado em plantas medicinais é feito através da interação com os espécimes conhecidos como medicinais e/ou comestíveis, desta maneira podemos apreciar sua forma, sentir  o seu odor, o  sabor, a textura de suas folhas, conhecer o nome dado pelos botânicos e pela população; reconhecer plantas diferentes com o mesmo nome popular ( boldo  Peumus boldus, Plectranthus spp, Vernonia condensata ), planta com forma, cheiro sabor, indicação e nomes  populares diferentes (Lippia alba – “melissa”, salva, erva-cidreira).

Para isto,  tornou-se necessário um local para plantio dos espécimes utilizados pela população e que seriam mostrados aos alunos;  o primeiro local das aulas práticas foi onde é hoje o Parque Ecológico do Córrego Grande, no período de  1997 a 1998, a partir de 1999 foi permitido o uso de uma área que já era cercada, perto do HU-UFSC,  com aproximadamente 800m²,  como local de plantio das diversas espécies utilizadas pela população  e assim foi criado o Horto Didático do HU/CCS/UFSC, que permite aos alunos  o contato com plantas medicinais  utilizadas pela população e mesmo plantas exóticas que tem ação medicinal mas não tradição de uso em nosso meio, como exemplos:  Ruscus aculeatus e Cnidoscolus chayamansa.

Além das aulas práticas das disciplinas optativas de plantas medicinais,  no local acontecem outras atividades , uma delas são os encontros as quintas-feira pela manhã,  onde pessoas interessadas vão para conversar sobre plantas, cuidar de canteiros, preparar mudas de ervas,  e interagir com o horto e suas plantas; algum

as vezes trazem espécimes para esclarecimentos ( um senhor trouxe uma planta do gênero Mahonia com folhas de margem com espinhos para saber se era espinheira santa ) e assim contribuem para aumentar o acervo ; somos visitados por escolas ;  pessoas que fazem grupo de atenção a saúde em UBS da rede municipal ; estudantes de outras unidades de ensino.

Esta página é um levantamento bibliográfico e relatos de uso de algumas espécies que observamos no dia a dia, tanto de plantas seguras como de plantas que podem causar agravos a saúde.

Agradecemos a todos que colaboraram na elaboração desta página.

 

 

 

 

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Cuidados Gerais

16/10/2019 01:30

Utilize qualquer planta medicinal com extremo cuidado em crianças menores de 2 anos e durante gravidez e amamentação. Algumas plantas são contra-indicadas nesses períodos; sempre observe os avisos.Utilize com cuidado em indivíduos em uso de medicação e/ou com condições médicas pré-existentes.

  • Sempre observe as possíveis interações medicamentosas de cada planta, seus efeitos colaterais e contra-indicações.
  • Doses elevadas e prolongadas podem aumentar a incidência de efeitos colaterais.
  • Plantas podem causar efeitos colaterais transitórios, como náusea, vômitos e desconforto gastrointestinal, devido a uma variedade de constituintes químicos.
  • Deve-se tomar cuidado em indivíduos com alergia conhecida a plantas.
  • Ao usar  produtos fitoterápicos é importante ler os constituintes da fórmula ,  que deve ter o nome científico além do popular

Referências:

LAVALLE, James B. et al. Natural Therapeutics Pocket Guide. Hudson, OH: Lexi-comp; Cincinnati, OH: Natural Health Resources, 2000

 

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Apresentação

16/10/2019 01:11

As plantas são garantia da existência para a maioria das espécies que compõem a cadeia da vida. A sobrevivência e desenvolvimento da humanidade foram sustentados na interdependência com as plantas. Inicialmente, nos proporcionaram alimento e abrigo. Posteriormente, estabeleceram-se outras relações com a flora, as quais evoluíram em diversas dimensões.

Ao observarmos marcas legadas de nossa pré-história, pode-se inferir o uso mágico da flora, possivelmente contribuindo no enfrentamento de nossas primeiras angústias existenciais.
Observador perspicaz, o ser humano experimentou plantas e destacou variedades capazes de reduzir sofrimentos e estabeleceu uma dimensão terapêutica para a flora. Esta prática permaneceu e chegou à atualidade, transpondo novas dimensões culturais, estabelecendo a distinção como “medicinal” para incontáveis espécies vegetais. Desta forma, as plantas adquiriram um status social e importância econômica, destacando-se como possibilidade mercadológica de ponta.

As plantas não são boas nem ruins. São apenas criaturas que cumprem seu papel na natureza. Fazem parte da diversidade de formas que a vida escolheu para se manifestar e manter-se no planeta. “Sua utilidade, se a planta é “boa” pra isso ou “boa” para aquilo”, depende dos usos que as outras formas de vida, dentre elas, o ser humano faz dela! Podem ser utilizadas como abrigo nas intempéries, nutrição, medicamento, adorno, cosmético e até arma, desde uma clava até um veneno fatal. As plantas aproximam as pessoas porque são um bom assunto para conversas.

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